Publicado 15/11/2020 - 09h00 - Atualizado 14/11/2020 - 15h50

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Juvenal Antunes de Oliveira Filho é oncologista clínico da Oncocamp

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Juvenal Antunes de Oliveira Filho é oncologista clínico da Oncocamp

Segundo informações do centro de recursos para coronavírus da Johns Hopkins University, já atingimos o número de 51.817.846 contaminações pela Covid-19 no mundo. Os números variam a cada dia e, para se ter ideia, os Estados Unidos chegaram à marca de 10.313.369, na Índia 8.636.011 e no Brasil contabilizamos 5.699.005 casos confirmados. No mundo, até o fechamento dessa edição, foram 1.277.717 mortes, 162.802 no nosso país. No panorama mundial apresentado pela OMS são mais de 22 milhões de infectados nas Américas, chegando a 14 milhões na Europa, que já vive a segunda onda e se aproxima dos 10 milhões no Sudeste da Ásia.
Segundo Juvenal Antunes de Oliveira Filho, oncologista clínico da Oncocamp que fez uma avaliação dos impactos da pandemia, além da área da saúde, alguns motivos como o negacionismo têm feito com que em algumas regiões do País a população passe a se comportar como se a pandemia fosse algo do passado. “O que nos coloca numa situação bastante preocupante, pois embora o número da média móvel de contaminados e do número de mortes esteja em queda, nada indica que a pandemia já passou. Todas as atenções no momento vão para as escolas que estão reabrindo, cinemas e teatros, sala de concertos já criaram rotinas, com todos os cuidados necessários para evitar as contaminações”, destaca.
Acelerador de futuros
Recentemente, o oncologista foi convidado pelo Rotary Clube Carlos Gomes para apresentar algumas considerações importantes sobre o tema e como deverá ser o “novo normal”. Dentre as mudanças, o médico destaca que o coronavírus deve ser considerado um acelerador de futuros não só na área médica, pois as relações sociais, os modelos de negócios, a relação com espaços públicos, a cultura, entretenimento, lazer, gastronomia, política e economia já sofreram um grande impacto. “Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), esses efeitos serão duradouros, pelo menos para além de dois anos. A expectativa é que a busca pela sustentabilidade, a responsabilidade social e o fortalecimento de valores como solidariedade e empatia sejam a tônica, embora pelo que temos visto aqui mesmo na nossa cidade e no restante do País esses objetivos talvez não estejam sendo atingidos”, lembra.
Para ele, outro aspecto transformador será em relação ao consumismo, onde a regra passará a ser “menos é mais”. “Consumir por consumir saiu de moda, reforçando um movimento que já vinha acontecendo mundialmente”, conta. A relação com o espaço público já está levando a reconfiguração do comércio em geral porque a população quer locais onde possa ter sensação de segurança, sem aglomerações, a maioria vai querer ter a sensação de estar em casa. “Isso também já está levando a mudanças em locais como bares e restaurantes, obedecendo ao distanciamento social e incremento nos serviços de entrega. Hoje temos vários restaurantes que sobreviveram até este momento atuando apenas com serviços de delivery.”
O médico lembra que experiências culturais imersivas têm sido uma das respostas ao isolamento social. “Shows e espetáculos on-line e tours virtuais a museus já vêm acontecendo e mesmo com a abertura gradual deverá ser uma tendência que permanecerá por um longo tempo. Como assinante da Osesp, há vários anos vinha assistindo até o mês passado aos concertos semanais ao vivo on-line direto da Sala São Paulo, agora já reaberta ao público, com limite de lotação e todos os cuidados exigidos. Mas acredito que muitos de nós permaneceremos na condição on-line até que a esperada vacina chegue ao nosso país”, diz.
Em relação ao trabalho, o home office já era uma realidade para muita gente, agora veio para ficar, porque evitará deslocamentos até o trabalho e a necessidade de trabalhar em grandes escritórios, com muitas pessoas no mesmo ambiente. “Outra opção que tende a trazer mudanças é morar perto do trabalho, não dependendo do transporte público, pois espera-se que novas ondas de contágio com mutações genéticas no vírus certamente acontecerão”, diz.
Adaptações
Ele lembra que também já estavam tomando corpo as compras on-line, e com a pandemia passou a ser a rotina, hoje chamada de shopstreaming, vendas de produtos ofertadas por plataformas. “Também a procura pelo conhecimento, a educação à distância veio para ficar, cuja expansão deve se acelerar, em todos os níveis. Neste mundo que rapidamente se transforma, a busca pelo conhecimento é questão de sobrevivência, pois muitos empregos foram perdidos. A procura por novas atividades será sem dúvida a tendência desses novos tempos”, diz.
O médico destaca ainda que as atividades em áreas como a medicina, já apresentam mudanças. “A telemedicina está em franca expansão, embora algumas especialidades, como a oncologia, cujos tratamentos têm que ser presenciais, sofreu mudanças e adaptações, para segurança dos pacientes e profissionais que os atendem. Os pacientes oncológicos devem seguir seus tratamentos sempre seguindo as orientações básicas para tentar evitar o contágio do coronavírus. Dentre eles continuamos destacando manter o distanciamento social na medida do possível, evitar sair de casa sem necessidade, lavar muito bem as mãos e os punhos, usar álcool em gel, evitar contato com qualquer pessoa que tenha sintomas de um quadro viral, evitar aglomerações em ambientes fechados, não cumprimentar as pessoas com beijos e não se deixar abraçar e receber apertos de mão. São regras que não podem ser esquecidas”, diz.
“Na Oncocamp estamos trabalhando normalmente, atendendo os pacientes que estão recebendo quimioterapia, os casos novos e retornos, além dos cuidados com as possíveis intercorrências que possam acontecer. As recomendações da OMS e Vigilância Sanitária são seguidas à risca para deixar o ambiente ainda mais seguro para todos. Usamos máscaras, atendemos no horário marcado, não existem aglomerações na clínica, mantemos o distanciamento social. Todas as medidas de proteção foram intensificadas para a proteção de todos”, diz.
Para ele, nossa vida tenderá a uma nova normalidade apenas com a chegada de uma vacina segura e eficaz, de preferência sem interferências políticas, como infelizmente tem ocorrido entre nós. “Acreditamos que até janeiro de 2021 poderemos receber uma das onze vacinas que se encontram na Fase 3, segundo o Coronavirus Vaccine Tracker. Esperamos que traga a todos, se não uma imunização 100% eficaz, pelo menos a esperança de dias melhores. Agora é aguardar qual delas será a primeira entre nós”, completa.

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