O cenário eleitoral fica mais claro
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Publicado 09/08/2018 - 13h43

O cenário eleitoral fica mais claro

Realizadas as convenções para a definição dos candidatos à presidência da república e seus respectivos vices o cenário eleitoral fica melhor definido. São 13 presidenciáveis, e contudo quatro despontam como concorrentes para valer: Geraldo Alckmin, Ciro Gomes, Jair Bolsonaro e o candidato do PT.
Geraldo Alckmin conseguiu nos últimos minutos do segundo tempo, articular uma ampla coligação que lhe proporciona o maior tempo na propaganda televisiva e um número expressivo de candidatos a deputado estadual, federal e senador que lhe propiciam uma formidável capilaridade com os eleitores de todo Brasil. Seu desempenho durante os programas será decisivo para fortalecer o trabalho realizado por esse verdadeiro contingente de cabos eleitorais que amealhou.
O fato de a senadora Ana Amélia ter se incorporada à chapa como vice de Alckmin possibilita ampliação significativa de seu eleitorado, podendo trazer para sua campanha os votos dos ruralistas, que votariam em Jair Bolsonaro, eleitores do Sul que tirarão votos de Álvaro Dias e atrairão os votos femininos que formam o maior contingente eleitoral nesta eleição. Além disso, trará para a campanha de Alckmin uma das melhores adversárias dos petistas no Congresso e que poderá sanar o maior problema do ex-governador de São Paulo: ser pouco combativo.
Ciro Gomes conseguiu novamente perder-se devido à sua loquacidade. Não conseguiu articular nem a esquerda, nem a direita devido à sua agressividade retórica. Embora se coloque como vitima de uma conspiração orquestrada por Lula - o que é fato, não se justifica o seu total isolamento, a ponto de não ter opção de vice, tendo que escolher Kátia Abreu de seu próprio partido, uma aguerrida defensora de Dilma Roussef no processo de impeachment e identificada com o setor ruralista.
O candidato do PDT poderá ao longo da campanha, ampliar sua votação se conseguir se articular o suficiente para não cometer erros. Há os votos dos insatisfeitos com a política suicida adotada pelo PT, há os votos da candidata Marina da Silva que não deverá mantê-los até a reta final e os votos de esquerda que não votarão num candidato petista. Esses votos poderão ampliar a votação de Ciro Gomes, por isso há possibilidades reais de seu crescimento, mas tudo dependerá dele mesmo.
Jair Bolsonaro, o candidato da extrema-direita, também se isolou do ponto de vista de construção de alianças partidárias, escolhendo o general Hamilton Mourão que tem posições mais extremadas que o próprio presidenciável. Suas declarações racistas dos últimos dias deverão marcar ainda mais a candidatura de Bolsonaro como extremista de direita, intolerante com as minorias, racista, xenófobo e misógino.
Sua candidatura tem atraído muitos insatisfeitos e aqueles que estão cansados da corrupção e das investidas agressivas do lulopetismo e sua posição dúbia em relação ao combate à corrupção. Muitos alinharam-se na primeira hora com Jair Bolsonaro sem conhecer profundamente suas posições e propostas. Ao longo do período eleitoral, sendo melhor conhecido deverá manter uma margem estável de votos que poderá ou não colocá-lo num segundo turno dependendo do desempenho do candidato do PT e de Ciro Gomes. Parte de seu eleitorado deverá migrar para o candidato de centro-direita Geraldo Alckmin.
Finalmente temos o candidato do PT que até o momento continua com a farsa da candidatura de Luís Inácio Lula da Silva, pois como candidato de ficha suja não poderá concorrer às eleições. A farsa se constrói com o objetivo de manter um eleitorado cativo até o último momento, para que esses votos possam ser transferidos para Fernando Haddad. Nesse processo de vale tudo se sacrificam candidatos a governador, senador e deputados estaduais e federais em nome da sobrevivência de um caudilho que coloca o partido em segundo plano.
A farsa levada adiante pelo PT ignora o processo democrático que não se limita ao cumprimento da legislação, mas deve levar em conta os reais interesses do país. Utilizar vieses jurídicos para manter uma candidatura que se sabe de antemão, será barrada. No mínimo, é uma irresponsabilidade que mantém refém todo um partido que poderia contribuir para o fortalecimento do processo democrático. Mas o lulopetismo optou pela hipocrisia levando milhões de brasileiros a um engodo; a uma ilusão, ignorando toda sua responsabilidade na atual situação que o país vive.
A tendência eleitoral indica que as eleições irão ignorar os extremos buscando estabilidade num país que muito sofreu com as aventuras dos últimos anos. Os governos petistas se encerram neste final de ano com o fim do governo Temer, não podemos ignorar isso. A expectativa é de um governo de centro, de esquerda ou direita, pouco importa, mas que permita que o brasileiro tenha um governo com alguma legitimidade para fazer as reformas que o país precisa.