Donald Trump, o polêmico personagem do ano
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Publicado 19/12/2017 - 07h39

Donald Trump, o polêmico personagem do ano

A partir do momento que assumiu como presidente do Estados Unidos, em 20 de janeiro de 2017, Donald Trump esteve em evidência no noticiário internacional, surpreendendo o mundo com palavras e atitudes contraditórias dividindo opiniões e contribuindo para a eclosão de conflitos dentro e fora do país. Sua presença constante na mídia lhe confere o título de o personagem mais polêmico de 2017.
Ao longo do ano ofendeu a diversos grupos sociais como os latinos, os muçulmanos, os judeus, os negros e entre suas ações mais recentes, em princípios de novembro reverteu a política de Barack Obama de abertura para Cuba, e no final desse mesmo mês ordenou que os 60.000 haitianos vitimas do terremoto de 2010 regressem a sua ilha destruída.
Desde que tomou posse, Trump foi mais destrutivo para o prestígio do seu país do que qualquer agente ou potencia estrangeira. Desmantelou o sistema de relações internacionais que nasceu depois da segunda guerra mundial ao dar as costas a antigos aliados trazendo incertezas ao futuro do planeta. Na reunião do Conselho de Segurança da ONU realizada para discutir a decisão de Washington de reconhecer Jerusalém como capital de Israel, os Estados Unidos ficaram isolados, nenhum aliado saiu em sua defesa. Esta manifestação de isolamento se soma a uma série de decisões que deixam os norte-americanos fora dos consensos internacionais. Foram encerradas as discussões sobre a formação de um bloco comercial com a União Europeia, os Estados Unidos se retiraram do Acordo Transpacífico de Cooperação Econômica (TPP, na sigla em inglês), saíram do Acordo de Paris sobre as mudanças climáticas. Abandonaram a UNESCO. Repudiaram o acordo nuclear com o Irã.
Ao mesmo tempo que deu as costas a antigos aliados, estendeu a mão a lideranças autoritárias como o turco Recep Tayygip Erdogan, o egípcio Abdul Fatah al Sisi, o saudita Salmán bin Abdulaziz e o contravertido filipino Rodrigo Duterte, a quem felicitou pelas matanças feitas sem respaldo judicial, com a desculpa de lutar contra o narcotráfico e o terrorismo.
Ao longo do ano esteve presente na mídia a sua relação com o presidente Valdimir Putin, pois desde que tomou posse, Donald Trump tem emitido repetidamente palavras de admiração ao líder russo a quem o FBI acusa de imiscuir-se nas eleições norte-americanas a favor de Trump.
Mas onde o estilo irresponsável do presidente norte-americano se manifestou mais claramente foi nas relações com a Coreia do Norte. Este país é governado por um ditador imaturo com uma personalidade muito semelhante à de Trump. Os dois lideres frequentemente se insultam de forma grosseira, recentemente Kim Jong-un acusou o presidente norte-americano de “depravado” e “velho lunático” ao que Trump retrucou classificando Kim de “baixo e gordo”.
No âmbito interno, Trump declarou guerra à imprensa. Meios de comunicação como CNN, The New York Times e The Washington Post foram objeto de insultos grosseiros. Em contrapartida, a imprensa aumentou sua fiscalização, destacando suas mentiras e colocando em evidência seus conflitos de interesses. Trump reagiu com o uso da expressão “Fake News” (notícias falsas) em relação a tudo que é noticiado e que o contraria.
Aos imigrantes dedicou uma parte importante de suas ações. Uma de suas primeiras medidas foi proibir o ingresso nos Estados Unidos de cidadãos de sete países, majoritariamente muçulmanos. A cada atentado, reforça manifestações de discriminação aos imigrantes. Horas depois do recente frustrado atentado no centro de Nova York, quando um imigrante de origem em Bangladesh tentou detonar, sem êxito, um explosivo caseiro, o presidente norte-americano declarou que é necessário endurecer as leis imigratórias e colocar um fim às políticas de reagrupamento familiar, que permitiram a entrada no país de mais de 20 milhões de estrangeiros desde 1981.
Neste final de ano a administração comandada por Donald Trump demonstrando seu completo alinhamento ideológico com o mais extremado conservadorismo norte-americano, proibiu a utilização de sete palavras ou expressões nos documentos do Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC, sigla em inglês), a instituição mais importante na área de saúde nos Estados Unidos. Foram informados de que não poderiam utilizar as palavras ou expressões “vulnerável”, “diversidade”, “direito”, “transgênero”, “feto”, “baseado em provas” e “baseado na ciência” no documento orçamentário para próximo ano.
A abordagem de temas como orientação sexual, identidade de gênero e direito ao aborto se tornaram assuntos de difícil tratamento nas agencias federais desde que Trump assumiu o governo. Muitos departamentos mudaram suas políticas de coleta de informações do governo sobre lésbicas, gays, bissexuais e transexuais. Em março passado, por exemplo, o Departamento de Saúde e Serviços Sociais descartou perguntas sobre orientação sexual e identidade de gênero em pesquisas para pessoas mais velhas e também eliminou informações sobre os americanos da comunidade LGBT do seu site.
Os traços da personalidade de Donald Trump são bem conhecidos e se manifestam a todo momento. Narcisista, autoritário, prepotente, arrogante, intolerante, excêntrico e frívolo são alguns de seus atributos mais conhecidos. Agora o fato de que tal personalidade ocupe uma cadeira que lhe dá enorme poder é, sem dúvida, algo preocupante e perigoso para a paz mundial. Por exemplo, sua recente decisão de reconhecer Jerusalém como capital de Israel aumenta a instabilidade internacional. Seu gesto simbólico tem muitas consequências negativas e já desencadeou uma escalada da violência no Oriente Médio.
Podemos esperar para o próximo ano novas manifestações inapropriadas de Trump, conduzindo uma política internacional errática e imprevisível dos Estados Unidos e pouco contribuindo para o estabelecimento de consensos em diversas áreas da política internacional. Se o problema Trump tem solução, cabe ao povo norte-americano resolvê-lo. Às demais nações, cabe a reorganização do sistema global num cenário de menor presença norte-americana nas decisões assim como a ascensão de lideranças globais que ocupem o vácuo de poder deixado pelos Estados Unidos.