Publicado 10/07/2019 - 15h07 - Atualizado // - h

Por Daniela Nucci

Transtorno de ansiedade Agorafobia chega sem aviso prévio e ocorre quando a pessoa sente que vai perder o controle de si mesmo

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Transtorno de ansiedade Agorafobia chega sem aviso prévio e ocorre quando a pessoa sente que vai perder o controle de si mesmo

Imagine sentir um medo exagerado ao ponto de não aceitar mais convites de amigos para dar uma voltinha no shopping ou assistir aquele filme tão aguardado no cinema. Essa atitude radical, que aparece cada vez mais em pessoas de vida atribulada, não tem qualquer relação com a falta de dinheiro ou de tempo em razão da rotina corrida. Essa retração incontornável surge devido a um distúrbio chamado agorafobia (palavra grega que significa, literalmente, medo de praça pública). “É um transtorno de ansiedade causado pelo medo de perder o limite de si mesmo ou de lugares abertos que, em geral, se desenvolveu depois da pessoa já ter tido alguma crise de pânico, que é um ataque de alta proporção e pode ser a causa do desenvolvimento da agorafobia”, explica o médico psiquiatra, Judson da Costa Mauro.
Segundo o especialista, pessoas que passam por uma fase aguda de pânico sofrem para enfrentar situações nas quais possam sentir-se presas, envergonhadas ou em pânico e procuram evitar esses locais ou. “Há o medo de morrer, de desmaiar, de perder o controle sobre si ou de passar ridículo. Se a pessoa já sentiu essa ansiedade dentro de um elevador, ela vai associar esse local com o transtorno e vai evitar entrar por medo de sofrer a mesma coisa”, comenta Judson. Por isso, esquivam-se de lugares como lojas, meios de transporte lotados ou espaços abertos, com grande circulação de pessoas, como shows, pois, se ocorrer algum problema, consideram que não conseguirão fugir. “Mesmo na companhia de familiares, amigos e em segurança é muito forte a sensação porque a pessoa se sente exposta e tem medo de sofrer um colapso ou ter uma queda ou tomar uma atitude absurda de sair correndo, como se jogar no chão. São fantasias vagas, mas que poderiam causar humilhação em público. É o medo de que se repita essa situação extremamente sofrida que ocorreu naquele lugar”, explica.
Sem aviso prévio
As crises não têm aviso prévio. “Tem vários níveis de ataques de ansiedade e alguns são tão severos que causam quadro agudo de despersonalização e desrealização, que são duas alterações importantes. Numa, a pessoa se sente estranha e a outra é ficar agoniada pelo lugar, mesmo sendo conhecido, vai parecer estranho. Com isso vem todas as alterações que o ataque traz como boca seca, alteração na visão, pele fria, taquicardia, falta de ar, e esse pique é tão assustador que causa a percepção que pode até morrer ou ficar doido nesse processo porque se cria essa cicatriz. Uma das consequências pode ser a agorafobia, que devido ao sintoma sofrido, fica com medo do lugar ou um local parecido com aquele, como num shopping, porque em qualquer um se sentirá ruim”, completa. Não há explicação sobre as causas que levam ao quadro de agorafobia, mas existem pesquisas que indicam alguns fatores para o desenvolvimento do distúrbio, como depressão, fobias, transtorno de ansiedade, entre outros. “O tratamento é essencialmente de psicoterapia cognitiva comportamental e, alguns quadros, pelo tempo da evolução da doença, entra com medicação antidepressiva”, diz o médico psiquiatra.

Ator global sentiu o drama na pele
Quem sofreu na pele esse terrível transtorno durante quatro anos e hoje se diz curado é o ator global Marcos Pasquim, de 50 anos. Para alertar sobre o assunto, o galã participa de uma campanha nas redes sociais, sobre saúde mental. “No meu caso, a primeira crise foi em 2002, no banho. Do nada meu coração disparou e eu achei que ia morrer. Depois disso, as crises ficaram frequentes: mais taquicardia, falta de ar, tremores e aquela sensação de estar morrendo. Ou seja, todos os sintomas de uma ansiedade que eu não teria conseguido controlar sem a ajuda de um especialista e do tratamento médico adequado”, diz Pasquim, durante o vídeo da ação. O ator ainda convida as pessoas a debater o assunto e criar uma rede para fomentar informação. “Procure o médico, ofereça ajuda e compartilhe conhecimento de qualidade, como o que proporciona o Projeto Fale Abertamente”, reforça.

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Daniela Nucci