Publicado 21/11/2020 - 10h11 - Atualizado // - h

Por Henrique Hein

Manifestação realizada ontem no Centro de Campinas reuniu pelo menos 300 pessoas de vários coletivos

Wagner Souza/AAN

Manifestação realizada ontem no Centro de Campinas reuniu pelo menos 300 pessoas de vários coletivos

Na data em que o Brasil celebrou o Dia da Consciência Negra, uma manifestação no Centro de Campinas, reuniu ao menos 300 pessoas, ligadas a grupos culturais, religiosos e de ativismo político da comunidade negra da cidade. Com cartazes e palavras de ordem, o grupo saiu da Estação Cultura e desceu a Rua 13 de Maio. Em passeata, o grupo caminhou até a chegada à Catedral Metropolitana, pedindo o fim o preconceito racial; a igualdade de direitos, além do fim da violência contra a comunidade negra.
Pela manhã, em uma entrevista coletiva, a secretária de Assistência Social, Pessoa com Deficiência e Direitos Humanos de Campinas, Eliane Jocelaine Pereira, destacou a importância da celebração e disse que o País precisa reconhecer a sua história para conseguir transformar o seu futuro, já que essa transformação passa diretamente por um maior reconhecimento da figura dos negros na sociedade.
“É preciso sempre lembrar quais foram as bases responsáveis pelo surgimento do nosso País. Infelizmente, são bases sangrentas, odientas, de esbulho possessório e genocida de uma população indígena e, principalmente, da escravização de pessoas negras”, disse ela.
No comandado da Pasta há três anos, Eliane Jocelaine é a primeira mulher negra da história a conseguir ocupar um cargo como secretária municipal em Campinas — cidade que foi uma das últimas do Brasil a promover a abolição da escravatura.
“Jocelaine, desde o primeiro mandato, é funcionária de carreira da Prefeitura. Está entre as pessoas mais competentes com quem já trabalhei e exerce sua função profissional com plenitude. Sua figura, de mulher negra e vencedora, serve de inspiração para muitos. É minha porta voz para falar sobre a data”, afirmou o prefeito Jonas Donizette (PSB).
Para Eliane Jocelaine é preciso democratizar os espaços de decisão para que as pessoas negras — que hoje representam mais de 50% da população brasileira — tenham voz, respeito e dignidade, disse ela .

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Henrique Hein