Publicado 25/03/2020 - 15h13 - Atualizado 26/03/2020 - 08h57

Por Alenita Ramirez

Grupo Primavera produz 300 máscaras em tecido

Wagner Souza/AAN

Grupo Primavera produz 300 máscaras em tecido

Para driblar a falta de máscara cirúrgica em lojas especializadas e farmácias, uma cabelereira do Jardim Santa Lúcia, em Campinas, decidiu produzir em casa para proteger a família do coronavírus. Nilza de Souza Vassoler, de 50 anos, recorreu a tecido de algodão, e confeccionou para ela, o marido, o neto de 3 anos e os filhos. “Totalmente segura não deve ser, mas acredito que protege um pouco. Usamos para ir no mercado e na rua”, disse.
Amante de artesanatos, Nilza disse que não tem teve dificuldades para confeccionar as peças de proteção. Sem máquina de costura em casa, ela produziu de forma manual, com agulha de mão, linha, elástico e pano. “Eu tinha um tecido preto com desenho de reis, que usei para fazer lembrancinhas para meu neto, há 3 anos. Também tinha um tecido branco, todos de algodão. Pesquisei no instragam e achei uma máscara de crochê, mas vi que era pesado. Então, decidi usar o tecido mesmo”, falou.
A iniciativa da produção se deu após ela e o filho do meio, de 19 anos, ter crise de rinite alérgica, há uma semana. Como ela e a família entrou em quarentena, por conta da recomendação dos órgãos públicos de saúde, devido a profissão dela e do marido, Nilza e o filho do meio fizeram umas mudanças e limpeza na casa para ocuparem o tempo. “Meu filho é goleiro estava indo treinar de Uber. Como tossia, as pessoas estavam fugindo dele. E como não achava máscara para ele usar, decidi fazer para a família”, contou. “Postei a foto nas redes sociais e passei a receber muitos pedidos, mas não estou vendendo. Fiz para a família”, acrescentou.
Segundo a coordenadora do Setor de Vigilância em Produtos de Interesse à Saúde, Cléria Maria Moreno Giraldelo,a máscara artesanal não é indicada para profissionais da área de saúde, mas ela pode ser usada pela população neste momento de pandemia. “Ela causa uma certa proteção sim, mas tem que fazer de uma forma que deixa confortável, cobrindo o nariz e boca e feita de uma forma que a pessoa consiga respirar e sem ter que ficar levando a mão no rosto para ajeitar. De uma forma geral, o ideal é que a pessoa siga a etiqueta: ao espirrar, use o braço dobrado para proteger a boca e nariz”, disse.
Ainda conforme Cléria, Campinas não tem empresa que produz máscara cirúrgica e que todo o material comercializado na cidade é fiscalizado pela Vigilância, já que os profissionais da saúde precisam usar equipamentos de segurança, regulamentado pela Anvisa e seguindo as normas de segurança.
Solidariedade
Grupo Primavera produz 300 máscaras em tecido
Para auxiliar famílias em situação de vulnerabilidade social na região dos Amarais, em Campinas, o Grupo Primavera está produzindo 300 máscaras em tecido, com forro de TNT. A expectativa é que cerca de 60 famílias possam utilizá-las quando necessário, em especial, aquelas pessoas com sintomas como tosse e febre ou que cuidam de alguém em casa. “Sabemos que o uso da máscara só é justificado se a pessoa apresentar algum sintoma respiratório, evitando que as gotículas que venham de tosse ou do espirro sejam espalhadas no ambiente. Mas decidimos fazer esta ação para beneficiar a população do entorno do Grupo Primavera que não tem condições de adquirir máscaras em farmácias”, disse a gestora da instituição, Ruth Maria de Oliveira.
Cada máscara vem acompanhada de orientações de uso, como lavá-la com água e sabão neutro e passar à ferro quente antes de colocá-la no rosto e após o uso; lavar as mãos com água e sabão ou higienizá-las com álcool gel antes de pegar na máscara e não manipulá-la.
O tecido foi doado pelo Grupo R1, parceiro da instituição que atua com cenografia e soluções audiovisuais usando tecido tensionado em grandes formatos em estandes de feiras e eventos.
As máscaras estão sendo confeccionadas de forma voluntária por alunas da oficina de costura do Grupo Primavera. Até amanhã, estarão prontas 150 máscaras que serão distribuídas exclusivamente para idosos, cuidadores e pessoas com resfriado ou gripe.

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Alenita Ramirez