Publicado 15/05/2019 - 16h41 - Atualizado 15/05/2019 - 17h13

Por Henrique Hein

Manifestantes se concentraram no Largo do Rosário por volta das 10h

Matheus Pereira/Especial para a AAN

Manifestantes se concentraram no Largo do Rosário por volta das 10h

Milhares de pessoas se reuniram nesta quarta-feira (15) na região central de Campinas, no dia de manifestações programadas pelo País contra os cortes de recursos nas instituições de ensino superior do Brasil. O público, formado por universitários, secundaristas, educadores, representantes de entidades de classe e sindicatos, se concentrou no Largo do Rosário por volta das 10h. De lá, eles caminharam por quase toda a extensão da Avenida Francisco Glicério, descendo a Avenida Anchieta até a sede Prefeitura.
No último dia 30, o ministro da Educação Abraham Weintraub anunciou corte de 30% no orçamento das universidades federais que, segundo ele, provocaram “balbúrdia” em seus campi. No dia seguinte, o secretário de Educação Superior da pasta, Arnaldo Barbosa de Lima Junior, afirmou que o corte seria de forma isonômica para todas as universidades.
A medida revoltou boa parte dos profissionais de Educação e estudantes que entendem que seria um retrocesso. “A educação não tem que ser vista como um gasto, mas, sim, como um investimento. Todo mundo sabe que educação no Brasil ainda precisa melhorar e o Governo vai lá e tira 30% do investimento! Qual é a lógica disso?”, questionou a estudante de Ciências Sociais da Unicamp, Ana Carolina Marcucci, de 23 anos.
Futuro em risco
Professores e educadores de diversas instituições de ensino de Campinas também marcaram presença no ato. Para Sueli Fátima de Oliveira, diretora do Sindicato Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp), a decisão do Governo de cortar gastos na Educação é um retrocesso que coloca em risco o futuro da educação nacional. “Nós entendemos que quando você não investe na Educação, você está prejudicando o futuro e a vida de milhões de jovens. Se você não investe recursos na Educação agora, no futuro você vai ter que investir um dinheiro muito maior na construção de prisões e unidade da Fundação Casa”, afirmou.
Já o presidente da Associação dos Professores da PUC-Campinas (Apropucc), Ednilson Arendit, disse que o corte vai afetar diversas áreas da Educação, como a ciência e o desenvolvimento de pesquisas acadêmicas. “O que o Governo está fazendo é um verdadeiro assassinato contra a Educação. Eles estão criando pessoas sem senso crítico, sem visão de mundo, alienadas e completamente manipuláveis”, afirmou.
A reportagem do Correio Popular entrou em contato com o Ministério da Educação e está no aguardo de um posicionamento a respeito das manifestações.
Unicamp
Na quinta-feira passada, dia 9 de maio, a Unicamp anunciou que o corte de verbas anunciado pelo Governo Federal afetou a universidade. Ao todo, 55 bolsas destinadas a programas de mestrado e doutorado foram recolhidas pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes).
Para o pesquisador associado do Instituto de Biologia da Unicamp, inúmeras pesquisas de referência nacional e internacional serão prejudicadas. “A Unicamp teve mais de R$ 4 milhões cortados e mais de 55 bolsas retidas entre os cursos de mestrado e doutorado. O Governo está conseguindo sucatear as universidades públicas, os institutos federais e as escolas públicas do Brasil”, afirmou.
Faltas coletivas
Segundo o Sindicato dos Funcionários e Servidores da Educação do Estado de São Paulo (Afuse), a maioria das escolas estaduais da região suspenderam as aulas nesta quarta-feira, assim como a Unicamp, que teve três setores paralisados. A universidade, contudo, informou que as atividades essenciais foram todas mantidas.
Em Paulínia, funcionários da Refinaria de Paulínia da Petrobras (Replan), atrasaram a entrada para a troca de turno em cerca de duas horas. Já em Hortolândia, a maioria dos estudantes das Escolas Técnicas Estaduais (ETECs) e do Instituto Federal não foram às aulas e saíram em passeata pela à Praça da Matriz contra os cortes na educação.
Trânsito complicado
Os protestos contra os cortes de recursos nas instituições de ensino superior do País causaram problemas no trânsito de Campinas ao longo da manhã e no começo da tarde desta quarta. Quem dirigia pelo Centro, entre as 10h e 13h, encontrou congestionamento em avenidas como a Campos Sales e a Francisco Glicério, além de ruas como a José Paulino, por exemplo. Por conta da passeata, algumas vias ficaram parcialmente bloqueadas, cansando transtornos aos motoristas.
Mais cedo, por volta das 7h30, um grupo formado por cerca de 30 estudantes bloqueou uma das faixas da Avenida Guilherme Campos, em protesto contra o bloqueio de recursos para a educação. O bloqueio durou cerca de uma hora e afetou o trânsito na região. A avenida é responsável por dar acesso aos campi da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e da Pontifícia Universidade de Campinas (PUC-Campinas).
Os alunos levaram faixas e cartazes e sentaram no chão durante o protesto. Veículos conseguiram passar, mas com muita lentidão. De acordo com a Concessionária Rota das Bandeiras, que administra a Rodovia Dom Pedro I, a manifestação causou lentidão no km 137 sentido Rodovia Anhanguera (SP-330), na altura do Parque D. Pedro Shopping. A situação foi normalizada por volta das 8h30, segundo a concessionária. A Polícia Militar fez o acompanhamento do ato.

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Henrique Hein