Publicado 20/05/2021 - 11h31 - Atualizado // - h

Por Correio Popular


Na mira da operação “Black Flag” da Polícia Federal, que investiga um gigantesco esquema de fraudes cometidas por empresas no valor de R$ 2,5 bilhões, tomados de instituições financeiras públicas, o banco Desenvolve SP, do Governo do Estado, deve muitas explicações à sociedade, uma vez que se trata de um banco estatal destinado a fomentar atividades econômicas com dinheiro público, ou seja, do contribuinte.
Algumas das operações que proporcionaram aos seus tomadores desfrutar de um padrão de vida invejável foram contratadas há dez anos junto ao Desenvolve SP e a outras instituições financeiras. Segundo a Polícia Federal, o Ministério Público e a Receita Federal, são operações fraudulentas que envolvem crimes contra o Sistema Financeiro Nacional, a Ordem Tributária, além de camuflar um complexo esquema de lavagem de dinheiro.
A página de perguntas frequentes do site do Desenvolve SP informa quais são os critérios definidos pelo banco para aprovar solicitações de crédito. Quanto ao público-alvo, o solicitante deve se enquadrar como micro, pequena ou média empresa dos setores da indústria, comércio, serviços ou do agronegócio, com faturamento anual entre R$ 81 mil e R$ 300 milhões, sediada no estado. Quanto à finalidade, o crédito aberto deve atender a quaisquer necessidades da empresa, seja capital de giro ou financiamento para investimento em ampliações, modernizações e aquisição de máquinas e equipamentos.
O que o banco paulista não informa é que as linhas de crédito também servem para financiar a compra de veículos importados de luxo, imóveis residenciais de padrão cinematográfico, iates, jóias, vinhos importados e até o patrocínio de esporte automobilístico. Sim, pois foi para isto que serviu a montanha de dinheiro levantada pela gangue investigada pela PF. Recursos que deveriam ser destinados a gerar empregos, arrecadação para o Estado e riquezas para a Nação serviram para financiar as extravagâncias bilionárias de delinquentes.
Instada pela reportagem do Correio Popular a se manifestar, a diretoria do banco se limitou a emitir uma lacônica nota por escrito informando que decidiu abrir uma sindicância interna. E nada mais.
O mais notável é que, segundo a Polícia Federal, os documentos, que deveriam atestar a conformidade das operações, simplesmente desapareceram, tanto as versões físicas quanto as digitais. Uma situação inaceitável, que exige do Desenvolve SP um posicionamento esclarecedor e sem reservas de qualquer espécie.


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