Publicado 09/10/2019 - 18h44 - Atualizado 09/10/2019 - 18h44

Por AFP


Seis países industrializados e em desenvolvimento lançaram nesta quarta-feira (9) uma coalizão para comprometer o mundo na meta de resguardar 30% de seus territórios e oceanos até 2030, como parte do esforço para conter o aquecimento global.

A coalizão foi lançada em San José pelos ministros do Meio Ambiente de Costa Rica, Finlândia, França, Gabão, Granada e Reino Unido, durante as discussões preparatórias para a 25° Conferência das Partes da Convenção sobre as Mudanças Climáticas, que será celebrada em dezembro no Chile.

"Esta coalizão responde ao chamado da comunidade científica, que recomenda ações urgentes" contra as mudanças climáticas, explicou o ministro costa-riquenho, Carlos Manuel Rodríguez.

Ele afirmou que, segundo especialistas sobre o clima, se a trajetória atual se mantiver, não será alcançada a meta de reduzir a 1,5°C a elevação das temperaturas do planeta até 2030, e o mundo se dirigirá a um aquecimento de 3°C, com "efeitos irreversíveis".

Ao mesmo tempo, estudos alertam que sem mudanças no uso do solo, "nos próximos dez anos, podemos perder até um milhão de espécies de flora e fauna", disse Rodríguez.

O ministro britânico Ian Duncan advertiu que ainda há muitos países que não aceitam a meta de limitar a 1,5°C o aumento da temperatura e têm outras prioridades.

"A menos que possamos atrair todos os outros (países), nossos desafios não serão alcançados e seguiremos lutando, e o que mais tememos, a destruição do clima, nossas florestas e nosso modo de vida se tornará realidade", afirmou Duncan.

Rodríguez indicou que os seis países da coalizão "e muitos outros" defendem o uso da natureza como a solução para frear o aquecimento global.

"Sempre acreditamos que algum cientista ilustrado vai criar uma máquina que vai sequestrar o carbono e levá-lo a um lugar onde não nos faça mal. Eu digo que a mãe natureza já desenhou essa tecnologia e se chama árvore. Devemos usar as árvores, as florestas, os ecossistemas para combater as mudanças climáticas", acrescentou.

A secretária de Estado francesa para a Transição Ecológica e Inclusiva, Brune Poirson, destacou, por sua vez, a necessidade de cumprir as metas de financiamento para possibilitar esse nível de proteção defendida pela coalizão.

Ela antecipou que em duas semanas a França sediará em Paris um fórum do Fundo Climático Verde, onde este país dobrará sua contribuição com 1,7 bilhões de dólares adicionais.

"Também queremos que a natureza esteja no centro dos acordos comerciais e do sistema financeiro global", disse Poirson.

Neste sentido, a ministra finlandesa, Krista Mikkonen, anunciou que seu governo havia enviado esta semana ao Parlamento seu orçamento, que aumenta o financiamento para a proteção ambiental em 100 milhões de euros.

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