Publicado 13/05/2019 - 14h42 - Atualizado // - h

Por Alisson Negrinho

Virna com a caçula Maria, o primogênito Vitor, o marido Rodrigo e o filho Pedro: passeios são rotineiros

Arquivo Pessoal

Virna com a caçula Maria, o primogênito Vitor, o marido Rodrigo e o filho Pedro: passeios são rotineiros

Duas vezes medalha de bronze nos Jogos Olímpicos, prata na Copa do Mundo e ouro no Pan-Americano: Virna Dias dispensa apresentações. Que ela está entre os principais nomes do vôlei feminino nacional não é novidade para ninguém, mas o que poucos sabem é como a maternidade a acompanhou durante toda sua trajetória e lhe rendeu lembranças tão marcantes. Da dor ao perder as primeiras palavras do filho mais velho, à alegria de finalmente ter uma menina, já aos 42 anos.

Garota levada, como ela mesma gosta de se definir, Virna cresceu em Natal-RN, ao lado das irmãs mais novas: Vanessa e Virginia. Engenheiro civil, o pai, Severino Tarcísio, queria que a filha seguisse seus passos. Já a mãe, Maria do Carmo, apesar de trabalhar em dois períodos na Justiça Federal, sempre encontrou um tempinho para incentivá-la a praticar esportes.

O apoio em casa aliado ao talento fizeram com que aos 15 anos a jovem saísse de casa em busca do sonho, no Rio de Janeiro. “Minha mãe sofreu muito. Naquela época não tinha rede social, ou toda essa facilidade de comunicação. No máximo era um fax”, disse.

Mãe de primeira viagem
Três anos mais tarde, conforme despontava como uma das grandes promessas brasileiras na modalidade, Virna descobriu que estava grávida de seu primeiro filho, Vitor. Foi quando se casou com o então namorado e parou de jogar, para se dedicar exclusivamente à gravidez. “Quando ele nasceu, o Zé Roberto (treinador) me convocou para a seleção juvenil, só que como fiz cesárea, não tive tempo hábil para entrar em forma. Fiquei muito triste.”

A nova chance aconteceu pouco depois. Convidada para jogar em um time italiano, ela não pensou duas vezes: partiu com o pequeno de 4 meses, o marido e uma prima da mãe. Só que neste período, sem receber, a potiguar passou por um semestre de extrema insegurança. “Eu não sabia fazer um ovo. A maternidade me transformou, porque eu tive que me virar e amadurecer”, conta Virna, que deixou de acompanhar o crescimento do filho devido ao vôlei.

“Ao mesmo tempo em que me realizava profissionalmente, eu estava ausente de casa. Não vi o Vitor andando nem falando. Uma vez passei 40 dias na Ásia para um torneio e quando voltei, ele não me reconheceu. Muitas vezes me questionei se valeria a pena continuar jogando.”

Gravidez durante torneio
Assim como com Vitor, o segundo filho, Pedro, também veio em um cenário totalmente ligado ao esporte. Após se separar do primeiro marido, Virna passou anos jogando e alimentando o sonho de voltar a ser mãe. Só o que não esperava é que viria de maneira tão inusitada. Aposentada do vôlei de quadra e disputando a modalidade na areia, ela namorava Rodrigo há dois anos, e ele sempre dizia que se casariam no dia 10/10/2010, como forma de homenageá-la, já que sempre usou a camisa 10.

O tempo passou e durante a disputa de um torneio na praia, a atleta começou a se sentir mal. “Achei bastante estranho, quando me dei conta, eu estava grávida. Fui descobrir no meio da competição”, relembra Virna, que então decidiu se mudar para Campinas, pois era onde morava o namorado. “Quando foi o dia 10/10/2010, que era a data do casamento, nasceu o Pedro. Antecipamos o casório para julho e com 39 anos eu fui mãe de uma forma muito sublime, porque eu parei de jogar, mas sabia que já estava no fim da carreira, então a maternidade veio na hora certa.”

E se com Vitor o sofrimento foi grande por perder tantos momentos, desta vez foi diferente. “Foi uma maternidade muito bacana, porque eu tinha tempo para ser mãe, cuidar dele e viver o que eu não tinha vivido. Eu realmente aproveitei, pude presenciar festas de escolas, reuniões, tudo o que não fiz com meu filho mais velho.”

Ouro olímpico e maternidade
Como não poderia deixar de ser, Maria, caçula da família, também tem sua vida conectada ao vôlei. O ano era 2012 e o Brasil vencia a medalha de ouro nas Olimpíadas de Londres, ao bater os Estados Unidos na decisão. Já como ex-jogadora, Virna participou da competição como comentarista esportiva. Depois que a Seleção Brasileira se sagrou campeã, ela saiu para comemorar com o marido.

“Nisso eu engravidei da Maria, que está com 6 anos e é a minha princesa. Ela tem o comportamento parecido com o meu, maneira de gesticular, forma de falar... A Maria me ensina muitas coisas, é a boneca da casa, que reina no meio de todos esses homens”, revela Virna, antes de destacar os maiores desafios da maternidade.

“Entender e compreender cada um, e crescer junto com eles. Porque a educação não tem uma regra, é o dia a dia com seu filho. Eu quero cada vez mais ser uma mãe melhor e uma amiga melhor. Sou aquela mãe moderna, que fala sobre tudo abertamente. A realidade está na sua frente, você tem que mostrar o que é bom e o que não é.”

Escrito por:

Alisson Negrinho