Publicado 14/02/2020 - 07h37 - Atualizado 14/02/2020 - 07h37

Por Daniel de Camargo

O gestor da Ceasa acredita que, apesar do aumento da procura, os preços dos produtos não deverão subir

Matheus Pereira/AAN

O gestor da Ceasa acredita que, apesar do aumento da procura, os preços dos produtos não deverão subir

A Centrais de Abastecimento (Ceasa) de Campinas estima ter vendido de R$ 10 a R$ 12 milhões em hortaliças para empresas que tradicionalmente compram na Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo (Ceagesp), na Capital. O Entreposto Terminal São Paulo (ETSP) ficou inundado após as fortes chuvas que atingiram São Paulo na última segunda-feira, quando foi necessário paralisar as atividades, restabelecidas somente na tarde de quarta-feira. Segundo o coordenador do mercado de hortifrútis da Ceasa-Campinas, Márcio Lima, foram comercializadas 38 toneladas de produtos para esses clientes.
O gestor explica que os números são projeções. No período, foi realizado um trabalho para tentar identificar os consumidores "externos". Na segunda-feira, foi constatada a presença de dez compradores que, juntos, adquiriram cerca de oito toneladas em produtos. "Eles devem ter abastecido também para colegas, supermercadistas e restaurantes", disse. Na terça-feira, foram detectados 15 compradores para 12 toneladas em vendas, em sua maioria hortaliças do tipo folhosas e raízes. "Neste dia, os caminhões eram menores", detalhou.
Na quarta-feira, foi possível assinalar 18 toneladas em vendas para esse público, sendo 10 para empresas do Interior do Estado e oito da Capital. Lima explicou que outras centrais da Ceagesp espalhadas pelo Estado também absorveram a demanda da Ceagesp, como Jundiaí e Piracicaba.
Até o meio da tarde de ontem, não havia registro de vendas para clientes "externos". Como o atendimento, mesmo que parcial, já ocorre na Ceagesp, a perspectiva é que também não haja reflexos hoje.
Lima informou ainda que apesar do aumento na procura, os preços provavelmente não sofreram majoração. Contudo, um possível aumento será ou não confirmado ao meio-dia de hoje, quando será fechado o balanço da semana. O consumidor final, entretanto, pode ter sido impactado em algumas localidades. O administrador explica que as empresas precisaram mudar a logística da operação vindo para Campinas, o que pode ter encarecido o processo — o que resultaria em aumento de preço.
"Uma dica para economizar em situações pontuais como essa, que dura poucos dias, é substituir os itens em falta por outros", afirmou. Empresas do setor alimentício situadas em cidades como Pirassununga e Porto Feliz, comentou, sofreram um leve desabastecimento. "Alguns tiveram maior dificuldade ou menos agilidade para realizar os remanejamentos necessários", informou.
O coordenador do mercado de hortifrútis da Ceasa-Campinas recomenda, tendo em vista a possibilidade de novas chuvas fortes, que as firmas programem seus estoques e já entrem em contato com outros fornecedores. Na necessidade de uma compra extra, o frete pode ser repartido entre mais de uma empresa, barateando o mesmo.
"Um frete de 12 horas entre Campinas e São Paulo, considerando o prazo máximo de seis horas para carregar e outras seis para descarregar, sai entre R$ 1,5 mil e R$ 2 mil. Para valer a pena, o caminhão precisa viajar lotado. Fora que a viagem, se tudo transcorrer normalmente, acrescenta mais três horas no processo", pontuou. Lima encerra garantindo que a Ceasa-Campinas está bem abastecida, caso precise atender novamente clientes "externos".
Prejuízo pode chegar aos R$ 24 milhões
Na tarde de ontem, a administração da Ceagesp informou, em nota, que foram retiradas cerca de 200 toneladas de lixo do entreposto da Capital, e que as equipes de limpeza continuam com as ações de coleta de lixo dentro do mercado. Está sendo realizado um esforço conjunto com os comerciantes para que a comercialização retorne à normalidade o mais rápido possível. A estimativa é que os atacadistas tenham prejuízo entre R$ 20 e 24 milhões. Sete mil toneladas de produtos foram perdidas, segundo o responsável pela área de economia da companhia, Flávio Godas. Os setores mais atingidos pela enchente foram as frutas, as verduras e os legumes. Áreas de pescados e flores não registraram problemas.

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Daniel de Camargo