Publicado 07/04/2021 - 19h34 - Atualizado 07/04/2021 - 19h34

Por Correio Popular


Com 190 mil habitantes, maior do que muitas cidades como as densamente povoadas Itapecerica da Serra e Francisco Morato, e a rica São Caetano do Sul, na Grande São Paulo; ou Valinhos e Paulínia, dois importantes municípios da Região Metropolitana de Campinas, a Região do Campo Grande, como é popularmente conhecida, é o segundo maior distrito campineiro, ficando atrás apenas do Ouro Verde.
Possui 90 bairros espalhados principalmente ao longo da avenida John Boyd Dunlop. É uma verdadeira cidade dentro de outra cidade. A maioria esmagadora de sua população é constituída de gente ordeira e trabalhadora, que contribui de maneira substancial para a economia de Campinas. Em paralelo, possui um comércio pujante e um empreendedorismo fantástico para quem não conhece esse outro lado da cidade.
Surgido nos anos 50, o Campo Grande cresceu desordenadamente e segregado pelas malhas rodoviária e ferroviária que cortam a cidade. Essas duas características, somadas a outros fatores, acabaram por acentuar as desigualdades sociais da região. Tanto que o distrito concentra boa parte dos beneficiários do Bolsa Família do município. Após décadas de abandono, a situação hoje é bem melhor, como atestam os moradores, mas a região ainda carece de serviço público de qualidade e infraestrutura urbana.
A iniciativa da Câmara de criar uma comissão de estudos sobre desenvolvimento da região, com participação popular, é louvável e oportuna. Destacamos o estudo da professora Vanessa Bello Figueiredo, da PUC-Campinas e Unicamp, que defende maior autonomia administrativa para a subprefeitura do distrito. No debate realizado ontem, abordou-se a necessidade de se pensar estratégias para diminuir os vazios urbanos, além da construção de conexões viárias para permitir melhor deslocamento. Uma das propostas é uma ligação direta entre o Campo Grande e Barão Geraldo, por exemplo.
Quando entrar em funcionamento, o BRT que ligará o centro ao distrito, proporcionará um avanço importante à região, não só em serviço de transporte, mas também na valorização imobiliária e crescimento econômico. Um passo importante, sem dúvida, mas os desafios ainda são imensos.
Por isso, um debate sério sobre essas demandas é essencial para a construção de políticas públicas que possam reduzir as desigualdades e promover o crescimento econômico da região e o bem-estar de sua população.

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