Publicado 13/01/2021 - 08h38 - Atualizado 13/01/2021 - 08h39

Por Estadão Conteudo

Nova variante da Covid teria surgido no Amazonas

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Nova variante da Covid teria surgido no Amazonas

O Instituto Leônidas & Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia) confirmou ontem a identificação de uma nova linhagem do vírus da Covid-19 com origem no Amazonas. Um estudo liderado pelo pesquisador Felipe Naveca, vice-diretor de Pesquisa do Instituto, aponta que a nova cepa brasileira é recente, provavelmente surgida entre dezembro de 2020 e janeiro de 2021.
Denominada provisoriamente de B.1.1.28 (K417N/ E484K/N501Y), a variante do SARS-CoV-2 é a que foi identificada recentemente pelo Japão em quatro viajantes (um homem e uma mulher adultos e duas crianças) que retornaram da região amazônica brasileira em 2 de janeiro. O homem chegou a ser hospitalizado, por dificuldades respiratórias, enquanto a mulher e uma das crianças (um menino) tiveram sintomas leves e a menina esteve assintomática. Por meio da assessoria da Fiocruz Amazônia, Naveca disse acreditar que a mutação não seja a única responsável pela aceleração de casos do novo coronavírus no Estado, embora possa ter influência. “Primeiro, porque a gente não tem certeza se ela está circulando no Amazonas em grande quantidade”, comenta o cientista, que pesquisa variantes do novo coronavírus desde março de 2020.
“Sempre considero que essa situação é multifatorial, a gente tem o início da temporada de vírus respiratórios no Amazonas, que historicamente acontece em meados de novembro em diante, o que a gente chama de inverno amazônico, onde outros vírus respiratórios, como o Influenza, também aumentam. Então, a gente tem essa situação sazonal, a variante e a diminuição do distanciamento social”, comenta. “Pode ser que haja sim uma contribuição dessa variante, mas a gente ainda não tem certeza.”
De acordo com o pesquisador, o vírus da Covid-19 evolui “até mais lentamente que os outros”. Nesse cenário, a nova variante chama a atenção, pois “acumulou muitas mutações em pouco tempo”, assim como as encontradas no Reino Unido e na África do Sul. “Um recado importante é dizer que o vírus mutante e o original não atravessam a máscara. Não resistem à lavagem das mãos com água e sabão ou com álcool gel. E a transmissão também é evitada com distanciamento social.”
Um levantamento genômico do vírus da Covid-19 no Amazonas está sendo realizado pela Fiocruz Amazônia em conjunto com o Laboratório Central de Saúde Pública do Amazonas (Lacen-AM) e a Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas.
Um dos objetivos é detectar a circulação dessa variante. Em uma nota técnica, Naveca e outros 21 cientistas ligados ao estudo apontam que a nova linhagem circula na região amazônica brasileira e evoluiu de outras duas variantes encontradas no País, surgindo a partir de uma série de mutações ocorridas entre abril e novembro do ano passado. Uma dessas mutações anteriores foi a que deu origem à B.1.1.28 (E484K), identificada primeiramente em dezembro no Rio, a qual tinha cinco mutações, incluindo uma na proteína spike (responsável por facilitar a entrada do vírus no organismo humano). A nova variante amazonense tem, por sua vez, 10 mutações na proteína spike.

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