A largada da campanha eleitoral
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Publicado 03/08/2018 - 09h02

A largada da campanha eleitoral

Com a aproximação das eleições, a definição dos candidatos com reais possibilidades de se elegerem e a veiculação de programas de TV voltados a discutir o pleito, espera-se o aumento do interesse dos eleitores que até então se mostraram indiferentes ao que ocorre na política eleitoral.
Os debates e entrevistas dos candidatos nos canais de televisão oferecem a oportunidade aos eleitores de identificarem as posições dos presidenciáveis sobre assuntos pontuais que mais lhes dizem respeito. Os primeiros programas têm mostrado a dificuldade dos candidatos em se posicionar sobre temas em pauta tais como: o aborto, o casamento entre pessoas do mesmo sexo, as opções de gênero, homofobia, violência contras as mulheres, porte de armas entre outros.
A televisão tende a manter sua importância nestas eleições, em que pesem os vaticínios contrários, pois influencia principalmente os formadores de opinião pública e pauta manifestações nas redes sociais que se transformam em multiplicadores de opiniões forjadas a partir dos debates e entrevistas televisivas.
As contradições nos discursos dos candidatos ficam melhor expostas nos debates televisivos. O posicionamento em relação ao centrão (PP, PR, PRB, DEM e Solidariedade), por exemplo, será um dos temas mais explorados. A condenação do bloco conservador deverá ser uma unanimidade entre aqueles que não receberam o seu apoio. Ocorre que há tempos o bloco é o agrupamento mais cobiçado pelos presidentes e presidenciáveis.
Durante treze anos de governo do PT o centrão foi o fiador da governabilidade e participou ativamente do governo e dos malfeitos dos petistas. Agora Geraldo Alckmin que recebeu o apoio de partidos do grupo é questionado por receber a adesão desse agrupamento conservador.
O fato que não pode ser ignorado é que queiramos ou não o centrão representa uma fatia significativa do eleitorado brasileiro. Não se trata de um grupo de ETs descolado da realidade. Ao contrário, expressa parcela significativa do povo que assim se vê representado. Embora para muitos seja uma realidade dura de aceitar, é fácil constatar sua veracidade considerando que vivemos em processo democrático no qual a vontade da maioria predomina.
Muitas vezes a minoria não respeita a decisão da maioria, pois não se identifica com a sua visão de mundo que julga a mais correta e busca se impor através de métodos não democráticos, quer seja desacreditando a própria democracia ou se impondo através da violência. Exemplo dessa atitude são as articulações que tentam minar o processo eleitoral procurando desacreditá-lo, tanto no país quanto no exterior, assim como a existência de conluio entre lideranças envolvidas na lava jato para tentar acabar com o processo de combate à corrupção.
A campanha que se inicia deve privilegiar as propostas dos candidatos, esclarecendo o que os mesmos têm a oferecer de concreto aos eleitores. Devem se posicionar sobre a manutenção ou não da lava jato e ao combate à corrupção e no que tange às relações exteriores, quais serão seus posicionamentos a respeito do regime de Nicolas Maduro da Venezuela, devido às suas implicações nas políticas públicas de alguns estados brasileiros.
A expectativa da população por mudanças é grande e, paradoxalmente a apatia demonstrada até agora poderá se transformar numa onda participativa às vésperas do pleito. Os brasileiros estão cansados e ansiosos por melhores dias. Se da eleição não tivermos melhoras num futuro próximo, corremos o risco de que revoltas populares se tornem comuns e não necessariamente organizadas por nenhum partido como tem ocorrido em outras partes do mundo.