O próximo Presidente da República e a competitividade nacional
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Publicado 17/08/2018 - 08h42

O próximo Presidente da República e a competitividade nacional

O Brasil se prepara para iniciar novo ciclo de políticas públicas a serem implementadas pelo próximo governante que será eleito no mês de outubro.
Um dos grandes problemas a serem enfrentados pelo próximo mandatário é a baixa competitividade do Brasil que, de acordo com o Índice divulgado todo ano pela Escola de Negócios suíça IMD ( International Institute for Management Development), o coloca na 60ª. posição entre 63 nações, na frente somente de Croácia, Mongólia e Venezuela.
A baixa competitividade é reflexo da situação na educação que pode ser considerada alarmante. A cada três anos o Programa Internacional de Avaliação de alunos (PISA) realiza a avaliação do desempenho escolar de diversos países em três quesitos principais: matemática, ciências e leitura. Na última edição realizada em 2015, 70 países foram analisados. Ficamos no 65º lugar em matemática, 63º. em ciências, e em leitura na 59ª. posição. Neste ano será realizado novo levantamento e não há expectativa de que daremos algum salto na avaliação.
O agravante desta situação é que o mundo já está na quarta revolução industrial que avança em grande velocidade. Nela convergem as tecnologias digitais, físicas e biológicas. É caracterizada pela Internet das Coisas, a inteligência artificial, a criação, domínio e apropriação de tecnologias que são aspectos chaves para um país assumir a posição de liderança em desenvolvimento. A forma de vivermos e de nos relacionarmos mudará sem sombra de dúvida. Na realidade, isto já está ocorrendo diante de nossos olhos.
Em poucos anos os automóveis serão inteligentes e não exigirão condutor, existirão aviões que farão o percurso Lisboa – São Paulo em bem menos tempo que o atual, a medicina sofrerá mudanças radicais, os remédios serão fabricados de acordo com o perfil genético das pessoas, as indústrias atuarão com máquinas inteligentes capazes de tomar decisões de forma autônoma e cooperar entre si, sem intervenção humana.
São avanços que repercutirão profundamente no mundo do trabalho. As estimativas indicam que em 15 anos cerca de 50% dos empregos que hoje existem desaparecerão.
A quarta revolução industrial tem o potencial de aumentar os níveis de renda e melhorar a qualidade de vida das pessoas, mas somente serão beneficiados os países que gerarem as condições para se adaptar a essa nova mudança.
O Brasil deve estabelecer sua agenda de Estado baseada numa estratégia de alta tecnologia para enfrentar os desafios que apresenta esta nova revolução industrial. Não há como escapar deste destino. O país deve adotar medidas urgentes para preparar-se para este futuro onde o cenário econômico, político e ambiental será dominado pela tecnologia.
Infelizmente, até agora o Brasil não tem uma política de Estado voltada para enfrentar o problema da inserção na quarta revolução industrial e consequentemente melhorar sua competitividade. Os investimentos em pesquisa continuam sendo sistematicamente cortados. O ensino de ciências e matemática estão relegados ao segundo ou terceiro plano nos diversos níveis de ensino.
Não investir em pesquisa, inovação e tecnologia significa perdermos a oportunidade de enfrentar outros problemas urgentes que estão interligados como a pobreza, as deficiências no sistema de saúde e do sistema educacional, a necessidade de aumento da atenção ao idoso, entre outros.
O próximo Presidente da República deverá buscar a realização de um grande acordo nacional para melhorar a competitividade global do Brasil, formando logo após a posse uma comissão representativa que apresente uma estratégia de longo prazo com financiamento adequado, que permitirá ao país preparar-se para a nova revolução industrial que está em curso.