Publicado 05/01/2020 - 15h50 - Atualizado 05/01/2020 - 15h50

Por Estadão Conteudo

Atração traz diversos mecanismos e sistemas no Walt Disney World

Divulgação

Atração traz diversos mecanismos e sistemas no Walt Disney World

Tan tan tan, tantantan, tantantaaaan... A inesquecível onomatopeia da Marcha Imperial de Star Wars não sai da minha cabeça um segundo sequer no caminho para Orlando, um dos destinos mais procurados pelo brasileiros nas férias escolares. Dois sonhos são embalados por ela: conhecer a Disney World e vivenciar uma experiência do universo Star Wars. Filme que me conduziu ao espaço pela primeira vez em 1987, aos 7 anos, uma década depois de ele ser lançado nos Estados Unidos, quando ainda não tínhamos sido tomados de assalto pelo anglicismo e ele se chamava apenas Guerra nas Estrelas.
Quem nunca sonhou em virar um Jedi para combater aos sith, no universo fictício da série premiada?
Inaugurada em dezembro, a atração Rise of the Resistance (algo como "Levante da Resistência") leva os visitantes para dentro do universo da saga criada por George Lucas. O espaço integra o Galaxy’s Edge, complexo aberto em agosto deste ano no Hollywood Studios, parque em Orlando - em maio chegou à Disneylândia, na Califórnia. É ali que fica o fictício planeta Bantu (criado especialmente para a atração), um porto fora da rota do hiperespaço que se tornou local para contrabandistas, traficantes e aventureiros. Além de turistas e fãs dos filmes, claro.
No Rise of the Resistance, os visitantes fazem parte de uma tropa da Resistência, insuflada por Rey (protagonista dos últimos filmes da série) e o simpático robozinho BB-8, que tenta fugir de naves da Primeira Ordem sem sucesso, mesmo com a ajuda de Poe Dameron. Eles são capturados e levados para um Star Destroyer. Lá, são recepcionados por uma fileira de 50 Stormtroopers parados em frente a um telão de última geração maior que o de salas de cinema. O impacto desta nada amistosa recepção, com estrelas e naves passando no telão, fazem você se sentir mesmo dentro deste universo. A ponto de algumas gotas de suor masculino escorrerem pelos meus olhos, que foram devidamente enxugadas usando um Ewok de pelúcia que eu comprei em uma das dezenas de lojinhas espalhadas pelas atrações.
Visitantes são capturados na entrada do parque e levam bronca do líder da Primeira Ordem, General Hux
Após essa espécie de condução coercitiva, ficamos em uma sala de interrogatório por uns dois minutos, tomando bronca do líder da Primeira Ordem, General Hux, até sermos resgatados por três rebeldes liderados por Finn, braço direito de Rey. O animatronic do ator John Boyega, que dá vida a Finn, é tão perfeito que em um primeiro momento achei mesmo que fosse uma aparição especial do ator. Um carrinho com os visitantes rebeldes vai e volta pelo complexo, de frente, de ré, passando por canhões, telas gigantes - que mostram uma batalha espacial com a maior resolução de imagem que você já viu na vida -, até ficar frente a frente com o temido Kylo Ren, vilão da última trilogia. O filho da Princesa Leia e Han Solo liga seu errático sabre de luz em forma de cruz e segue atrás do comboio, cortando o teto e usando a Força para puxar os carrinhos.
Neste momento, um pouco antes do ápice da fuga, fui tomado por uma sensação muito diferente. Mesmo olhando todos os detalhes da sofisticada (e milionária) construção, a apuração e curiosidade jornalística foram dando lugar ao Diego de 12 anos que vive em mim. Eu realmente me senti em uma galáxia muito, muito distante, fazendo parte daquilo, fugindo, torcendo, vibrando, tudo isso enquanto passava pelas "pernas" dos gigantescos AT-AT, que apareceram pela primeira vez no cinema em O Império Contra Ataca, de 1980. A imersão é tanta que eu tive de ir de novo para conseguir, já com a mente adulta sob controle novamente, voltar a ser jornalista e não só um superfã.
A conclusão dos cerca de 20 minutos que se demora para cruzar toda a atração não poderia ser mais épica. Ao finalmente escapar de Kylo Ren, a nave vai para um hangar de fuga. Mira para o espaço (mais uma tela de altíssima definição), despenca por uns dois metros, e um simulador entra em ação oferecendo a perspectiva de uma fuga em meio a uma guerra nas estrelas, em muita velocidade, com desvios de explosões e subidas e descidas até chegar a um planeta fora do radar da Primeira Ordem em segurança. E lá vou eu, assoviando a mítica composição de John Williams (que abre esta reportagem), querendo um sabre de luz para chamar de meu.
No dia seguinte, já na volta para o Brasil, chega uma informação que retrata bem o fascínio que Star Wars causa nas pessoas mesmo depois de 42 anos de seu lançamento. Na estreia de Rise of the Resistance, o parque, que abre às 8 horas, teve de abrir às 6 horas por causa do acúmulo de pessoas na entrada. E, às 9 horas, o sistema de filas virtuais do aplicativo da Disney já tinha encerrado as vagas para a atração do dia inteiro. A Força, agora, está com a Disney.
Reportagem viajou a convite da Walt Disney World.
DETALHES DO PLANETA BANTU
1. Pernas da nostalgia
As réplicas dos AT-AT dentro da atração são um "fan-service" muito importante e vai agradar mesmo os não iniciados na saga pelo nível de detalhes.
2. Defesa da Resistência
O animatronic do comandante da raça Mon Calamari do início da atração é muito bem feito. É ele que organiza a rendição da nave rebelde para a Primeira Ordem.
3. Canhões prontos
Os canhões em movimento, que atiram pelo espaço, são impressionantes. A resolução das telas é absurda. Os visitantes se sentem na batalha.
4. Encontros com Kylo Ren
Na sala de interrogatório, o General Hux dá as cartas, mas é a presença de Kylo Ren que causa incômodo. A intenção da dupla era um interrogatório, mas isso não sai como o planejado. Mais à frente, há outro encontro com o vilão: ao perceber que os rebeldes fugiram, Kylo Ren começa uma caça desenfreada pela nave O som de seu sabre de luz sendo ligado congela a espinha.
5. Rey em ação
Receber uma missão da Jedi mais durona do pedaço, com o apoio do simpático BB-8 já ambienta o visitante no mundo ‘Star Wars’ logo de cara e causa muita expectativa.
Gastronomia digna dos guardiões da luz
Ronto Wraps servido no Ronto Roasters é um dos mais pedidos por quem precisa reabastecer as forças
Por mais que estejam muito preocupados em salvar o mundo da Primeira Ordem, rebeldes da Resistência também sentem fome e sede. Para suprir a necessidades deles (e de todos os visitantes do Hollywood Studios), o complexo Star Wars: Galaxy’s Edge tem uma série de comidinhas diferentes, todas temáticas, dentro do Black Spire Outpost, que ajudam a manter os visitantes com a Força necessária para aguentar horas de caminhada no parque, sem perder o espírito de diversão.
Na concorrida Oga’s Cantina, um robô DJ, o R-3X, é o responsável por escolher a trilha sonora. Há uma seleção de drinques, alcoólicos e não alcoólicos, para agradar a todas as idades. O mais popular entre a criançada é o Jabba Juice, que leva abacaxi, kiwi, melão, mirtilo e ovos de Worrt, uma espécie de sapo espacial que fica em um aquário, numa área bem visível. Custa US$ 6,50 e é bem refrescante.
Para os adultos, a pedida é o Bloody Rancor, servido aos fortes pela manhã - leva vodca, licor de pimenta, mix de Bloody Mary picante e um biscoito de osso de Rancor, o monstro que vive no calabouço de Jabba The Hutt, o asqueroso alienígena que escraviza a Princesa Leia em O Retorno de Jedi. Custa US$ 17.
Outro clássico é o Milk Stand, que serve os leites azul e verde que ficaram famosos nas mãos de Luke Skywalker nos episódios IV (Uma Nova Esperança) e VIII (Os Últimos Jedi). Eles são vendidos em versões frozen (bem doces) e alcoólicas, sempre com base de coco e leite de arroz. E com rum (azul) e tequila (verde). Custam US$ 7,99 sem álcool e US$ 14 com álcool.
No meio do mercado, barraquinhas com gelo servem garrafas especiais da Coca-Cola feitas especialmente para a atração, com a identidade visual da marca, mas escritas em aurebesh, idioma utilizado na saga. Há garrafas de Coca normal e zero, Sprite e água sem gás. Elas só são vendidas dentro do parque e custam US$ 6. Vale até como souvenir.
Sabores variados. Dentre as comidinhas, a sugestão para um dia cansativo de parque é algo um pouco mais forte, como o Ronto Wraps servido no Ronto Roasters. Muito saboroso, mas bem picante, tem carne de porco assada, salsicha grelhada, molho de pimenta e pão pita. Sai por US$ 12,99. Para os vegetarianos, o Docking Bay 7 Food & Cargo serve o Felucian Garden Spread, uma kafta sem carne com homus de ervas, molho de tomate e pepino, por US$ 12,99.
O mesmo local tem como sobremesa o Oi-oi Puff, um gostoso creme de framboesa com mousse de maracujá, vendido por US$ 6,49. Porém, uma das comidas mais inusitadas da atração é o Outpost Mix, um saquinho que combina pipocas doces e salgadas, também vendido por US$ 6,49. Elas são para serem comidas juntas, para criarem uma explosão de sabor. Elas realmente fazem isso na boca - só não sei ainda se isso é bom ou ruim.

Escrito por:

Estadão Conteudo