Publicado 01/08/2020 - 11h33 - Atualizado // - h

Por Alenita Ramirez

Medida protetiva foi pleiteada pelo delegado Cássio Vitta Biazolli, do 13º Distrito Policial de Campinas

Cedoc/RAC

Medida protetiva foi pleiteada pelo delegado Cássio Vitta Biazolli, do 13º Distrito Policial de Campinas

Em decisão inédita da Justiça, a 6ª Vara Criminal de Campinas atendeu a um pedido da Polícia Civil e proibiu que um homem, que provocou uma briga em um supermercado no bairro Cambuí, volte a fazer compras no estabelecimento. A Justiça determinou ainda que o homem, um aviador de 45 anos, não se aproxime da gerente da loja. O suspeito pode recorrer da decisão.
A medida protetiva, até então solicitada em casos de violência doméstica e contra idosos, foi pedida pelo delegado Cássio Vitta Biazolli, do 13º Distrito Policial, após instaurar inquérito da ocorrência registrada como infração de medida sanitária preventiva, já que o homem se recusou a usar máscara quando fazia compras e também desrespeitou o distanciamento social. Além disso, o aviador também provocou briga na unidade, que culminou em lesão corporal em um casal de clientes estrangeiros e da gerente. “O que teve início como uma conduta antissocial do investigado, contra uma funcionária que estava corretamente em seu trabalho, terminou em um fato criminoso, com medidas judiciais já decretadas, apurado em um procedimento criminal”, disse Biazolli.
A briga aconteceu no começo da noite da última segunda-feira, por volta das 18h, na unidade do Dia. De acordo com relatos de uma funcionária à polícia, o homem, que estava com a mãe de 80 anos e a namorada, entrou no supermercado sem máscara, teve a atenção chamada e colocou, porém, ao se dirigir ao caixa para pegar algum objeto, não respeitou o distanciamento social e uma cliente estrangeira que estava na fila, reclamou.
Houve bate boca e o marido da mulher que estava sem máscara, no carro no estacionamento, viu a briga e entrou no supermercado, sem máscara, e também acabou sendo atacado com um soco no rosto. Para impedir que o cliente deixasse o local, a gerente correu para fechar o acesso da unidade e foi empurrada. Houve tumulto no local e a idosa chegou a se jogar no chão para sair da unidade com o filho.
Ela também sofreu lesões e a confusão só acabou com a chegada da Polícia Militar que foi acionada e levou todos para o plantão do 1ºDistrito, onde prestaram depoimentos e foram liberados. “Chegando ao conhecimento desta delegacia, área do crime, a autoridade policial, doutor Cassio, analisou os fatos e, de forma inédita solicitou medida protetiva, fundamentada no artigo 319, parágrafos II e III do Código de Processo Penal, solicitando a proibição do averiguado a frequentar o supermercado, bem como manter contato de qualquer forma, seja física e virtual”, explicou o investigador-chefe, Marcelo Hayashi.
Com parecer favorável do Ministério Publico, o juiz determinou a ordem expedindo as medidas cautelares, que foram cumpridas ontem de manhã. Tanto o aviador, como o representante do supermercado e a gerente foram notificados. “Vou recorrer, pois estava de máscara e foi a mulher estrangeira que começou a briga, só porque cheguei perto para pegar pão de queijo que estava perto dela. Ela agrediu minha mãe e o marido dela estava sem máscara”, disse o aviador. “Sou uma pessoa educada, tenho duas faculdades”, acrescentou.
O aviador é vizinho do supermercado e disse que mora no local há 35 anos. De acordo com relatos de funcionários do estabelecimento, para a polícia, o cliente sempre frequenta o local e desde que começou a exigência de uso de máscara, tem provocado situações desagradáveis. Ele nega e disse que com a medida, que assinou, pretende não ir mais no local. “Não concordo com a medida, mas vou seguir as instruções”, disse.
Rede de supermercados alerta para uso da máscara
Em nota, a rede Dia informou que está ciente da decisão das autoridades sobre o ocorrido no dia 27 na loja localizada na Rua Olavo Bilac, no Cambuí, e que está colaborando para o rápido esclarecimento dos fatos. “A empresa também comunica que seus colaboradores alertam os clientes no sentido de conscientizar sobre a importância do uso de máscaras para a prevenção da Covid-19”, frisou.
A ausência do uso de máscara por consumidores nos estabelecimentos de serviços essenciais gera multa de até R$ 5 mil para comerciantes da cidade. A medida está em vigor desde o dia 7 de julho e determina o uso do equipamento em locais fechados, como forma de prevenção ao novo coronavírus. Os funcionários desses estabelecimentos já são obrigados a usarem o equipamento. Já os clientes são orientados quanto a necessidade.

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Alenita Ramirez