Democracia em risco
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Publicado 04/09/2018 - 08h32

Democracia em risco

Com a aproximação das eleições já se nota um aumento do interesse das pessoas nas candidaturas. A televisão está contribuindo com esse crescimento, pois os programas de entrevistas expõem os candidatos e suas posições em relação aos temas em maior evidência.
Na semana que antecede o início do programa eleitoral, os programas de entrevistas com candidatos presidenciais realizados pelos canais de televisão repercutiram nas redes sociais e contribuíram para o aumento do interesse dos eleitores.
O papel da internet nas eleições, no entanto, deve ser relativizado, pois embora tenha crescido sua importância como palco do debate político, parcela significativa de eleitores ainda não tem familiaridade com o mundo digital. Sendo assim, a propaganda na televisão deverá ter, ainda, um peso significativo na formação da opinião pública.
Neste contexto, candidatos com maior tempo de TV podem levar vantagem se souberem utilizar bem esse meio. O contrário também pode ocorrer. Com o desgaste devido a excessiva exposição, o candidato que não inovar e se apresentar com imagem política tradicional, corre risco de reforçar estereótipos e perder votos. Esse é um risco do candidato do PSDB - Geraldo Alkmin, cujo discurso tem sido criticado até mesmo dentro de seu partido, e por se apresentar com o mesmo formato dos últimos anos.
Esta análise tem um contraponto. Candidatos sem conteúdo, com pouco a dizer aos eleitores e que apresentam discurso com propostas simplistas, podem tirar vantagem do pouco tempo de exposição televisiva e forte presença nas redes sociais. Este é o caso de Jair Bolsonaro, que pouco se expõe e quando o faz, repete sempre os mesmos bordões, facilmente assimiláveis por parte do eleitorado.
Para o PT, os programas de TV devem servir para continuar a divulgação da campanha de ódio às instituições que tem propagado, em particular, sua perseguição ao judiciário e a todos aqueles que não comungam com suas ideias. Seu discurso baseado na candidatura fantasiosa de Lula deverá manter-se com mais radicalidade, buscando posicionar-se mais à esquerda com objetivo de se colocar no cenário como referência de esquerda no Brasil e impedir a ascensão de concorrentes que almejam ocupar essa posição.
Levando em consideração vários fatores, como tempo de TV, coligações, estrutura partidária e militância – salvo surpresas de última hora-, três candidatos despontam com grandes chances de disputar vaga no segundo turno: Geraldo Alkmin, Jair Bolsonaro e Fernando Haddad.
Os dois presidenciáveis do extremo do espectro político tem algo em comum: consideram-se perseguidos pela mídia. No caso do lulopetismo, a mídia é considerada parcial e golpista. Para Bolsonaro, a imprensa o persegue de forma preconceituosa para impedir que assuma o poder. Em ambos os casos o Judas alvo das pedradas dos dois agrupamentos é a rede Globo, sendo os demais veículos de imprensa, coadjuvantes nessa conspiração.
Esses extremos, carregados de ódio aos opositores, pretendem governar um país fragmentado, mas não apresentam propostas que unifiquem a nação. Apresentam-se como representantes de parcelas da população contra os demais, considerados inimigos.
Lembramos aqui que, na literatura sobre a guerra, o inimigo é sempre o alvo a ser anulado e eliminado do cenário. E como tal, para esses populistas de esquerda ou de direita, não cabe a representação de todo o povo brasileiro e a construção de um grande país em benefício de todos.
Posto assim, a eleição de um dos candidatos desses dois extremos – Bolsonaro ou Haddad – levará o país a aprofundar a divisão artificialmente construída para elaborar plataformas políticas exclusivistas.
O modelo apresentado por essas correntes políticas implica exclusão e violência contra a oposição.
Experiências recentes como a da Nicarágua e da Venezuela, as quais o lulopetismo elogia e defende como modelo ideal de sociedade, são exemplos que devem ser descartados para o futuro do Brasil.
Posições extremadas, balizadas no ódio e na intolerância, não conseguirão fazer o país voltar a crescer e consolidar a democracia que tanto lutamos para alcançar. Nossa democracia está em risco!