2018: ano fundamental para o futuro do País
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Publicado 27/12/2017 - 09h01

2018: ano fundamental para o futuro do País

 Sem sombra de dúvida 2018 será um ano de grandes expectativas para todos os brasileiros. Principalmente no âmbito político, são esperadas mudanças significativas. Se elas ocorrerão ou não é outra coisa. O ano já se inicia com o julgamento do ex-presidente Lula, no dia 24 de janeiro, em segunda instância no Tribunal Regional Federal da 4ª. Região, acontecimento decisivo para a definição das candidaturas que concorrerão às eleições presidenciais.
Qualquer que seja o resultado do julgamento o quadro de postulantes à presidência da república se modificará com o realinhamento das candidaturas e o surgimento de outsiders do mundo político que buscarão preencher o relativamente vazio de candidatos viáveis de centro. A hipótese de uma candidatura do ex-presidente Lula deverá polarizar a discussão em torno dos governos petistas que, favoreceram em seus 14 anos de governo, os grandes grupos econômicos e particularmente o setor financeiro. E embora o PT alardeie seu envolvimento com o social, legaram ao país, segundo o IBGE divulgou em dezembro de 2017, um contingente de 53 milhões de pessoas que ainda vivem na pobreza (ganham R$387 por mês) e mais de 13 milhões vivendo na pobreza extrema (ganham R$133,72). Acrescente-se a isso a situação da educação em que mais da metade dos adultos, com idade entre 25 e 64 anos, não tinham acesso ao ensino médio e 17% da população sequer tinham concluído o ensino básico, segundo dados de 2015 da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE).
Sem a presença de Lula a discussão deverá estar mais voltada para candidaturas que se identifiquem com um perfil desejado pela maioria do eleitorado: passado limpo, distante do extremismo, com propostas viáveis para o país e que tenha a coragem de afirmar que fará as reformas que são necessárias para o desenvolvimento. Candidatos populistas deverão ter vida curta na campanha eleitoral, seguindo a tendência na América Latina. Pesquisas indicam que também no Brasil há forte aceitação de candidaturas de centro.
O governo de Michel Temer por seu turno, inicia o ano com notícias favoráveis no campo econômico que o fazem vislumbrar um papel mais decisivo nas futuras eleições devido ao tempo que disporá nos meios de comunicação e pelo número de candidatos alinhados ao planalto que disputarão os legislativos federal e estaduais. Embora as próximas eleições tendam a ser marcadas por escolhas do eleitor a pessoas e não em partidos, as organizações políticas com maior estrutura, como MDB, devem se beneficiar de sua maior inserção territorial no país.
Em 2017 a corrupção se destacou no noticiário e envolveu inúmeras lideranças políticas e grandes empresários, devido à multiplicidade de escândalos que se tornaram conhecidos do grande público. Além da crescente insegurança e da fragilidade das políticas de saúde e educação, o tema da corrupção predominou na discussão pública. Foram políticos de todos os níveis do poder executivo, membros dos poderes legislativos e grandes empresários que dominaram a cena dos casos envolvendo propina e que frequentaram os cárceres e os tribunais. Assim, 2017 se torna o ano com maior exposição pública de políticos envolvidos com delitos de corrupção, enriquecimento ilícito, tráfico de influência, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha. E em torno deles se expôs a existência de redes de funcionários e empresários que participaram dos atos ilícitos.
A luta contra a corrupção no Brasil não é uma guerra ganha e 2018 será um ano chave não somente para consolidar as investigações em curso, mas para conhecer quem está comprometido realmente com essa enorme tarefa. Em 2017 foram realizados avanços significativos na questão da corrupção, mas não é possível afirmar que o Brasil está em processo aberto de reconstrução. Há em curso um forte movimento contrário as investigações envolvendo juristas, políticos, empresários e jornalistas, o que demonstra o enraizamento de práticas ilícitas nas instituições que perduram há muito tempo. O claro posicionamento dos candidatos em defesa do prosseguimento das investigações será um dos elementos mais significativos de identificação dos postulantes com a ética e a transparência no trato com a coisa pública.
Em resumo, a corrupção exposta em 2017 mostrou uma dimensão assustadora de quantias fabulosas revelando montantes de dinheiro vivo que superam os maiores prêmios já pagos em loterias. Essa exposição pública da corrupção certamente influenciará o voto de muitos eleitores em 2018.
O processo eleitoral em 2018 será conduzido por partidos que não contribuem para o fortalecimento dos valores democráticos e que se caracterizam por estarem distantes das pessoas e do atendimento de suas necessidades. Há um claro esgotamento das ideias políticas e das ideologias que já não movimentam, nem determinam o comportamento da sociedade. A prioridade nesse contexto eleitoral será recuperar o sentido ético da política e tornar o debate eleitoral um processo de educação cívica da sociedade, em particular, da juventude que está cada vez mais descrente das velhas práticas políticas.