Publicado 12/08/2019 - 14h16 - Atualizado // - h

Por Daniela Nucci

Mercado do plus size cresce 21% nos últimos três anos e indústria da moda começa a acordar para seu enorme potencial

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Mercado do plus size cresce 21% nos últimos três anos e indústria da moda começa a acordar para seu enorme potencial

Esqueça os termos politicamente corretos como cheinhas, gordinhas ou algo que tente amenizar o tratamento dado a quem está fora do biotipo que impera na moda e na mídia há décadas. Elas são gordas, sim, felizes e bem resolvidas. A indústria da moda e da publicidade começa a abrir os olhos para esse rentável mercado plus size enquanto as mulheres estão determinadas a dar um basta à ditadura do corpo perfeito e de um único padrão de beleza. Para a alegria dos 53% de brasileiros que hoje são considerados acima do peso, o empoderamento feminino batalha também em favor da aceitação do tipo físico natural e elevação da autoestima das consumidoras da moda plus size. “Usamos a palavra gorda por ser uma característica e não uma ofensa e nem xingamento. Este termo ainda é visto como algo negativo, por isso não é fácil de ser adotado ainda, mas tentamos neutralizar e ressignificar o uso dele. Quanto mais for falado de forma natural mais fácil fica de se acostumar. Exemplo disso são os termos comuns como alta, baixa e magra. As pessoas são gordas e a moda é plus size”, diz a produtora de eventos e jornalista Flávia Durante, que após sentir na pele a falta de opções no mercado da moda, idealizou, em 2012, o Pop Plus - evento de moda e cultura plus size - que ocorre quatro vezes ao ano em São Paulo e que terá sua primeira edição fora da capital, na Estação Cultura em Campinas, nos dias 17 e 18 deste mês. “Muitas pessoas de Campinas e região já frequentam o Pop Plus, em São Paulo, pensando nisso trouxemos o evento para a cidade. Nosso propósito vai muito além da moda, buscamos também acabar com a gordofobia. A mulher não tem e nunca terá um único padrão e está em busca de se sentir bonita, acolhida e, muitas vezes, a moda é excludente. Por isso, nos conectamos com marcas que oferecem opções e estilos de roupas bem variados e que representam essas mulheres, independente do peso”, diz Flávia.
Segundo dados da Associação Brasil Plus Size, esse mercado cresceu 21% nos últimos três anos. Nesse mesmo período a indústria de vestuário acumulou queda superior a 5%. O crescimento do mercado é uma tendência mundial, está em evidência e apresenta-se como um segmento promissor no mundo todo. No Brasil, a perspectiva de crescimento é de 10% ao ano até 2020. Essa indústria é avaliada em R$ 7,6 bilhões. “O boom deste mercado é devido a uma demanda reprimida, já que quase 60% da população esta acima do peso e apenas 17% do varejo atende ao segmento plus size. Assim como eu, muitas mulheres gordas começaram a abrir suas marcas por não acharem peças que acompanham as tendências de moda. Temos que popularizar e descentralizar ainda mais esse mercado”, diz Flávia.
O Pop Plus contará também com atrações gratuitas musicais, danças, rodas de conversas e palestras sobre o mundo plus size, além de 40 expositores de moda do mercado plus size. A feira vai oferecer opções de vestuário feminino formal, esportivo, sexy, casual, moda festa, opções de praia, masculinas, acessórios, entre outros. A idealizadora do projeto conta que para participar da feira, a marca precisa trabalhar com roupas acima do tamanho 46. “Em média os tamanhos vão do 46 ao 60, mas temos opções até o manequim 70”, diz Flávia.
Pura inspiração
Belíssimas, as modelos plus size fazem o maior sucesso na web exibindo, sem incômodo, suas curvas e a pluralidade da beleza. Por meio de seus posts, defendem a autoaceitação e elevação da autoestima. Algumas delas têm milhões de seguidores nas redes e não usam filtros ou aplicativos de edição de imagem para ajustar as imperfeições tão femininas como celulites e estrias. Esse é o caso da brasileira considerada a Gisele Bündchen do plus size, Fluvia Lacerda, de 38 anos. Há 15 anos no mercado internacional, a modelo conta que, até hoje, há fotógrafos que desacreditam dela ou querem ensiná-la a posar por ser gorda, disse em entrevistas. Ela também defende o uso do adjetivo gorda, em vez de diminutivos como “gordinha” ou “fofinha”. Com 302 mil seguidores no Instagram, a top é mãe de Lua, de 18 anos, e Pedro, de 4. Foi a primeira mulher plus size a estampar a capa da revista Playboy, considerada símbolo da sensualidade por décadas.
  
Programa Beleza GG
De olho nesse nicho, que se fortalece a cada dia, o canal E! lançou o programa Beleza GG, que mostra tudo sobre os bastidores e a vida de três modelos brasileiras plus size famosas: Fluvia Lacerda, Mayara Russi e Denise Gimenez. Além do enfoque ser plus size, a série também mostra tudo o que as modelos enfrentam no seu dia a dia em negociações de campanhas, seleção de modelos, fotos, bem como os dramas pessoais de cada uma delas.
 
 
 
Passarela fora do padrão
Algumas grifes apostaram na diversidade na São Paulo Fashion Week 46N como a Água de Coco que mostrou modelos acima do peso na passarela.
Boom na mídia
Essa mudança de cenário vem passando nos últimos anos e, um exemplo disso, foi o videoclipe da música “Jenifer”, sucesso de Gabriel Diniz, que bombou no último Verão. Em vez de uma pessoa magérrima ou sarada, o músico escolheu a atriz Mariana Xavier para ocupar o posto de musa da canção.
Serviço
Pop Plus
Data: 17 e 18 de Agosto - Horário: das 11h às 20h
Local: Estação Cultura Campinas
Endereço: Praça Mal Floriano Peixoto - Vila Rialto, Campinas - SP, 13010-061
Entrada Gratuita
Estacionamento Gratuito (1000 vagas): Rua Francisco Teodoro, 1050, Vila Industrial

Escrito por:

Daniela Nucci