Publicado 15/05/2019 - 07h58 - Atualizado 15/05/2019 - 07h58

Por Henrique Hein

Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) adere a paralisação

Thomaz Marostegan/Unicamp

Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) adere a paralisação

Professores, estudantes, funcionários da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e entidades sindicais ligadas à educação vão se reunir hoje, a partir das 10h, no Largo do Rosário, no Centro de Campinas, contra os cortes de recursos nas instituições de Ensino Superior do País. A manifestação foi convocada na semana passada pela União Nacional dos Estudantes (UNE). O movimento nacional deverá reunir milhares de pessoas nas ruas do País ao longo do dia. 
Em Campinas, o protesto deve começar logo cedo na Unicamp, com a distribuição de panfletos e um ato em frente à Reitoria. O grupo se desloca em seguida para o Largo do Rosário e parte dos manifestantes deve seguir à tarde para a manifestação que está sendo programada para acontecer em frente ao Museu de Arte de São Paulo (Masp).
No último dia 30 de abril, o Ministro da Educação Abraham Weintraub anunciou um corte de 30% no orçamento das universidades federais que provocarem “balbúrdia” em seus campi. No dia seguinte, o secretário de Educação Superior da pasta, Arnaldo Barbosa de Lima Júnior, afirmou que o corte seria de forma isonômica para todas as universidades.
Em entrevista ao Correio Popular, ontem, o reitor da Unicamp, Marcelo Knobel, disse que defende a causa dos estudantes e que enxerga o corte de verbas como algo que pode causar profundas sequelas na educação brasileira. “Eu vejo esse corte com bastante preocupação, porque as universidades federais já têm poucos recursos. Essa medida, sem dúvida alguma, vai trazer muitas dificuldades para o custeio das universidades”, afirmou.
Na avaliação do professor Paulo César Centoducatte, vice-presidente da Associação dos Docentes (Adunicamp), a manifestação de hoje deve servir como um alerta à sociedade. “No início se falava que os cortes seriam feitos no Ensino Superior para serem aplicados no Ensino Fundamental, mas isso já mudou”, disse o professor. “O que se fala agora é que o corte mais profundo se dará nas instituições federais, mas as universidades estaduais também serão afetadas”, afirmou. Atualmente, a Adunicamp representa cerca de 2.100 professores da universidade e dos colégios técnicos, além de mais mil professores aposentados.
Convocação
Na última segunda-feira, o Conselho dos Reitores das Universidades Estaduais Paulistas (Cruesp) divulgou uma nota oficial criticando o corte de verbas nas universidades. O órgão também convocou a comunidade acadêmica para “debater problemas da educação e da ciência”, na manhã de hoje. Segundo a agremiação, os cortes de verba na área da educação promovidas pelo Governo Bolsonaro são um “equívoco estratégico”, que trará consequências futuras ao País.
“Agências públicas federais de fomento que integram o sistema nacional de CT&I são fundamentais para o funcionamento das universidades, que dependem desses recursos para financiar suas linhas de pesquisa. Interromper o fluxo de recursos para estas instituições constitui um equívoco estratégico que impedirá o país de enfrentar e resolver os grandes desafios sociais e econômicos do Brasil”, alegou.
Ainda de acordo com o Cruesp, as universidades públicas estaduais paulistas (USP, Unicamp e Unesp) respondem por mais de 35% da produção científica nacional e são responsáveis por 35% dos programas de pós-graduação de excelência no País.

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Henrique Hein