Publicado 15/05/2019 - 15h24 - Atualizado 15/05/2019 - 15h26

Por France Press

A rede social foi muito criticada por ter demorado a interromper a transmissão do vídeo de Christchurch: as imagens se propagaram rapidamente pela internet

AFP

A rede social foi muito criticada por ter demorado a interromper a transmissão do vídeo de Christchurch: as imagens se propagaram rapidamente pela internet

 O Facebook anunciou nesta quarta-feira uma restrição do uso da plataforma Live, de vídeos ao vivo, que foi utilizada pelo autor dos atentados nas mesquitas de Christchurch na Nova Zelândia para transmitir o massacre de 51 pessoas em março.
O anúncio coincide com o lançamento, em Paris, de uma iniciativa mundial contra os conteúdos violentos na Internet.
A rede social foi muito criticada por ter demorado a interromper a transmissão do vídeo de Christchurch: as imagens se propagaram rapidamente pela internet. A empresa prometeu então revisar as condições de uso do Live.
A partir de agora, os usuários que violarem as regras de uso da rede social, em particular as que proíbem "organizações e indivíduos perigosos", serão suspensos do Facebook por um determinado período a partir da primeira infração.
"É um bom primeiro passo", afirmou a primeira-ministra neozelandesa, Jacinda Ardern, que está em Paris para lançar, ao lado do presidente francês Emmanuel Macron, uma mobilização internacional contra o conteúdo violento na internet.
"O terrorista de 15 de março deixou evidente a forma como a transmissão ao vivo pode ser mal utilizada para propagar ódio. O Facebook deu um primeiro passo concreto para impedir que este ato se repita em sua plataforma", declarou Ardern, que lançou ao lado de Macron o "Apelo Christchurch" contra a violência online.
- Resposta mundial -
"O Facebook, que foi usado como uma plataforma de transmissão ao vivo, tentou excluir o vídeo: eles o removeram, mas foi visto 1,5 milhão de vezes e, nas primeiras 24 horas, foi colocado de volta no YouTube a cada segundo", acrescentou.
"Frente a um fenômeno desse tipo, não podemos agir sozinhos (...) Devemos dar uma resposta mundial", ressaltou.
"O 'Apelo de Christchurch' significa pedir aos países e às grandes empresas digitais que tomem medidas contra o terrorismo e o extremismo violento online", afirmou, por sua vez, a presidência francesa.
Mais de vinte chefes de Estado e Governo se juntaram à iniciativa, incluindo os primeiros-ministros canadenses Justin Trudeau e a norueguesa Erna Solberg.
Também estiveram presentes na reunião o rei Abdullah da Jordânia, o presidente senegalês Macky Sall, a premiê britânica Theresa May, e os chefes do Google, Twitter e Facebook.
Os grandes fornecedores de serviços online se comprometeram a "adotar medidas que permitam prevenir o download de conteúdos terroristas e extremistas viole ntos", segundo indicaram no comunicado final da reunião.
Contudo, alguns não acreditam que esta iniciativa terá poder coercitivo.
"Trata-se de uma declaração de princípio. De uma iniciativa política, nada mais", considerou Marc Rees, chefe de redação do portal francês Next INpact.
"Não é que Facebook ou Twitter não queiram, mas suprimir em tempo real um conteúdo postado online é simplesmente impossível", acrescentou.
"Até hoje, se as pessoas publicavam conteúdo contrário aos parâmetros de nossa comunidade, no Facebook Live ou em qualquer outra parte de nossa plataforma, eliminávamos o conteúdo", escrevem em um blog Guy Rosen, alto funcionário da empresa, para explicar a nova política de tolerância zero.
"Se continuavam publicando conteúdo que violava nossos parâmetros, impedíamos de usar o Facebook por um tempo, eliminando também a capacidade de usar o Facebook Live", completou.
"E, em alguns casos, excluíamos de nossa plataforma, devido a repetidas violações menores ou, em casos mais raros, por uma única violação flagrante (como o uso de uma imagem de propaganda terrorista como foto de perfil ou compartilhar imagens de exploração infantil)".
A partir desta quarta-feira, qualquer pessoa que violar as regras sobre conteúdos extremistas será suspenso a partir da primeira infração, sem acesso ao Facebook Live durante um período de tempo específico, como 30 dias.
Rosen também citou o exemplo de uma pessoa que compartilha um link para um comunicado de um grupo terrorista sem elementos de contexto.
O Facebook também planeja impedir nas próximas semanas que os infratores divulguem anúncios na rede.
Além disso, o grupo reiterou que, no caso de Christchurch, enfrentou um desafio técnico: seus sistemas tiveram dificuldades para identificar as diferentes versões e montagens das imagens do vídeo original.
A empresa anunciou um investimento de 7,5 bilhões de dólares em associações com três universidades para melhorar a análise de imagens e vídeos. 

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