A mediocridade nos partidos políticos
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Publicado 29/11/2017 - 12h54

A mediocridade nos partidos políticos

Os acontecimentos ao longo do ano mostraram a incapacidade dos grandes partidos políticos – PMDB, PT e PSDB em administrar os diversos problemas que afligem o país. A inexistência de organizações políticas reconhecidas pela sua idoneidade e pela coerência de sua atuação gera uma situação em que não existem ações claras e convincentes capazes de sensibilizar as pessoas e leva-las a confiar na política como saída para a crise. Este é um quadro que leva a cidadania a buscar alternativas em indivíduos que personifiquem uma saída para sua situação atual quer sejam lideranças populistas - Bolsonaro e Lula estão em evidência - ou outsiders da política que surgirão ao longo do processo eleitoral.
Pelo desgaste dos grandes partidos e a inexpressividade dos demais a tendência claramente aponta que a disputa eleitoral se dará com base na biografia dos candidatos.
O Brasil vive uma situação anacrônica, sui generis. Temos um governo com baixíssima credibilidade e um presidente com baixo poder de decisão, nessa situação o que se esperaria é que houvesse uma oposição ativa e com propostas alternativas para a crise, demonstrando sua capacidade política, em contraste com a improvisação governamental. No entanto, não é o que ocorre. A oposição encontra-se igualmente mergulhada numa crise ética, com inúmeros parlamentares envolvidos em corrupção, levando muitos de seus seguidores a questionarem a veracidade de seus propósitos. Tanto na situação, quanto na oposição a preocupação majoritária está focada na sobrevivência política de seus integrantes.
Para a democracia, é necessário que os grandes partidos políticos que governam ou tem aspiração de ser governo tenham capacidade técnica, moral e política suficientes para atender às demandas da cidadania e administrar as diversas pressões dos grupos de interesse, buscando um equilíbrio justo na repartição dos bens sociais. Quando ao menos algum destes fatores falta num partido político, se está diante de um vazio de alternância de poder que será ocupado por agrupações menores que abrigarão aqueles indivíduos que personificarem as mudanças no entendimento da população.
Não há no Brasil hoje nenhum agrupamento político que se destaque ao menos num dos fatores mencionados. Os três partidos majoritários - PMDB, PSDB e PT estão envolvidos em denúncias de corrupção e seus principais líderes se destacaram nesse quesito: Temer escapou de ser julgado pelo STF a um custo elevado para obter os votos na Câmara dos Deputados; Aécio Neves está desmoralizado e transita com dificuldade dentro de seu próprio partido; Lula está condenado por corrupção na Lava Jato e percorre o país em campanha eleitoral sem nenhum disfarce, afrontando a legislação.
Não há dúvida que existe uma descrença nas instituições democráticas, como os partidos políticos e os órgãos legislativos, que vão gradativamente desgastando o sistema político convertendo-o em terra fértil para o populismo e para propostas anti-sistêmicas. Pesquisa divulgada pelo Instituto Latinobarômetro, que mediu o índice de satisfação com a democracia como forma de governo, mostrou que somente 1% dos brasileiros acreditam viver em uma democracia plena, e 13% da população se diz satisfeita ou muito satisfeita com a democracia. Além disso só 3% dos brasileiros acreditam que se governa para o bem do povo, os outros 97% consideram que grupos poderosos governam para o seu próprio bem. Esses dados mostram que há um terreno fértil para propostas com viés autoritário.
As eleições não são sinônimo de democracia, mas constituem um elemento central que permite às pessoas definir sobre o tipo de governo que desejam, seus representantes no parlamento, escolher as melhores propostas para o país, manter conquistas sociais, gozar de liberdade, provocar alternância no poder entre outros benefícios. Por isso a crítica ao regime democrático deve ser bem dosada, pois embora haja fundamentos para essas críticas, a realidade é muito mais complexa e o enfrentamento dos problemas não deve desconsiderar os avanços conquistados.
No processo eleitoral que se avizinha e que promete ser um dos mais disputados, os dirigentes políticos consequentes e lideranças da sociedade civil tem um papel fundamental de explicar às pessoas que o progresso não é resultado somente de um governo, nem de programas de governo muito bem elaborados, mas resultado de anos de trabalho árduo, sistemático e investimento, principalmente em educação.
As eleições do próximo ano mostram a continuidade do sistema democrático em nosso país e constitui uma oportunidade de progresso consistente e sustentável. No entanto, há um claro risco de se cair novamente em belas promessas de campanha impossíveis de serem concretizadas na prática, tal qual ocorreu em nossa história recente. Realidade esta que nos trouxe para a situação em que nos encontramos atualmente.