Publicado 22/02/2021 - 17h59 - Atualizado 22/02/2021 - 18h05

Por Adriana Giachini/ Correio Popular

Clóvis de Barros Filho, Leandro Karnal, Monja Coen e Mario Sergio Cortella

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Clóvis de Barros Filho, Leandro Karnal, Monja Coen e Mario Sergio Cortella

O programa cultural Café Filosófico, do Instituto CPFL, abre sua programação 2021 na próxima terça-feira, em grande estilo. Em parceria com a Papirus Editoria, de Campinas, a edição de estreia da nova temporada, com transmissão ao vivo e on-line, pelo YouTube e Facebook, terá a presença de quatro pensadores contemporâneos brasileiros: Monja Coen, Clóvis de Barros Filho, Leandro Karnal e Mario Sergio Cortella.
O título do encontro, Quatro x Quatro: Reflexões Para Bem Pensar, Bem Sentir, Bem Agir e Bem Viver, é o mesmo da caixa lançado ano passado pela editora, que reúne em cinco livros, textos dos autores, com reflexões sobre a vida, sentimentos, sensações e questionamentos humanos. “Aqui, nos encaixam – logo nós que não cabemos em caixa alguma", definiu Monja Coen, em texto enviado à redação sobre a obra.
“Para este primeiro grande evento do ano pensamos em algo especial e que, graças a parceria com a Papirus, reunirá esse time de quatro intelectuais que, para mim, são públicos. Eu digo que são pensadores públicos porque eles vão para um debate de temas comuns, numa esfera ampla e não estão restritos à discussões fechadas da academia, por exemplo. E isso tem tudo a ver com a origem do Café Filosófico, com a nossa intenção de ampliar o repertório das pessoas sobre temas que interessam à vida de cada um, em um mundo que nem sempre fácil de entender”, diz Mario Mazzilli, diretor do Instituto.
Para ele, o evento é importante não só pelo conteúdo, pelos participantes, mas também pelo desafio de abrir uma temporada ainda incerta sobre formatos da divulgação artística e do conhecimento – a programação ainda não será divulgada – em um ano que se manterá difícil para a humanidade no combate a pandemia da covid-19. “Penso que 2021, talvez, seja ainda terrível do ponto de vista da saúde pública e seus efeitos, considerando que não é uma questão de olhar para as unidades físicas hospitalares, mas pensarmos em questões de saúde mental e na possibilidade de mantermos a qualidade conceitual para meses que ainda virão.”
Dessa forma, a decisão de iniciar o ano mantendo o formato digital é um reflexo direto de aventuras e desventuras de 2020, de todo os organizadores e participantes do Café, na busca para continuar oferecendo ao público conteúdo de qualidade, com o compromisso de despertar a reflexão sobre a vida contemporânea e desafios da mente humana em constante evolução. “No ano passado, uma das decisões, diante do excesso de conteúdo virtual, de lives á exaustão, foi a de diminuir as edições de quatro para duas ao mês. Acreditamos que foi algo acertado e que manteremos, pelo menos neste começo de ano.”
De acordo com Mario, desde outubro do ano passado, a programação 2021 vem sendo moldada e elaborada considerando dois cenários: presencial (quando possível) e on-line. Na visão do diretor, a presença do público é importante porque permite uma interação direta com o conteúdo que está sendo criado, sem falar na qualidade da gravação, que é melhor no estúdio. Porém, o on-line, que já era uma realidade no Instituto, de forma simultânea, abre outras perspectivas, como um alcance maior do público.
Ele cita, como exemplo de sucesso, números expressivos do Café na internet. “O YouTube do Café tinha, em dezembro de 2019, cerca de 500 mil seguidores. Este número saltou para 650 mil, no final de 2020, com quase duas milhões de visualizações no ano. Desta forma, conseguimos nos manter próximos do público. Vamos seguir na linha do Café de trazer convidados alternados, entre os quais nomes conhecidos e outros não tão pops mas que igualmente tem papel relevante na produção do sólido”.
Agenda vai continuar explorando YouTube
Ainda de acordo com Mario Mazzilli, a programação de 2021 deve continuar apostando no canal do Youtube do Instituto CPFL que, além do conteúdo do Café, reúne material de acervo. “No ano passado apostamos nesse resgaste do conteúdo, em formato digital. E trouxemos documentários, curtas e muitas gravações que nem sempre eram expostas . Fizemos uma curadoria desse material , que foi muito bem recebido uma vez que o canal, antes com 800 mil visualizações, chegou no final do ano com um aumento de quase 6 milhões de views.”

Entre as experiências positivas do ano passado, Mazzilli ainda cita as mostras de cinema. Foram em 2020 exibidos 234 filmes, reunindo 157 mil espectadores. “Esse número é brutalmente maior do que em exibições presenciais. Uma sala comercial do Brasil, tem como média semanal, 55% da capacidade. Não dá para comparar com o alcance que tivemos no on-line”.

O desafio, na sua visão, segue envolve exposições de artes visuais. “Mesmo o Louvre, na França, entre outros museus mundialmente conhecidos, tentaram o caminho das exibições virtuais, que é importante, mas fica a sensação de nada substitui a interação do presencial. Aqui ainda estamos estudando o que fazer nesta área.”

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Adriana Giachini/ Correio Popular