Publicado 22/09/2019 - 13h15 - Atualizado 22/09/2019 - 13h30

Por Estadão Conteúdo

Aventura em ?perseguir? os animais para registro é criticada por muitos profissionais, que consideram essa experiência estressante ao belo bicho

iStock/ Banco de Imagens

Aventura em ?perseguir? os animais para registro é criticada por muitos profissionais, que consideram essa experiência estressante ao belo bicho

O olhar atento de Rosita ao volante da van não perde qualquer detalhe na paisagem. Mesmo com pouca luz natural, já que no Outono patagônico o Sol nasce por volta de 9h da manhã, ela percebe a movimentação perto de um morro. Logo avisa o guia Marco Ojeda de que tem um puma ali. Ela estaciona o veículo e, com a ajuda do binóculo, vem a confirmação de que o enorme felino das Américas está lá.
Uma das dicas foi a presença dos chamados trackers, rastreadores que se especializaram em seguir os pumas para depois levar turistas para fazer imagens. É um negócio, cada vez mais lucrativo, feito por fazendeiros da região. Na beira da estrada, pessoas com roupas camufladas e lentes enormes ficam na expectativa para fotografar o animal. Obviamente, nem sempre o resultado é positivo.
Esse tipo de excursão gera um debate sobre o quanto a presença dos humanos cada vez mais perto dos pumas pode estressar os felinos, que na região chegam a 3 metros, da ponta do rabo até a cabeça, e podem pesar mais de 100 kg. Eles não são monitorados, mas estima-se que existam cerca de 90 na região.
“O puma tem mais medo da gente do que a gente dele. Quando vê alguém, ele logo se afasta”, explica Basilio Reinika, que coordena os guias no hotel Tierra Patagônia. Ele explica que alguns indivíduos até ganharam apelidos, como Scarface e Sarmiento. “Tem até um que não tem o rabo”, diz.
O felino não tem hábito de atacar humanos. Em vez disso, prefere se alimentar de guanacos (espécie de primo da lhama), vistos aos montes na paisagem. Quando consegue caçar um, o puma se alimenta principalmente das vísceras. Depois, satisfeito, deixa o animal morto para trás e daí aparecem condores, gaviões, raposas e até tatus.
Até consegui fotografar o puma. Foi preciso usar um zoom exagerado para ver um pontinho amarelado, camuflado em meio às estepes. Eu sei que ele está lá, mas seria difícil para qualquer outra pessoa encontrá-lo na imagem. Desculpe, leitor. Há diversas empresas especializadas no passeio, mas também é possível reservar no seu próprio hotel. Mesmo sem comprar o pacote específico de perseguição ao puma, o viajante tem a possibilidade de encontrar o animal por acaso. Só é preciso ter o olhar atento como o de Rosita.
Esforço de pelegrinos amadores exige comida e cama quentes
Em uma região na qual a caminhada é o carro-chefe, nos arredores do Parque Nacional Torres del Paine, repousar numa cama quentinha faz diferença para recuperar as energias e encarar as trilhas do dia seguinte. Com quartos espaçosos, serviço cuidadoso e integração com o meio ambiente, o Tierra Patagônia tem um clima descontraído, mas sem descuidar do conforto.
O hotel foi projetado de modo a não agredir a natureza do entorno - mesmo visualmente. De longe, ele parece camuflado na paisagem. É um prédio horizontal, da altura de um sobrado, feito de madeira. O plástico foi abolido - os hóspedes ganham garrafas com a marca da empresa, que podem ser enchidas em bebedouros e levadas para as trilhas no parque.
São 40 suítes espaçosas, onde os hóspedes podem se desconectar do dia a dia. Afinal, não há sinal de celular ou internet - a comunicação é feita por rádio, quando necessário. Assim, sobra tempo para curtir as piscinas interna e externa, ambas aquecidas e com vista para as Torres. Ou saborear sem interrupções as refeições incluídas no sistema all-inclusive, com um preparo cuidadoso e acompanhadas por vinho e sobremesa. É possível ainda curtir o spa com massagens (pagas à parte) ou fazer as aulas de ioga (essas, incluídas na diária).
Os passeios também fazem parte do pacote, com guias que recebem aulas com especialistas em glaciação, botânica, ornitologia, história e geopalentologia, além de primeiros socorros. Eles chegam um mês antes de a temporada começar e vivem numa vila própria, criada pelo hotel. "Temos 130 pessoas trabalhando aqui e tivemos de criar uma mini cidade", conta Constanza Leiva Arellano, diretora de marketing da rede Tierra Hotels. O pacote de quatro noites, com tudo incluído, custa a partir de US$ 9.200 o casal. Em outubro, a promoção é poder levar até duas crianças hospedadas no mesmo quarto dos pais sem custo extra. Site: tierrahotels.com/pt/.
OUTRAS OPÇÕES
 
O site torresdelpaine.com reúne uma lista com as principais hospedagens da região, de hotéis luxuosos a hostels. Quem pretende fazer as longas caminhas dentro do parque que exigem pernoite em campings ou refúgios precisa fazer reserva. Baixe o mapa e planeje com calma as trilhas para saber quantas reservas serão necessárias para o tour. No site do Parque Nacional há todas as orientações para os trekkers.
COMO CHEGAR
Os voos a Puerto Natales, cidade mais próxima a Torres del Paine, só são operados pela Latam entre dezembro e fevereiro, na altíssima temporada. No resto do ano, voe até Punta Arenas e percorra os 300 km restantes em transfer, carro alugado ou ônibus - compre em bussur.com. Se quiser esticar a viagem, há ônibus de Puerto Natales a El Calafate, do lado argentino.

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