Publicado 09/09/2019 - 17h05 - Atualizado 09/09/2019 - 17h10

Por Kátia Camargo

Alunos do Ensino Fundamental da escola Vivendo e Aprendendo que já implantou a disciplina por meio de aulas práticas

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Alunos do Ensino Fundamental da escola Vivendo e Aprendendo que já implantou a disciplina por meio de aulas práticas

 Não é de hoje que se discute a inserção da educação financeira nas escolas. Mas, a partir de 2020, conforme determina a Base Nacional Comum Curricular (BNCC), a matéria deve constar dos currículos de todas as escolas do Brasil, sejam públicas ou privadas. Essa inclusão pode trazer retornos bem positivos para as próximas gerações e até para os pais, contribuindo para que a criança aprenda a lidar com dinheiro de forma saudável e equilibrada. Vale lembrar que a BNCC visa trabalhar o ser humano de forma integral, portanto as escolas devem entregar às gerações futuras conhecimentos que vão muito além da capacidade dos cálculos.

Algumas das unidades escolares já trabalham a educação financeira há algum tempo em sua grade curricular, seja como disciplina, seja como matéria transversal, ou seja, poderá ser abordada nas disciplinas de geografia, história ou português, e não exclusivamente em matemática. Outras terão que se adaptar e incluí-la nas suas grades a partir do próximo ano. Os conteúdos deverão ser ministrados no Ensino Fundamental e no Ensino Médio.

O fato é que a introdução da educação financeira finalmente entrou na grade curricular. Segundo dados da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) no ano passado cerca de 46% dos jovens brasileiros, entre 25 a 29 anos, estavam endividados. Na faixa de 18 a 24 anos, a porcentagem é de 19%. Ou seja, nossas crianças e jovens não estavam sendo preparados para lidar com a questão financeira. Até porque provavelmente os pais não desenvolveram essa habilidade, já que isso nem sempre era algo comum para as gerações anteriores.

“Acho muito assertivo introduzir esse assunto no currículo escolar. Desenvolver essa habilidade para lidar com o dinheiro é extremamente importante porque o dinheiro faz parte da nossa vida. Se soubermos lidar com o dinheiro conseguimos lidar de uma forma muito mais saudável. Precisamos criar esse repertório nas crianças para que elas tenham consciência e consigam fazer um bom uso”, aponta a psicóloga Priscila Ribeiro, do ITCR-Campinas (Instituto de Terapia por Contingências de Reforçamento) e do projeto Fortalecendo Laços.

No consultório ela percebe que nem sempre os pais sabem como lidar com isso. “Até porque os próprios pais não sabem lidar com o dinheiro, como planejar e não conseguem ensinar as crianças como lidar com o dinheiro. Se planejar financeiramente tem relação com avaliar consequências. São poucas as famílias que têm um planejamento financeiro muito claro que isso possa ser passado para as crianças”, destaca a psicóloga.

Outro ponto que vale a pena destacar é que não dá para confundir a matemática financeira com a educação financeira. Enquanto a primeira é uma área que aplica conhecimentos matemáticos à análise de questões ligadas a dinheiro, a segunda está ligada à formação de comportamentos do indivíduo em relação às finanças. “Criar esse repertório com as crianças é muito importante, pois é nesse momento que as crianças estão construindo as bases de seus comportamentos. Isso vai ajudar que eles tenham hábitos de consumo mais saudáveis e sustentáveis no futuro”, destaca Priscila.

Muito além de um supermercado
Um dos dias mais esperados no Colégio Vivendo e Aprendendo é quando acontece o supermercado fictício organizado pelos alunos na quadra esportiva. Os estudantes do quarto ano passam um período arrecadando, roupas, brinquedos, comida para que alunos de outras séries possam comprar seus sonhos e desejos que estão disponíveis por lá. “Esse evento é resultado de um projeto de educação financeira que trabalhamos na escola. É muito bonito ver a integração das crianças e como elas aprendem a lidar com o dinheiro. Acreditamos que é nossa missão ajudar a preparar uma nova geração mais consciente e sustentável financeiramente”, destaca a diretora pedagógica Renata Alves.

Os alunos maiores trabalham a soma, subtração, multiplicação e divisão de forma prática. Já os menores começam a entender sobre que o dinheiro com as notinhas de brincadeira começam a entender que com alguns valores conseguem comprar algumas coisas e outras não. “São experiências enriquecedoras para todos”, destaca a diretora. Outro destaque é que parte do que as crianças aprendem na escola acabam levando para dentro de casa e muitas vezes isso contribui com os pais e familiares. É um projeto que fazemos e os pais elogiam muito, pois percebem o reflexo prático na vida das crianças. “Adequando a linguagem para cada faixa etária é possível mostrar aos alunos como lidar com as finanças do dia a dia. Eles também aprendem a se planejar, poupar para os sonhos e conquistar a independência financeira”, diz Renata.

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Kátia Camargo