Protecionismo de Trump ameaça crescimento mundial
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Publicado 08/03/2018 - 11h06

Protecionismo de Trump ameaça crescimento mundial

A decisão anunciada por Donald Trump de sobretaxar as importações de aço e alumínio em 25% e 10% respectivamente, abre a perspectiva de uma guerra comercial que estava delineada desde que o mandatário norte americano assumiu a presidência da maior potência econômica e militar do planeta.
Em pouco mais de um ano, desde sua posse, o presidente norte-americano adotou medidas que expõe claramente sua posição nacionalista e protecionista. Abandonou o Tratado comercial do pacífico (TPP), estancou as negociações para a criação de uma associação com a União Européia (UE), questionou abertamente o funcionamento do NAFTA (Acordo comercial com o Canadá e México), criou barreiras tarifárias para inúmeros produtos como máquinas de lavar roupas e painéis solares da China e Coréia do Sul, para a madeira do Canadá, o biodiesel da Argentina entre outras. Agora Trump abre outra batalha comercial internacional com o anuncio de novas tarifas para a importação de aço e alumínio.
Essas medidas confirmam a retórica de nacionalismo e protecionismo comercial do líder norte-americano. São ações que poderão desencadear uma guerra comercial internacional se adotadas represálias pelos países afetados.
Ao anunciar as medidas Trump não mencionou explicitamente nenhum país, mas o Secretário de Comércio, Wilbur Ross, destacou em documento conhecido como Informe 232, que a China é a grande responsável pelo excesso de aço nos mercados internacionais, pois em um mês produz o mesmo que os Estados Unidos em um ano. Além do país asiático o documento menciona ainda: Brasil, Índia, Rússia e Coréia do Sul.
Não há dúvidas de que o principal alvo das medidas é a China, acusada pelos Estados Unidos de subvencionar a produção de aço e alumínio, provocando uma superprodução mundial e realizar dumping.
Durante a campanha eleitoral de 2016, Trump prometeu aplicar sanções aos chineses, que no seu entendimento são responsáveis pela morte lenta da indústria pesada do centro oeste norte-americano causando desemprego em massa. Ao fazê-lo Trump cumpre promessa eleitoral feita aos habitantes dessa região que votaram maciçamente em sua candidatura nas eleições presidenciais.
Acontece que a China não é o principal fornecedor de aço para os Estados Unidos e responde com somente 2,9% dos 35,6 milhões de toneladas importadas pelo país e, portanto, sentirá menos o golpe. O mesmo não se pode dizer dos cinco países que são responsáveis por mais de 50% do aço utilizado pelos norte-americanos: o Canadá que fornece 16,7%, o Brasil (13,2%), a Coreia do Sul (9,7%), o México (9,4%) e a Rússia (8,1%).
A guerra comercial que se vislumbra com as represálias dos países afetados coloca em risco o crescimento homogêneo da economia mundial previsto pela maioria dos analistas. O único setor beneficiado com as medidas protecionistas será a ineficiente indústria norte-americana de aço e alumínio. Segundo Gerry Rice, porta-voz do Fundo Monetário Internacional(FMI) “é provável que as restrições à importação anunciadas pelo presidente (Trump) causem danos não somente fora dos Estados Unidos, mas também à sua própria economia”.
Na realidade as taxações anunciadas por Trump podem acabar não sendo um bom negócio para os Estados Unidos. A indústria do aço norte-americano é frágil e tem diminuído ao longo dos anos. O país importa quatro vezes mais desse insumo do que exporta e depende de inúmeras nações ao redor do mundo para abastecer-se. Ocorre que diversos setores internos que dependem dos insumos taxados serão diretamente afetados pela medida com o aumento dos seus custos de produção. Entre estes estão principalmente as empresas que fabricam automóveis, máquinas e aquelas que fornecem material para a construção civil.
As indústrias de alimentos serão particularmente afetadas pois os metais mais utilizados na fabricação de embalagens são o aço e o alumínio. A empresa Campbell famosa pelas suas sopas, afirmou que qualquer nova tarifa que seja aplicada à importação sobre o aço resultará em preços mais elevados de seus produtos.
Os consumidores também serão afetados, pois o aumento dos custos na produção de bens será repassado aos consumidores que sentirão um aumento generalizado nos preços. Além disso, muitos produtos acabarão sendo menos competitivos que seus similares importados. Consequentemente, não é difícil deduzir que as medidas anunciadas implicarão em enorme custo social para o povo norte-americano.
Por outro lado, as medidas protecionistas adotadas pelos Estados Unidos inevitavelmente levarão as economias desenvolvidas à retaliação com a adoção de tarifas de importação para a proteção de seus produtos. É assim que, tanto os Estados Unidos quanto a União Europeia, acabarão implementando políticas de fomento ao consumo de seus produtos nacionais. Uma provável decorrência dessa guerra comercial é que os países desenvolvidos tenderão a elevar os padrões de qualidade exigidos aos produtos manufaturados do exterior e a imposição de medidas fitossanitárias adicionais aos produtos dos países emergentes. Obrigarão a China, México, África do Sul, Brasil e índia a realizarem elevados investimentos para reduzir seus níveis de contaminação e melhorarem padrões de qualidade.