Publicado 14/03/2019 - 12h05 - Atualizado 14/03/2019 - 12h05

Por Agência Anhanguera de Notícias


Cedoc/RAC

"Minha família é muito maior do que eu imaginava", escreveu Marcão em fevereiro, ao completar 50 anos

Morreu ontem, aos 50 anos, o jornalista Marco Antonio Campos Martins. Ele lutava contra um câncer descoberto recentemente. Marco teve duas passagens pelo Correio Popular, a primeira como repórter de Esportes, entre fevereiro de 1997 e agosto de 1998, e a segunda como editor dos cadernos de Esportes, Brasil e Cidades, de março de 2000 até seus últimos dias de vida. O jornalista também atuou por emissoras de rádio e assessorias de imprensa. Marco Antonio Martins deixa a esposa Jacqueline, irmãs e uma legião de amigos e admiradores. O corpo será sepultado hoje, às 10h30, no Cemitério da Saudade, em Campinas.
Nascido em 16 de fevereiro de 1969, em Campinas, Marco era um apaixonado pelo Guarani. Mesmo não trabalhando mais na editoria de Esportes, sempre mantinha o hábito de comentar os acontecimentos do clube em seu perfil no Twitter e também com amigos. Ontem, o clube campineiro publicou uma nota de pesar em seu site. Além do fanatismo pelo futebol, Marco também integrava um grupo de ex-alunos apaixonados pela memória do Externato São João, colégio tradicional da cidade que completa 110 anos de história em junho — hoje, o local funciona como Obra Social São João Bosco.
A Câmara de Campinas fez um minuto de silêncio no início da sessão ordinária realizada ontem à noite em homenagem ao jornalista, por proposta do vereador Paulo Haddad (PPS). Colegas de trabalho que conviviam com Marco diariamente durante quase duas décadas no Grupo RAC se solidarizaram com a perda repentina do amigo.
“A morte do Marcão, como era chamado pelos amigos, é aquele tipo de acontecimento natural que se parece com tudo, menos com natural. Foi tudo muito rápido, nem dá ainda para tentar administrar a perda.
Através dos vidros da minha sala ainda o vejo diante do seu computador e já sinto saudade daquele profissional competente e dedicado e, ao mesmo tempo, daquela pessoa doce e bem humorada (muito de vez em quando, nem tanto), com aquele jeito de meninão crescido que conquistava todos que o conheciam.
A Redação, após receber a notícia que ninguém queria ouvir, passou o dia em silêncio, na ausência das brincadeiras que o próprio Marcão promovia. O Correio não vai mais ser o mesmo sem ele”, declarou Nelson Homem de Mello, diretor editorial do Grupo RAC.
Para o editor-executivo do Grupo RAC, Marcelo Pereira, que conviveu por muitos anos com o colega, além da personalidade peculiar, fica o exemplo de um profissional dedicado. “Marcão tinha uma grande marca, na verdade uma imensa virtude, que era o zelo pelo ofício. Buscava sempre uma edição sem reparos, criteriosa, correta, equilibrada, um colega que valorizou a profissão em tempos de fake news. Vai fazer muita falta. Para mim, fica um hiato profissional, emocional e pessoal”, afirmou Pereira.
Irreverente, bem-humorado, mas de postura séria quando era preciso, o jornalista tinha como uma de suas principais características profissionais a busca pela precisão das informações veiculadas nas matérias que editava e a preocupação com o uso correto da escrita e da língua portuguesa.
Em 16 de fevereiro passado, quando completou 50 anos de idade, Marco enalteceu a vida, em sua última postagem nas redes sociais. "Celebre sempre a vida e não desista nunca de lutar. Muito grato pelas orações e energias positivas. Minha família é muito maior do que eu imaginava", escreveu.
PONTO DE VISTA
HÉLIO PASCHOAL é editor do Grupo RAC
Um grande abraço companheiro!
Qual a velocidade certa para se perder um amigo? No caso do Marcão, tinha mesmo que ser assim, de supetão, bem no estilo passional que eu volta e meia via aflorar. Eram pequenas granadas emocionais que explodiam — e como eu me sentava aqui ao lado dele na redação, volta e meia era atingido por alguns estilhaços.
Mas não me incomodava, porque aprendi logo que essas explosões, quando eram motivadas por alguma coisa que o irritara, nunca duravam; e quando eram por alguma conquista, por uma comemoração qualquer, se repetiam por dias. Coisa típica de quem tinha um coração grande demais pra guardar rancor, e maior ainda pra compartilhar mesmo as pequenas alegrias.
E nos últimos tempos, essas pequenas alegrias andavam se multiplicando — uma reforma de apartamento concluída aqui, uma viagem internacional ali, uma certa gatinha branca acolá. E acima de tudo, a esposa, o enorme carinho que tinha por ela, carinho que transparecia quando ela era o assunto. Passional, pois não.
Portanto, a partida dele tinha que seguir também essa linha súbita, inesperada, quase numa explosão. Não que isso torne as coisas menos doídas. O que alivia um pouco mesmo é saber que ele se foi sem medo, porque tinha sua fé firmemente plantada. É saber que, se tivesse tido a chance, teria lutado — e deixou isso bem claro depois que soube do diagnóstico.
Era uma luta que ele reconhecia difícil e dura, mas que estava tranquilamente disposto a enfrentar. Não houve tempo para isso. Era mais coerente que tudo fosse assim tão rápido. Passional, pois não. Vai em paz, Marcão. Vou sentir falta dos seus desabafos e das suas alegrias.
Vou sentir falta das piadas infames, das músicas desafinadamente cantadas, dos comentários que você fazia sobre tudo e todas as coisas que via na internet todos os dias. Vai em paz, meu amigo, que a gente aqui vai chorar um pouco, se consolar como der e tocar a vida, que é o que nos é dado fazer. Mas com um pouco menos de paixão.
Um grande abraço, companheiro!
HOMENAGENS
"Além de grande profissional, o Marco era amigo, vizinho e cliente da minha pizzaria. Já sinto saudade das conversas, histórias e risadas. Com certeza, já ocupa um bom lugar junto ao pai eterno."
ÂNGELO BARIONI, Jornalista e vizinho de Marco
"Ele sabia que, num mundo cada vez mais rápido, o conteúdo segue como item fundamental. O jornalismo campineiro perde um profissional dedicado e um cara do bem, alguém que tinha respeito pelo leitor. Coisa cada vez mais rara."
FÁBIO GALLACCI, jornalista
"Trabalhei por muitos anos com o Marco no esporte e a paixão pelo futebol nos manteve próximos mesmo depois que ele foi para outras editorias. Conversávamos todos os dias e trocávamos mensagens durante as rodadas. E fizemos isso há poucos dias. Eu e meus colegas da editoria estamos muito tristes. Desejamos que Deus dê força e conforto à família do nosso amigo."
CARLO CARCANI, Coordenador de Esportes do Correio Popular
"Com profundo pesar, o Guarani Futebol Clube informa e lamenta o falecimento do jornalista Marco Antonio Martins. Marco atualmente estava trabalhando como editor no jornal Correio Popular. Além de ser um grande jornalista, Marco era torcedor fanático do Bugre. O Guarani, por meio de seu Conselho de Administração e Departamento de Comunicação, externa os sentimentos à família e aos amigos. Descanse em paz."
GUARANI FUTEBOL CLUBE
“O Marco Antonio Martins, o nosso Marcão, foi uma das figuras que fizeram parte da minha trajetória dentro das redações da RAC. Nossa convivência dentro da editoria de Esportes no Correio Popular me rendeu um grande aprendizado jornalístico, que norteia os meus trabalhos até hoje. Uma grande perda para o jornalismo de Campinas.”
JOÃO LAGE, jornalista

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