Publicado 10/07/2019 - 15h02 - Atualizado // - h

Por Alisson Negrinho

O campineiro Evandro Lázaro esteve em mais de 20 seleções nacionais de atletismo e agora ensinará o que sabe na Unicamp

Denny Cesare/AAN

O campineiro Evandro Lázaro esteve em mais de 20 seleções nacionais de atletismo e agora ensinará o que sabe na Unicamp

“A conquista foi sensacional. Tivemos um dia ótimo, os atletas correram com personalidade, fizeram boas passagens e pudemos ter a equipe do Brasil conquistando não apenas a primeira medalha do País em mundiais de revezamento, mas ainda a primeira posição. Foi um resultado muito importante para o esporte.”, Evandro Lázari
Um problema respiratório que veio para mudar sua vida. Logo aos 2 anos, Evandro Lázari foi diagnosticado com pneumonia e causou grande preocupação nos pais. Mas como diz o ditado: “há males que vêm para o bem”. E este é um desses casos. Foi por conta da infecção pulmonar que o pequeno teve o primeiro contato com o esporte, na natação, e passou a se interessar por outras modalidades, em especial o atletismo, no qual se tornou um consagrado treinador. Agora, depois de tanto treinar atletas para superarem adversidades, chegou a hora de preparar alunos para o futuro, na sala de aula da Unicamp.

Aprovado em concurso público para ministrar as disciplinas de “Atletismo” e “Organização e Gestão do Esporte”, no curso de Ciências do Esporte da Faculdade de Ciências Aplicadas (FCA), localizada no campus de Limeira, Evandro aguarda o término do processo de contratação para começar na nova função. A expectativa é que isso aconteça ainda neste segundo semestre.

“Eu gosto de dar aulas. Claro, será uma nova realidade. Participei de estágios docentes durante o mestrado e o doutorado na Faculdade de Educação Física (FEF/UNICAMP), mas agora assumindo a vaga é uma nova perspectiva. Acredito que o esporte e a área acadêmica precisam se aproximar mais”, explicou o professor, que já ministrou aulas em faculdades particulares, ou como temporário em universidades públicas.

Nascido e criado em Campinas, Lázari se anima de, aos 39 anos, ter a possibilidade de desenvolver pesquisas nas áreas de treinamento esportivo e gestão do esporte. Para ele, poder contribuir com a construção do conhecimento e trocar experiências com outras instituições são de grande utilidade. A motivação é tanta que o docente não se dividirá entre as atividades e deixará de lado a função de técnico. Isso, contudo, não o assusta.

“Sinceramente, o curso me fará estar em contato contínuo com o esporte. Entendo que posso colaborar muito com a formação de novos treinadores e pesquisadores da área esportiva, então não acho que estarei distante dos treinadores e atletas.”

Carreira no atletismo
O ano era 1995 e, com o sonho de se tornar um atleta, Evandro iniciou seus treinos com a lendária Conceição Geremias. Dois anos mais tarde, começou a competir pela ORCAMPI Unimed, equipe na qual está até hoje, mas como treinador e presidente. Em 1998, ao passar no vestibular de Educação Física da Unicamp, decidiu se dedicar mais aos estudos. “Quis me qualificar para ser treinador, porque fui percebendo que como atleta eu não iria muito longe”, relembra aos risos.

Depois de muito se aprimorar, o professor foi recompensado em 2006, quando participou pela primeira vez como treinador da comissão da Seleção Brasileira de Atletismo, em um Campeonato Sul-Americano sub-18, na Venezuela. “No atletismo nenhum técnico é fixo ou permanente, ele participa de seleções nacionais de acordo com as competições. De lá pra cá são mais de 20 seleções em que estive, sendo as mais importantes os Jogos Olímpicos do Rio-2016, campeonatos mundiais de atletismo de 2013 (Moscou), de 2015 (Pequim) e de 2017 (Londres).”

O currículo conta ainda com outros feitos, como estar no Mundial sub-20 em Tampere, Finlândia, e de ser treinador chefe no Mundial sub-18 em Nairóbi, Quênia. São dez disputas do Campeonato Mundial, duas dos Jogos Pan-Americanos e uma das Olimpíadas.

Já em maio deste ano, Evandro integrou como treinador a delegação da seleção brasileira, cuja equipe masculina do 4x100m conquistou o ouro, no Mundial do Japão. Apesar de na oportunidade ser o responsável pelo time do 4x400m misto, que ficou na 6ª colocação, ele esteve o tempo todo com a delegação e se orgulhou do pódio.

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Alisson Negrinho