Publicado 23/12/2019 - 15h02 - Atualizado 23/12/2019 - 15h50

Por Adriana Menezes

É chegada a hora de todos se tornarem verdadeiros Papais Noéis

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É chegada a hora de todos se tornarem verdadeiros Papais Noéis

Para muita gente, o Natal é sinônimo de correria e remete a filas nas lojas, trânsito engarrafado, estresse, pressa, muita pressa, e falta de tempo para dar conta de toda a organização para a comemoração. Contradições à parte, saber como administrar o tempo para viver o melhor dessa agitada época do ano é a indagação de todo mundo que quer comemorar, confraternizar, presentear, comer e brindar.
Desde que se aposentou, a ex-bancária Claudia Martins passou a deixar tudo para última hora
“Quanto mais tempo a gente tem, menos a gente usa bem o tempo”, decreta Cláudia Martins, que se autodeclara “ex-organizada”. Tudo o que ela antecipava antes nas festas de Natal, até o ano passado, agora ela deixa para a última hora. A mudança aconteceu em 2019 e tem uma causa muito bem definida: aposentadoria.
“Eu tinha meu tempo mais cronometrado e era mais organizada. Fazia lista de Natal, comprava antecipado e pensava em tudo antes, justamente porque não me sobrava tempo”, lembra a ex-bancária. “Agora, como tenho tempo sobrando, vou deixando para depois, depois e depois…”, lamenta. A uma semana da noite natalina, Cláudia não comprou o que precisava. “Fui ao shopping e estava lotado. Não resolvi nada. Sinceramente, eu estou perdida.”
Para dar uma solução à falta de planejamento deste ano, a bancária aposentada Cláudia Martins telefonou na última semana para os sobrinhos e perguntou o que cada um gostaria de ganhar de Natal. Ela gosta de escolher de acordo com o perfil de cada um, mas desta vez vai ter de mudar porque não deu tempo de comprar. “Também vou aproveitar para reduzir a lista de presentes, porque o momento econômico não é favorável, e é sempre bom lembrar que Natal não é só isso: comprar presentes. O importante é poder aproveitar este tempo.”
Antecedência
Embora a maior parte das pessoas esteja no grupo dos atrasadinhos, há também quem evita passar pelo estresse de fim de ano, que afeta até quem não comemora o Natal ou não vai às compras, seja no trânsito, no supermercado, nas ruas, nos restaurantes. A gerente comercial Tcheylla Shinosaki é prevenida e prefere comprar e entregar os presentes com antecedência. “Eu já entreguei tudo, porque vai que alguém vai viajar!”, diz. Os contemplados em sua lista já receberam o presente. Isso inclui a filha de 4 anos (que recebeu no dia 12 de dezembro), a sobrinha, o marido, a irmã, o pai, a mãe, o tio e os colegas de trabalho.
“Falei para minha filha que o Papai Noel é muito organizado e tem muitas crianças para entregar presente, por isso ele já deixou bem antes o dela”, justificou Tcheyla, que vai para Uberlândia (MG), onde reúne toda a família. “Todo ano faço assim. Compro bem antes, então não preciso ir a shopping lotado, nem pagar mais caro pelos presentes. Comprando antecipado eu economizo e não sofro com filas, sem falar que às vezes se você quer alguma coisa especial, se deixar de última hora, não encontra.”
Desde os 18 anos, quando começou a ter sua própria renda, Tcheyla se organiza desta maneira: sempre por antecipação. No entanto, ela diz que não consegue ser organizada em outras coisas, como a agenda pessoal ou na cozinha. Para o cardápio das festas, Tcheyla também planeja com antecedência. “Já sabemos o que vamos comer no café, no almoço e no jantar.”
Sem estresse
O planejamento do Natal de Mara Regina Gorino Manso começa, todos os anos, no mês de agosto. “Começo a planejar o que vou fazer, para onde vou viajar e quais os presentes de Natal. Faço listinha e vou pagando mensalmente. Assim evito shopping no fim do ano. Nessa época você é mal atendida, pega fila e não acha vaga para estacionar. Não gosto”, fala Mara, que trabalha em empresa de informática como analista financeira, no horário comercial tradicional. Mara acredita que antecipar as compras compensa sob todos os aspectos, desde o financeiro até o emocional. “Não gosto de passar por estresse.” A analista diz que sempre foi assim. É ela quem cria o grupo do Natal no WhatsApp da família. O cardápio também é definido pelo menos dois meses antes.

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Adriana Menezes