Eleições confirmam vitória da paz e da democracia na Colômbia
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Publicado 21/06/2018 - 15h01

Eleições confirmam vitória da paz e da democracia na Colômbia

Como tem sido constante nos últimos anos, a Colômbia voltou a inclinar-se para a direita com a eleição do senador Ivan Duque, candidato do Centro Democrático, se convertendo no Presidente da República mais jovem da história moderna colombiana. Ele tem 41 anos de idade e obteve a maior votação na história do país, embora há três anos atrás poucos colombianos o conheciam.
O destaque desta eleição fica por conta da sonora mensagem enviada pela população no segundo turno: desejo de mudança. Tanto a candidatura vitoriosa de Ivan Duque quanto a aspiração de esquerda representada por Gustavo Petro simbolizaram oposição e crítica à administração do atual presidente Juan Manuel Santos. Muito embora as eleições tenham sido realizadas em ambiente pacífico, como há muito tempo não se via na Colômbia, como resultado dos acordos de paz promovidos pelo atual presidente.
O presidente eleito, embora pertença a um grupo político de direita, traz um sopro de renovação na política colombiana. Tem mestrado em Direito econômico pela Universidade Americana de Washington e outro em Gerencia de Políticas Públicas pela Universidade de Georgetown. A futura primeira-dama, Mariana Juliana Ruiz, também tem elevada formação intelectual. Advogada fez mestrado em leis com ênfase em negócios internacionais na mesma Universidade Americana. Complementou os estudos fazendo disciplinas na Universidade John Hopkins e no Instituto Católico de Paris.
Antes de completar 25 anos de idade, Ivan Duque foi nomeado assessor no Banco Interamericano de Desenvolvimento(BID) em Washington, cidade que concentra inúmeras organizações internacionais voltadas ao desenvolvimento de estudos acerca de políticas públicas como o FMI e o Banco Mundial. Trabalhou como Conselheiro principal da Direção Executiva para Colômbia, Peru e Equador e em seguida como chefe da Divisão de Cultura, Criatividade e Solidariedade. Permaneceu na capital norte-americana por mais de uma década, se preparando acadêmica e intelectualmente. Foi aí que conheceu seu futuro padrinho político, o ex-presidente Álvaro Uribe (2002-2010).
No final de 2013, Uribe lhe ofereceu um lugar na lista do Centro Democrático, partido que formara recentemente e que estrearia nas eleições no ano seguinte. Duque renunciou ao BID onde trabalhou durante 12 anos. Encerrada essa atividade, voltou a Colômbia para disputar a eleição para o Senado. Mesmo desconhecido do eleitorado, elegeu-se graças ao apoio recebido de Uribe.
Eleito senador, tomou posse em 2014, e nesse curto mandato se destacou entre seus pares no Congresso como um dos mais ativos parlamentares, seus próprios colegas por duas vezes consecutivas o escolheram como o melhor congressista. No entanto, sua atividade parlamentar teve pouco reflexo na opinião pública. Mesmo assim ganhou a presidência da República com a mais alta votação na história do país.
Não há dúvida de que a ascensão meteórica de Ivan Duque no cenário político colombiano aconteceu devido ao apoio de Álvaro Uribe que goza de alta popularidade e conseguiu transferir votos a seu apadrinhado. Esse estreito vínculo com Uribe preocupa muitos colombianos que indicam a possibilidade de que Duque se transforme numa marionete do ex-presidente. Até o momento tem abraçado as ideias de Uribe, a quem chama de “presidente eterno”, entre as quais: tratamento duro para com os rebeldes, prioridade ao investimento privado e defesa de valores tradicionais.
Pode ocorrer o que havia acontecido com Juan Manuel Santos, atual presidente, que também contou com o apoio de Uribe para se eleger, mas que no decorrer do mandato rompeu radicalmente suas relações com o apoiador. Em sua campanha Duque destacou o combate à corrupção e ao narcotráfico como sendo uma das marcas de seu futuro governo. Nesse quesito Uribe está com problemas. O New York Times divulgou em maio deste ano que ele foi acusado de ter ligações com traficantes de drogas em várias comunicações de diplomatas norte-americanos, segundo documentos recentemente disponibilizados pelo Departamento de Estado.
Sua indiscutível eleição para Presidente da República teve um contraponto igualmente histórico, a expressiva votação de um candidato de centro esquerda, Gustavo Petro, representando o maior sucesso eleitoral da esquerda em eleições presidências na Colômbia. Esse foi outro fator que contribuiu para a eleição de Duque. Nunca ocorreu na Colômbia uma polarização entre forças políticas de esquerda e de direita, pois as disputas presidenciais sempre confrontaram candidatos conservadores dos partidos tradicionais, Liberal e Conservador. É a primeira vez que o vitorioso e o segundo colocado que disputaram o segundo turno nas eleições não se originam desses agrupamentos históricos.
Gustavo Petro, candidato do partido de centro-esquerda Colômbia Humana obteve votação expressiva de 42% dos votos válidos, e Ivan Duque 54%. O crescimento de um candidato com posições de esquerda provocou o reagrupamento das forças políticas de direita que se aglutinaram em torno de Duque encorpando desse modo sua votação. Destaque para a significativa participação de 51% do eleitorado apto a votar, número expressivo levando em consideração que o voto não é obrigatório no país.
Em sua trajetória eleitoral Duque destacou que deseja endurecer as negociações com os grupos guerrilheiros e paramilitares, manifestou-se favorável ao investimento estrangeiro e a necessidade de inovação e apoio ao empreendedorismo. Em manifestação pós-eleitoral garantiu que 50% de seu ministério será constituído por mulheres.
Ivan Duque tomará posse com um mandato sólido que garantirá a governabilidade, podendo avançar em questões sensíveis à sociedade colombiana, pois os resultados das eleições mostram que há uma expectativa de mudanças. A oposição, que terá forte representação no Congresso, poderá garantir que as demandas progressistas de mudança não sejam esquecidas.