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28/11/2011 07:52:51.000
Não basta viver mais, é preciso viver melhor
foto: Elcio Alves/AAN

Os brasileiros estão vivendo mais, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Na última década, a expectativa de vida saltou de 69,3 para 73,1 anos. Ultrapassar essa marca e chegar aos 100 anos, segundo os especialistas, é um sonho possível. Mas viver mais já não é o bastante. É preciso viver melhor. Com qualidade de vida. A prevenção de fatores de risco ainda na infância, a influência genética e uma boa dose de otimismo são o segredo de quem já passou dessa média.

A Organização Mundial de Saúde (OMS) define saúde como o estado de completo bem-estar físico, mental e social. E essa conquista já se inicia antes da concepção da vida. “Os pais que irão gerar a criança já terão que ser pais saudáveis, ou seja, não tabagistas, sem vida sedentária e com alimentação qualificada. Terão que ser orientados a realizar um pré-natal, com seguimento rigoroso, vigilante à saúde da mãe”, lembra o pediatra Geraldo Roberto Cogo.

Os cuidados com a alimentação desde as primeiras horas de vida, com o aleitamento materno, ajudam na prevenção de doenças, assim como as vacinas e a prática de atividades físicas, que também devem ser incentivadas na infância. Essas orientações, que parecem ser de simples execução pelos pais, estão se tornando cada vez mais difíceis de serem praticadas. “Isso porque o número de pais que trabalham está aumentando, assim como o número de pais que se separam. Esses fatores dificultam essas práticas e o maior acompanhamento da criança”, ressalta Cogo.

E quando o assunto é bem-estar, a máquina do corpo humano merece muita atenção. O cardiologista José Francisco Kerr Saraiva explica que o perfeito funcionamento do coração depende, na maior parte das vezes, dos bons hábitos. “Além de garantirem a qualidade de vida no presente, os hábitos saudáveis diminuem significativamente o aparecimento de doenças do coração, como enfarte e derrame.”

Segundo o cardiologista, mais de 300 mil mortes por ano acontecem no País por problemas cardiovasculares. “É muito importante reverter esse quadro com uma dieta saudável — mais puxada para frutas, verduras e alimentos magros, com pouca gordura —, atividade física, controle do peso, não fumar nem consumir bebida alcoólica. Esses fatores também influenciam em longevidade e qualidade de vida porque diminuem o risco de adoecimento”, diz. E as medidas preventivas podem ser iniciadas ainda na infância, com redução da oferta de carboidratos à criança.

O médico reumatologista especialista em coluna Humberto Sales e Silva ressalta ainda que a boa qualidade de vida depende também do exercício pleno do direito de ir e vir, sem dores. “Uma recomendação que dou é de que as pessoas cuidem bem de suas colunas, porque, assim, o sistema nervoso central e o periférico funcionarão plenamente, fazendo com que todas as partes do corpo trabalhem harmonicamente e da melhor maneira possível, garantindo assim à pessoa uma ótima saúde”, orienta.

Silva lembra, porém, que não basta que o corpo esteja são. “Além das boas condições físicas, existe outro mandamento primário para que se consiga um verdadeiro bem-estar. A manutenção da saúde mental é importantíssima, pois corpo e mente saudáveis dão ao indivíduo plenas condições de exercer e ter uma boa qualidade de vida, facilitando a realização de sonhos e projetos”, reforça.

O especialista em geriatria e gerontologia pela Associação Médica Brasileira Carlos Augusto Reis Oliveira ressalta que o principal objetivo de de viver bem é manter a independência e poder executar qualquer tarefa sem ter de recorrer a ninguém. “O velho jargão ‘não adianta acrescentar anos à vida, mas acrescentar vida aos anos’ continua atualíssimo, pois de que adianta ter muita idade sem qualidade de vida?”

EQUILÍBRIO E MOVIMENTO

- Exercícios fazem bem para o corpo e para a alma: previnem várias doenças e combatem a depressão.
- Exercite a mente: o cérebro é como os músculos. Se não exercitar ele não se desenvolve.
- Coma na dose certa, prestando atenção na qualidade e quantidade. Dê preferência a frutas, verduras e legumes. E fuja dos alimentos gordurosos.
- Dormir é fundamental para o devido descanso do corpo e da mente. A média ideal de sono é de oito horas por noite.
- Fuja do fumo e de bebidas alcoólicas.
- Use medicamentos apenas com recomendação médica.
- Visite o médico regularmente.
- Previna quedas: uma queda, mesmo que pequena, pode causar desde lesões leves até fraturas mais graves.

Otimismo, bons hábitos e muita disposição

A farmacêutica aposentada Thereza Pereira Toniolo trabalhou a vida inteira com medicamentos, mas conta que poucas vezes precisou usá-los. Aos 81 anos, Thereza diz que não tem do que se queixar. Leva a vida com otimismo, bons hábitos e muita disposição. “Graças a Deus, não posso reclamar. Faço as atividades de casa sozinha, vou à hidroginástica duas vezes por semana, viajo, participo de bastante atividade católica e estou sempre em contato com os meus filhos e amigos. Acho que a pessoa tem que ter atividade e manter a cabeça ocupada. Também é preciso ter otimismo e tranquilidade para enfrentar a vida”, diz.

O segredo para toda essa disposição está, segundo ela, nos hábitos que traz desde a infância. “Sou filha de fazendeira. Sempre me alimentei bem, comia bastante fruta, legume. Também caminhava bastante. Nunca fumei nem bebi. Hoje, continuo me alimentando bem. Tenho boas amizades e participo de atividades religiosas”, afirma. E acrescenta: “Acho que o segredo para viver bem é saber viver e não ficar encucando com muita coisa”. (IM/AAN)

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21/11/2011 08:30:32.000
Noites maldormidas são vilãs da qualidade de vida
foto: Edu Fortes/AAN

Nada melhor do que uma boa noite de sono para recuperar a energia gasta durante as atividades do dia. Mas muita gente anda dormindo mal por aí. É o que aponta um estudo realizado na Universidade de Glasgow, na Escócia. Ao todo, 12 mil adultos foram entrevistados e mais de 50% deles tinham dificuldade para adormecer ou permanecer dormindo. As consequências das noites em claro, segundo apontou o estudo, podem ir de um simples mau humor passageiro até a dificuldade em relacionamentos.

O neurologista Shigueo Yonekura, do Instituto de Medicina e Sono, explica que a insônia é caracterizada pela incapacidade de dormir ou de manter o sono. “Quando a pessoa demora mais de 30 minutos para pegar no sono ou acorda várias vezes durante a noite ou, ainda, acorda à noite e tem dificuldade para retomar o sono, a gente considera insônia”, diz o neurologista.

A maioria dos casos de insônia, segundo Yonekura, está relacionada a distúrbios como ansiedade e depressão. “A primeira causa da insônia hoje é o estresse. As preocupações, a correria do dia a dia, problemas no trabalho, com os filhos, no relacionamento. Tudo isso gera estresse e tem como consequência a insônia”, diz. A apneia do sono, a mioclonia noturna — contrações musculares involuntárias nas pernas —, e doenças com dor crônica (reumatismos, fibromialgia), neurológicas e do refluxo gastroesofágico também são algumas das causas da insônia.

A professora do Departamento de Neurologia da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) Tânia Marchiori de Oliveira Cardoso lembra que alguns hábitos que passam despercebidos também são vilões do sono.
“Consumo excessivo de cafeína, de álcool e nicotina, horários irregulares para dormir e para acordar, cochilos prolongados durante o dia, refeições pesadas à noite, prática de atividades físicas vigorosas próximo do horário de dormir, utilização da cama para atividades inapropriadas ao sono, como assistir TV, leitura prolongada e uso de aparelhos eletrônicos, são prejudiciais”, explica a especialista em medicina do sono.

Sem qualidade de vida
Os resultados das noites em claro ou das reduzidas horas de sono podem ser sérios para a qualidade de vida. O estudo realizado na Universidade de Glasgoow identificou que 55% dos adultos apontaram dificuldade de relacionamento, 77% disseram ter a concentração afetada, e 64% afirmaram ser menos produtivos no trabalho, enquanto que 83% tinham problemas de humor e 93% sentiam falta de energia.

Yonekura vai além. Segundo ele, a insônia pode provocar hipertensão, alterações hormonais e dificuldade de crescimento em crianças. “Isso acontece porque é durante a noite que o nosso organismo secreta o hormônio do crescimento. O insone ainda tem dificuldade de concentração ou memorização, pode apresentar irritabilidade, sensação de fraqueza ou mal-estar e dor de cabeça. E as pessoas que dormem menos do que a necessidade biológica exige, estatisticamente, morrem mais cedo”, alerta.

Tratamento
Mas a insônia tem tratamento, que pode ser feito com uma simples mudança de hábito ou, se necessário, com medicação. “Alterações no comportamento e na alimentação, como a retirada do café ou de refrigerantes à base de cola, dormir na posição adequada — a melhor é de lado e com o joelho fletido, como se fosse posição fetal —, são mudanças que podem melhorar a qualidade do sono”, recomenda Yonekura.

Evitar a prática de atividade física até três horas antes de dormir ou reduzir a iluminação também são práticas saudáveis para quem deseja uma boa noite de sono. “O melhor mesmo para o sono é a ausência de luz. Por isso, as pessoas que trabalham durante a noite e dormem durante o dia devem manter o quarto bem escuro”, diz o neurologista.

Quando o paciente não consegue resolver a insônia com a mudança de hábito, muitas vezes é necessário o auxílio de psicoterapia ou de medicação. “Existem vários medicamentos que podem ser úteis para o tratamento da insônia, quando adequadamente indicados, os quais, em sua maioria, são medicamentos de prescrição controlada e que devem ser tomados sempre com acompanhamento médico”, ressalta Tânia Cardoso.

SAIBA MAIS: Média de sono ideal, de acordo com a faixa etária

- Crianças e adolescentes: entre 9 e 10 horas por noite
- Adulto jovem: cerca de 8 horas
- Pessoas entre 50 e 60 anos: cerca de 7 horas 
- Pessoas acima de 60 anos: cerca de 6 horas e 30 minutos

OS MANDAMENTOS PARA UMA BOA NOITE DE SONO

- Estabelecer horários regulares para dormir e acordar, mesmo aos finais de semana.
- Praticar atividades físicas regulares durante o dia.
- Evitar fazer refeições pesadas perto do horário de dormir.
- Evitar ingestão excessiva de café e cafeinados (chás, colas, chocolates) durante o dia e, especialmente, à noite.
- Evitar consumo excessivo de nicotina.
- Evitar exercícios físicos vigorosos à noite.
- Evitar cochilos, especialmente se prolongados, durante o dia.
- Evitar ambientes muito iluminados e/ou uso prolongado de aparelhos com iluminação (computadores, por exemplo) durante a noite.
- Evitar ficar na cama prolongadamente “tentando dormir”. Caso tenha perdido o sono, levantar e fazer alguma atividade relaxante até sentir sono novamente.
- Evitar ver TV, estudar, ler e trabalhar em notebooks na cama.
- Assegurar um ambiente apropriado para o sono: quarto escuro, sem barulho, colchão adequado e temperatura agradável.

Aparelho identifica problemas no sono

Como recomenda o manual das boas práticas médicas, antes de tratar o problema, é necessário descobrir a causa. E na insônia não é diferente. Além da história clínica do paciente, os especialistas também podem lançar mão da polissonografia. O exame tem como objetivo fornecer ao médico dados precisos em relação ao sono, como a incidência de roncos, de distúrbios respiratórios, movimentos e comportamentos anormais.

Para realizar o exame, o paciente dorme em um ambiente confortável e é monitorado por aparelhos que permitem testar os potenciais elétricos da atividade cerebral e dos batimentos cardíacos, os movimentos dos olhos, a atividade muscular, o esforço respiratório e os movimentos das pernas, além de outros parâmetros.

“Com esse exame, o neurologista consegue monitorar o paciente e apontar se ele tem sono superficial ou profundo, se acorda várias vezes à noite ou se apresenta algum outro problema que atrapalha o sono”, diz o neurologista Shigueo Yonecura. Especialistas ressaltam que a insônia crônica sempre requer avaliação profissional de médico capacitado, especialmente neurologista, psiquiatra ou com habilitação em medicina do sono.

Com poucas horas de sono por noite e as consequências das noites em claro, o bancário aposentado Paulo Roberto Morelli recorreu à ajuda médica e à polissonografia. “Dormia em média três horas por noite. E era um sono fragmentado. Fiz a polissonografia e acusou que eu tinha uma doença chamada de Síndrome de Inquietação nas Pernas e que eu tinha em média 80 microdespertares por noite, o que atrapalhava o meu sono”, conta.

Com o tratamento adequado para a causa da insônia, Morelli conseguiu resgatar as noites de sono perdidas. “Faço tratamento com medicação e acompanhamento médico periódico a cada dois meses. De imediato, já tive respostas e passei a dormir melhor. Hoje, durmo em média sete horas por noite e vou ao médico apenas para reduzir a quantidade da medicação. Como melhorei bastante, o médico está pensando em suspender”, diz. (IM/AAN)

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16/11/2011 17:11:20.000
Câncer de mama,ainda um desconhecido
foto: Rogério Capela/AAN

Medo, resignação ou determinação. Cada mulher recebe o diagnóstico de câncer
demama deumjeito. Um turbilhão de pensamentos vem à cabeça e, junto com ele,
milhares de dúvidas sobre o segundo tipo de câncer mais frequente no mundo e o mais comumentre as mulheres.

Dados do Instituto Nacional do Câncer (Inca) apontam que a doença responde por 22% dos novos casos de tumores a cada ano. O conhecimento sobre o problema e o diagnóstico precoce, feito ainda com a ausência de sintomas visíveis, ainda são as
armas mais eficazes no combate à doença.

Esse tipo de câncer é um tumor maligno que cresce na mamade mulheres, mas, com menor frequência, também pode aparecer nos homens. A doença é causada pela multiplicação das células da mama, que formam o tumor.

OInca estima queem 2010 tenham surgido 49.240 novos casos no País. E a estimativa para 2011 não é nada animadora. Os números devem se repetir neste ano.

Um dos grandes riscos da doença é as células cancerosas se espalharem para outras regiões do corpo. “Isso pode acontecer nas regiões onde tem gânglios, ou emlocais mais distantes do corpo, que a gente chama de metástase a
distância, uma das grandes responsáveis pela morte das mulheres”, explica César
Cabello, professor associado e livre docente da Universidade Estadual de Campinas
(Unicamp) e presidente da Sociedade Brasileira de
mastologia, regional São Paulo.

O câncer demama pode ser percebido pela mulher como um caroço, acompanhado ou não de dor. A pele da mama pode ficar avermelhada ou parecida com uma casca de laranja. Também podem aparecer alterações no mamilo e pequenos caroços na região embaixo do braço.

“Infelizmente, as mulheres, na grande maioria das vezes só procuram atendimento
médico quando já háumnódulo palpável. E no câncer de mama, quanto mais
precoce for diagnosticado, antes mesmo de ser palpável, maiores as chances de cura e menos radical é o tratamento”, afirma a ginecologista Rosângela Siqueira Alves de Souza.

Por isso, os especialistas recomendam que toda mulher acima de 40 anos deve ser
examinada porum profissional de saúde e realizar a mamografia anualmente. “A
recomendação do Ministério da Saúde no Brasil é de que as mulheres façam a mamografia a partir dos 50 anos. Mas há umagrande discussão em torno dessa recomendação. A Sociedade Brasileira de Mastologia defende o início da realização a partir dos 40 anos.

A justificativa é que empaíses em desenvolvimento, como o Brasil, há uma alta incidência de câncer de mama em mulheres jovens. Temos até um terço de casos novos em mulheres abaixo de 50 anos”, explica, diz Rosângela.

Cabello explica que o tratamento para a doença é feito com cirurgia, associada à
radioterapia, à quimioterapia (medicações pela veia ou por via oral) e anti-hormonioterapia (medicações que bloqueiam os hormônios do corpo da
mulher). “E existe umaforma mais moderna ainda que a gente chama de imunoterapia, que é a utilização de anticorpos monoclonais, que são mísseis teleguiados dirigidos contra as células tumorais. Essas são as principais formas de tratamento”, acrescenta.

No Brasil, as taxas de mortalidade por câncer de mama continuam elevadas. Segundo o Inca, isso ocorre, provavelmente, porque a doença ainda é diagnosticada
emestágios avançados. Cerca de 40% dos casos são descobertos tardiamente.
Identificadoemestágios iniciais, quando as lesões são menores de dois centímetros
de diâmetro, o câncer de mama apresenta elevado percentual de cura.

Experiências compartilhadas
O mastologista César Cabello e a ginecologista Rosângela Siqueira Alves de Souza respondem algumas das principais dúvidas sobre o câncer de mama.

1. Mulheres com casos de câncer de mama na família correm mais
risco de ter a doença?
Cabello - É verdade. E, fundamentalmente, quando o
membro da família está muito próximo, quando é parente de primeiro grau. Ou seja, mãe, irmã ou filha que teve câncer de mama ou de ovários, que são muito
associados. E o risco é maior quando esse membro da família é jovem, abaixo de 50 anos.

2. Estresse pode causar câncer? Cabello - Existem trabalhos que
mostram que mulheres que tiveram câncer e passam por processos muito estressantes depois da doença têm mais chance de o câncer retornar. Entretanto, não existem trabalhos muito claros que indiquem que o estresse causa o câncer. Nós acreditamos que, dentro do conceito de saúde como um estado de equilíbrio mental, físico e espiritual, o estresse quebra essa harmonia e pode favorecer a
doença.

3. Mulheres obesas são maispropensas ao câncer de mama? Cabello - É verdade. A obesidade aumenta a chance de câncer de mama e de útero também. Normalmente, o câncer nas mulheres obesas aparece na pós-menopausa, quando param os ciclos menstruais. Existe aumento de risco. Mulheres com índice de massa corpórea acima de 25 ou acima de 30 são mais propensas ao câncer de mama. E elas têm um prognóstico pior.

4. Reposição hormonal é um fator de risco? Cabello - Sim. A reposição
hormonal na pós-menopausa aumenta o risco para o câncer de mama, fundamentalmente quando essa reposição utiliza dois hormônios em conjunto, que são o estrógeno e progesterona associados. Esse risco passa a ser
mais importante quando a mulher usa por mais do que cinco anos. Mas os riscos e benefícios devem ser pesados pelo especialista.

5. Prótese de silicone tem alguma influência em relação ao câncer de mama?
Cabello - Prótese de silicone não causa câncer de mama. Muito se questiona se atrapalha o diagnóstico, mas o que a gente tem de trabalho científico é de
que não atrapalha. Não existe impacto negativo em relação à mortalidade por câncer de mama em mulheres com ou sem prótese. Não existe contraindicação do mastologista em relação ao uso de prótese.

6. Quem menstrua muito cedo ou é mãe depois dos 30 anos tem
mais probabilidade de desenvolver o câncer?
Rosângela - As mulheres que
menstruam muito cedo e entram na menopausa muito tarde, as que têm o primeiro filho muito tarde e as que amamentaram pouco têm mais chances de desenvolver câncer de mama, pois ficam mais tempo na vida sob a ação dos hormônios
ovarianos.

7. É necessário fazer mamografia todos os anos?
Rosângela - Nas pacientes de
alto risco é necessário fazer mamografia anual. Nas de baixo risco, e com mamografia anterior normal, pode ser repetida em até dois.

8. É importante fazer o autoexame? Ele é suficiente para detectar os tumores?
Rosângela - O autoexame é importante, inclusive para a mulher ter um conhecimento melhor do seu corpo. Porém, isoladamente, é pouco eficiente, principalmente nas mulheres de mamas densas e na detecção de lesões menores de 1,5 centímetro.

9. Quando se preocupar com alteração na mama? Rosângela - Quando
aparecerem nódulos fixos e irregulares, áreas espessadas (endurecidas), retração na pele, saída de secreção sanguinolenta pelo mamilo, nódulos nas axilas,
processos infecciosos que não respondem aos tratamentos tradicionais com antibióticos.

10. Quem não tem histórico familiar nunca vai ter câncer de mama? Rosângela - Não é verdade, pois apenas 5% a 10% do câncer de mama é relacionado com a
hereditariedade. Aprofessora Márcia Micheletto, de 53 anos, enfrentou o câncer
de mama há sete anos e conseguiu vencer o problema pela determinação e apoio de quem também enfrentava a doença. “É um momento muito difícil na vida da gente.
Momento em que a gente pensa que vai morrer”, conta. Márcia precisou fazer mastectomia bilateral radical e conta que a cirurgia durou mais de sete horas. “O médico recomendou a retirada da mama e optei por tirar tudo. Não me arrependo
porque a tranquilidade é maior e pude reconstruir no ato”, diz. Ao longo de sua luta, ela reuniu um grupo de mulheres que também enfrentavam a doença. “Essa ideia nasceu da necessidade de trocar experiências.Um caso é diferente do outro, mas, no fim, a gente tem o mesmo sentimento e consegue se ajudar”, diz. Márcia conta que o apoio da família também foi essencial na recuperação. “Meu marido e
meus filhos me ajudaram muito.” (IM/AAN)

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07/11/2011 08:41:39.000
Quando a tristesa não passa
foto: Matheus Reche/Especial para AAN

Tristeza, isolamento, falta de motivação e perda de apetite. Os sintomas são característicos da depressão, uma das doenças mais frequentes no idoso. A prevalência do distúrbio é de aproximadamente 15% em pessoas com mais de 60 anos, número que pode dobrar em idosos que vivem em instituições. Somado às mudanças fisiológicas, o isolamento é uma das principais causas da doença, que tem tratamento, principalmente, quando o diagnóstico é rápido.

O neurologista e diretor do Instituto do Cérebro de Campinas, Nubor Orlando Facure, explica que uma série de fatores pode levar o idoso à depressão. “Nessa fase ocorrem muitas mudanças hormonais, as situações físicas criam limitações que adiam ou reduzem os compromissos. As atividades físicas, sociais e cognitivas diminuem e, com isso, o mundo vai ficando pequeno. A própria família vai excluindo o idoso porque ele é demorado para entender, para caminhar e acompanhar o ritmo dos mais novos”, explica.

O psiquiatra e psicanalista Laert Espagnoli Filho, do Instituto de Psiquiatria de Campinas (Ipcamp), ressalta outra situações responsáveis por desencadear a depressão. “Primeiro, a nossa sociedade tende a valorizar as gerações mais jovens. Também temos o caso de pessoas que se dedicam quase que exclusivamente a uma função, como a de criar bem os filhos, e, quando esses se vão, por questão de trabalho ou casamento, a função se esvazia”, exemplifica.

Os principais sintomas que caracterizam a depressão são tristeza, isolamento, falta de motivação, desistência da vida, perda da autoestima, sentimento de menos valia, ideias de morte e tendência ao suicídio. Mas Facure alerta que os sintomas podem ser físicos, o que pode até confundir na hora do diagnóstico. “Ele começa com problemas como insônia, fadiga e pode ter alterações subclínicas, como infecção urinária e intestinal e insuficiência respiratória”, diz. O apoio e a atenção dos familiares são fundamentais para o diagnóstico precoce do problema. “Dificilmente, um idoso vai procurar um médico com a queixa de depressão. Portanto, a família deve ficar alerta quanto ao aparecimento de alterações no comportamento, deve observar se o idoso está mais quieto do que o normal, se está se isolando, se está com queixas de dores sem motivo aparente”, afirma o psiquiatra Afrânio de Carvalho Mendes.

Limite
Os especialistas lembram que nem sempre a tristeza pode ser caracterizada como depressão. “É natural que o idoso, como qualquer pessoa, fique triste pela perda de um familiar ou por algum outro problema específico, mas, conforme o problema se resolve, ele tende a melhorar. Agora, quando o prazo se estende além da média ou não há um fato claro para a tristeza, é importante que o familiar ou que o próprio especialista se questione se a pessoa não apresenta um quadro depressivo”, diz.

Mendes ressalta que a avaliação do idoso deve ser feita de forma global. “Em casos de sintomas de depressão, é importante que a família procure não apenas o psiquiatra, mas um geriatra, um psicólogo ou um médico clínico para que seja feita uma avaliação global e outras causas clínicas sejam afastadas, já que a depressão pode ser confundida com outras doenças. O quadro de Alzheimer, por exemplo, é precedido por sintomas depressivos”, diz.

Tratamento
De acordo com os especialistas, o tratamento medicamentoso para a depressão em idoso é feito de maneira diferente. “As doses são mais baixas e a resposta ao remédio pode demorar um pouco mais do que no adulto”, afirma. Mendes lembra que o médico deve ficar atento ao risco de interação medicamentosa.

Tão ou mais eficiente do que o tratamento farmacológico para a depressão é a prática de atividade física. “A coisa mais fácil para estimular a mente é estimular o corpo com a prática de atividade física. Não precisa ser aquele exercício para fortalecer músculo, mas aquele que causa prazer e seja capaz de gerar uma química saudável no cérebro, como fazer uma simples caminhada dentro do shopping para ver as vitrines bonitas”, diz Facure.

Quando feita de forma regular e bem planejada, a atividade física ajuda a minimizar o sofrimento psíquico do idoso deprimido, além de oferecer a possibilidade de envolvimento psicossocial, elevação da autoestima, estimulando a saída do quadro depressivo e reduzindo a taxa de recaídas.

Fugir da inércia para recuperar o prazer de viver

O segredo para enfrentar a depressão, segundo os especialistas ou quem já passou pelo problema, está em redescobrir o prazer de viver. A aposentada Dagmar Peixoto de Souza Lima, de 80 anos, enfrenta a depressão desde os 34, quando perdeu o marido. “Perdi a vontade de tudo. Não queria me arrumar, sair de casa. Fiquei antissocial. Precisei fazer tratamento psiquiátrico. Ainda hoje, continuo com o tratamento medicamentoso, porque de vez em quando ela volta”, conta.

Mas Dagmar encontrou no trabalho voluntário o alívio para a depressão. Ela faz visitas aos pacientes em hospitais e asilos. “Em lugares como esses, as pessoas ficam muito sozinhas. Por isso, vou, converso, ouço e, muitas vezes, acabo percebendo que tem muita situação pior do que a minha. E é incrível como você, se dedicando ao outro, acaba esquecendo um pouco dos seus problemas. Essa é uma lição que fui aprendendo com a vida”, afirma.

A aposentada Maura Aparecida de Oliveira descobriu nos bailes da terceira idade e na ginástica uma forma de espantar a solidão. “Vou três vezes por semana às aulas de ginástica e uma vez por mês ao baile. Faço isso há mais de 20 anos e me sinto muito bem”, diz.

Já o aposentado Tadao Hanioka, de 78 anos, investe nos exercícios físicos. São duas horas de atividade, durante cinco dias da semana. “Dou três voltas na Lagoa do Taquaral e finalizo fazendo exercícios na academia do parque. Durmo bem, acordo bem, não tenho mau humor, não fico triste nem malcriado com a esposa e acredito que tudo isso é por causa da atividade física”, afirma.

“Depreguiça”
Além dos conceitos neurobiológicos, o especialista Nubor Facure afirma que trabalha com conceitos filosóficos com os seus pacientes. “Em alguns casos, eu gostaria de substituir o termo depressão por ‘depreguiça’. Insisto pra que o paciente não deixe de fazer as atividades porque a inércia leva à depressão. Também costumo dizer que a pessoa deprimida está dedicando muito tempo para pensar em si. É preciso pensar um pouco mais nos outros. Ficar remoendo situações de conflitos dentro de nós gera depressão”, afirma. (IM/AAN)

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31/10/2011 07:57:16.000
Cirrose por álcool é causa de 1 em cada 10 transplantes de fígado
foto: Divulgação

Um levantamento realizado pela Secretaria de Estado da Saúde no Hospital de Transplantes, em São Paulo, aponta que a cada dez transplantes de fígado, um é realizado em paciente com cirrose hepática decorrente de alcoolismo. Levantamento feito no mesmo hospital aponta que 50% dos transplantes de fígado são decorrentes das hepatites B e C crônicas. Independentemente das causas, a luta de quem está na fila de espera é pela vida e pela conscientização sobre a doação de órgãos.

A coordenadora da Unidade de Transplante Hepático do Hospital de Clínicas (HC) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Ilka de Fátima Santana Ferreira Boin, explica que as indicações para o transplante são todas as doenças, agudas ou crônicas, que levam à falência do fígado, entre eles as hepatites B e C crônicas e cirrose hepática por álcool.

No entanto, não são todos os pacientes com cirrose que têm indicação de transplante. “Em geral, indica-se o transplante quando há complicações clínicas importantes, com risco de vida, ou se há o aparecimento de tumor de fígado”, complementa Tiago Sevá Pereira, hepatologista da Unidade de Transplante Hepático da Unicamp.

Recentemente, o ex-jogador Sócrates, que sofre de cirrose hepática, admitiu que a causa do seu problema foi o consumo excessivo de álcool, responsável por desencadear complicações gradativas no órgão. Os especialistas explicam que é considerado consumo em excesso a ingestão de aproximadamente 80 gramas de álcool por dia por homens — que corresponde a cinco latas de cerveja ou cinco doses de pinga ou uma garrafa de vinho — e metade disso para mulheres. “O álcool é tóxico para o fígado, e quando usado em quantidade alta por alguns anos, causa lesão das células do fígado, que morrem e são substituídas por cicatriz (fibrose), endurecendo o órgão e dificultando suas funções. Mesmo doses menores de álcool em pessoas com outras alterações do fígado (como hepatite B ou C) também podem ser muito prejudiciais”, explica Pereira.

Mas segundo a secretaria estadual, cerca de 50% dos transplantes realizados na unidade onde foi realizado o levantamento ocorreram em pacientes portadores de vírus da hepatite B ou C. O tempo de incubação da hepatite C pode variar entre dez e 30 anos e, por ser uma doença silenciosa, as pessoas demoram a tomar conhecimento da presença do vírus em seu organismo, que em 80% dos casos evolui para uma infecção crônica.

Sintomas
Os sinais de que a maior glândula do nosso organismo não vai bem são inchaço, presença de sangue no vômito ou nas fezes, distensão do abdômen, inchaço nas pernas, olho amarelado e confusão mental. “O paciente com esses sintomas está no começo da fase tardia, muitas vezes, quando não há mais como reverter o problema e a indicação é o transplante”, afirma Ilka Boin.

O transplante de fígado envolve uma equipe de aproximadamente 50 profissionais, entre eles anestesistas, cirurgiões, hepatologistas, psicólogo e fisioterapeutas. O tempo médio da cirurgia é de seis horas. “Mas isso depende muito de cada caso. Já fiz cirurgia de duas horas e de até 30 horas”, diz Ilka.

Por se tratar de uma cirurgia de grande porte, o transplante envolve alguns riscos. “O principal é o da própria cirurgia, feita em pacientes com uma doença já muito grave. Depois do transplante, as principais complicações são as infecções, já que os medicamentos para evitar rejeição baixam a imunidade do paciente, a rejeição, que na grande maioria das vezes é tratável, e mais tardiamente, o surgimento de diabete e hipertensão arterial, que podem ser causadas pelo uso prolongado das medicações”, explica Pereira.

Alguns pacientes têm recidivas da doença e as mais graves acontecem dentro do primeiro ano após otransplante. Os especialistas também lembram que, quando as causas são virais, o problema não é tratado com a cirurgia.

Apesar disso, a perspectiva de vida depois da cirurgia é positiva. “Cerca de 70% dos nossos transplantados continuam vivos em pelo menos cinco anos e 50% em pelo menos dez anos. E a qualidade de vida desses pacientes é muito boa. O grau de satisfação deles chega a 80%”, garante Ilka.

Doação ainda é um desafio

A compatibilidade nos transplantes de fígado é das menos complicadas, em comparação com outros, como de rim ou medula óssea.

É necessária apenas compatibilidade sanguínea do tipo ABO, e de tamanho. A maior dificuldade, entretanto, é a disponibilidade, pois o número de pessoas precisando de transplante é sempre maior do que o de doadores. A recusa por parte da família de um potencial doador é de 25% a 50%.

Médicos, pacientes e transplantados travam uma batalha constante para mudar essa realidade. “É importante que as famílias se lembrem da possibilidade de oferecer uma nova oportunidade de vida para quem está precisando”, diz Ilka Boi, da Unicamp. “Ainda há resistência da família do doador, mas uma barreira ainda muito importante na doação de órgãos é a baixa notificação dos casos de morte cerebral pelos médicos e hospitais”, alerta Tiago Sevá.

Transplantados
Andréa Teixeira Soares, de 48 anos, precisou de um transplante de fígado há 11 anos. De lá para cá, arregaçou as mangas e abraçou a causa de quem continua na fila aguardando por uma doação. “Desde o diagnóstico da doença até o transplante foram oito anos, mas na fila mesmo foram dois. Tinha coceira, cãibra, vomitava, estava sempre cansada e tive que parar de trabalhar. Hoje, graças a Deus, consigo fazer de tudo e sou voluntária em duas instituições”, afirma.

Ela é presidente da Associação Brasileira dos Transplantados de Fígado e Portadores de Doenças Hepáticas e dirige uma casa de apoio para pacientes que precisam de transplantes. “Entre outras atividades, fazemos campanhas para prevenção de hepatites e para doação de órgãos. A família muitas vezes não doa porque não sabe qual era o desejo da pessoa, mas é importante que elas se conscientizem que a doação faz toda a diferença para quem está precisando. Um único doador pode salvar muitas vidas”, acrescenta.

Dalécio Pastor, de 67 anos, fez o transplante em 1996 e, atualmente, é um dos divulgadores da campanha de doação de órgãos da Região Metropolitana de Campinas (RMC). “A mudança na minha vida depois do transplante foi radical. Antes, eu andava em casa escorando em paredes e com a ajuda de alguém. Mas seis meses após de transplante, voltei a jogar futebol, dançar. Também me casei de novo e tive três filhas. Hoje, luto muito para divulgar a importância da doação”, diz. (IM/AAN)

Saiba mais

O fígado é a grande “fábrica” do organismo, pesa cerca de 2% do nosso peso corporal. Entre algumas das várias funções que ele desempenha, estão:
- Produção de fatores de coagulação do sangue, proteínas sanguíneas, bile e mais de mil diferentes substâncias indispensáveis à ativação das reações químicas do organismo.
- Metabolismo do colesterol.
- Reserva energética para a ativação das reações químicas vitais e trabalho muscular.
- Manutenção da concentração normal de açúcar no sangue.
- Regulação de vários hormônios.
- Desintoxicação de drogas e substância tóxicas, incluindo o álcool.

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25/10/2011 08:11:02.000
Síndrome da bexiga dolorosa interfere na qualidade de vida
foto: Érica Dezonne/AAN

Síndrome da bexiga dolorosa ou cistite intersticial são alguns dos termos usados para descrever um conjunto de sintomas que afeta principalmente as mulheres. A doença ainda tem causa desconhecida e provoca dores na bexiga — que diminuem com o esvaziamento — e urgência miccional, provocada pela capacidade reduzida do órgão. A síndrome tem chances de cura em até 50% dos casos, mas a dificuldade de diagnóstico pode reduzir brutalmente a qualidade de vida da mulher e, em alguns casos, levar à depressão.

De acordo com o médico Paulo Palma, professor titular de urologia da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e presidente da Confederação Americana de Urologia, a síndrome da bexiga dolorosa é uma doença bem definida clinicamente, mas a causa ainda não foi descoberta. “Há uma teoria que aponta que, em algum momento, ocorre uma agressão da bexiga, mas não sabemos exatamente como acontece”, afirma.

Palma explica que a bexiga tem uma camada protetora de muco que não permite que a urina entre em contato direto com suas células. Quando existe uma alteração dessa permeabilidade, íons de potássio, que existem em grande concentração na urina, penetram no interstício (entre os tecidos) e estimulam as terminações nervosas, o que provoca inflamação e dor. Não há estatísticas oficiais sobre a doença no Brasil, mas as estimativas apontam que para cada homem, 50 mulheres apresentam o problema.

De acordo com os especialistas, os sintomas da cistite intersticial são muito parecidos com os da cistite bacteriana, o que pode confundir alguns médicos na hora do diagnóstico. “Às vezes, essas pessoas são tratadas erroneamente como quadro de infecção urinária ou outras doenças pélvicas, devido os sintomas serem parecidos”, afirma Edilson Benedito de Castro, ginecologista do Setor de Disfunções do Assoalho Pélvico do Departamento de Tocoginecologia do Centro de Atenção Integral à Saúde da Mulher (Caism), da Unicamp.

Palma esclarece que, diferente da cistite bacteriana — que tem como causa a presença de uma bactéria que provoca a infecção da bexiga —, na cistite intersticial ocorre uma inflamação entre os tecidos das camadas mais profundas da bexiga. “O principal aspecto clínico dessa doença é que, quando a bexiga enche, a paciente sente dor na região suprapúbica, que também melhora com o esvaziamento vesical”, pontua.

Além de dores, a síndrome pode provocar urgência miccional, necessidade de urinar várias vezes durante o dia e à noite e dor durante a relação sexual. “Isso acaba comprometendo o relacionamento conjugal, altera o humor da pessoa, que tem que levantar várias vezes durante a noite para urinar. Somados, esses fatores podem levar a um quadro de ansiedade e depressão, que é comum nesse tipo de doença”, afirma Palma.

Diagnóstico difícil
O grande problema da síndrome da bexiga dolorosa é que, até chegar ao diagnóstico co</IP>rreto, a mulher pode levar até quatro anos fazendo peregrinação nos consultórios. “É uma doença que muitos médicos ainda não têm conhecimento. Por isso, as pacientes acabam sendo tratadas como cistite bacteriana, mesmo que o exame de cultura seja negativo. Evidentemente, não adianta dar antibiótico porque o problema não é infeccioso, mas inflamatório”, ressalta.

O diagnóstico da doença é primeiro clínico. “Ele pode ser feito pelo exame de toque e pelo teste de sensibilidade ao potássio, em que se coloca soro na bexiga, em seguida cloreto de potássio numa concentração pré-estabelecida e que vai apontar uma alteração da permeabilidade da bexiga, mas o principal instrumento é o ouvido. É fundamental escutar a paciente, que geralmente vem passando por vários médicos, tomando vários tipos de antibiótico”, diz Palma.

Existem várias opções de tratamento para a síndrome da bexiga dolorosa e a terapia inicial é via oral, com substâncias que agem tanto na bexiga quanto na região cerebral central. “São drogas que chamamos de ecléticas. Além de antidepressivas, elas têm um efeito analgésico na bexiga também. São basicamente os tricíclicos. Isso ajuda muito a equilibrar a paciente para ela seguir o tratamento, que é relativamente longo”, explica Palma. “Por ser uma patologia que leva ao comprometimento da qualidade de vida, o suporte psicológico na maioria das vezes se faz necessário”, complementa Castro.

Aposentada comemora fim de dois anos de limitações e sofrimento

Foram dois anos marcados por visitas a médicos, realização de exames e muito medicamento até que a aposentada Darci Anelli, de 65 anos, recebesse o diagnóstico de síndrome da bexiga dolorosa. “Sofri muito durante esse tempo todo porque de cinco em cinco minutos tinha que ir ao banheiro. Era uma queimação e uma dor que eu não aguentava. A minha vida era dentro de casa. Se a fila do banco fosse grande, eu tinha que ir embora porque não conseguia esperar para fazer xixi. Só aliviava quando eu ia ao banheiro”, conta. O tratamento durou semanas e foi doloroso, segundo Darci, mas o resultado valeu a pena. Demorou, e incomodava porque eu tinha que segurar a medicação por um tempinho na bexiga, mas deu certo e, graças a Deus, fiquei curada. Faz dois anos que nunca mais voltei ao médico. Hoje, saio, viajo, estou igual eu era antigamente”, comemora. (IM/AAN)

Unicamp testa eficácia do ácido hialurônico

Um estudo realizado na Unicamp, chefiado pelo urologista Paulo Palma e coordenado pelo ginecologista Arlon Silveira, do grupo de ginecologia da Unicamp, testou a eficácia do ácido hialurônico, conhecido comercialmente como Cystistat, em 18 pacientes. O ácido hialurônico é um dos principais componentes da camada de muco que recobre a bexiga e impede que os íons penetrem na parede da vesícula para estimular os nervos, o que provoca a dor.

Os resultados foram surpreendentes, segundo os especialistas. “O tratamento consiste em colocar dentro da bexiga, em pelo menos oito aplicações, essa substância que vai reconstruir a capa protetora que naturalmente as pessoas têm. É um tratamento que veio mudar a história da cistite intersticial. No Brasil, ele já está sendo usado há pelo menos dois anos e está chegando nos outros países da América do Sul agora”, diz.

Terminado o ciclo de tratamento, 50% das mulheres não apresentaram mais o problema. E outras 30% tiveram uma melhora significativa. “Conseguimos uma taxa de sucesso de 80%, compatíveis com trabalhos já feitos no mundo”, afirma Silveira. O estudo foi o único feito até o momento no Brasil e será apresentado no próximo dia 27, na Colômbia, onde a droga será lançada. (IM/AAN)

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17/10/2011 07:57:24.000
Crianças à beira de um ataque de nervos
foto: Leandro Ferreira/AAN

Perda de apetite, insônia, baixa concentração, rebeldia e hiperatividade. Parece difícil de acreditar, mas criança pode sim ficar estressada e ter depressão. E esses são apenas alguns dos sinais de alerta de que algo não vai bem. Com uma carga excessiva de atividades diárias e uma agenda como se fosse a de pequenos adultos, o tempo para brincar ou, simplesmente, ser criança fica cada vez mais escasso. E as cobranças ou situações limites podem ser o gatilho para desencadear os transtornos.

Em uma sociedade marcada pelo tempo do relógio e pela competição, os pequenos, cada vez mais cedo, assumem obrigações e, com o excesso de atividades, falta tempo para aproveitar a infância. “Os pais, com o objetivo de que seus filhos, quando adultos, sejam bem-sucedidos, atribuem-lhes uma carga excessiva de tarefas e atividades diárias, esquecendo-se de que são crianças e que têm de ter tempo para brincar”, afirma a psicóloga Luci Rosana Rebelatto Coletti.

Outro detalhe lembrado por Luci é que a carga excessiva de tarefas atribuídas às crianças é uma forma de os pais compensarem a própria ausência na vida diária dos filhos. Muitos acreditam que crianças ocupadas não sentem a falta deles, o que é um engano, segundo ela. Diante de tantas obrigações, responsabilidades, somados à ausência dos pais, a criança fica sujeita ao estresse, que pode levar à depressão.

Os especialistas definem o estresse como uma reação do organismo diante de situações difíceis ou que geram muita excitação. Ele pode ocorrer com qualquer pessoa, em qualquer idade. Luci explica que, se não percebido, o estresse infantil pode se transformar em depressão. “Ao falarmos do estresse infantil temos de refletir sobre o que queremos para os nossos filhos e a que nível de pressão nossas crianças estão sendo submetidas. As exigências precisam ser proporcionais à maturidade e ao estágio de desenvolvimento da criança”, lembra.

A depressão infantil, por sua vez, é um transtorno de humor que interfere no desenvolvimento psicológico e social da criança. “Apesar de inexistir uma definição consensual acerca da depressão infantil, pode-se afirmar que se trata de uma perturbação orgânica que envolve variáveis biológicas, psicológicas e sociais. Do ponto de vista biológico, ela é encarada como uma possível disfunção dos neurotransmissores devido à herança genética, a anormalidades ou falhas em áreas cerebrais específicas”, explica o pediatra Tadeu Fernando Fernandes.

O neurologista infantil Pedro Severino Pacheco complementa que, na depressão, é como se o cérebro não tivesse energia para enfrentar o dia-a-dia nem capacidade de sentir prazer ou alegria. “Biologicamente, associa-se com baixos níveis de serotonina no cérebro”, diz.

Sintomas
Segundo Pacheco, a identificação sempre dependerá da avaliação de um especialista. Mas um sinal importante tanto para o transtorno de estresse quanto para a depressão é a mudança no comportamento da criança. “No estresse, a criança passa a evitar situações, ambientes ou pessoas com as quais convivia tranquilamente. Reage a essas situações com medo, ansiedade e sintomas físicos, como tremor, sudorese, aumento da frequência cardíaca, dor de barriga e náusea”, explica Pacheco.

Na depressão, a criança geralmente diminui suas atividades prazerosas, como brincar e buscar por amigos, há queda na atenção, na energia para atividades diárias e no rendimento escolar. “É comum a ocorrência de queixas médicas recorrentes sem nada identificado como dores de cabeça, dor de barriga, dificuldade para respirar, sensação de opressão, alteração no ritmo de sono, como sonolência durante o dia ou dificuldade em iniciar o sono, acordar várias vezes durante a noite, diminuição no apetite”, ressalta o neurologista.

Tratamento
De acordo com os especialistas, o tratamento do problema depende do grau de comprometimento da criança. “A abordagem psicoterápica é sempre muito importante, sendo suficiente nas formas leves. Formas de maior gravidade devem ser submetidos a medicamentos, em geral, antidepressivos. Sempre que necessários, devem ser indicados por profissional capacitado e em doses adequadas”, orienta Pacheco.

Médicos, psicólogos, pais e professores deverão estar envolvidos nesse processo de diagnóstico e tratamento. Luci explica que o papel da psicologia nesse processo consiste em buscar o maior número possível de informações da dinâmica familiar para conhecer as causas da depressão infantil e atuar diretamente sobre elas. Em casos mais graves, o tratamento psicoterápico deve ser acompanhado do tratamento medicamentoso realizado por um psiquiatra”, afirma.

Prevenção
Os especialistas lembram que o diagnóstico rápido e preciso pode prevenir os avanços dos transtornos e impedir situações graves. “Casos gravíssimos de depressão infantil podem levar, sim, ao suicídio. São casos raros, mas existem”, afirma Luci.

Segundo o pediatra Tadeu Fernandes, a prevenção pode ser feita nos dois casos. “Crianças que têm antecedentes familiares de depressão são consideradas de risco e devem ser monitoradas pelo pediatra mais de perto. Estresse se previne também, lembrando que criança precisa de tempo para brincar, precisa de conversa, precisa ser escutada e não pode entrar na rotina maluca dos adultos”, alerta.

Principais comportamentos que caracterizam o estresse e a depressão infantil

- Mau humor
- Autodepreciação
- Agressividade ou irritação
- Distúrbios do sono
- Queda no desempenho escolar
- Diminuição da socialização
- Modificação de atitudes em relação à escola
- Perda da energia habitual, do apetite e/ou peso

Grupo recorre à ioga para aliviar as tensões

Na Fundação Eufraten, organização não governamental (ONG) sem fins lucrativos, localizada no Jardim do Lago 2, as crianças recorreram à prática de ioga para combater o estresse e mandar a depressão para bem longe. Todos os dias, elas param por 15 minutos para realizar os exercícios e fazer meditação.

A pedagoga e especialista em ioga para crianças Mariana Ferreira Martines explica que as atividades ajudam a reduzir as tensões do dia a dia das crianças, que muitas vezes chegam revoltadas ou deprimidas.

Segundo Mariana, elas fazem ioga natural, com foco no autoconhecimento, e meditação, que tem como objetivo, incentivá-las a observar os pensamentos e as emoções. “Algumas vêm com problemas de casa ou da escola e aqui, nesses 15 minutos, conseguem relaxar”, afirma.

As reações das crianças são variadas, mas sempre positivas. Lívia Isabelle Beserra, de 9 anos, faz ioga desde o ano passado. “Eu me sinto mais relaxada e mais calma. Também acho que os exercícios me ajudam a me preparar para a vida”, diz. “Quando estou muito agitada, a ioga me acalma e, no relaxamento, imagino uma flor se abrindo no meu coração”, conta. “Eu me sinto mais elegante”, completa Keilane Souza Lima, de 7 anos. (IM/AAN)
 

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10/10/2011 08:12:18.000
Harmonia entre os pais preserva crianças na separação
foto: Arquivo Pessoal

A separação de um casal pode se transformar em uma verdadeira batalha, marcada por desentendimentos, desencontros e violência psicológica. Mas pode ser apenas um período de mudanças em que cada um tem a oportunidade de trilhar diferentes caminhos e encarar novos desafios. Quando é preciso começar de novo, passar por cima das diferenças é sempre a melhor alternativa, principalmente para os filhos.

Para o psicólogo e psicoterapeuta Ivan Capelatto, independentemente de estarem juntos ou separados, a relação dos pais tem influência direta na criança. “É dessa relação que a formação da personalidade depende. Juntos ou separados, os pais têm uma função, um papel e uma determinação no que vai acontecer na formação do inconsciente, do comportamento e das relações interpessoais do filho”, afirma.

Capelatto lembra que o processo sempre deve ser compreendido como uma separação do casal e não dos pais. O ideal, segundo ele, é que o casal entenda que as divergências que ocorrem para uma separação não devem envolver os filhos. Os desentendimentos precisam ficar restritos ao casal. “Devem preservar, na medida do possível ou da lógica, os papéis dos pais. A harmonia dos pais frente aos filhos sempre deve ser considerada sagrada”, ressalta.

Impactos
O médico pediatra Tadeu Fernando Fernandes explica que a resposta da criança à separação está sempre relacionada à idade. “Em cada fase, temos uma resposta diferente de assimilação ou de rejeição”, diz. Segundo ele, a frequência de crianças com problemas de escolaridade, comportamento, agressividade, hiperatividade e distúrbios do sono é cada vez maior. E, por trás desses problemas, podem estar as separações mal resolvidas ou casais com comportamentos desajustados.

Capelatto complementa que, quando os pais desconsideram a harmonia necessária e passam por cima de valores que devem ser preservados, as consequências emocionais podem ser trágicas e irreversíveis. “Nesses casos, os filhos poderão crescer divididos, sem um parâmetro saudável de vida mental harmônica, e, provavelmente, irão desencadear alguma doença mental importante ou algum transtorno de conduta”, alerta. Nessa lista, ainda cabem depressão, ansiedade, anorexia, polifagia, dores de cabeça e até dores no coração.

Culpa e exageros
Mas exagerar nos cuidados também pode ser um erro. “É comum vermos pais que, por se sentirem culpados com a separação, satisfazem todos os gostos de seus filhos, tendo dificuldades em dizer não a eles e mimando-os excessivamente, como se isso fosse minimizar seu sentimento de culpa ou fazer com que seus filhos o amem. Essas crianças ficam mimadas, sem limites, rebeldes, egocentristas, agressivas, mostrando claros distúrbios do comportamento”, pondera Fernandes.

Diálogo
De acordo com os especialistas, alguns cuidados em relação aos filhos devem ser tomados em situações de desentendimento ou no momento da separação. Situar a criança é um deles. “Se a separação é consensual, eles devem explicar às crianças que ‘papai e mamãe não querem mais namorar’ e vão se separar, mas vão continuar sendo pais, conversando como pais, convivendo nas coisas dos filhos como pais”, orienta Capelatto.

Se a separação é litigiosa, os pais devem procurar, além de um advogado, um profissional da área de saúde mental — um psicólogo ou um psiquiatra especialista em crianças e adolescentes — para serem orientados sobre a preservação dos filhos e de sua saúde mental.

Portas sempre abertas mantêm vínculos

A jornalista Sameila Brandão Arruda enfrentou a separação há cerca de um ano e decidiu passar por cima de qualquer mágoa para garantir o bem-estar da filha, Betina Brandão Burani, de 6 anos. “Qualquer separação é sempre dolorosa porque ninguém casa pensando em se separar. Mas a minha filha é prioridade e faço o que for preciso para preservá-la”, conta.

Sameila e o pai de Betina, que atualmente mora em São Paulo, se falam frequentemente. “Temos um vínculo para o resto da vida e ele tem passe livre para entrar na minha casa para ver a Betina. Ele esteve na festa de aniversário dela, quando ela está doente, liga para o pai, sempre que pode ele vem ver a filha. Procuramos manter essa harmonia pensando sempre no que é melhor para ela”, diz.

O conselho dos especialistas é para que os pais reflitam seriamente sobre o papel que assumiram, pois é para vida toda. “A vida afetiva hoje, no século 21, só se realiza em casa, com os pais, com os bons pais, pois aqui fora, no social, tudo se tornou superficial, temporário, essencialmente materialista”, diz o psicólogo e psicoterapeuta Ivan Capelatto. “Os amigos são raros, os adultos não se importam muito e os valores são estéticos, não éticos. Assim, crianças e adolescentes voltam para seus lares nervosos, irritados, agressivos, ansiosos por receberem paciência, tolerância, abraços, ouvidos, certezas, enfim, tudo aquilo que o social não contém. Esse é o lugar dos pais, um lugar que só pertence a eles”, explica o especialista. (IM/AAN)

Em equilíbrio

- Nunca falar mal um do outro para os filhos.
- Não usar os filhos como espiões para saber da vida do outro.
- Não fazer chantagens ou usar os filhos como moeda de troca.
- Não discutir na frente dos filhos.
- Não tirar a autoridade do ex-marido ou da ex-mulher.
- Não se fazer de vítima.
- Ouvir os filhos, conversar, dialogar com eles.
- Impor limites.
- Educar os filhos conjuntamente.
- Amar os filhos independentemente da situação em que se encontra o relacionamento amoroso.
- Manter um contato frequente com os filhos.
- Respeitar um ao outro, independentemente da situação em que vivem (novamente casados ou com outros filhos em novos relacionamentos).

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03/10/2011 08:22:41.000
Asma exige controle rigoroso
foto: Edu Fontes/AAN

Tosse seca, dor no peito, chiado e dificuldade para respirar. Esses são os principais sintomas da asma, uma doença inflamatória crônica das vias aéreas, que atinge aproximadamente 24% das crianças entre 7 e 14 anos. O problema tem início, na maior parte das vezes, na infância e não tem cura. Entretanto, pode ficar assintomático na adolescência e na fase adulta. Nos casos mais leves, a crise de asma pode ser controlada em casa, mas a grande parte dos pacientes precisa da ajuda de um profissional. O tratamento adequado e regular da doença é a melhor saída para fugir das situações de emergência.

Segundo a pediatra especialista em pneumologia do Hospital Celso Pierro Tânia Quintella, um estudo internacional realizado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) determinou a incidência de asma da população. “O Brasil é um dos países que mais têm asma no mundo. A nossa taxa de asma em crianças escolares, de 7 a 14 anos, é de 24,5%. É um asmático para cada quatro criança. Nos adolescentes, a taxa é de 19,6% e, em adultos, acima de 20 anos, de 22%”, afirma.

O início precoce da asma não foi completamente desvendado. “Alguns autores acreditam que as infecções virais das vias aéreas superiores — gripes e resfriados —, mais frequentes nas crianças, podem ser as principais responsáveis pelo desencadeamento das crises naquelas crianças com predisposição para asma, que tenha histórico familiar de alergias ou asma”, explica o médico Geraldo Roberto Cogo, chefe do serviço de pediatria do Hospital Vera Cruz.

O médico do ambulatório de asma da pneumologia do Hospital de Clínicas (HC) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) Aristóteles Barbeiro explica que a asma não tem cura, mas controle clínico. “Na fase da adolescência, pode haver remissão da doença. Não se trata de cura e pode voltar a aparecer na fase adulta caso a pessoa seja exposta a algum alérgeno ou ambiente que contribua para o desencadeamento da doença”, diz.

Crise
A pediatra Tânia Quintella lembra que episódios de falta de ar, queixas de dor no peito, dificuldade para falar, chiado no peito, uso intenso da musculatura abdominal para respirar e tosse seca são sintomas que identificam a gravidade da crise. “É importante educar a família para reconhecer o início da crise e não deixá-la avançar.”
Segundo Cogo, quando não tem jeito e a crise já está instalada é necessária a utilização de medicamentos próprios, por via oral, inalatória ou endovenosa, dependendo da gravidade. “Vale a pena ressaltar que os medicamentos prescritos deverão necessariamente ser utilizados, pois dessa forma iremos proteger o pulmão da inflamação causada pela doença e, consequentemente, proteger os indivíduos de uma perda progressiva da função pulmonar”, orienta.

É possível controlar uma crise aguda de asma em casa somente quando a família sabe reconhecer e está adequadamente orientada sobre como agir. “Mas é sempre mais seguro levar até o pronto-socorro, pois os sintomas da asma são muito semelhantes a muitas outras doenças pulmonares ou cardíacas”, afirma Cogo.

Tratamento
O tratamento é prescrito pelos especialistas para os momentos de crise e de intercrise. Neste último, o objetivo é evitar novos ataques de asma. Ele pode ser realizado com ou sem medicação.

O controle sem medicação é feito quando se tem o conhecimento dos fatores que provocam as crises. Nesse caso, a criança deve ser mantida longe do cigarro, da fumaça, de animais domésticos e de outros possíveis fatores alérgenos. Quando os fatores desencadeantes não podem ser evitáveis, como a mudança de temperatura ou problemas emocionais, é fundamental saber reconhecer precocemente a crise para iniciar rapidamente o tratamento. Dessa forma, se reduz o risco de sequelas pulmonares.

O tratamento com medicação é feito quando as crises são muito frequentes. “São necessárias medidas mais drásticas e, às vezes, mais prolongadas, com uso de medicamentos para tentar aumentar o intervalo entre as crises e proteger o pulmão de danos mais importantes”, afirma Cogo. As medicações mais utilizadas são anti-inflamatórios e broncodilatadores.

Persistência
O pequeno Vinícius Zorzetto de Matos, de 5 anos, foi diagnosticado com a doença ainda bebê e desde então faz o controle crônico da doença. “Ele ficou internado com bronquiolite e logo depois a pediatra descobriu que ele tinha asma”, conta a mãe, Fernanda Cristina Zorzetto de Matos, de 28 anos. Atualmente, o pequeno usa uma medicação diária e tem outra em casa apropriada para os momentos de crise.
Mesmo com acompanhamento periódico e utilização da medicação prescrita pelo médico, às vezes, Vinícius ainda enfrenta as crises. “O que observo é que as crises aparecem quando há mudança brusca no tempo, ventania e chuva. Ele começa com uma tosse seca e contínua e muita falta de ar. Dou a medicação e, quando a crise não passa, procuro a médica”, conta.

Orientações

- Não retardar o tratamento da asma. Quanto mais precoce, menores os danos pulmonares.
- Seguir corretamente a indicação médica, sempre com supervisão.
- Procurar junto ao pediatra as possíveis causas que podem provocar as crises.
- Usar os recursos disponíveis, como as vacinas de gripe, por exemplo, para prevenir doenças que facilitam o aparecimento das crises.
- Estabelecer um elo de confiança com o pediatra que irá acompanhar o seu filho.
- Saber que, embora ainda não exista cura para a asma, a criança poderá ter uma vida normal, desde que as crises sejam precocemente identificadas e adequadamente tratadas.

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26/09/2011 09:25:27.000
Emergência: crianças
foto: Edu Fontes/AAN

O pequeno Alexsander Augusto Lopes tem apenas 2 anos, mas já conhece de perto a rotina dos serviços de pronto-atendimento de Campinas. Aos 2 meses, ele caiu da escada de casa e teve traumatismo craniano. Foram quatro dias na Unidade de Terapia Intensiva (UTI). O garoto não teve sequela, mas, como toda criança, ainda teima em dar sustos na mãe. Febre, dificuldades respiratórias, quedas e intoxicação são apenas alguns dos motivos da procura pelos serviços de urgência e emergência. Enquanto a ajuda especializada não chega, alguns procedimentos simples podem fazer a diferença no estado de saúde.

A insuficiência respiratória é a principal causa de atendimento de crianças nos hospitais de Campinas. Dos 250 atendimentos diários no Pronto-Socorro (PS) Infantil do Hospital Municipal Dr. Mário Gatti, 60% deles estão relacionados a insuficiências respiratórias. No PS infantil do Celso Pierro, a incidência chega a 80%. Em São Paulo, segundo a Secretaria de Estado da Saúde, foram quase 100 mil atendimentos de crianças de 0 a 12 por causa de problemas respiratórios.

De acordo com o pediatra intensivista e coordenador da UTI pediátrica do Hospital Vera Cruz e do Pronto-Socorro do Hospital Santa Tereza, Eduardo Grohmann, a maioria dos casos respiratórios estão relacionados a asmáticos não controlados. “A criança com asma precisa de acompanhamento pediátrico e medicamentoso porque o controle da doença é crônico. Muitas vezes os pais não fazem esse acompanhamento”, afirma.

Apesar dos números elevados da procura por urgência e emergência estarem relacionados às doenças respiratórias, são os acidentes, ou as lesões não intencionais, os grandes vilões da infância. Eles representam a principal causa de morte de crianças de 1 a 14 anos no Brasil, de acordo com o Ministério da Saúde. Entre as hospitalizações, as quedas são as primeiras no ranking, seguidas por queimaduras e choque elétricos. A principal orientação nesses casos é permanecer calmo e providenciar o socorro rápido. “Manter o raciocínio e a calma em situações de emergência é fundamental porque o desespero nunca resolve o problema”, diz Grohmann.

A mãe de Alexsander, Alexsandra Cristina Souza, conta que, quando viu o filho desmaiado por causa da queda, ficou nervosa, mas sabia que precisava controlar o desespero. “Só peguei os nossos documentos e fui com ele para o pronto-socorro. Sabia que o tempo era fundamental na ocasião e não podia me descontrolar emocionalmente.” Na conta das travessuras de Alexsander ainda consta uma queda na escola, que teve como consequência uma fratura no braço.

Gabriel Lopes Freitas, de  anos, também não fica para trás nas travessuras, mas, na última semana, febre e vômito roubaram o ânimo do menino.“Nesses casos, sempre procuro hidratar com água e sucos, além de dar a medicação recomendada pelo médico. Mas, quando a febre demora, procuro o hospital”, diz a mãe, Adriana de Lurdes Lopes Freitas, de 38 anos.

Intoxicações
As intoxicações também estão entre as principais causas de acidentes envolvendo crianças. No Centro de Controle de Intoxicações (CCI) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), maior referência da região, do total de 4.526 atendimentos, em 2009, 40% deles envolviam crianças com idades entre 1 e 14 anos. A primeira causa é de intoxicação por medicamentos, seguida por mordidas de animais peçonhentos, produtos químicos e raticidas.

O vice-coordenador do CCI Campinas e docente do Departamento de Pediatria da Faculdade de Ciências Médicas da Unicamp, Fábio Bucaretchi, explica que, quando a intoxicação é acidental, a gravidade costuma ser menor. Entretanto, dependendo do agente tóxico, pode deixar sequelas. “Em casos de intoxicação de criança, a primeira coisa que o responsável deve fazer é entrar em contato com o CCI. Muitas vezes, nem é necessário o deslocamento do paciente e as orientações podem ser seguidas em casa”, afirma. O médico ainda recomenda a jamais provocar o vômito e não oferecer leite, que, além de não ter serventia, ainda pode trazer complicações.

Prevenção
Em todos os casos, a prevenção é o melhor remédio, segundo os especialistas. “Os pais devem evitar deixar produtos tóxicos, como produtos de limpeza, soda cáustica ou medicação ao alcance do filho. Temos o caso de uma criança que achou que a medicação manipulada da mãe, sibutramina, era Tic-tac e teve um quadro grave de intoxicação profunda. Por isso, as substâncias tóxicas, principalmente aquelas com aparência de alimento, coloridas, ou colocadas em recipientes reaproveitados, devem ficar sempre distantes das crianças”, afirma. “As quedas e os traumas também podem ser evitados com a prevenção. Uso de capacetes, proteção em escadas e berço, cadeirinha no carro devem ser usados e podem salvar muitas vidas”, ressalta.

Algumas dicas para controlar a situação até buscar ajuda médica

TAUMATISMO CRANIANO - Se a criança apresentar sintomas como vômito, convulsão, alteração do comportamento, desmaio ou agitação extrema, leve-a imediatamente a um pronto-socorro. Em caso de pancadas mais leves, coloque gelo sobre o local para aliviar o hematoma. Se ela quiser dormir, deixe-a em observação. De hora em hora, nas quatro primeiras horas depois da pancada, ela deve ser despertada. Verifique se ela reconhece o local e as pessoas. Se estiver tudo bem, deixe-a dormir tranquilamente.

MORDIDA DE ANIMAIS - Em casos de mordida de animais, o ferimento deve ser lavado com água corrente e, em seguida, é necessário buscar ajuda médica em um posto de saúde ou hospital. A profilaxia de raiva também é feita no CCI Campinas. O médico vai avaliar a necessidade de vacina, que leva em conta a origem do animal, tamanho do ferimento, entre outros fatores.

CONVULSÃO - A primeira medida é proteger a cabeça da criança de traumas. Não tentar desenrolar a língua ou abrir sua boca nem oferecer medicação. Sem desespero, para evitar acidentes, a criança deve ser levada imediatamente ao pronto-socorro.

ENGASGAMENTO - É importante deixar a criança tossir para que ela elimine o que provocou o engasgamento. Se ela parar de tossir ou tiver perda de consciência, é importante agir rápido. Em recém-nascido ou até 2 anos, o adulto deve envolver o nariz e a boca e sugar uma vez. Se o objeto não sair, deve soprar para fornecer ar para a criança. As manobras só devem ser feitas enquanto não houver orientação de um médico ou socorrista. Na semana passada, a vida de um bebê de cinco dias foi salva pelas orientações passadas por telefone por uma policial. Ela orientou a família a deitar o bebê de bruços no colo, com a cabeça apoiada em uma das mãos, e, com a outra, em forma de concha, dar tapas firmes, porém, sem violência, nas costas para ajudar a criança cuspir o que engoliu. Essa manobra é usada para crianças até 2 anos. Nunca se deve usar o dedo ou qualquer outro objeto para forçar a criança a vomitar. Isso pode agravar a situação.

VÔMITO - A criança deve ficar em jejum total por uma hora. Depois desse período, pode receber líquidos de fácil digestão. Se o vômito persistir, o médico deve ser procurado.

INTOXICAÇÃO - Não provocar vômito nem oferecer leite. Observar o que a criança ingeriu, a quantidade, há quanto tempo ingeriu e a intencionalidade. Após isso, ligar imediatamente para o Centro de Controle de Intoxicação Campinas.

PARA PEDIR SOCORRO
O Centro de Controle de Intoxicação Campinas, que fica dentro do pronto-socorro do HC da Unicamp e funciona 24 horas, pode ser contactado pelo telefone (19) 3521-7555.

O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência de Campinas pode ser contactado pelo número 192.

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19/09/2011 08:22:16.000
A vida com Parkinson
foto: Érica Dezonne/AAN

Rigidez muscular, tremores nas mãos e perda de equilíbrio. Esses são apenas alguns dos sintomas apresentados pelos portadores de Parkinson, uma doença neurológica degenerativa que atinge aproximadamente 1% da população com mais de 60 anos, segundo dados do Ministério da Saúde. A cura para a doença ainda não foi encontrada. Entretanto, com o auxílio de medicamento, atividade física e o apoio da família é possível levar uma vida produtiva e muito perto do normal.

Segundo os especialistas, o Parkinson é a segunda doença neurodegenerativa em frequência, ficando atrás apenas do Alzheimer. “A causa não é conhecida, mas sabe-se que há uma degeneração de algumas áreas do cérebro, em especial da substância negra. A morte de neurônios nessa região leva a uma diminuição de uma substância chamada dopamina, que é fundamental no controle dos movimentos executados pelo corpo”, afirma a neurologista do Hospital de Clínicas (HC) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) Anelyssa D’Abreu.

O neurologista do Hospital Beneficência Portuguesa de Campinas, José Jorge Facure, explica que, apesar de a Doença de Parkinson ter causa desconhecida, seu aparecimento tem influência de fatores genéticos. “A resposta do porquê acontece a medicina ainda não tem. O que as pesquisas científicas têm demonstrado é que os fatores genéticos têm grande influência no aparecimento do Parkinson e que não se trata de uma doença hereditária”, afirma.

Além dos sinais e sintomas clássicos — o tremor em repouso, a lentificação dos movimentos, a rigidez e as alterações na postura —, nos últimos anos, segundo os especialistas, vem se prestando atenção ao sintomas não motores, como depressão, ansiedade, alterações de sono, alterações do olfato, dor e demência. “Esses sintomas comprometem a qualidade de vida do paciente, em especial em fases mais avançadas, e seu tratamento adequado faz muita diferença no dia a dia destes indivíduos”, afirma Anelyssa.

De forma geral, o diagnóstico é clínico. “Ele é feito com base nos sintomas relatados pelo paciente, nos achados do exame neurológico e na resposta à terapia dopaminérgica. Em alguns casos especiais, exames adicionais são realizados, como, por exemplo, a ressonância magnética”, explica a especialista.

Tratamento
Apesar de não ter cura, o tratamento adequado proporciona um grande alívio dos sintomas. “O tratamento é individualizado e leva em conta a idade, a gravidade dos sintomas e outros sintomas ou doenças que o paciente venha a ter. O tratamento inicial se faz com remédios, mas, em determinados pacientes, pode ser indicada a cirurgia”, afirma Anelyssa.

Segundo a neurologista, os estudos com drogas parecem apontar que pacientes tratados ainda nos estágios iniciais da doença, com drogas adequadas, evoluem de maneira mais satisfatória. “No entanto, como disse anteriormente, o tratamento é individualizado e deve levar em conta fatores específicos de cada paciente.”

Parkinsonianos se unem para enfrentar a doença

Em Campinas, um grupo de portadores de Parkinson decidiu se unir para enfrentar a doença. Há três anos, eles formaram a Associação Campinas Parkinson (ACP) e promovem reuniões todo terceiro sábado do mês para divulgar a doença, as novidades que surgem na área, além de compartilhar as experiências e os desafios diários.

O engenheiro mecânico e vice-presidente da entidade, sem fins lucrativos, Omar Abel Rodrigues, de 72 anos, tem o problema há 13 anos. “Tinha um leve tremor nas mãos, que com o tempo foi piorando até começar a minha via crúcis. Passei três anos buscando o diagnóstico até receber a confirmação”, conta.

Com medicação e o tratamento adequado, o engenheiro afirma que consegue levar uma vida relativamente normal. “Dentro dos limites que a doença impõe, sigo a minha vida normalmente. Faço pilates, alongamento, musculação e acupuntura. O melhor remédio para enfrentar o Parkinson é de graça e só depende da gente, é a prática de exercício físico”, diz.

A professora aposentada Íris Sena Castro Scarabucci, de 61 anos, recebeu o diagnóstico de Parkinson há nove anos de um ortopedista. “Fui a três neurologistas e fiquei em estado de choque quando tive a confirmação, mas fui à luta. Hoje, o meu maior problema ainda é a rigidez muscular. Pequenas ações, como calçar um sapato ou segurar um objeto, às vezes são um grande desafio, mas procuro não parar para não deixar a doença evoluir”, afirma. Além de exercício físico, hidroginástica e acompanhamento de uma fonoaudióloga, ela voltou a tocar violão depois do Parkinson.

Quando descobriu que tinha a doença, há 19 anos, Alcides Maiorino Filho, de 64 anos, precisou deixar o emprego em uma multinacional. “O Parkinson é uma doença que isola muito porque vai modificando o corpo e algumas pessoas têm vergonha e preferem se isolar”, afirma. Mas, do sofrimento, ele tirou uma vantagem. Descobriu o talento para as artes plásticas. “A minha grande terapia é fazer esculturas, tocar teclado e pintar”, diz.

Segundo Íris, Alcides Filho e Omar Rodrigues, além das dificuldades físicas que um portador de Parkinson enfrenta, o grande desafio é superar o preconceito e a falta de conhecimento das pessoas sobre a doença. Por causa disso, os membros da associação utilizam uma carteira de identidade informando que são portadores da doença e que não estão sob influência de álcool, como muitos pensam, segundo eles.

Entre as características do portador de Parkinson estão a instabilidade postural e a marcha prejudicada. O passo muitas vezes é curto e lento e o andar arrastado. Nos casos mais avançados, a pessoa aumenta a velocidade da marcha para não cair ou fica parado, com dificuldade para seguir a caminhada, dando a impressão de embriaguez. (IM/AAN)
 

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12/09/2011 08:47:39.000
Leite materno tem impacto positivo na adolescência
foto: Leandro Ferreira/AAN

Não é de hoje que os especialistas ressaltam os benefícios da amamentação de recém-nascidos em curto e longo prazo. Mas um estudo recente feito pelo pesquisador Enrique Garcia Antero, da Universidade de Granada, na Espanha, mostra que as vantagens do aleitamento exclusivo nos primeiros meses de vida vão além dos já conhecidos. De acordo com a pesquisa, os adolescentes amamentados ao nascer têm os músculos da perna mais fortes do que aqueles que receberam outro tipo de alimentação.

O objetivo do estudo, segundo o pesquisador, era examinar a associação entre o tempo de amamentação, a performance cardiorrespiratória e a força muscular durante a adolescência. Para isso, um total de 2.567 adolescentes, sendo 1.426 meninas, com idades entre 12 e 17 anos, participaram do estudo. Por meio de um questionário aplicado aos pais, o pesquisador recolheu informações sobre o tipo de alimentação que os seus filhos receberam ao nascer e a duração da amamentação exclusiva. Os adolescentes também foram submetidos a testes físicos para avaliação de uma série de habilidades, entre elas a capacidade aeróbica e a força muscular.

Os resultados do estudo foram publicados no The Journal of Nutrition e mostram que os adolescentes que receberam amamentação quando eram bebês por um período igual ou superior a seis meses tinham os músculos das pernas mais fortes do que aqueles que não receberam leite materno. E os adolescentes amamentados por mais tempo ainda tinham a força muscular das pernas ainda maior.

A ginecologista e obstetra Maria Aparecida Vancini confirma os resultados apresentados pelo estudo. “Um dos maiores benefícios do aleitamento materno é a garantia do desenvolvimento pleno, do ponto de vista físico e neurológico. Uma criança alimentada no peito vai ter menor chance de obesidade na vida adulta, a condição física vai ser melhor porque ela não desenvolverá grandes perfis de gordura e vai atingir na adolescência um melhor desenvolvimento cerebral. São benefícios que a pessoa vai levar para a vida inteira”, afirma.

A coordenadora do Departamento de Pediatria da Maternidade de Campinas, Maria Aparecida Zago Damas Garlipp, destacou outra série de vantagens proporcionadas pelo leite materno. “Ele fortalece o vínculo entre a mãe e o bebê, protege contra infecções do trato respiratório e gastrointestinal, promove melhora na musculatura, principalmente da parte da boca. Com isso, a criança tem maior facilidade na mastigação de alimentos sólidos e menor chance de falar errado, além de outros ganhos”, explica.

Para a pediatra Mariana Franceschini Falavina Grigoletto, há indícios fortes de que o aleitamento materno tenha substâncias que garantem uma boa performance na saúde como um todo. “Temos diversos estudos que comprovam a eficácia do aleitamento na prevenção de doenças crônicas, como hipertensão, diabete e obesidade”, afirma. Entretanto, a especialista afirma que ainda são necessários outros estudos para confirmar que o leite materno proporciona um aumento da força muscular. “Acredito que a pesquisa é válida e importante, porém, mais estudos devem ser feitos para avaliar outros fatores que precisam ser levados em conta, como peso ao nascimento, idade gestacional, condições de nascimento, meio ambiente em que a criança cresceu e o aspecto genético”, afirma.

Mulheres ‘descobrem’ benefícios do aleitamento

As mulheres amamentam mais e estão mais conscientes dos benefícios do aleitamento. É o que afirma a coordenadora do Departamento de Pediatria da Maternidade de Campinas, Maria Aparecida Garlipp. “Nos últimos dez anos, em função das campanhas e das informações veiculadas pela mídia, a disponibilidade das mulheres amamentarem aumentou muito. E o que a gente percebe é que, quanto maior o nível de escolaridade da mãe, maior a quantidade de informações que ela tem e disponibilidade para amamentação. Mas um fator que ainda é complicador para muitas delas é o tempo da licença maternidade, que na maioria dos casos é de quatro meses”, afirma.

Mesmo com toda a dificuldade de uma amamentação gemelar, a professora Ana Amália Ferreira Cremasco insistiu até onde pôde para garantir o aleitamento materno exclusivo nos seis primeiros meses de vida das filhas Manuela e Júlia, de 6 meses. “No início foi bem difícil porque elas não pegavam o bico e ficou muito machucado. Mas, na mesma semana, procurei orientação médica para continuar com a amamentação exclusiva até o tempo ideal de seis meses”, diz.

Com orientação, persistência e apoio da família, Ana Amália conseguiu alimentar as filhas apenas com o leite do peito por quase seis meses completos. “Resolvi insistir pensando no bem-estar delas e nos ganhos que a amamentação traz para criança ao longo da vida. Ganhos na saúde como um todo, prevenindo alergias e aumentando a quantidade de anticorpos, além do desenvolvimento cognitivo e motor. Tanto é que até hoje elas nunca ficaram doentes”, comemora Ana Amália. Há pouco tempo, a professora precisou voltar ao trabalho, mas ainda alimenta Manuela e Júlia com leite do peito três vezes por dia. (IM/AAN)

Fonte de saúde: Importância do leite materno

- Evita mortes infantis
- Evita diarreia
- Evita infecção respiratória
- Diminui o risco de alergias
- Diminui o risco de hipertensão, colesterol alto e diabete
- Reduz a chance de obesidade
- Garante a melhor nutrição
- Tem efeito positivo na inteligência
- Melhor desenvolvimento da cavidade bucal
- Protege contra o câncer de mama
- Evita nova gravidez
- Promove vínculo afetivo entre mãe e filho
- Melhora a qualidade de vida da família, uma vez que a criança adoece menos

Fonte: Ministério da Saúde

Saiba Mais

Segundo documento elaborado pelo Ministério da Saúde, há evidências de que o aleitamento materno também contribui para o desenvolvimento cognitivo. Essa vantagem foi observada em diferentes idades, inclusive em adultos. Os mecanismos envolvidos na possível associação entre aleitamento materno e melhor desenvolvimento cognitivo ainda não são totalmente conhecidos. Alguns defendem a presença de substâncias no leite materno que otimizam o desenvolvimento cerebral; outros acreditam que fatores comportamentais ligados ao ato de amamentar e à escolha do modo como alimentar a criança são os responsáveis.

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05/09/2011 08:09:55.000
Beber, comer, viver
foto: Dominique Torquato/AAN

O número de pessoas com mais de 60 anos no Brasil já ultrapassa 23 milhões, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A partir dessa idade, a preocupação com a alimentação e com a ingestão de líquidos deve ser redobrada para evitar problemas como a desidratação e a desnutrição. Isso porque, à medida que os anos passam, a quantidade de água no corpo diminui e o organismo deixa de absorver alguns nutrientes essenciais para manter a energia e a saúde.

A nutricionista clínica e pós-graduada em saúde e medicina geriátrica Joana Luisa Fernandes de Souza explica que a desnutrição é um estado de carência de nutrientes. “Ela é causada por uma alimentação inadequada ou desequilibrada, ou ainda por uma doença, levando ao comprometimento da saúde, que pode ir de uma infecção leve até a morte”, afirma. Segundo Joana, mesmo a desnutrição leve reduz as defesas do organismo, propiciando o aparecimento de doenças.

Um dos problemas que complica o processo de desnutrição no idoso é a mastigação deficiente nessa fase da vida. “A dentição de má qualidade ou ausente ou próteses dentárias mal ajustadas levam o indivíduo a escolher alimentos macios, com mais carboidratos e gorduras e pobres em nutrientes. A diminuição da salivação pela ausência de dentes ou pelo uso de fármacos, o uso de medicamentos que diminuem apetite ou causam náuseas, isolamento social ou depressão frequentemente levam um idoso a ficar desnutrido”, explica a geriatra Celene Queiroz Pinheiro de Oliveira.

Outro problema que ocorre com mais frequência em idosos é a desidratação, definida como a perda de líquidos do corpo. “À medida que os anos passam, a quantidade de água no nosso organismo diminui, principalmente associada à perda de massa muscular e função renal. Por isso, devemos ter especial cuidado com os idosos, pois a quantidade de água do corpo deles já se encontra reduzida”, afirma Joana. A desidratação mais comum é a perda de água com sais, que pode levar à hipovolemia, que é a redução do volume de sangue circulante.

A desidratação como parte integrante do processo de envelhecimento é complicada ainda mais por fatores como a ausência de sede. “Esse mecanismo é explicado por alterações anatômicas e funcionais do organismo. Outro problema que interfere no processo de desidratação é a interação droga- nutrientes, que deve ser levada em consideração tanto na desidratação quanto na desnutrição, pois alguns medicamentos diminuem a absorção de nutrientes”, diz Joana.

De acordo com a geriatra e gerontóloga Susete Marques Pereira, é preciso ficar de olho nos sintomas. “O paciente, tanto com desnutrição como desidratação, pode apresentar, entre outros sinais e sintomas, fraqueza, agitação, confusão mental, queda de cabelo, inchaço, perda de peso, redução da quantidade da urina, sonolência, indisposição, desânimo e aumento da frequência cardíaca”, afirma. Segundo a especialista, exames laboratoriais, entre outros, como hemograma e raio X de tórax, podem apontar o problema.

Mesmo cercada de cuidados da família, a aposentada Natália Pinto Bom Jardim, de 82 anos, portadora de Alzheimer, desenvolveu um quadro de desnutrição. “Antes, ela tomava o café da manhã e não sentia mais fome ao longo do dia. Só bem mais tarde ela fazia outra refeição. A gente tentava, mas não conseguia convencê-la a se alimentar mais vezes”, conta a filha Gercira Rezende dos Santos, de 58 anos.

Com o acompanhamento da nutricionista Maricilda Regina Pereira, do Centro de Referência à Saúde do Idoso de Campinas, Natália já teve melhoras no quadro de desnutrição, segundo a família. “Só depois que procuramos a orientação de um especialista entendemos o que estava acontecendo e passamos a agir da maneira correta. Ampliamos a variedade de alimentos. Ela agora come seis vezes por dia e em menor quantidade”, diz Gercira.

Segundo Celene, a desnutrição e desidratação podem ser evitadas com alguns cuidados. “Primeiro, um bom apoio familiar e social é fundamental. Também é importante que o idoso organize sua rotina, faça ingestão de alimentos palatáveis, nutritivos e frescos. Procurar o seu médico para controlar as condições de saúde gerais e um nutricionista para realizar as orientações em relação à dieta é fundamental”, afirma. “Mas, como é fácil de imaginar, a melhor forma de combater a desidratação e a desnutrição não é tratando delas, mas prevenindo seu aparecimento”, acrescenta Joana.

A comerciante Maura Fisae Honma Paschoa, de 67 anos, afirma que há 25 não recorre à farmácia. Segundo ela, o segredo para manter a saúde está no cuidado com a alimentação. “Hoje, trato tudo com alimentos e suplementos alimentares. Na minha mesa não faltam arroz integral, legumes orgânicos, verduras, frutas e peixes”, afirma. Maura diz que também não espera ter sede para beber água. “De hora em hora, procuro tomar água para não deixar o corpo sentir sede. Além disso, tomo bastante chá, leite de soja, e sucos. Quando a gente sente sede é porque o corpo está desidratando”, ensina.

Saúde na terceira idade

- Beber aproximadamente 2 litros de água por dia se não houver restrições do médico.
- Aumentar a ingestão de água em dias mais quentes.
- Fazer exercícios físicos desde que indicados pelo médico e acompanhados por profissional da área.
- Ingerir água antes, durante e depois do exercício físico.
- Comer frutas e hortaliças cruas, que são ricas em água e fibras. Essas últimas são importantes para o bom funcionamento do intestino e, com o intestino saudável, os nutrientes são melhor absorvidos.
- Fazer o prato o mais colorido possível, pois cada cor representa um grupo de nutrientes.
- Consumir grãos e sementes, pois, além de conter fibras, eles são ricos em proteínas e gorduras do bem.
- Consumir cereais integrais (aveia, arroz integral, trigo integral, germe de trigo, trigo em grão), que também contêm fibras e são ricos em vitaminas do Complexo B, importante nutriente nessa fase da vida e que se encontra baixo no idoso.
- Fazer uso de folhas verdes escuras, pois elas oferecem ácido fólico, vitamina A
e Complexo B, nutrientes muito importantes ao organismo em envelhecimento.
- Usar peixes e carnes magras, pois melhoram a saúde cardiovascular.
- Consumir pelo menos quatro porções de frutas ao dia, sendo uma de fruta cítrica, pois as frutas ajudam a envelhecer melhor, evitando radicais livres.
- Mastigar bem os alimentos e não comer com pressa, pois disso depende uma boa digestão e absorção de nutrientes.
- Fazer as refeições junto a amigos ou parentes.
- Ingerir fontes de cálcio, presente no leite e derivados, na sardinha, nos vegetais verdes escuros e no gergelim.
- Não se esquecer da vitamina D, tão importante e advinda da exposição ao sol nos horários da manhã (8h às 10h) e à tarde (após as 16h). Ela é importante para fixar o cálcio nos ossos.

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29/08/2011 08:26:52.000
Síndrome pesa na balança
foto: Leandro Ferreira/AAN

Um distúrbio comum que transforma a luta contra a balança numa tarefa árdua, porém necessária. Caracterizada como um conjunto de doenças que tem como base a resistência à insulina, a síndrome metabólica aumenta o risco de ataques cardíacos e acidentes vasculares cerebrais, conhecidos como derrames, além da diabete tipo 2. Para ser diagnosticado com o problema, o paciente precisa ser obeso e se enquadrar em duas das seguintes características: hipertensão, açúcar elevado no sangue, baixo nível de bom colesterol e índices elevados de ácidos graxos.

Na década de 80, o pesquisador americano Gerald Reaven observou que doenças frequentes como hipertensão, alterações na glicose e no colesterol estavam, muitas vezes, associadas à obesidade. Percebeu ainda que essas condições estavam unidas por algo comum, a resistência insulínica. A valorização da presença da síndrome se deu pela constatação de sua relação com doença cardiovascular. De acordo com a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, quando presente, a síndrome metabólica está relacionada a uma mortalidade até duas vezes maior que na população normal e mortalidade cardiovascular três vezes maior.

Segundo os especialistas, o principal sinal da síndrome metabólica, conhecida como Síndrome X, é o aumento da gordura abdominal. “O paciente com a síndrome ainda vai apresentar necessariamente pelo menos dois dos sintomas: HDL baixo, triglicerídeos alto, glicemia alta ou hipertensão”, explica o endocrinologista. De acordo com ele, o paciente com a síndrome pode apresentar presença de acantose nigricans, um espessamento da pele com maior pigmentação, principalmente no pescoço e axilas, determinado por excesso de insulina no corpo.

O chefe do serviço de endocrinologia da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Marcos Antônio Tambascia, explica que há predisposição genética para a síndrome metabólica. “Apesar de não levar sozinha à síndrome metabólica, a base do problema é a obesidade, determinada geneticamente”, afirma. Segundo ele, o estado de obesidade também dificulta a ação da insulina — hormônio produzido pelo pâncreas responsável por retirar a gordura do sangue e levá-lo às células sanguíneas — em algumas pessoas. “Tem gente que é obeso e não tem resistência à insulina, daí a base genética para a síndrome”, explica.

Por estar associada a maior número de eventos cardiovasculares, o médico cardiologista Sandro Vilela alerta para a importância do tratamento dos componentes do distúrbio. “É fundamental que seja adotado um estilo de vida saudável. E, como a obesidade é o fator que costuma precipitar o aparecimento da síndrome, dieta adequada e atividade física regular são as primeiras medidas necessárias para reverter o quadro. No caso de existirem fatores de risco de difícil controle, a intervenção com medicamentos se torna obrigatória”, orienta. Os especialistas recomendam ainda banir o cigarro.

O quiropata Valdemar Pereira, de 64 anos, já sofreu bastante com a síndrome. Com triglicérides, colesterol e peso altos, teve há dois anos um enfarte. “A barriga foi crescendo e não me dei conta, quando percebi já estava vestindo a numeração 54”, conta. Recuperado do susto, ele investe na prática de atividade física e na re-educação alimentar. Os resultados, segundo ele, foram imediatos. “Faço exercícios na água e tem sido muito bom. O colesterol diminuiu bastante, a diabete está oscilando um pouco entre 120 e 150 e acredito que vai abaixar mais à medida em que eu for reduzindo o peso e o diâmetro da cintura. Até o final do ano, volto para a numeração 46”, garante.

Adesão ao tratamento é um desafio

Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) apontam que apenas um sexto dos pacientes cumpre a receita prescrita pelo médico em todo o mundo. No caso da síndrome metabólica, também conhecida pela sigla SMet, cujo tratamento inclui pelo menos três medicamentos, a adesão se torna um desafio ainda maior. Trata-se de uma receita de custo elevado e que tem que ser cumprida na íntegra para o sucesso do tratamento.

Para ajudar nesse processo, a Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) e a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) trabalham em parceria em uma pesquisa inédita sobre o tratamento da síndrome, com apoio da indústria farmacêutica EMS.

A iniciativa busca, pela primeira vez no País, medir a prevalência da SMet na prática cariológica brasileira entre homens e mulheres na faixa etária entre 20 e 80 anos, tendo como expectativa alcançar uma amostra de 5 mil a 10 mil pacientes. Os dados da pesquisa servirão, ainda, para analisar a taxa de adesão, pelos cardiologistas brasileiros, às orientações de tratamento da síndrome — isto é, analisar o conhecimento e real aplicação médica dessas orientações —, inseridas na 1ª Diretriz Brasileira de Diagnóstico e Tratamento da Síndrome Metabólica da SBC. (IM/AAN)

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22/08/2011 08:30:41.000
Fase é de transição e prevenção
foto: César Rpdrigues/AAN

A mudança da fase reprodutiva da mulher para a não reprodutiva é marcada pela menopausa. A transição ocorre por volta dos 50 anos, quando há uma diminuição do principal hormônio feminino, o estrogênio. Nessa faixa etária, a menopausa invade a vida feminina e traz com ela desconfortos e mudanças fisiológicas, como irregularidade menstrual, calor excessivo e enfraquecimento ósseo. Em muitos casos, a reposição de nutrientes como o cálcio e a vitamina D é necessária para manter a estabilidade dos níveis de hormônios e prevenir doenças como a osteoporose.

O médico ginecologista André Arruda, do Hospital Vera Cruz, explica que as mulheres entram na menopausa entre 45 e 55 anos, entretanto existe a menopausa precoce, antes dos 45 anos de idade, e a menopausa tardia, após 55 anos. “Do ponto de vista fisiológico ocorre a diminuição do estrogênio ocasionada pela falência ovariana. Essa falência acontece de maneira gradativa, de acordo com a redução dos folículos ovarianos”, diz. Com a ovulação inadequada, ocorrem irregularidades menstruais causadas pela não produção da progesterona, caracterizando o período de climatério. “O diagnóstico clínico da menopausa é quando há a ausência de menstruação por um ano”, afirma.

Cerca de 90% das mulheres que entram na menopausa irão apresentar irregularidades menstruais e 70% experimentarão algum tipo de desconforto. Nessa fase, elas ainda apresentam a redução de nutrientes como o cálcio e vitaminas D. “O metabolismo do cálcio inicialmente se dá no intestino, onde ele (o cálcio) e fósforo são absorvidos por ação da vitamina D. Esta, por sua vez, é obtida a partir de dieta e é ativada na pele por ação da irradiação solar”, explica Arruda.

Fatores
Na menopausa, a falta de hormôn</IP>ios femininos, somada à deficiência desses nutrientes, favorece o aparecimento de doenças como osteopenia e osteoporose. “Quando a perda estrutural óssea está em um estágio inicial, denominamos tais alterações como osteopenia, mas quando ocorre uma grande perda estrutural o nome passa a ser osteoporose. Esse enfraquecimento estrutural dos ossos pode ter como consequência um aumento da probabilidade de fraturas”, define o reumatologista Humberto Sales e Silva.

Entre outros fatores que contribuem para o aparecimento da osteoporose na menopausa estão a diminuição da atividade física, idade, raça, sexo e herança genética. “Além desses fatores, temos os ambientais como tabagismo e alcoolismo", complementa Arruda.

Orientação médica
A orientação de um especialista é fundamental tanto na prevenção como no tratamento do problema. “Uma equipe multiprofissional pode contribuir, conscientizando o seu paciente dos riscos aos quais está exposto nesta fase da vida e quais ações preventivas devem ser tomadas, tais como: dieta balanceada e adaptada às necessidades particulares e a implementação de atividade física específica para cada caso, objetivando a prevenção das complicações, tais como: diabetes, hipertensão e osteoporose”, afirma o geriatra Carlos Augusto Reis Oliveira. “Tratar ou controlar as doenças já estabelecidas e evitar as complicações destas enfermidades como, por exemplo, as fraturas ósseas na osteoporose, são fundamentais para planejar uma velhice com independência e boa qualidade de vida”, complementa.

Médicos avaliam necessidade de suplementação medicamentosa

Os cuidados com uma nutrição adequada, e rica em cálcio, devem ser iniciados na infância e, posteriormente, em todas as fases da vida, principalmente na fase que antecede a menopausa. Os cuidados incluem uma dieta rica em derivados de leite e soja e também suplementação medicamentosa, quando houver indicação.

A coordenadora do Serviço de Nutrição e Dietética do Hospital Beneficência Portuguesa de Campinas, Sílvia Montagner, explica que o cálcio é um elemento fundamental ao organismo, porém não é produzido por ele mesmo, sendo adquirido por meio da ingestão diária de alimentos que o contêm.

A nutricionista lembra que o cálcio não consegue ser absorvido sem a vitamina D, que é sintetizada pela pele em resposta a exposição à luz solar. “O cálcio compete com o ferro, portanto é interessante deixar os alimentos ricos em cálcio para as refeições como desjejum e lanches e para o almoço e jantar, priorizar carnes que são ótimas fontes de ferro. Assim é possível garantir a absorção dos dois elementos” , explica. Ela alerta que a suplementação deve ser feita sempre com a orientação de um especialista. “Quando é feita acima dos valores recomendados contribui com a calcificação excessiva dos ossoss e falência renal", diz.

A técnica administrativa Cíntia Neves de Oliveira, de 40 anos, descobriu, em 2009, a carência de cálcio e a perda de massa óssea através do exames. Ela estava com osteopenia e já no ano seguinte evoluiu para osteoporose. “Mudei a rotina e a alimentação", conta. Por causa da idade, os médicos recomendaram um tratamento intensivo. "Como preciso parar de perder massa óssea, passei a consumir bastante leite e derivados, legumes escuros, como brócolis e couve, também tomo um suplemento específico para osteoporose e vitamina D para ajudar na absorção do cálcio", afirma. (IM/AAN)

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15/08/2011 09:04:40.000
Chegou aos 40? Ligue o alerta

Inaê Miranda
DA AGÊNCIA ANHANGUERA
inae.miranda@rac.com.br

Carreira a todo o vapor, alto nível de estresse, falta de tempo para atividade física e filhos em idade de transformação. Quanto maior a idade, maiores são as preocupações e o risco de doenças cardiovasculares, maiores causas de morte em todo o mundo. As principais vítimas são eles, os homens na chamada idade do lobo. Por isso, a partir dos 40 anos, a atenção com o coração deve ser redobrada. E o check-up é um aliado.

Os especialistas explicam que a preocupação com o risco cardíaco deve ser maior aos 40 porque existe uma relação linear entre idade e doença do coração. “Isso quer dizer que, quanto maior a idade, maior a chance de um indivíduo apresentar uma doença cardiovascular e, infelizmente, a incidência de doenças nessa faixa etária vem aumentando de maneira significativa. Atualmente, há um grande número de pessoas com idade até inferior a 40 anos que já são vítimas de enfarte agudo do miocário ou acidente vascular cerebral (derrame cerebral)”, afirma o cardiologista Augusto Terranova Rocha.

Além da idade, uma série de fatores pode aumentar os riscos de aparecimento das doenças do coração. “Os maiores deles são hipertensão arterial, tabagismo, colesterol alterado, triglicérides alterado, obesidade, diabete mellitus, vida sedentária, estresse excessivo e prolongado. Esses são os chamados riscos modificáveis, isto é, depende apenas do indivíduo mudar seu estilo de vida e, se necessário, fazer uso de medicação com supervisão médica”, alerta o cardiologista Carlos Roberto Fernandes.

A herança genética é outro fator que aumenta o risco das doenças cardíacas e não pode ser esquecida. “A herança genética de nossos pais não tem como ser modificada. Por isso, a ênfase ter que ser dada nos fatores que podem ser modificados e, infelizmente, a idade também não faz parte deles”, afirma Rocha.

O cardiologista Alessandro Franjotti Chagas destaca que o ideal é que a prevenção comece antes dos 40. “Para manter um coração saudável, já é recomendada uma prevenção primária desde a adolescência, com dieta balanceada, controle do peso e realização de atividade física frequente. Isso porque a doença aterosclerótica, que ocasiona o enfarte do miocárdio e significativa parcela dos acidentes vasculares cerebrais, pode iniciar já na adolescência e, em algumas pessoas, até mais precocemente”, explica. Herança genética, idade e alto nível de estresse. A soma dos fatores levou o advogado Valmir Trivelato, de 41 anos, a uma mesa de cirurgia há um ano para implantação de duas pontes mamárias e uma ponte de safena. “O meu problema era assintomático, mas eu tinha histórico familiar muito forte. O meu pai morreu por causa de problemas cardíacos e os meus tios também apresentaram o problema”, conta.

O diagnóstico de obstrução das artérias e da necessidade de cirurgia vascular de Trivelato veio aos 40 anos. “Fiz alguns procedimentos e foram detectadas alterações no exame ergométrico. Em seguida, fiz um cateterismo e outros exames para confirmar. O resultado foi que eu estava com cerca de 85% de pontos de obstrução em artérias importantes que irrigam o coração”, lembra. O susto, segundo Trivelato, foi inevitável. Sabia que tinha o risco, mas nunca acreditava que ia acontecer comigo.
A cirurgia mexeu muito com o meu emocional, mas hoje estou bem e sigo à risca as recomendações médicas. Faço dieta alimentar, exercícios físicos e tomo as medicações”, afirma.

Check-up, um bom aliado na prevenção

Como nunca é tarde para dar início à prevenção, os especialistas recomendam aos homens de 40 anos a começar por um check-up. “Ele inclui uma cuidadosa anamnese — questionário sobre a história clínica — e o exame físico do paciente, no qual o médico deve atentar para avaliação do seu peso, pressão arterial, circunferência abdominal, entre outros. De forma complementar, devem ser realizados exames laboratoriais que incluem glicemia, colesterol e suas frações, triglicérides, entre outros. Exames complementares específicos para avaliar o coração também podem ser realizados. Entretanto, deve ser individualizada a necessidade de cada paciente”, afirma o cardiologista Alessandro Franjotti Chagas.

Controlar o estresse e realizar atividade física com uma frequência de pelo menos quatro vezes por semana também pode ajudar a evitar uma doença cardiovascular. “Contudo, só é recomendada realização de atividade física em pessoas que já realizaram avaliação cardiológica prévia. Nos que não realizaram, a caminhada seria o mais recomendado. Isso se deve ao fato de alguns indivíduos já terem uma doença cardíaca, às vezes grave e assintomática. Nessa situação, o exercício físico, principalmente o semanal e mais intenso, pode trazer risco à vida do paciente”, orienta Chagas. O cardiologista Carlos Roberto Fernandes destaca ainda a importância da conscientização.

“A incidência das doenças cardiovasculares no mundo inteiro é alta e as pessoas devem valorizar mais a saúde e não achar que as doenças só acontecem com as outras pessoas.

De nada adianta essa vida estressante e descuidada porque essas doenças podem acabar com todos os sonhos de uma pessoa ou de uma família. Está comprovado que, na maioria das vezes, elas acontecem por descuido e negligência, principalmente do sexo masculino, avesso aos exames e à ida ao médico”, ressalta. (IM/AAN)

 

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08/08/2011 08:50:20.000
A doença da mulher moderna
foto: Augusto de Paiva/AAN

Inaê Miranda
DA AGÊNCIA ANHANGUERA
inae.miranda@rac.com.br

Pouco conhecida há alguns anos, a endometriose é considerada hoje a doença da mulher moderna. Estudos recentes apontam a influência de fatores ambientais como estresse e poluição entre as causas do distúrbio, que atinge pelo menos 10% das mulheres em fase reprodutiva. A doença surge quando partes do endométrio — localizado normalmente dentro do útero — aparecem em outros locais, como ovário e bexiga. Alguns dos sintomas mais comuns são cólicas menstruais fortes e dificuldade para engravidar. Entretanto, o diagnóstico precoce e o tratamento adequado permitem que a mulher leve uma vida normal e livre das dores.

Dentro do útero de toda mulher, há uma camada chamada endométrio. Ela é eliminada na forma de sangramento e tecido durante a menstruação. Muitas vezes, esse tecido que está dentro do útero vai para outros locais através das tubas uterinas, como ovário, bexiga e intestino. “A mulher normal também pode apresentar o desvio, mas, na mulher com endometriose, ele está associado a alterações imunológicas. Nesse caso, o tecido é capaz de se implantar e de se manter vivo, provocando as dores e outras consequências”, explica o diretor médico responsável pelo Centro de Reprodução Humana de Campinas, Daniel Faúndes.

As causas da doença ainda não foram totalmente desvendadas pelos pesquisadores, mas já se sabe que o problema acomete mais as mulheres submetidas a um ritmo de vida agitado. “A endometriose tem muito a ver com a qualidade de vida. As mulheres ansiosas, agitadas e estressadas costumam apresentar mais o problema. Por isso, é chamada doença da mulher moderna”, explica o especialista em reprodução humana Carlos Alberto Petta. De acordo com ele, a estimativa é de que 10% e 15% das mulheres em idade fértil, que ainda menstruam, tenham o distúrbio, o que corresponde a cerca de 6 milhões de brasileiras.

Sintomas
Dois dos principais sintomas da endometriose são dores e dificuldade para engravidar. “Pelo menos 80% das mulheres com o distúrbio apresentam dores. E são muito comuns as cólicas menstruais fortes, dor na relação sexual, dor pélvica crônica, além da dificuldade para engravidar. Aliás, a endometriose é umas das principais causas de infertilidade na mulher”, ressalta Petta.

De acordo com Faúndes, dependendo da extensão, da localização e do número de focos, a endometriose pode ter várias intensidades. “É considerada grau um e dois quando há poucas lesões e ausência de nódulos. Quando há presença de cistos no ovário, é considerado grau três. No grau mais avançado, o quatro, a endometriose alcança a bexiga, intestino ou outro local fora da pelve da mulher. Daí a importância de dar início precoce ao tratamento para não se chegar ao grau mais elevado”, diz.

Para fazer o diagnóstico definitivo e tratar a endometriose, recorre-se à laparoscopia, que permite visualizar, a partir de pequenas incisões, os pontos afetados e fazer as intervenções necessárias. Segundo os especialistas, a doença não tem cura, mas pode ser controlada. “O tratamento pode ser clínico ou cirúrgico. Mas a vida da mulher deve ser vista como um todo pelo profissional.

É importante que ela seja orientada a diminuir a ansiedade, a fazer exercícios, ingerir muita água e realizar atividades que contribuam com o seu bem-estar geral. Com esses passos, é possível levar uma vida sem dores ou indisposições”, afirma Petta.

Investigação de infertilidade leva ao diagnóstico

A estimativa dos especialistas é que 50% das mulheres atingidas pela endometriose têm dificuldade para engravidar. Muitas delas só descobrem a doença quando investigam uma possível infertilidade. É o caso da fonoaudióloga Elaine Cristina Di Blasio, de 6 anos. “Nunca tive dor ou qualquer outro sintoma. Mas, em 2008, decidi que queria ter um filho e passei 11 meses tentando sem sucesso. Procurei ajuda médica e fiz vários exames que não apresentavam nenhuma alteração”, afirma. Depois de procurar ajuda especializada em reprodução humana, Elaine recebeu o diagnóstico da doença. “O médico viu que eu estava com oclusão das duas trompas por causa da endometriose”, diz. Com a laparoscopia e três tentativas de fertilização in vitro, Elaine conseguiu realizar o sonho de ser mãe há dois meses. “A gravidez foi supernormal e tranquila. Se eu não procurasse ajuda no momento certo, não estaria com a minha filha, Maria Clara”, conta.

O diagnóstico precoce é fundamental para a mulher que deseja ser mãe. A dificuldade para engravidar pode ser contornada. Mas, quando a gente fala de dificuldade para engravidar, de maneira geral, é importante que a mulher não perca tempo. E, se ela tem endometriose, é importante que procure um médico rápido, porque é a soma de mais um problema”, afirma Carlos Alberto Petta. (IM/AAN)

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01/08/2011 09:46:09.000
Dias frios aumentam sensibilidade à dor
foto: Carlos Sousa Ramos/AAN

Apesar dos poucos estudos sobre o impacto do frio no organismo, é fato que as queixas de dores nas articulações e músculos aumentam nos dias mais gelados do ano. Uma das possíveis causas da maior sensibilidade à dor é que a necessidade de aquecimento da musculatura provoca uma contração e torna algumas partes do corpo doloridas. A recomendação para enfrentar o Inverno livre da dor é não economizar nos agasalhos.

Os especialistas afirmam que, com as baixas temperaturas, a própria circulação sanguínea acontece com maior dificuldade. “O nosso corpo é uma máquina relativamente perfeita e está preparado para enfrentar as variações climáticas. Entretanto, quando a mudança é brusca, não dá tempo do cérebro fazer as adaptações. Por isso, nos primeiros dias do Inverno, a gente sente muito frio e só com o passar dos dias o nosso organismo consegue se adaptar”, diz Humberto Sales e Silva, médico reumatologista especialista em coluna.

Silva explica que o frio é um agente contraturante. “Ele é um agravante da dor, porque a necessidade de aquecimento da musculatura provoca uma contração que, por sua vez, comprime os nervos, tornando algumas partes do corpo doloridas. Às vezes, a pessoa nem tem dores crônicas, mas com o frio passa a sentir”, afirma. As pessoas com mais idade estão entre as que mais sofrem na estação. “Elas, normalmente, têm os seus movimentos limitados e com o frio se movimentam menos ainda por causa do aumento da dor”, diz o especialista.

Além dos idosos, pacientes com alguns tipos de doenças crônicas têm maior sensibilidade ao problema. “As doenças que acometem as articulações e os músculos são frequentemente agravadas nesse período, entre elas as orteoartrites ou orteoartroses, gota, artrite, além de distúrbios da coluna e outros problemas relacionados à menor circulação em função do frio”, afirma. Segundo Silva, as cãimbras e formigamentos também aparecem com mais frequência no frio.

Estudos
O professor doutor de reumatologia da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) Ibsen Bellini Coimbra afirma que as queixas do aumento de dores no Inverno são realmente maiores, mas as comprovações científicas ainda são baixas para alguns casos. “Desde os anos 80, diferentes estudos têm sido realizados e apenas um dos mais recentes, feito no Canadá, apontou uma tendência de que a baixa temperatura e umidade relativa do ar mais alta poderiam piorar os sintomas de dor em pacientes com doenças reumáticas, especialmente artrose”, explica.

Pacientes com doenças associadas ao Fenômeno de Raynaud — caracterizado pela vasoconstrição de pequenas artérias e extremidades roxas —, como doença reumática sistêmica e lúpus eritematoso sistêmico, também sentem mais dores com o frio. “O roxeamento dos dedos piora e faz com que doa. Por isso, a gente recomenda que eles usem luvas para evitar que a dor piore nos dias mais frios”, afirma.

O empresário Oscar Jorge Berggren, de 62 anos, sofreu com dores na coluna por mais de 40 anos. Hoje, ele diz estar curado, mas, quando o Inverno chega, é quase sempre acompanhado do fantasma da dor, que havia deixado no passado. “Já passei por mais de 120 médicos em busca de cura para o desalinhamento que tinha na coluna. Encontrei um médico que conseguiu resolver o meu problema, mas, durante o frio, não consigo escapar da dor”, diz.

Para minimizar o problema, Berggren toma algumas medidas. “Procuro usar roupas que me protejam mais do frio, durmo sempre bem agasalhado, já saio do banho trocado para não pegar a friagem e sempre evito me expor às variações da temperatura”, conta.

Em caso de dor, o paciente não deve deixar de buscar a orientação de um especialista. “Apenas o médico vai descobrir a verdadeira causa da dor e poder indicar o tratamento correto. A automedicação é sempre um erro e pode esconder ou agravar algum problema”, alerta Silva.

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25/07/2011 08:34:56.000
Estresse desencadeia transtornos
foto: Érica Dezonne/AAN

Desânimo, apatia, irritabilidade, tristeza e mau-humor, sentimentos muito comuns para grande parte das pessoas, mas que até pouco tempo eram vistos com grande preconceito, estão sendo cada vez mais levados a sério. Com maior acesso a informação e aos meios de comunicação, as pessoas têm aprendido que esses males, quando demoram a desaparecer, podem ser doenças. Que necessitam de tratamento e, o principal, têm cura.

Diferente da tristeza ou melancolia, sentimentos que, em geral, são decorrentes de um estímulo externo, como a perda de um ente querido, e são de curta duração, essas doenças são considerados transtornos do humor, também conhecidos como doenças afetivas (depressão, transtorno bipolar, ansiedade e etc), caracterizadas por alterações patológicas do humor que pode variar desde uma extrema euforia até uma grave depressão.

Muitas evidências apontadas por especialistas mostram alterações químicas no cérebro do indivíduo deprimido, principalmente com relação aos neurotransmissores, substâncias que transmitem impulsos nervosos entre as células. E essas alterações podem ser genéticas. “Essas doenças são muito complexas e têm grande influência por fatores biológicos e genéticos, mas eles não são determinantes. Na verdade, metade das pessoas com pré-disposição nunca apresentarão qualquer tipo de sintoma”, afirma o psiquiatra e professor da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), Acioly Lacerda. De acordo com o especialista, a maioria dos casos acontece entre os 15 e 30 anos, mas há também registros, em menor escala, na infância, a partir dos cinco anos e na terceira idade, após os 65 anos.

“Essas doenças interferem na maneira como as pessoas levam a vida, em suas relações e no modo de viver”, diz a psiquiatra Sueli Cabral Rathsam. Ela explica que, além da alteração genética de alguns pacientes que apresentam alguma dessas doenças, fatores ambientais também podem desencadear quadros de alteração de humor. “Nos dias atuais, as pessoas estão sob constante pressão e estresse e isso pode levar a quadros crônicos. Por isso, é importante estar alerta aos sintomas, porque em todos os casos as pessoas devem procurar um tratamento e poderão levar uma vida normal, com menos sofrimento.”

De acordo com o Ministério da Saúde, aproximadamente 19% da população têm depressão. O equivalente a uma em cada cinco pessoas no mundo apresentam o problema em algum momento da vida. E, com avanço da ciência, muitos tratamentos estão disponíveis aos pacientes. “Além de diferentes medicamentos, há também intervenções como terapias que reeducam o processo cognitivo das pessoas”, diz Lacerda. Um outra alternativa, mais recente, e apontada pela psiquiatra Sueli, é um tratamento não medicamentoso, à base de estímulos magnéticos cranianos. “É um método eficiente para quem não se adequa aos remédios ou têm sensibilidade aos efeitos colaterais das drogas”, explica. Alguns pacientes precisam de tratamento de manutenção ou preventivo, que pode levar anos ou a vida inteira, para evitar o aparecimento de novos episódios.

Consulta de rotina detecta problema

Quando tinha 17 anos, o jovem R.P. foi a uma consulta de rotina em um clínico geral e lá descobriu que seu desânimo poderia ser, na verdade, depressão. Diante dos sintomas e do seu histórico de problemas sociais como ansiedade, insegurança e instabilidade emocional, o médico indicou uma medicação que o rapaz tomou por um tempo, mas, com o desaparecimento dos sintomas, deixou o tratamento de lado e não deu mais atenção ao assunto. Três anos depois, um episódio mais grave da doença fez com ele voltasse, às pressas, ao consultório. “Eu tive um surto, tentei acabar com minha vida e descobri que estava com síndrome do pânico”, conta. A partir de então, ele passou a cuidar da doença com mais rigor. Continua com os medicamentos, faz terapia e sente que está em processo de cura. “Com o tempo, o médico me diagnosticou como bipolar. Hoje, tendo consciência da minha doença, aprendi a lidar com ela, enfrentei meus medos e estou seguindo em frente. Alguns dias não são bons, mas isso acontece com todo mundo.”(LS/AAN)

Saiba mais: Principais sintomas de depressão

- Humor depressivo ou irritabilidade, ansiedade e angústia.
- Desânimo, cansaço fácil, necessidade de maior esforço para fazer as coisas.
- Diminuição ou incapacidade de sentir alegria e prazer em atividades anteriormente consideradas agradáveis.
- Desinteresse, falta de motivação e apatia, ou falta de vontade e indecisão.
- Sentimentos de medo, insegurança, desespero, desamparo e vazio.
- Pessimismo, ideias frequentes e desproporcionais de culpa, baixa autoestima, sensação de falta de sentido na vida, inutilidade, ruína, fracasso, doença ou morte. A pessoa pode desejar morrer.
- Interpretação distorcida e negativa da realidade: tudo é visto sob a ótica depressiva, um tom cinzento para si, os outros e seu mundo.
- Dificuldade de concentração, raciocínio mais lento e esquecimento.
- Diminuição do desempenho sexual (pode até manter atividade sexual, mas sem a conotação prazerosa habitual) e da libido.
- Perda ou aumento do apetite e do peso; insônia (dificuldade de conciliar o sono, múltiplos despertares ou sensação de sono), despertar matinal precoce (geralmente duas horas antes do horário habitual) ou, menos frequentemente, aumento do sono (dorme demais e mesmo assim fica com sono a maior parte do tempo).
- Dores e outros sintomas físicos não justificados por problemas médicos, como dores de barriga, má digestão, azia, diarreia, constipação, flatulência, tensão na nuca e nos ombros, dor de cabeça ou no corpo, sensação de corpo pesado ou de pressão no peito, entre outros.

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18/07/2011 08:19:23.000
De olho nos níveis de colesterol

Lilian de Souza
Da Agência Anhanguera
lilian.bogaz@rac.com.br

Apesar de necessário ao organismo, já que é responsável pela produção de hormônios e algumas vitaminas, o colesterol, quando acima dos níveis estabelecidos como saudáveis (200ml para cada 100ml de sangue), aumenta substancialmente o risco de doenças cardiovasculares. Segundo informações da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) e da Sociedade Brasileira de Climatério (Sobrac), as doenças cardiovasculares ocupam, no Brasil, o primeiro lugar entre as causas de mortalidade da população brasileira desde a década de 60. E o colesterol elevado é um dos principais fatores responsáveis pelo seu desenvolvimento.

Existem dois tipos de colesterol no sangue. O HDL, chamado de “colesterol bom”, que traz benefícios à saúde ao retirar o excesso de gordura das artérias e, assim, impedir o acúmulo e a formação da placa de obstrução, e o colesterol LDL, que é ruim, pois pode se depositar nas artérias e provocar o entupimento das vias, o que provoca o enfarte do miocárdio e o derrame cerebral.
Para grande parte das pessoas, os altos níveis de colesterol são comumente relacionados à obesidade. Mas, de acordo com especialistas, não é o sobrepeso o único causador do problema. “Na verdade, mesmo quem é magro pode estar com taxas elevadas. O problema está ligado mais à pré-disposição genética e ao estilo de vida do que ao peso, propriamente”, explica o médico cardiologista Oswaldo Riguetti.

É o caso da jovem Priscilla Fidalgo. Apesar de manter uma dieta equilibrada — em que dá preferência à frutas, legumes e verduras —, buscar sempre que possível praticar algum tipo de atividade física e estar com o peso adequado para sua estatura, a moça, de 24 anos, descobriu que estava com altos níveis de colesterol em março deste ano. As taxas estavam em 289. “Tentava fazer tudo direitinho para me manter saudável e tive essa desagradável surpresa. Segundo o médico, o meu caso provavelmente se deve à genética.”
Desde então, Priscilla precisa do apoio dos medicamentos para manter o colesterol controlado.

Segundo Riguetti, nos casos em que os pais têm colesterol alto, a probabilidade dos filhos herdarem o problema é muito grande. “Mesmo que a pessoa tenha hábitos saudáveis, a condição genética é muito forte e pode prevalecer. Por isso, nesses casos, e especialmente em famílias com histórico de doenças cardiovasculares, é recomendável começar a investigação dos quadros bem cedo, ainda na infância”, afirma. E, com o resultado dos exames, os médicos podem estabelecer qual o grau de risco de cada pessoa. “Nos casos de risco moderado ou alto, é preciso que a pessoa passe a ser medicada imediatamente.”

Apesar da condição genética ter grande influência nos níveis de colesterol no sangue, quem se submete a uma dieta inadequada também pode ter problemas. “Uma alimentação rica em gorduras, à base de produtos industrializados, somada à uma vida sedentária, também aumenta as chances de aumentar os níveis de colesterol no sangue e o risco de ter alguma doença. E, claro, a pessoa também vai engordar”, diz o cardiologista Sandro Vilella.

Além disso, outros hábitos podem agravar o quadro. “Se os altos índices de colesterol forem combinados com outras doenças, como hipertensão, diabete e, especialmente, o tabagismo, aumenta muito o risco de ter algum grave problema”, afirma o especialista Riguetti.
De acordo com o Ministério da Saúde, apesar dos tratamentos e dos medicamentos para controlar o colesterol alto, a aterosclerose (doença provocada pelo colesterol alto que leva ao desenvolvimento de problemas cardiovasculares) só melhora com uma mudança significativa no estilo de vida. É preciso reduzir o estresse, praticar exercícios físicos, manter a pressão arterial estável e o peso sob controle. Além disso, as pessoas que têm diabete e fumam devem ficar mais atentas.

Prevenção

Cuidados com a alimentação que podem auxiliar na prevenção do colesterol alto

Comer mais frutas e vegetais.

Comer mais peixe grelhado ou assado e menos carnes fritas.

Comer uma boa variedade de alimentos ricos em fibras, como aveia, pães integrais e maçãs. As fibras ajudam a reduzir as taxas de colesterol.

Limitar a ingestão de gorduras saturadas, como as de derivados de leite.

Utilizar derivados de leite pobres em gordura, leite desnatado, iogurte desnatado e sorvetes light.

Limitar os alimentos ricos em colesterol, como gema de ovo e fígado.

Evitar frituras.

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11/07/2011 09:58:04.000
Tabu, o maior inimigo da próstata
foto: Carlos Sousa Ramos/AAN

Inaê Miranda
Da Agência Anhanguera
inae.miranda@rac.com.br

Dores, sangramento e jato urinário fraco. Mais cedo ou mais tarde, a próstata, ignorada por boa parte dos homens, dá sinais de que existe sim e merece muita atenção. Dados do Instituto Nacional do Câncer (Inca) apontam que o câncer de próstata é o segundo mais comum entre os homens brasileiros. Entretanto, essa não é a única doença que atinge a glândula. E a arma contra todas elas é o diagnóstico precoce. Por isso, sai na frente quem não espera os sintomas aparecerem para procurar um especialista.

O urologista André Luiz Oliveira explica que a próstata é uma glândula que pesa aproximadamente 15 gramas e tem como função nutrir e produzir o líquido seminal, que transporta os espermatozoides produzidos nos testículos. “E, por estar tão próxima à bexiga e à uretra, a próstata pode apresentar sintomas indesejáveis para o homem, principalmente quando aumenta de tamanho, inflama ou mesmo quando desenvolve um câncer”, afirma.

Os especialistas explicam que depois dos 40 é comum que haja um crescimento benigno da próstata, chamado de hiperplasia benigna. “Se esse crescimento for mais acentuado, a próstata pode começar a obstruir o canal da urina e o paciente poderá ter queixas urinárias, como demora em iniciar a micção, jato urinário fino e fraco, vontade de ir ao banheiro inúmeras vezes, gotejamento de urina após a micção e necessidade de levantar à noite várias vezes para urinar”, explica Oliveira.

Segundo os especialistas, cerca de 25% dos homens vão ter que tratar da hiperplasia um dia. Para a hiperplasia benigna da próstata, inicialmente, o urologista pode optar por tratamento medicamento via oral. “Caso não haja uma boa resposta, discute-se a possibilidade de se realizar uma cirurgia, sendo a mais comum a ressecção endoscópica da próstata, que serve para raspar a próstata, através do canal da urina e facilitar uma melhor micção ao paciente”, afirma Oliveira.

De acordo com o Inca, a incidência de câncer também é alta entre os homens brasileiros e está atrás apenas do câncer de pele não melanoma, com a estimativa de mais de 52 mil casos novos no ano. “O câncer é uma doença silenciosa que aparece sem apresentar sintomas clássicos. Por isso, são importantes os exames periódicos, que consistem no toque retal e PSA, que é um exame de sangue simples”, afirma o médico Wilmar Azal Júnior, especialista pela Sociedade Brasileira de Urologia. Com o decorrer do tempo e agravamento, o paciente com câncer pode apresentar queixas urinárias e confundir com a hiperplasia benigna da próstata.

Os tratamentos indicados para o câncer de próstata são a cirurgia ou radioterapia. Se detectado no início, uma opção com grande chances de cura é a prostatectomia radical, cirurgia que retira toda a próstata e as vesículas seminais. “A tecnologia tem avançado muito em relação às cirurgias para câncer de próstata. As opções vão desde a cirurgia convencional, à cirurgia por laparoscopia ou mesmo cirurgia guiada por robô. O tratamento para o câncer de próstata tem que ser discutido muito com o paciente e seus familiares”, afirma Oliveira.

Outro problema que atinge a próstata com bastante frequência é a prostatite, uma inflamação da glândula prostática. Oliveira explica que, nesse caso, nem sempre a próstata terá o seu tamanho aumentado. “O paciente pode ter sintomas irritativos e obstrutivos e, geralmente, podem vir associados à febre, peso e desconforto no baixo ventre. O paciente também pode ter dor durante a ejaculação. Segundo Wilmar Júnior, homens jovens e mais velhos podem apresentar o problema. “No jovem, a prostatite está mais associada à doença sexualmente transmissível e, no homem de mais idade, à infecção urinária”, afirma. Nas duas situações, o tratamento é feito com medicação, especialmente antibióticos.

Em todos os casos de doenças da próstata, o tratamento terá um resultado mais efetivo quando o diagnóstico for feito precocemente por meio do toque retal e do PSA. Segundo os especialistas, os dois exames se complementam e devem ser feitos por todo homem anualmente depois dos 45. “Quando existir um antecedente familiar, ou um caso de câncer em parentes de primeiro grau, é importante que o homem inicie a sua avaliação anual aos 40 anos. Dessa forma, o urologista terá a oportunidade de detectar um câncer ou outros problemas precocemente e orientar o tratamento. O resultado será bem mais eficaz e com chances efetivas de cura”, explica Wilmar Júnior.


Diagnóstico precoce ainda esbarra no preconceito

O preconceito e a demora em procurar um urologista ainda são os maiores obstáculos na prevenção e diagnóstico precoce de doenças da próstata. O comerciário aposentado Arlindo Dallécio, de 80 anos, só procurou um urologista aos 63 anos, quando começou a apresentar sintomas. “Passei a ter dificuldades para urinar e fui aconselhado pelos familiares e amigos a procurar um especialista. Eu tinha um pouco de preconceito e resisti no começo, mas fui e não me arrependo”, conta.

Depois de algumas visitas ao urologista, veio o diagnóstico de câncer de próstata. “Comecei a fazer os exames todos os anos e em um deles apareceu uma alteração. O PSA estava alto e precisei fazer uma biopsia que constatou o adenocarcinoma”, lembra.

Após o tratamento intensivo com radioterapia, Dallécio conseguiu se recuperar. Agora, além das visitas ao urologista, ele incentiva os filhos e amigos a procurarem o médico. “Tenho um DVD que recebi de um urologista que fala sobre o problema e a importância de um acompanhamento antes do aparecimento dos sintomas”, diz.

Os especialistas afirmam que o preconceito em procurar o urologista por causa do toque retal ainda existe, mas é menor. “Felizmente, a população tem se conscientizado da importância do exame da próstata e, após os 45 anos, os homens têm comparecido ao especialista. E aqueles que comparecem e já se submeteram ao toque aceitam repetí-lo anualmente”, afirma o urologista André Luiz Oliveira.
“Com a ajuda da mídia, que divulga bem o problema, e de personalidades que assumem que tiveram câncer de próstata e incentivam as pessoas a procurar um especialista, o tabu e a resistência estão diminuindo bastante”, completa o especialista Wilmar Azal Júnior.

FIQUE DE OLHO: Sintomas de problemas na próstata

- Demora em urinar
- Gotejamento no final da micção
- Jatos de urina interrompidos ou fracos
- Dor ao urinar
- Necessidade de urinar mais vezes durante o dia ou à noite
- Sangramento
- Dor óssea

EXAMES PREVENTIVOS

TOQUE RETAL - Avalia a consistência da próstata. É importante e deve ser feito pelo urologista.

EXAME DE SANGUE - O PSA (antígeno específico prostático) é uma proteína produzida pela próstata e que pode se elevar muito no caso de câncer de próstata. Também aparece elevado quando há um crescimento benigno ou uma infecção da próstata.

ULTRASSOM OU ECOGRAFIA TRANSRETAL DA PRÓSTATA - Serve para avaliar quando há uma suspeita de qualquer anormalidade, ou no toque ou no aumento do PSA. Quando há uma suspeita de câncer de próstata também é feita uma biópsia de próstata guiada pela ecografia transretal.

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04/07/2011 08:26:35.000
Exercícios na dose certa
foto: Edu Fontes/AAN

É no período das férias escolares que pais e filhos aproveitam o tempo livre para se divertir e praticar esportes em família. Com as crianças em casa, os adultos abusam da criatividade para inventar jogos e brincadeiras para ocupar os dias de folga. E, apesar de serem indispensáveis para garantir a saúde e a qualidade de vida de jovens e adultos, qualquer pessoa que pratica exercício está em risco potencial de sofrer uma lesão esportiva. Por isso, é preciso cuidado.

Fazer aquecimentos e alongamentos antes de iniciar a atividade e usar sapatos adequados podem ajudar a evitar problemas como torções, contusões e dores. “A
maior parte das lesões são decorrentes de quedas, especialmente entre crianças e adolescentes. Depois, vêm entorces de tornozelo e joelho, e isso pode acontecer em qualquer idade”, diz o médico Wilson de Mello, especialista em traumatologia e cirurgia de joelho. As lesões normalmente acontecem em razão de métodos inadequados de treinamento e alterações estruturais que sobrecarregam mais determinadas partes do corpo do que outras, de forma prejudicial.

No Brasil, o País do futebol, esse é o esporte que mais leva pacientes aos hospitais e consultórios médicos, especialmente os “atletas de fim de semana”, que não praticam exercícios físicos com regularidade e se submetem a um forte treino em apenas um dia na semana. Nesse caso, as lesões mais comuns são aquelas “fisgadas”, sinais de que o músculo está sendo exigido acima daquilo que costuma trabalhar rotineiramente.

“Para evitar qualquer tipo de lesão, é preciso que a pessoa tenha um bom condicionamento físico, ou seja, é preciso ter o hábito das práticas esportivas, não estar acima do peso, bem aquecido e alongado”, afirma Mello. Toda vez que algum músculo é sobrecarregado, algumas fibras musculares são lesadas e outras utilizam sua energia disponível para compensar o desgaste. E para que se recuperem de todo o esforço, necessitam de aproximadamente dois dias de repouso.

“O problema de quem não pratica esportes com frequência é que essa pessoa não cria mecanismos de defesas contra as lesões. Quanto mais treinado for o atleta, mais ele consegue se proteger”, diz o médico José Francisco Nunes, ortopedista e diretor da Sociedade Brasileira de Cirurgia do Joelho.

Ele diz que é preciso que as pessoas respeitem seus limites e não exijam do corpo mais do que ele pode oferecer. “Existem esportes adequados para cada tipo de pessoa, gênero e condicionamento físico. Além disso, com o passar do tempo, também é preciso entender que o corpo não rende mais como rendia na juventude”, diz o especialista. O médico também faz um alerta: “Se a pessoa tem uma lesão séria já na juventude, pode ter que conviver com as consequências para o resto da vida.”

O empresário Márcio Leonardo Simão, de 36 anos, sempre jogou futebol. Durante alguns anos, até três vezes por semana. Mas, com o aumento da carga de trabalho, as partidas se tornaram semanais, apenas aos domingos. “Em todo esse tempo, torci o tornozelo quase uma vez por ano. E, com tanta experiência, aprendi que agora tenho que ir mais devagar. Não dá mais para querer ter a mesma intensidade de quando eu era mais jovem e jogava com mais regularidade”, diz.

Simão tem grande paixão pelo esporte e participa de um campeonato amador, o Euro América, no distrito de Barão Geraldo, representando o time Esquadra. Por isso, prefere se poupar um pouco, mas estar sempre em campo. “Eu gosto de jogar, então preciso tomar cuidado.”

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