Publicado 29/11/2020 - 09h08 - Atualizado // - h

Por Daniela Nucci

O coronavírus não sobrevive na água tratada das piscinas

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O coronavírus não sobrevive na água tratada das piscinas

Com as altas temperaturas, as piscinas ganharam destaque para dar aquela relaxada ou se exercitar em meio à pandemia do novo coronavírus. Porém, qual o risco de contaminação? "Até o momento, não existe contaminação pela água", comenta a médica infectologista Raquel Silveira Bello Stucchi, professora da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e membro da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI). "O cloro mata todos os agentes bacterianos e o coronavírus não sobrevive na água”, completa Raquel, que faz o alerta. “O problema está na aglomeração com quem não faz parte do círculo familiar e o dia a dia”, completa Raquel.
A infectologista lembra que as pessoas devem respeitar o distanciamento de 1,5m ao ocupar intercaladamente raias e bordas, e o espaço das piscinas precisa ser aberto com circulação livre de ar para tentar evitar o risco de transmissão. “Quando for tomar banho no vestuário, também é preciso evitar aglomeração”, alerta a especialista.
Protocolos
A profissional destaca outros cuidados após sair da piscina, como ao tocar superfícies e bordas. “Só deve tocar na boca, olho e nariz se as mãos estiverem bem higienizadas e não esquecer o uso das máscaras”, ressalta Raquel. Com a reabertura dos clubes, áreas recreativas dos condomínios e hotéis, e o retorno das aulas aquáticas, os ambientes ganharam novas adaptações. Dentre as mudanças adotadas, limitação de uma pessoa por raia e higienização constante das áreas públicas são as mais comuns.
Aulas
Após o início da pandemia, a quantidade de alunos do educador físico pós-graduado em natação e atividades aquáticas, Renato Luis Fioravante, foi reduzida drasticamente. “Tivemos a paralisação total e depois voltaram só 10% dos alunos”, diz o professor. Depois da liberação da fase amarela para a verde, houve um aumento de alunos na academia.
“No final do segundo semestre, a procura aumentou para 90%. As pessoas passaram muito tempo em casa sem atividade e juntou a necessidade de uma atividade física com a segurança que a natação passa. Para se manter uma piscina higienizada, usamos uma quantidade de cloro quatro vezes maior recomendada para matar o Covid-19”, diz Fioravante.
Além disso, o profissional segue os protocolos de segurança, como evitar o descanso próximo às pessoas que também estejam na aula, além de priorizar o não compartilhamento de materiais. “Fazemos a higienização de todos os materiais antes e depois das aulas, assim como dos vestuários e toda academia. Cada turma foi dividida para atender o número reduzido por aula e para mantermos o distanciamento ideal, respeitando o limite de segurança”, diz o educador.
 
O aluno e auxiliar de importação e exportação Luiz Gustavo de Oliveira comemorou o retorno. “Vivendo nessa pandemia, é muito bom fazer natação porque ajuda na preparação física e traz muitos benefícios para a saúde. Minha esposa e filhos também fazem e é muito positivo para todos nós. Além disso, é um esporte mais seguro porque não temos muito contato com as pessoas e a água possui cloro que ajuda a combater o Covid-19. Isso nos dá mais segurança e treinamos melhor”, completa Oliveira.
 
 
Hotel
Para celebrar o aniversário de casamento, a fotógrafa Kelly Cristina Pereira Fioravante escolheu como destino um hotel com piscina para curtir a data ao lado do marido e da filha Alice, de 3 anos. “Optamos por um hotel com piscina para Alice aproveitar. Ela ama brincar na água. Ficamos muito tempo reclusos em casa devido à pandemia e fazer uma viagem seria algo muito necessário neste momento”, diz Kelly, ao lado da filha na piscina do hotel. O casal acertou em cheio na escolha.
“A piscina foi onde passamos a maior parte dos nossos dias. Ver a alegria dela se divertindo foi gratificante para nós. Ela é apaixonada por água desde os seis meses de idade e incentivamos isso com as aulas de natação. Ela aproveitou muito e nós amamos! Vivemos momentos especiais e construímos grandes lembranças na vida dela, Voltamos com a energia renovada!”, comentou Kelly.
Clubes
“O risco do convívio social ainda é alto. Não dá para relaxar nos cuidados essenciais. Mas dentro da água, por conta do cloro, minhas crianças estão seguras e se divertindo neste momento tão complicado que vivemos. Mesmo que elas brinquem com outras crianças dentro da piscina, o risco de contágio é mínimo, até porque elas ficam se movimentando. Já fora dela, tomamos todas as precações para cuidar da nossa saúde”. É com essa satisfação e segurança que a jornalista Carolina Pimentel comenta sobre a diversão dela e dos filhos Joaquim e Maria Carolina Frau na protagonista da estação.
Sócios do Círculo Militar, as normas estão muito bem estabelecidas, e o uso de máscara é obrigatório para todos os funcionários, sócios e visitantes. Cadeira e guarda sol são posicionados respeitando o distanciamento e há álcool em gel por toda parte. “Com consciência e respeito ao próximo, vamos conseguir aproveitar o verão mesmo enfrentado uma pandemia”, completa Carolina.
Mais cuidados
Quase oito meses confinada dentro de um apartamento, a publicitária Kate Françoise Vieira, mãe de três filhas, encontrou sua felicidade ao voltar a frequentar o Tênis Clube com toda segurança pessoal e estrutura do próprio clube. “Tenho filhas e já não aguentava mais o confinamento e a saudades dos amigos e das atividades que praticava no clube. Pesquisei muito sobre a água com cloro e todas as reportagens que achei diziam que o coronavírus não resiste ao cloro da piscina”, diz Kate ao lado da filha Nicolle Françoise, de 12 anos. Todos os funcionários do clube usam máscaras e a higiene é constante. “Por causa do calor chegando e a saudade dos amigos, e com todos esses cuidados, optei por frequentar o clube de volta, encontrar os amigos e retomar as atividades físicas”, completa a publicitária ao lado de uma das filhas.
Alívio
Sócios do Clube dos Bancários Campinas, Tatiana de Paula Macow aproveita o final de semana para curtir a piscina com o filho Gabriel de Paula Macow, de 3 anos e 6 meses, e a sobrinha Larissa Bertuzzi, 11 anos. “Depois de assistir a uma matéria da pediatria Ana Escobar, num programa de TV, falando que o cloro mata o coronavírus, me senti muito aliviada e confiante para voltar a usar o clube. A piscina faz parte da vida do Gabriel que faz natação desde o oito meses. O calor e a falta de opção de lazer por causa da pandemia fez do clube nosso momento para descontrair, relaxar e passar mais tempo com os familiares. Amamos esses momentos, a piscina e o sol”, comenta Tatiana.

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Daniela Nucci