Publicado 22/02/2021 - 11h22 - Atualizado 22/02/2021 - 11h22

Por Correio Popular


Entre os jornalistas norte-americanos há uma anedota que orienta a profissão: “se sua mãe disser que o ama, procure apurar se é verdade”. A ideia da recomendação expressa o sentido do jornalismo isento, comprometido não com o poder, mas com a verdade dos fatos. E expõe o conflito que todos os jornalistas enfrentam entre a opção moral, do amor da mãe, e a política, ambiente do espaço público no qual o jornal é também protagonista.
Ao comemorar o centenário, no dia 19, a Folha de São Paulo demonstra o quanto enfrentou os mais variados e indigestos conflitos e soube sobreviver. As mudanças adotadas desde a década de 1970, quando contratou Cláudio Abramo para dirigir a Redação, até a modernização por meio de estratégias editoriais e de marketing sob a orientação dos irmãos Otávio Frias Filho e Luiz Frias, na década de 1980, fizeram da Folha de São Paulo um jornal de referência.
É inegável que rompeu com um jornalismo obediente, maternal, e elaborou um projeto editorial focado numa sociedade plural, cujas contradições seriam mais expostas com a democratização e, depois, com o advento da internet.
Tais mudanças políticas e culturais revelam as polarizações sociais como nunca. E os jornais acompanham as origens dos interesses conflitantes, que, muitas vezes, se fragmentam e se diluem em insultos e discursos vazios, desconectados do interesse público.
Como instituição fundamental na estruturação do Estado moderno, a imprensa não pode ser vista como um monólito de consistência ideológica, pois ao apurar os fatos cotidianos registra as contradições da sociedade.
A Folha de São Paulo teve uma contribuição fundamental na etapa da democratização do País, ao abrir as páginas para as várias correntes de pensamento que se dedicaram a debater um outro projeto de sociedade. Continuou a trajetória crítica ao acompanhar os erros do governo tucano, como soube expor o “mensalão” desde a entrevista concedida pelo então deputado Roberto Jefferson (PTB), que admitiu ter recebido dinheiro de caixa 2 do governo petista. E hoje não se inibe ao apontar os graves deslizes do atual governo.
Jornais como a Folha tratam a história como um processo dinâmico, sem amarras doutrinárias e absolutistas inquestionáveis. Comemorar 100 anos é um passo magnífico sustentado por um jornalismo comprometido com a sociedade, como defendemos aqui no quase centenário Correio Popular. 

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