Publicado 04/10/2020 - 09h00 - Atualizado 02/10/2020 - 17h17

Por Kátia Camargo

A Fine Art oferece um olhar mais artístico da fotografia

Divulgação

A Fine Art oferece um olhar mais artístico da fotografia

O filósofo chinês Confúcio, que viveu entre os anos de 552 e 489 a.c já dizia: “Uma imagem vale mais que mil palavras.” Mesmo com séculos de distância da fotografia e do mundo digital esse provérbio pode ser considerado muito atual, pois não dá para negar que, com o advento das câmeras dos celulares e das redes sociais, a fotografia passou a integrar o cotidiano da vida das pessoas. Esse olhar mais apurado e a busca pela foto lacradora tem despertado um crescente interesse por parte daqueles mais antenados à arte e, com isso, a fotografia denominada Fine Art ganha cada dia mais admiradores e destaque nas paredes de casas, comércios e empresas.
Antes, o termo Fine Art, ou Belas Artes, era sinônimo de pintura, escultura, música, poesia e arquitetura com algumas performances de teatro e dança, em resumo, toda a produção cultural de cunho artístico. Somente no início do século 20, a fotografia se colocou como arte e se inseriu nessa categoria. A fotografia Fine Art é aquela produzida por impulso artístico e estético sem a preocupação de ser só documental ou comercial. Além disso, tem uma edição limitada.
“Os celulares com câmeras trouxeram a popularização da fotografia, já que as pessoas passaram a tirar mais fotos e isso tem ajudado muito a valorizar a fotografia Fine Art”, destaca o fotógrafo Joel Silva, que sempre trabalhou na grande imprensa brasileira cobrindo guerras, conflitos e atualmente se dedica à fotografia Fine Art.
Joel destaca que não vê concorrência com as fotos do celular e a foto de um profissional. “Acredito que essa popularização é muito bem-vinda, pois as pessoas passaram a consumir mais fotos e também despertaram o olhar para a fotografia Fine Art. Tenho clientes em vários lugares do Brasil que buscam, por meio da fotografia Fine Art, valorizar os espaços em suas casas. Recentemente recebi uma encomenda de uma pessoa que por estar trabalhando home office e fazer muitas reuniões virtuais quis decorar a parede que ficava visível nas reuniões com um trabalho meu. Foi muito bacana! Percebi que na pandemia esse mercado gerou ainda mais interesse e tem se expandido bastante”, conta.
Como Joel sempre trabalhou documentando a vida, a realidade nem sempre tão bonita, guerras, conflitos, ele olhou para o Fine Art como uma possibilidade de respiro, de olhar para o belo, mas sem perder o lado crítico. “A fotografia Fine Art surgiu de uma tentativa de ter um olhar para um mundo um pouco diferente. Mas, por ter tido essa experiência de realidades tão difíceis eu acabo sempre tento uma tendência de fazer um trabalho mais crítico”, destaca Joel.
Boa parte das fotos de Joel retratam a natureza morta e uma das que tem muita procura é uma obra chamada Pé de Algodão que traz uma árvore seca e no fundo uma nuvem integrada na imagem. “São olhares da vida que são retratados em forma de arte e que tem caído no gosto de muitas pessoas”, diz.
Giancarlo Giannelli conta que sua carreira como fotógrafo começou ao ganhar uma câmera de presente do pai e passar a fotografar shows como Lulu Santos, Guilherme Arantes. “Isso foi aproximando meu olhar da fotografia e fui me apaixonando pelas histórias que as imagens poderiam contar pelo meu olhar”, lembra Giancarlo. Ele relata que aos 19 anos foi morar na Itália e começou a juntar dinheiro para investir numa câmera melhor. “Foi aí que comecei a fotografar o que via nas ruas, nas paisagens e no cotidiano do que eu estava vivenciando intensamente na Europa”, conta.
De volta ao Brasil passou a trabalhar como fotógrafo de empresas, em eventos. E aos 33 anos voltou a olhar para a fotografia como arte. “Comecei a fazer exposições do material que fotografava e vi que as pessoas se interessavam em ter um trabalho meu para decorar suas casas. Passaram a surgir também encomendas de decoradores”, destaca.
Giancarlo conta que seu trabalho pode ser encontrado em algumas galerias de arte em São Paulo e recentemente passou a trabalhar com fotografia Fine Art para o mundo corporativo. “Às vezes quem está envolvido no dia a dia do trabalho não percebe a beleza do que faz, do processo de produção. Foi então que comecei a produzir esse trabalho para empresas. Acredito que isso tem valorizado o olhar das pessoas pelo trabalho que desenvolvem. O mundo corporativo está cheio de alma, de vida que precisa ser retratada”, diz.
Giancarlo completa: “Acredito que a fotografia como arte não tem o compromisso de representar só a realidade, mas tem o compromisso de provocar um sentimento, mexer, afetar o outro, despertar sensações. Acredito que a fotografia Fine Art consegue conversar com o outro de forma muito potente”, diz.

Escrito por:

Kátia Camargo