A hecatombe venezuelana
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Publicado 23/08/2018 - 12h44

A hecatombe venezuelana

Se não bastasse a situação catastrófica imposta ao povo pelo regime de Nicolás Maduro, a crise venezuelana provoca reações de países vizinhos que não estão conseguindo suportar o aumento do fluxo de imigrantes que aumenta a cada dia com o agravamento do caos no país vizinho.
A inflação prevista para este ano na Venezuela, segundo o FMI, é de 1.000.000%, - a maior taxa do mundo. Recentemente o governo adotou a medida de cortar cinco zeros da moeda nacional, o bolivar, que passará a chamar “bolivar soberano” entre outras medidas econômicas como o aumento do salário mínimo em 3500% pois com o valor atual não se consegue comprar um quilo de carne. A ação do governo foi bastante criticada por analistas, considerando que a hiperinflação não será contida com as medidas tomadas e tende a se agravar. A tendência nos próximos meses é de um agravamento do êxodo dos venezuelanos para os países vizinhos.
O fato é que a Venezuela cada vez mais se caracteriza como um estado falido, que não consegue atender minimamente as necessidades básicas de sua população. Muitos dos venezuelanos que tem chegado ao Brasil explicam que fogem do país devido à falta de comida e de medicamentos. A insegurança não deixa outra opção à população. A ONU estima que, desde 2014, 2,3 milhões de venezuelanos deixaram o país.
A grave crise humanitária decorrente da chegada massiva de venezuelanos em vários países da América Latina, principalmente Colômbia, Brasil, Equador e Peru, tem provocado situações de violência e forçado governos a tomar medidas mais enérgicas e emergenciais como a exigência de vistos e passaportes. O Brasil reforçou a segurança na fronteira com a Venezuela depois que imigrantes foram atacados na cidade de Pacaraima, em Roraima. Estima-se que em um ano e meio entraram 50.000 venezuelanos por esta cidade.
A situação na Venezuela é de caos generalizado, uma verdadeira hecatombe, em que se confluem simultaneamente diversas crises: a política, a economia e a humanitária. Os venezuelanos que não fogem do país vivem numa incerteza permanente pela falta de comida, de medicamentos e até de água potável.
No atual quadro político brasileiro, onde os presidenciáveis perfilam suas ideias e indicam os caminhos que o Brasil pode trilhar no futuro, é importante entender o que se passa na Venezuela para compreender as propostas que os candidatos defendem para o Brasil..
Defender o regime venezuelano, como o fazem o PT e alguns outros partidos de esquerda, mostra o que pretendem para o país, e qual é o modelo de política econômica que desejam adotar. O regime venezuelano se nutre do ódio ao outro, não importando que seja a maioria de seu povo, desde que se aponte para os seus seguidores um inimigo a ser combatido sem tréguas, pois essa ação continuada impede a reflexão e lideranças populistas conseguem se perpetuar no poder. Isto ocorre quer seja num Estado ou num partido político. Para o líder populista o importante é identificar permanentemente um inimigo a combater, o culpado é sempre o outro.
Adotar a política de dividir e identificar um inimigo a ser combatido é uma tática que faz com que haja um alinhamento inconteste ao líder populista. Nessa linha de raciocínio, quem não está com ele está contra ele e é considerado o inimigo. Desse modo constroem-se ditaduras antes que se assuma o poder de fato, pois o ódio é alimentado permanentemente. E quando se assume o poder não há margem para negociação, não se transforma inimigo em amigo da noite para o dia, e tem-se a deflagração da violência sem limites, -utilizando-se dos mais diversos recursos.
É importante para o eleitor brasileiro verificar quem defende o regime de Nicolás Maduro, pois se trata de um país condenado internacionalmente como uma ditadura das mais cruéis. De fato o regime de Maduro está cada vez mais isolado como consequência das contínuas violações dos direitos humanos, do uso excessivo da força, das detenções massivas e dos julgamentos de civis por tribunais militares.
Defender o regime venezuelano é de uma incoerência enorme, pois trata-se de uma ditadura reconhecida pela maior parte dos países do mundo. Nicolás Maduro mantém uma brutal repressão contra a oposição e impede a livre manifestação daqueles que padecem de fome e da falta de produtos básicos. É uma ditadura que causa uma das maiores crises humanitárias da América Latina, com uma migração sem precedentes e só comparável aos países em guerra.