Publicado 15/09/2020 - 08h07 - Atualizado 15/09/2020 - 08h11

Por Delma Medeiros/AAN


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Durante a quarentena, muitos programas gravados de forma remota apareceram na tevê e nos serviços de streaming. As limitações impostas pela pandemia do novo coronavírus, no entanto, mexeram com o senso crítico em relação às produções. Padrões estéticos na teledramaturgia, por exemplo, tiveram de ser revistos. Isso porque muitos atores precisaram dar um jeito para se gravarem de casa, sendo dirigidos à distância. O primeiro episódio de Amor e Sorte, porém, veio na contramão desse movimento e fugiu bastante desse tal “novo normal”. Exibido na noite da última terça-feira (8/9) pela Globo, o programa não deixou a desejar em nada. E um grande diferencial talvez tenha sido o fato de que, ao contrário dos demais capítulos, o especial Gilda e Lúcia, protagonizado por Fernanda Montenegro e Fernanda Torres, teve uma direção artística presencial, assinada por Andrucha Waddington, marido de Fernanda Torres.
Para começar, o ponto de partida do episódio certamente deve ter criado, de cara, uma identificação em vários telespectadores. A filha, que mora em São Paulo, veio ao Rio de Janeiro depois de ser alertada por uma tia, para buscar a mãe e levá-la para o confinamento na serra. Gilda, papel de Fernanda Montenegro, representou uma série de idosos que, mesmo diante do risco de se contaminar pelo novo coronavírus, não queria abrir mão de sua liberdade de ir e vir em plena reta final de vida. Com direito a caipirinhas na orla e muito bate-perna por supermercados e outros locais de grande circulação de pessoas – coisas citadas, mas não mostradas. Obrigadas a se adaptarem, mais uma vez, à convivência diária, ambas têm, na verdade, uma chance de reavaliar não só a relação entre elas, mas também delas com o mundo.
O texto certamente se beneficiou do fato das duas atrizes também desempenharem, fora da ficção, os papéis de mãe e filha uma da outra. Mas o vínculo familiar foi além: Pedro Waddington, filho de Andrucha e enteado de Fernanda, participou da direção ao lado do pai, enquanto Joaquim Waddington, filho do casal, teve uma participação especial na série. Amigo da família e companheiro de quarentena, o fotógrafo João Faissal assinou a direção de fotografia.
Esse conjunto acabou se tornando mais importante que o texto ali. Não que os diálogos fossem ruins, longe disso. Mas, até por envolver nomes como o de Jorge Furtado, Antônio Prata e a própria Fernanda Torres e por ser uma das atividades mais fáceis de lidar remotamente, a qualidade não chegou a surpreender. Então, o esforço em família para produzir o episódio e o próprio deleite que é ver Fernanda Montenegro, prestes a completar 91 anos – seu aniversário é no mês que vem –, atuando junto com a filha, roubaram, literalmente, a cena.
O segundo episódio da série, que será exibido nesta terça (15) é protagonizado por Lázaro Ramos e Taís Araújo, que vivem Cadu e Tabata. Em Linha de Raciocínio, eles interpretam um casal confinado que, ao divergir sobre uma questão ideológica, chega a uma grande discussão matrimonial turbinada pelos nervos à flor da pele. Gravada de forma remota diretamente da casa do casal, a trama conta com texto de Alexandre Machado e direção de Patrícia Pedrosa, que dirige remotamente também os outros dois episódios, protagonizados, respectivamente por Fabíula Nascimento e Emílio Dantas; e Luisa Arraes e Caio Blat. A série é exibida às terças-feiras, às 22h30, na Globo. (Da TV Press)

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Delma Medeiros/AAN