Publicado 17/05/2020 - 11h05 - Atualizado // - h

Por Kátia Camargo

Pandemias já destruíram vidas de milhões de pessoas

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Pandemias já destruíram vidas de milhões de pessoas

A humanidade sempre enfrentou epidemias e pandemias devastadoras e que deixaram milhares e até milhões de mortos. A atual, provocada pelo novo coronavírus, está entrando para a lista e vai marcar a história humana, como já ocorreu com a peste bubônica, a gripe espanhola e outras doenças. Existem relatos que a palavra quarentena foi usada durante a Peste Negra e adotada em Veneza, na Itália, herdada do Velho Testamento da Bíblia para definir um tempo de isolamento para enfrentar surtos de hanseníase na antiguidade.
Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), pandemia é um termo usado para uma determinada doença que rapidamente se espalha por diversas partes e regiões do planeta por meio de uma contaminação sustentada. Vale destacar que dentro desta definição não está sendo avaliada a gravidade da doença e sim seu poder de contágio e sua proliferação geográfica. Em 2009, a gripe A (ou gripe suína) passou de uma epidemia para uma pandemia quando a OMS começou a registrar casos nos seis continentes do mundo. E, em 11 de março de 2020, a COVID-19 também ganhou caráter de pandemia.
Mas existem ainda os surtos, as epidemias e endemias que também afetaram e afetam um grande número de pessoas. Os surtos ocorrem quando existe um aumento inesperado de casos de determinadas doenças em uma região específica. Em alguns casos a dengue pode ser tratada como um surto e não como uma epidemia, pois ocorre em regiões específicas. As epidemias são classificadas como doenças infecciosas e contagiosas, mas que ocorrem em várias regiões, como também pode ser o caso da dengue. No final do século XIX e começo do XX, a epidemia da febre amarela chegou a dizimar 3% da população de Campinas. Já no caso das endemias, a doença ocorre com frequência em um local, como por exemplo, a febre amarela que hoje é considerada uma doença endêmica da região Norte do Brasil.
Transmissão
O professor doutor Lindener Pareto Júnior, da Faculdade de História da PUC-Campinas, destaca que a transmissão entre países e continentes causando mortes em massa não é novidade. “Quando os europeus vieram para as Américas, mataram milhões de indígenas com a varíola e a gripe comum, pois os nativos não estavam imunizados”, diz.
Ele lembra também que a peste bubônica, disseminada pelo rato e pela falta de sistemas sanitários eficientes no século XIV, matou entre 25 e 30 milhões de pessoas. “A gripe espanhola, que não começou na Espanha, mas ganhou esse nome por ter sido amplamente divulgada primeiro lá, matou mais de 50 milhões de pessoas no final da Primeira Guerra Mundial”, ressalta.
Outra grave epidemia foi a da febre amarela, no final do século XIX que matou mais de 3% da população de Campinas e provocou uma fuga em massa para outras cidades, causando uma desordem econômica e social sem precedentes. “Essas epidemias fizeram com que autoridades de todo o mundo mudassem sistemas sanitários, bem como implementassem uma legislação voltada à área de saúde, os investimentos em ciência e o desenvolvimento de vacinas”, diz o historiador.
Conheça algumas pandemias que marcaram a história da humanidade
Peste de Justiniano
Um dos primeiros casos de pandemia registrados é a Peste de Justiniano, acontecida por volta de 541 D.C. e que se iniciou no Egito até chegar à capital do Império Bizantino. Provocada pela peste bubônica, transmitida por meio de pulgas em ratos contaminados, a enfermidade matou entre 500 mil a 1 milhão de pessoas apenas em Constantinopla, espalhando por Síria, Turquia, Pérsia (Irã) e parte da Europa. Estima-se que a pandemia tenha durado mais de 200 anos.
Peste Negra
Em 1343, a peste bubônica foi mais uma vez a causa de outra pandemia que assolou em sua totalidade os continentes asiático e europeu e ficou conhecida como A Peste Negra. Com seu auge até o ano de 1353, a doença ainda apareceu de forma intermitente até o começo do século XIX e matou entre 75 a 200 milhões de pessoas.
Gripe Russa
Já em 1580, conforme relatos históricos, houve a primeira pandemia de gripe, que se espalhou por Ásia, Europa, África e América. Séculos depois, em 1889, a Gripe Russa foi a primeira a ser documentada com detalhes, com proliferação inicial de duas semanas sobre o Império Russo e chegando até o Rio de Janeiro. Ao todo, 1 milhão de pessoas morreram por conta de um subtipo da Influenza A.
Cólera
A primeira epidemia global da doença foi em 1817 e matou centenas de milhares de pessoas. Desde então, a bactéria Vibrio cholerae sofre diversas mutações e causa novos ciclos epidêmicos de tempos em tempos e, portanto, ainda é considerada uma pandemia. Sua transmissão acontece a partir do consumo de água ou alimentos contaminados, e é mais comum em países subdesenvolvidos. Um dos países mais atingidos pela cólera foi o Haiti, em 2010. O Brasil já teve vários surtos da doença, principalmente em áreas mais pobres do Nordeste. No Iêmen, em 2019, mais de 40 mil pessoas morreram devido à enfermidade.
Gripe Espanhola
Em 1918, a Gripe Espanhola causou a morte de 20 a 50 milhões de pessoas, afetando não só idosos e pacientes com sistema imunológico debilitado como também jovens e adultos. Com possível origem nos Estados Unidos, essa enfermidade quase dizimou as populações indígenas e levou a óbito em torno de 35 mil brasileiros. Com outras variáveis durante o século XX, a doença ocasionou surtos pandêmicos nos anos de 1957 e 1968. Já em 2009, uma variação da Gripe Suína – anteriormente evitada na década de1970 – assolou a América do Norte, Europa, África e Ásia oriental.
Gripe Suína (H1N1)
Conhecida como gripe suína, o H1N1 foi o primeiro causador de pandemia do século 21. O vírus surgido em porcos no México, em 2009, se espalhou rapidamente pelo mundo, matando 16 mil pessoas. No Brasil, o primeiro caso foi confirmado em maio daquele ano e, no fim de junho, 627 pessoas estavam infectadas no País, de acordo com o Ministério da Saúde.

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Kátia Camargo