Publicado 21/11/2020 - 10h27 - Atualizado // - h

Por Daniel de Camargo

Movimentação na Rua 13 de Maio, ontem: prefeito descarta novo fechamento das atividades econômicas

Matheus Pereira/AAN

Movimentação na Rua 13 de Maio, ontem: prefeito descarta novo fechamento das atividades econômicas

O prefeito de Campinas, Jonas Donizette (PSB), afirmou categoricamente, ontem, que não há perspectiva alguma para novo fechamento das atividades econômicas na cidade por conta de um possível aumento no número de casos da Covid-19 no Estado de São Paulo. Durante transmissão ao vivo por meio das redes sociais, disse também que não vai suspender as cirurgias eletivas, que são aquelas não emergenciais.
O chefe do Executivo destacou que fez a coletiva exclusivamente para demonstrar a real situação da pandemia no Município, porque percebeu o aumento de comentários e dúvidas acerca do cenário. "Estamos vivendo dias estranhos e conturbados, com informações desencontradas", contextualizou o secretário de Saúde, Carmino de Souza.
Os esclarecimentos e a apresentação de dados ocorreram no dia seguinte ao anúncio do governador João Doria (PSDB), de que vai editar um decreto para evitar a redução da quantidade de leitos dedicados a pacientes com o novo coronavírus, nas redes pública e privada de saúde. A medida seria uma resposta ao aumento em torno de 18% no número de internações registrado na semana passada. A média diária de novas internações saltou de 859 para 1.009, entre os dias 8 e 14 deste mês, se comparada à semana anterior. Na oportunidade, informou também que a determinação abrangeria ainda a suspensão do agendamento de novas cirurgias eletivas.
Carmino salientou que os sinais que apareceram em São Paulo não são conclusivos. "Há uma insegurança da classe médica, científica, etc, em relação a todos esses dados", destacou, completando que, nos últimos dias, o sistema de atualização de dados sofreu grande instabilidade, atrapalhando a interpretação das estatísticas. Em Campinas, entretanto, garante que há "absoluta transparência". Pontuou ainda que Campinas é uma das poucas cidades no País que divulgam boletins epidemiológicos diários.
Com dados compilados até a última terça-feira, o secretário mostrou que Campinas apresenta variação mensal negativa de casos confirmados do novo coronavírus, de 14,4%, e de mortes de 55,7%. Os índices são melhores em relação aos do Estado e da Grande São Paulo. O Estado como um todo teve quedas de 11,7% e 37,1%, respectivamente. Já a Grande São Paulo, a variação é positiva de 12,5% no número de casos e negativa de -31,1% na quantidade de óbitos.
No que diz respeito às internações, Campinas está com uma variação mensal negativa de 21,9% no número de novos pacientes e ocupação de leitos de Unidades de Terapia Intensiva (UTI) para Covid-19 de 33%. Os números também são menores, na comparação com o Estado, -12,1% e 43,1%, e que o da Grande São Paulo, 1,4% e 49,1%. Chamou a atenção ainda que a média móvel de internações diárias em Campinas não tem variado muito. Em outubro foi de 93, e novembro tem sido de 89.
Jonas ressaltou que, não pela primeira vez, há um desencontro nas ações promovidas pelo Ministério da Saúde e o governo paulista. No caso, porque o órgão federal age em sentido oposto, fazendo a desabilitação de leitos. Explicou que com a participação do MS na habilitação de leitos, há verba para mantê-los disponíveis. Sem ela, indagou: "Quem paga os leitos?"
Sobre as cirurgias eletivas, comentou que existem pessoas necessitando dos procedimentos. O prefeito recordou que, no período mais agudo da crise sanitária, essas operações ficaram suspensas - foram aproximadamente quatro meses, entre meados de março até 30 de julho. "Agora, não existe necessidade", enfatizou.
Carmino frisou que essas cirurgias são aquelas que não põe em risco a vida dos pacientes. Ao contrário, das urgentes. Neste contexto, relembrou: "não paramos de operar. O Mário Gatti continuou fazendo de 500 a 600 cirurgias por mês".
Ainda sobre o decreto que será editado por Doria, Jonas acredita se destinará à esfera estadual da Saúde, não conflitando com suas decisões. Atentou, porém, que a resolução do Estado vai definir como procederá o Hospital de Clínicas (HC) e outras unidades de saúde da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).
Número total de óbitos cresceu 17,5%
O número de mortes em decorrência da Covid-19 em Campinas fez a quantidade geral de óbitos na cidade crescer 17,5% entre janeiro e setembro deste ano, se comparado ao mesmo período de 2019. Segundo dados da Secretaria de Saúde, saltou de 5.632 óbitos para 6.616. Em ambos os períodos, faleceram mais homens do que mulheres. Do total de 2020, 3.589 ante 3.027. Já no ano passado, 2.957 contra 2.675. A estatística foi apresentada ontem, pelo secretário de Saúde, Carmino de Souza, ao detalhar a situação epidemiológica da cidade.
Souza apresentou em gráfico como a positividade nos testes de PCR de Covid-19 para pacientes que chegam às unidades de saúde com sintomas gripais está caindo, de mais de 70% no auge da pandemia para entre 5% e 10%. Apontou que a taxa de letalidade do novo coronavírus em Campinas é de 3,3 (%), inferior às da Capital e média do Estado de São Paulo, com 4,2% e 3,5%, respectivamente.
Sobre o perfil das vítimas da Covid-19 em Campinas, evidenciou que a taxa é praticamente zero entre crianças e adolescentes. Reforçou dados divulgados anteriormente, que a maioria das pessoas que morreram era de idosos com idade entre 60 e 79 anos.
Já o prefeito Jonas Donizette (PSPB), a exemplo de outras oportunidades, ressaltou que a pandemia ainda não terminou e que a população deve continuar a tomar todos os cuidados necessários. Chamou a atenção ainda que, nos últimos dias, houve mudanças bruscas de temperatura, condição que contribui para o aumento de casos de gripe.
Esse crescimento já foi constado nas últimas semanas. Na semana retrasada foram registrados 1.821, ante 2.728 na passada e 4.278 nesta, até a última terça-feira. Na análise de Carmino, esse é o único dado, hoje, dentro do contexto da pandemia, que põe o campineiro em alerta. 
Município possui 41.158 infectados
Com 177 novos casos registrados nas últimas 24 horas, Campinas atingiu ontem a marca de 41.158 casos de contaminação pelo novo coronavírus.
Outros 627 casos suspeitos estão sendo investigados, segundo os dados apresentados pelo prefeito Jonas Donizette em entrevista coletiva. Campinas registrou mais três mortes e, assim, o número de óbitos pela pandemia chegou a 1.354.
A cidade contava ontem com 198 pessoas internadas com Covid-19 e 420 em isolamento domiciliar. Apresentava, ainda, 39.183 pessoas recuperadas da doença.
Os três óbitos registrados são de duas mulheres e um homem. Todos tinham comorbidades, que são doenças pré-existentes. Duas das pessoas tinham 51 anos e morreram no dia 19, em hospitais públicos. A terceira vítima fatal tinha 83 anos. Ela morreu no dia 18 de novembro em um hospital particular.
Campinas tinha ontem com 168 leitos de UTI exclusivos para pacientes com Covid-19 nas redes pública e particular. Deste total, 97 estavam ocupados, o que corresponde a 57,7%. A pressão maior se dá na rede particular, onde havia 74 leitos, dos quais, 54 estavam ocupados, o equivalente a 73% da ocupação. 

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Daniel de Camargo