Publicado 21/11/2020 - 10h36 - Atualizado // - h

Por Alenita Ramirez

Câmeras de monitoramento de banco registraram a ação do casal

Divulgação

Câmeras de monitoramento de banco registraram a ação do casal

Um esquema ousado de fraude com o uso de cartões de bancos digitais foi descoberto por agentes do 11º Distrito Policial (DP), de Campinas. Os policiais desarticularam uma quadrilha, cujo líder é especialista em informática, que usa dados de supostas falsas vítimas para abrir contas e pedir cartões em plataformas de pagamento eletrônico. Um casal - um garçom de 36 anos e uma vendedora de 27 anos - foi preso em flagrante por estelionato e associação criminosa e 18 cartões de terceiros apreendidos. A polícia acredita que o bando atua na cidade há pelo menos três meses e tenha causado um prejuízo financeiro de cerca de R$ 400 mil aos bancos.
Os agentes chegaram ao casal ao suspeitarem do aumento do número de boletim de ocorrência de estelionato com cartão eletrônico, registrado na unidade. Em 90 dias, ao menos 20 supostas vítimas comunicaram que foram alvos de estelionato eletrônico. De acordo com os relatos, suas contas bancárias teriam sofrido saques ou empréstimos consignados, sem que elas soubessem.
“Vimos que a maioria desses registros, entre oito e dez, as vítimas eram do Jardim Rossin. Fomos para o bairro e passamos a entrevistar comerciantes e moradores para saber ser tinham notado algo incomum. A maioria disse que estranhava a presença de um casal em um carro preto que sempre usava caixas eletrônicos, com diversos cartões”, contou Jonasson.
Com base na descrição do casal e do veículo, os policiais passaram a monitorar os estabelecimentos até que na tarde da última quinta-feira, o casal foi localizado dentro de um mercado no Jardim Rossin. Com os suspeitos, os agentes encontraram um cartão com cada um e no carro do casal, outros 16, inclusive com comprovantes de saques e empréstimos. Segundo o delegado, o casal tinha acado de sacar R$ 2 mil do caixa. “Somente esse casal, pelos comprovantes apreendidos, causou um prejuízo de R$ 70 mil. Eles falaram que outros seis casais também integram a quadrilha”, disse o delegado.
De acordo com Jonasson, pelo esquema, o líder capta casais jovens que ficam incumbidos de fazer as operações junto aos caixas eletrônicos e pelo serviço recebem entre 20% e 30% por saque. A estrutura ainda conta com o envolvimento de falsas vítimas.
Para conseguir dados bancários como nome, documentos e endereço para abertura de contas em plataformas digitais, os criminosos contratam pessoas que não se importam em conceder os dados para o crime. Elas recebem entre R$ 200 e R$ 300 e ainda são indenizadas pelos bancos, quando denunciam o suposto estelionato.
“Com a prisão do casal, descobrimos uma outra perna da quadrilha. Há vítimas que não são vítimas, ou seja, elas também são integrantes da quadrilha. Elas são convencidas em ceder os dados e depois fazer boletim de ocorrência denunciando o estelionato. Mas só que este registro só pode ser feito três dias depois, para que neste período, os criminosos possam sacar o maior valor possível e dar o maior prejuízo para os bancos”, explicou, frisando que todas as vítimas que registraram boletim de ocorrência, serão convocadas para dar explicações.
O casal foi preso, sem direito a pagamento de fiança. O homem foi levado para a cadeia anexa ao 2º DP, no bairro São Bernado, e a mulher, para a Paulínia.

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