O difícil combate à corrupção
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Publicado 11/09/2017 - 10h46

Combater a corrupção no Brasil é uma tarefa árdua, pois o número de envolvidos é enorme e está disseminado em inúmeras instituições e partidos políticos. Os corruptos têm feito bastante alarde procurando transformar em normais as práticas reprováveis e em consequência adotam posturas de “anjos perseguidos” quando denunciados ou apanhados praticando o ilícito. Ações absolutamente anormais e reprováveis passam a ser tratadas como rotineiras como se não encobrissem qualquer malfeito. Entre as mais recentes e mais notórias estão os casos de dinheiro na cueca, que parece ser uma prática comum no meio; de malas abarrotadas de dinheiro sendo levadas às pressas pelas ruas; outras filmadas no momento da entrega às escondidas; depósito milionário feito de uma só vez em cadernetas privadas de aposentadoria; volumes enormes de dinheiro em espécie guardados em residências, entre outras práticas comuns nestes dias de devassa na corrupção.
A corrupção deve ser vista tal como ela é, ou seja, como desvio de dinheiro público para fins particulares. Dinheiro que deveria ir para a saúde, educação, assistência social, construção de infraestrutura entre outras necessidades do país. Pessoas morrem pela ausência de atendimento médico, crianças ficam sem escola e muitos outros padecem diversos males pela ausência de investimento público devido ao dinheiro desviado pela corrupção. É o pior crime que pode ser cometido. Abominável sob todos aspectos. Aos praticantes só cabe a cadeia, em regime fechado.
Os corruptos de direita, de esquerda e de centro se articulam de todas as maneiras, num movimento sem precedentes na história do Brasil, para combater aos que fazem a devassa na corrupção. Seu alvo na verdade é a democracia e o Estado de Direito. Os investigados e seus defensores procuram descaracterizar as ações da justiça e degradar seus agentes do modo mais leviano possível utilizando suas contas nas redes sociais. Atacam a imprensa, descaracterizando a crítica salutar da mídia, que deve imperar em qualquer democracia. A ação é voltada para a disseminação do ódio aos que se lhes opõem. Quanto mais dividida está a opinião pública, melhor para os corruptos, que ganham espaço para migrar de posição de acordo com seus interesses mesquinhos. Para eles, quanto mais desinformada a população estiver, melhor para utilizarem com desenvoltura a pratica de disseminação de falsas notícias (fake news) nas redes sociais.
O comum entre os corruptos é a aliança informal existente entre eles, unindo as duas pontas do espectro político - direita e esquerda. Essa estratégia de ação faz com que os que estão na oposição, combatem as medidas do governo, mas não denunciam a corrupção, posto que estariam dando um tiro no próprio pé e dando oportunidade de resposta. Do mesmo modo, estando na base aliada do governo não atacam a corrupção da oposição, pelo mesmo motivo. Claro que há os desavisados que vez ou outra cometem o erro de tocar no assunto, mas logo são enquadrados pelos chefes da respectiva quadrilha.
Na democracia, o pior inimigo dos corruptos é a imprensa livre, que expõe suas entranhas e os submetem ao julgamento público, seu maior temor, por isso o regime dos sonhos deles é a ditadura, que cala as vozes discordantes. Não é de se estranhar que apareçam de um lado ou outros frequentes ataques à mídia. O ex-presidente condenado por corrupção na lava jato em campanha ostensiva pelo Nordeste em agosto, mais uma vez criticou o trabalho da imprensa e declarou que se ganhar a eleição fará a regulação dos meios de comunicação.
As tentativas de desacreditar o combate a corrupção no país estão em seu ponto máximo e contam com inúmeras personalidades dos mais diversos matizes. Muitos intelectuais que perderam o senso crítico fazem parte dessa corrente e tergiversam em suas manifestações procurando justificar malfeitos que levaram o país à situação atual. Ignoram fatos, evidências e idolatram personagens duvidosos e condenados pela justiça. Nem questionam o simples fato do alinhamento inconfesso de se juntar aos que buscam desmoralizar a nossa democracia.
A lava jato, sem sombra de dúvida, é o maior movimento já realizado na história do Brasil de combate à corrupção. Colocou na prisão políticos e grandes empresários, o que poucos acreditavam que poderia ser feito. Recuperou para os cofres públicos milhões de reais. E está num processo de se manter, mesmo combatida por todos os lados, especialmente pelos investigados e seus aliados.
A defesa da continuidade da investigação, nos moldes em que atua, é uma obrigação de todo democrata, pois representa o que de melhor tem a democracia. Tratar a todos com justiça e sem distinção. Poderosos que se sentiam à margem da lei estão sendo investigados, julgados e encarcerados. Mas há muito a ser feito ainda. Muitos estão soltos e escarnecem diariamente da justiça, por se julgarem acima da lei.