Diminui número de candidatos viáveis para Presidente
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Publicado 15/06/2018 - 10h46

Diminui número de candidatos viáveis para Presidente

A última pesquisa Datafolha para as eleições presidenciais indica uma provável consolidação das candidaturas ao pleito de outubro. Podem ser arrolados pelo menos seis candidatos que apresentam alguma competitividade até o momento: Jair Bolsonaro (PSL), Ciro Gomes (PDT), Marina Silva(REDE), Álvaro Dias (PODEMOS), Geraldo Alckmin (PSDB) e um candidato do PT ainda não definido. Destaca-se que Lula, incluído na pesquisa, não poderá ser candidato por estar enquadrado na lei da ficha limpa.
Destes candidatos, dois deles (Marina Silva e Álvaro Dias) aparentemente estão mais preocupados com as novas regras eleitorais que podem inviabilizar seus respectivos partidos, em particular, a cláusula de barreira. Segundo a legislação, para ter direito a tempo de propaganda no rádio e TV, e acesso ao fundo partidário, os partidos precisam eleger este ano ao menos 9 deputados federais e somar pelo menos 1,5% dos votos dados em todo o Brasil para a Câmara dos Deputados. Além disso, os partidos precisam alcançar ao menos 1% dos votos para deputado federal em 9 estados diferentes.
Mantendo a liderança nas pesquisas, o deputado federal Jair Bolsonaro está com 19% das preferências do eleitorado. Na pesquisa espontânea, que revela com mais consistência votos consolidados, o deputado está com 12% da preferência (em junho de 2017 estava com 8%). Terá muita dificuldade para crescer e manter a posição por não ter estrutura partidária e tempo de rádio e TV. Tenta compensar essa falta com uso mais intenso das redes sociais nas quais revela-se bem-sucedido. Embora seu partido tenha somente oito deputados, conta com apoio suprapartidário que pode chegar a 50 parlamentares que comungam com seu ideário de extrema-direita. O candidato tem uma expressiva aceitação em parcela da sociedade com uma militância ativa em todo o país que tem alavancado sua candidatura e o torna um candidato competitivo.
No segundo lugar aparece Marina Silva, com 15% das preferências. Seu nome surge bem posicionado nas pesquisas por ainda manter-se no imaginário popular e não ter deteriorado sua imagem nos últimos anos. No entanto, é uma candidatura que poucos acreditam que seja para valer, pois seu partido tem somente três deputados federais, o que implica não ter tempo no rádio e TV e tampouco participação nos debates eleitorais. Embora bem posicionada, sua candidatura é das mais frágeis. Deverá se manter até o final para viabilizar a continuidade da existência de seu partido.
Em seguida está posicionada a candidatura de Ciro Gomes, com até 11% das intenções de voto. Esta é a candidatura com mais potencial de crescimento até o momento, em virtude da possibilidade de herdar os votos petistas, principalmente na região nordeste. Ciro Gomes tem almejado ampliar seu leque de alianças e para tanto tem buscado aproximações tanto à esquerda (PSB e PCdoB) quanto à direita (DEM e PP). Há uma tendência dos partidos mais à esquerda de apoiarem sua candidatura já no primeiro turno. O grande problema de Ciro são seus excessos verbais que podem afastar eventuais aliados e apoios na opinião pública.
Geraldo Alckmin mantém um percentual ainda baixo nas pesquisas 7%. Embora o potencial de crescimento de um candidato de centro seja expressivo, Alckmin ainda não conseguiu sensibilizar essa parcela do eleitorado com seu discurso. Mesmo em São Paulo onde foi governador durante 4 mandatos não consegue manter-se em boa posição. Sua candidatura vem sendo questionada por membros de seu próprio partido. No entanto, é o candidato com a melhor estrutura partidária, tempo significativo em rádio e TV, apresentando, portanto, reais possibilidades de crescimento.
Com taxa de intenção de voto de 4%, Álvaro Dias está bem posicionado nos Estados do Sul, mas inexpressivo nos demais. Seu partido cresceu recentemente no Congresso, conta hoje com 5 senadores e 17 deputados federais, o que lhe garantirá participação nos debates e candidaturas a governador que podem lhe propiciar crescimento em Estados onde hoje é inexpressivo (três senadores do partido pretendem se candidatar ao governo de seus Estados). Não tem privilegiado alianças com outras agremiações o que pode revelar que é uma candidatura mais voltada para consolidar o partido visando ao cumprimento da nova legislação.
Há um espaço cativo para outro candidato que deve surgir pelo PT e indicado por Lula. Existe uma crença na capacidade de transferência de votos do ex-presidente. Essa possibilidade tem entrado em choque com a realidade. Nas recentes eleições para o governo do Tocantins, Lula e toda a direção do PT apoiaram ostensivamente a candidata Katia Abreu (PDT) que acabou ficando em 4º lugar. Recente pesquisa Datafolha revelou uma queda na intenção de voto a Lula que ficou em 10%, bastante inferior aos percentuais do ano passado que chegavam a 18%. Uma queda expressiva e reveladora de que com o desenrolar da campanha e mais informação os eleitores lulistas aos poucos migram para outras candidaturas reais.
A manutenção da candidatura virtual de Lula pelo PT impede que se consolide outro candidato pelo partido que poderia canalizar os votos que seriam destinados ao ex-presidente e impede a formação de alianças que poderiam facilitar um maior desempenho eleitoral dos petistas. A crença na transferência de votos de Lula a um candidato sem expressão eleitoral se baseia numa situação do passado que não existe mais. Ao longo da campanha será explicitada cada vez mais a corrupção em que se envolveu Lula e o PT, o que fará regredir o apoio à sigla, inviabilizando-a de disputar um segundo turno. O que aconteceu nas eleições municipais de 2016 deve servir de referencia para o que está por vir. Naquelas eleições o PT conseguiu vencer em apenas 254 cidades, uma redução de 60,19% frente às eleições de 2012.
O quadro político mais provável que se desenha é que a disputa ocorrerá entre Ciro Gomes, Jair Bolsonaro e Geraldo Alckmin. A ida ao segundo turno dependerá da capacidade de cada um em ampliar seu leque de alianças e se identificar com o eleitorado descrente da política tradicional.
Um dado da pesquisa pouco destacado, mas que é de alta significação é que 45% da população está otimista com o impacto das próximas eleições para a melhoria da vida e da política. Acreditam que o resultado das eleições de outubro vai fazer a vida melhorar. Somente 7% afirmam que a vida vai piorar. Esse é um resultado que confirma a solidez da democracia no Brasil, com as pessoas considerando importante o voto como instrumento de mudança. Nesse aspecto, muitos que ainda não escolheram candidato estão aguardando uma melhor definição do quadro eleitoral e devem se decidir somente nos últimos dias.
Por outro lado, haverá alta abstenção, votos brancos e nulos, pois não surgiram candidaturas que empolguem o eleitorado e que indiquem claramente a possibilidade real de melhoria do quadro político, econômico e social. De qualquer modo, a grande virtude de nossa realidade política é que ainda resolvemos nossas diferenças pacificamente utilizando os instrumentos institucionais que sustentam a democracia brasileira. Depois de 30 anos de democracia em nosso país, podemos afirmar parafraseando Winston Churchill, que ela é imperfeita, mas não existe nenhum regime político melhor.