Publicado 10/02/2020 - 15h50 - Atualizado // - h

Por Kátia Camargo

Luis Norberto faz questão de ressaltar que não está sozinho nessa jornada. Muita gente incomodada e que muda o mundo o inspira e o faz olhar para várias direções e caminhos

Danielle Almeida Izidoro/Divulgação

Luis Norberto faz questão de ressaltar que não está sozinho nessa jornada. Muita gente incomodada e que muda o mundo o inspira e o faz olhar para várias direções e caminhos

Difícil não começar a contar a história dos 30 anos da Fundação Educar DPaschoal - comemorado no final de 2019 - sem pensar na palavra: empatia.  No dicionário, empatia é definida como capacidade de partilhar dos sentimentos e emoções de outra pessoa. E foi nesse contexto que, em 1989, foi criada a Fundação Educar DPaschoal, idealizada por Luis Norberto Pascoal. Primeiramente recebeu o nome de Fundação Donato Paschoal (uma homenagem ao pai de Luis Norberto), mas depois mudou para Educar que mostra sua vocação. A Fundação Educar tem como princípio que a educação para a cidadania é uma estratégia de transformação social, baseada no protagonismo juvenil e na leitura. Seu lema é: ‘Os incomodados que mudem o mundo.’
Na verdade, Luis Norberto faz questão de ressaltar que não está sozinho nessa jornada. Muita gente incomodada e que muda o mundo o inspira e o faz olhar para várias direções e caminhos. Mas, tudo começou com o olhar generoso e amoroso dos pais (Donato e Marcelina) que faziam questão de levar os filhos para diferentes trabalhos sociais, transitando por crianças, jovens e idosos. Luis Norberto conta que após a morte dos pais de Donato ele recebeu ajuda de um grande amigo da família Antônio Crupi para equilibrar e dar continuidade aos negócios da família. Logo depois, em 1938, para agradecer tudo que Crupi fez por ele resolveu se casar no Lar dos Velhinhos (tradicional casa de repouso inaugurada em 1905 onde o amigo Crupi morava). Desde então, todos os outros Natais de Donato, sua esposa e seus dois filhos eram comemorados com muita alegria dentro da instituição assistencial. Essa convivência com as pessoas idosas que moravam por lá, seus desafios, serviram de grande fonte de aprendizado para toda a família.
Luis Norberto lembra que seus aniversários também ocorriam dentro de uma obra para meninos carentes que existia em Campinas chamada Dom Nery. “Tive o privilégio de poder estar em diferentes lugares que me ajudaram a ampliar o olhar para o mundo. Sou muito grato por essa experiência. Esse olhar desde a infância me fez ser um adulto incomodado e ajudou a apurar meu olhar pelo outro e seu entorno. Com o passar do tempo fui me juntando a uma rede de pessoas que também se incomodavam com diferentes questões sociais e resolvemos agir. Nisso nasceram muitos projetos meus e de outras pessoas como o do protagonismo juvenil, combate à fome, cidadania solidária, direito da criança e adolescente, incentivo à leitura, sustentabilidade, entre outros. São essa pessoas que me inspiram até hoje”, lembra.
Tanto que para comemorar os 30 anos da Fundação Educar DPaschoal foi escrito um livro (uma surpresa para Luis Norberto) de pessoas que, assim como ele, tentam fazer a diferença no mundo: Com o título: Os Incomodados que Mudem o Mundo (lema da Fundação Educar DPaschoal), a obra foi escrita pela jornalista Claúdia de Castro Lima, da editora Senac, e traz histórias de quem fez e faz a diferença no terceiro setor, tanto de Campinas quanto de outros lugares do País.
O livro é um convite para uma viagem no mundo de pessoas inspiradoras e que são ligadas ao Terceiro Setor do Brasil. Dentre elas estão: Darcy Paz de Pádua um dos criadores da Fundação Feac, Priscila Cruz, do Todos pela Educação, Rodrigo Mendes, do Instituto Rodrigo Mendes, Patrícia Secco da Florada Editorial, Gilberto Dimenstein, da Catraca Livre, entre outros.

Projetos
A base da Educar é o protagonismo e está presente em três grandes projetos: Leia Comigo!, Trote da Cidadania e  a Academia Educar. Luis Norberto acredita que para se incomodar as pessoas precisam ter esse sentimento de pertencimento e se reconhecer como  protagonistas de suas vidas e de suas comunidades e que a Fundação Educar funciona como uma ponte para isso. “Acredito que é por meio da educação para a cidadania como uma estratégia de transformação social que vamos conseguir melhorar o mundo”, conta Luis Norberto.
Ele acredita ainda que todas as pessoas precisam ter uma causa na vida e a dele é a educação e a cidadania. “Hoje trabalhamos no sentido de desenvolver o protagonismo dentro das escolas e, com isso, conseguimos elevar o padrão delas, já que detectamos que um dos problemas é a baixa qualidade da educação nas escolas públicas”, conta.
 
Já o projeto Leia Comigo! nasceu em 2000 e publica e distribui gratuitamente livros infanto-juvenis com conteúdos que despertem a paixão pela leitura, além de promover valores nas crianças e adolescentes. “Acredito que quando os pais lêem com uma criança os dois crescem juntos e fortalecem os laços de amor. A leitura sempre nos humaniza e nos leva para um mundo além do nosso mundo”, diz.
Outro orgulho de Luis Norberto é o Trote da Cidadania. “Me emociono ao ver que no lugar de um trote violento, que machuca, fere e até pode matar, muitos locais aderiram ao trote solidário”, diz.
Luis Norberto sabe que a Fundação Educar não ‘melhorou’ o Brasil mas mudou o olhar de muitas pessoas e ressalta que faria tudo de novo. “Tenho certeza que conseguimos mudar a história de muitos jovens que já passaram pela Educar. Também acredito no impacto dos 40 milhões de livrinhos que distribuímos com o Leia Comigo!. E, no meu olhar, o Trote da Cidadania é uma oportunidade dos alunos serem melhores cidadãos. Sempre vou acreditar na oportunidade de transitar por diferentes realidades e que, com isso, muitas pessoas vão se incomodar e tentar fazer algo para mudar o mundo delas e dos outros”, diz.
 

Escrito por:

Kátia Camargo