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25/06/2014 16:10:20.000
Leitura e cibercultura

Desde que a pessoa esteja atenta a um texto, seja ele verbal ou não verbal, ela está realizando uma leitura e isso independe de espaço: um transeunte torna-se um leitor quando interpreta uma propaganda; um motorista lê as placas de trânsito, ora por meio de palavras, ora através de imagens. São circunstâncias em que a rua se torna um espaço de leitura, mas ainda é o leitor quem vai selecionar o que lê. Ele não é um ser passivo mediante as ofertas de leitura. Quando a intenção de ler precede a leitura propriamente dita, pode-se optar por alguns suportes, dependendo da finalidade que se tem e do tempo disponibilizado. 


Com o suporte tecnológico como forma de realização de pesquisas, leituras ou relacionamentos sociais, também a diversidade das línguas e das culturas, assim como o espaço de leitura, é menos problemática do que já foi um dia. Afinal, quantas pesquisas já foram feitas em livros impressos em inglês, por exemplo? E era o leitor quem necessitava compreender o idioma que, por vezes, não era o seu. Atualmente o ciberespaço otimiza o tempo de leitura proporcionando a abertura de hipertextos que traduzam ou que ampliem as possibilidades de pesquisas. Os suportes de leitura, embora não pareçam mais, com o advento de tecnologias tão avançadas, continuam sendo somente meios de comunicação. Quem opta, seleciona, filtra, de fato o que quer comunicar e ler somos nós, os humanos.

 

Formada em Pedagogia com pós-graduação em Psicopedagogia. Leciona, atualmente, em sala de quinto ano na Rede Municipal de Campinas.
enviada por: Maria Cristina Torres Damião
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16/06/2014 15:43:43.000
O TEMPO É UM RIO QUE CORRE
foto: livrariasaraiva.pdf

 Em tempo de Copa, o tempo não existe: exaltação, aflição, ansiedade e a espera são contemplados pelos jogos de 32 países à busca da recompensa maior, a de ser o melhor no mundo do futebol.


Mas jogos à parte, ainda nas expressões cotidianas mais ouvidas nesta sociedade líquida de rápidas transformações onde a palavra “tempo” é escassa, estão presentes: “não tenho tempo pra nada”, “como o tempo está passando rápido”, “o tempo voa”, gerando literatura de leitura fácil, mais de muita reflexão sobre este fato: “o tempo é um rio que corre”, de Lya Luft (Editora Record 2014).


Lya se atém a olhar de forma atenta sobre as relações humanas, o valor do momento e da vida, o passar do tempo mesclado a angústias, lutos, saudades e o fluxo da vida de forma lírica: “...O tempo está sempre passando, é como a água de um rio, a cada instante tudo muda. Até a gente não é a mesma pessoa de um segundo atrás.”


Entremeando poesia e reflexões, a autora nos leva à recordações íntimas reavivando-as com beleza e levando-nos a refletir como pessoa nas penumbras do nosso eu e da sobrevivência em que “viver é possível e morrer há de ter algum sentido”.


Memórias, sensações, tristezas e ilusões se mesclam neste belo livro em que o tempo pode matar ou eternizar nossa vivência com seus toques, cheiros, vazios, contradições, plenitudes e segredos que são tão nossos.


O tempo é retratado em três capítulos como um rio de “águas mansas” na infância, “maré alta” na maturidade e suas emboscadas: “quando pensar que estava tudo cumprido, havia outra surpresa: mais uma curva do rio, mais riso, mais pranto”.


Como um rio o tempo não para com seu conjunto de sentimentos e frustrações que escoam rapidamente sem termos como contê-lo; conseguir viver os momentos de forma mais intensa e sem se cobrar projetando para si uma produtividade mais coerente com o nosso “modus vivendi” é a chave, pois, caso contrário, formaremos pedras e desvios psíquicos que gerarão intenso sofrimento.


Cultivar o “eu real”, aceitando-se com seus limites e singularidades e sem ter que corresponder às expectativas do outro, é a chave para o viver “a beleza única do momento que nunca mais será” (Rubem Alves)


Portanto, se você leitor ainda arrumar tempo para leitura, este é um dos livros que vale a pena para repensar em que águas sua vida está correndo, com suas inevitáveis correntezas e desvios.

 

Coordenadora geral do Projeto Correio Escola Multimídia, mestre em Psicologia Escola pela PUC-Campinas.
enviada por: Cecília Pavani
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09/06/2014 08:23:22.000
A Copa e as festas de junho
foto: google image

   Estamos às vésperas da Copa do Mundo e a decoração com as cores do Brasil toma conta das cidades brasileiras. Bandeiras, guirlandas, balões e fitas, tudo é válido para torcer pelo Brasil.


  Assistir aos jogos da Copa em clima de Festa Junina vai ser uma opção para muitas pessoas, celebrando os gols do Mundial com paçoca e quentão e unindo essas duas temáticas em uma única celebração.


 A revista Veja de junho diz que “Neste ano, as tradicionais quermesses vão dividir a atenção dos paulistanos com partidas de futebol. No dia 12 de junho, São Paulo será palco da abertura da Copa do Mundo, quando Brasil e Croácia se enfrentam no Itaquerão.”
(1. jun.2014 | Atualizada em 4. jun.2014 por Redação VEJASAOPAULO.COM).


  O Ministério do Turismo inseriu as festas juninas no calendário oficial de megaeventos da Copa do Mundo não só pela representação econômica e cultural que elas carregam para o País, mas também pela presença de milhares de turistas estrangeiros que estarão presentes nos jogos.


  Ainda que não seja possível perceber o mesmo clima festivo de outras Copas nas ruas do País, devido às inúmeras manifestações sobre os gastos públicos no evento da FIFA. A Presidente afirma que "os investimentos realizados pelo Estado ficam como um "legado" do Mundial, que serviu apenas para "acelerar" projetos que, de todas as maneiras, deveriam ser realizados. Entre eles, citou a modernização dos aeroportos e das redes de transporte urbano que, apesar de não ficarem prontos para a Copa em muitos casos, serão concluídos nos próximos meses.”


  Já a expectativa para a Copa do Mundo entre os estudantes brasileiros vai além das apresentações dos jogos da seleção nos gramados dos estádios, uma vez que os calendários escolares tiveram de ser adaptados e sofreram ajustes em algumas escolas, alterando as tão esperadas férias do meio do ano.


 A Lei Geral da Copa (12.663/2012) determina que os sistemas de ensino ajustem os calendários escolares de maneira  que as férias das redes pública e privada abranjam todo o período da Copa do Mundo, de 12 de junho a 13 de julho. No entanto, o parecer do Conselho Nacional de Educação (CNE) deu autonomia às escolas para decidir o calendário desde que seja respeitado o mínimo de 200 dias letivos e de 800 horas no ano estabelecido na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional.


  A educação não se faz somente com o conteúdo curricular, mas também com a formação cultural do aluno e com a oportunidade de interação que ele terá com pessoas e culturas de outros países e de outras partes do Brasil. Esse é um dos pontos fortes a serem considerados frente a tantos fatos polêmicos despertados com a realização dessa competição esportiva no nosso país.

Professora de Língua Portuguesa integrante da equipe pedagógica do Correio Escola Multimídia.
enviada por: Ângela Junquer
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03/06/2014 15:49:36.000
Leituras

Os seres humanos desenvolveram um sistema complexo de linguagem, primeiramente por sons indistintos e gestos, posteriormente por pinturas e por símbolos específicos que significavam e transmitiam uma mensagem. Até chegar a complexidade de um sistema de escrita e de expressão oral.

Acredito que toda história da humanidade seria outra, se não fosse pela criação de um sistema de linguagem, que permitiu ao ser humano externar e nomear o que sente.
As palavras são fundamentais, pois elas dão maior visibilidade aos sentimentos.
Saber usar as palavras confere ao ser humano um empoderamento imenso. Por elas é possível enaltecer, engrandecer, encorajar, estimular uma pessoa ou multidões, o contrário se aplica.

Os discursos históricos, religiosos, políticos, acadêmicos, escolares e as letras de músicas envolvem emocionalmente aos seus ouvintes de maneira a garantir resultados extraordinários, e muitas vezes duradouros. São discursos que podem ser revisitados, adaptados e empregados em inúmeros momentos como exemplos de superação, por exemplo.

Os fragmentos que seguem abaixo demonstram, em parte, o poder das palavras e sua presença perene. 

"Eu tenho um sonho que um dia esta nação se levantará e viverá o verdadeiro significado de sua crença - nós celebraremos estas verdades e elas serão claras para todos, que os homens são criados iguais." (Trecho do discurso de Martin Luther King)


"Estou pedindo que lutem. Que lutem contra o ódio deles. Não que o provoquem. Não desferiremos um golpe. Mas receberemos golpes. E, por meio da nossa dor......faremos com que eles percebam a injustiça. Isso será doloroso......como toda luta é dolorosa......mas não perderemos. Não podemos perder. Podem torturar o meu corpo......quebrar os meus ossos......e até me matar .Então......eles terão o meu cadáver......mas não minha obediência." (Trecho do discurso "Não Violência", de Ghandi)
 

Caminhando e cantando e seguindo a canção/ Somos todos iguais braços dados ou não/ Nas escolas, nas ruas, campos, construções/ Caminhando e cantando e seguindo a canção/ Vem, vamos embora, que esperar não é saber/ Quem sabe faz a hora, não espera acontecer (Trecho da música “Pra não dizer que não falei de flores”, Geraldo Vandré)

Participante do curso de extensão \"Leitura, Comunicação e Mídia\", do Correio Escola Multimídia e Faculdade de Educação da Unicamp.
enviada por: Inajá Zaem
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19/05/2014 13:02:15.000
LITERATURA REESCRITA
foto: www.melhoramiga.com.br

 Estamos em plena era do acúmulo de informação em vários suportes e com jogos cada vez mais complexos para o lazer do jovem.

Hoje ele é bastante estimulado para o raciocínio rápido e repetitivo, ficando mais silencioso e pouco comunicativo porque os jogos já são absorvidos no seu essencial e se tornaram intrínsecos a sua vida.

O problema é que o exercício da leitura atual caminha com os jogos: simplificada nos comandos para ser atraente, sem ter que parar para refletir e amadurecer idéias.

Recentemente foi veiculado na mídia impressa o que já sabíamos ser praticado nos cursinhos para vestibular: a literatura está sendo reescrita com adaptação para as escolas com o objetivo de torná-la menos chata e incitar à leitura de nossas obras clássicas.

Ora, se o aluno é esperto o bastante para realizar e cumprir complexas situações em jogos, como não o é para a leitura de literatura clássica?

Acredito que há uma infantilização do aluno / jovem, pois está sendo negada a eles a formação gradativa do seu amadurecimento como pessoa crítica. Penso também que tais adaptações literárias tenham mais a ver com a falta de leitura e de conhecimento do professor com os nossos autores clássicos, pois comentar e refletir sobre um Érico Veríssimo, um Aluísio de Azevedo ou Machado de Assis requer vivência e conhecimento enquanto leitor para um comentário mais profundo.

Perde-se com isto a graça e a beleza de comparações de linguagem e de narrativa, o descrever situações tão presentes ainda hoje em nossa sociedade e seus personagens que lidam com a pobreza, a ascensão social por diferentes meios, a traição etc.

Mostrar o quanto um autor no momento que descreve se utiliza de palavras que captem a verdade dos fatos daquele momento vívido intensamente por ele e como o seria nos tempos atuais.

Os personagens continuam ali na obra e revivem a partir da nossa leitura pois continuam vivos entre nós mudando apenas a roupagem, o ambiente as expressões e hábitos sociais.

Comparações bem feitas com os hábitos dos jovens no cotidiano, em festas, seus relacionamentos e outros aspectos com os dos séculos 18 e 19 ou 20 são formas de levar o estudante a se interessar por nossas obras clássicas de forma agradável e interessante, sem ter que se utilizar de simplificações que tanto atrasam o seu “amadurecimento social” tão em falta nos dias de hoje.

 

Coordenadora geral do Projeto Correio Escola Multimídia, mestre em Psicologia Escola pela PUC-Campinas.
enviada por Cecília Pavani
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14/05/2014 16:25:55.000
Professor por opção

Já dizia a piada: “Qual a diferença entre um professor e um palhaço?” A resposta é taxativa: “É que o palhaço não corrige provas!”.


Além dessas tiradas de humor – que, diga-se de passagem, são bastante engraçadas! -, o sujeito que se vê na situação de professor, cedo ou tarde, irá se deparar com a clássica pergunta: “Você trabalha ou só dá aulas?”. Por essas e outras, fica patente que a profissão de professor não é valorizada atualmente.
 

Não surpreende que grande parte dos docentes não exerça seu ofício devido uma escolha, mas sim porque as circunstâncias da vida o conduziram – a despeito dele - a tal profissão: “na falta de coisa melhor”, começa-se dando umas aulas para completar a renda; o tempo é preenchido, aparecem mais aulas, e, após alguns anos, já não é mais possível se inserir em outra área. Ou, tendo se aposentado, passado por uma frustração profissional, a pessoa enxerga como única alternativa dar algumas aulas, “para não ficar parada”, enfim, para “ganhar um dinheirinho”...


Diante desse panorama, é difícil encontrar sujeitos que tenham optado voluntariamente pela carreira de docente. Mesmo assim, apesar dos pesares, ainda existem jovens que, tendo o futuro pela frente, e diferentes possibilidades em vista, decidem – em sã consciência! – trilhar sua trajetória profissional na sala de aula.


A pergunta que surge é: por que fazem isso?


Certamente, a motivação não é financeira: afinal, no nosso país, quem decide ser professor - salvo as exceções que confirmam a regra - tem clareza sobre as dificuldades econômicas que terá que enfrentar.


Também não é uma motivação relacionada ao prestígio. O “orgulho de ser docente” não anda em moda na atualidade – isto é, não há “admiração social” pela profissão, como existia há algumas décadas atrás, o que fornecia um considerável status àqueles que se dedicavam ao ensino.


Então, cabe a pergunta: jovens que decidem voluntariamente ser professores não seriam uns “loucos”, “pessoas esquisitas”, “perdidas na vida”?
Definitivamente, não! É possível sim optar razoavelmente pela docência. E, na maioria das vezes, a motivação para essa escolha está ligada a dois tipos de experiências vitais.


A primeira é a de quem já teve a oportunidade de ensinar. Um exemplo é um universitário que cursava química e desistiu de trabalhar em empresas, depois de dar uma aula e ouvir de um aluno a “frase mágica”: “Ah, agora entendi!”. Essa alegria que brota da experiência de ensinar outra pessoa é um primeiro fator de motivação para a opção pela docência.


A outra experiência vital está relacionada ao fato de se ter aprendido algo valioso. Só deseja realmente ensinar quem aprendeu algo que vale a pena ser transmitido. E, nesse aspecto, temos muita carência: afinal, infelizmente, não são comuns os professores que gostam de estudar, e que demonstram um sincero fascínio por aquilo que ensinam. Talvez, se houvesse mais esses “apaixonados”, também haveria muitos outros jovens que se inspirariam com a profissão de docente.


Como diria de modo lapidar o pensador Étienne Gilson: “A educação é uma conseqüência derivada da busca desinteressada de tudo aquilo que deveria ser desejado e amado por si mesmo. Se um ser humano busca a beleza para ‘adquirir educação’, perderá tanto a beleza como a educação, mas se busca contemplar a beleza por si mesma, alcançará tanto a beleza como a educação. Buscai primeiro a verdade e a beleza, e a educação lhe será dada por acréscimo”.

 

Mestre pela USP, professor de sociologia da E.E. João Lourenço Rodrigues. Membro do Instituto de Formação e Educação (IFE) – Campinas.
enviada por Guilherme Melo de Freitas
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05/05/2014 15:45:08.000
Charge
foto: Dalcio Machado

 Muitas foram as homenagens pelos 20 anos da morte de Airton Senna. A semana passada o Brasil lembrou-se de seu grande herói e recordou com carinho fatos de sua vida. Os sentimentos de perda voltaram com muita intensidade!

As diferentes mídias nacionais e internacionais apresentaram inúmeras informações sobre a vida e fatos marcantes vividos por Senna. De diferentes formas e maneiras de se expressar, tanto na mídia impressa, na televisiva ou mesmo na internet, as homenagens se espalharam por vários cantos do mundo.

 Mas, muitos textos narravam o que já nos foi apresentado em outros momentos. Cada narrador queria levar ao leitor um fato “quase novo” ou demonstrar no seu texto, o sentimento por um ídolo que transpôs barreiras e deixou a sua marca de coragem e respeito pelo outro.

Num país em que a imagem dos famosos quase sempre se manifesta associada à sensualidade e à procura da felicidade, ele, Senna, nos trouxe um olhar diferenciado para a fama. As inúmeras alegrias nas manhãs de domingo eram vividas pela sua garra e respeito de esportista para com o seu povo. O almoço era servido após a vitória de Senna.

Mas entre um texto e outro, entre os inúmeros programas que foram apresentados na televisão e notícias via internet, chamou-me atenção a charge de Dalcio, publicada no jornal Correio Popular de 02/05.

Nela o autor, demonstrando novamente a sua sensibilidade, característica de seu trabalho, coloca o nosso ídolo a praticar o que mais gostava num outro planeta, que não o nosso.

Pensei... Como alguém pode expressar enorme carinho por seu ídolo!

Cheguei a sentir a paz transmitida por Dalcio, em sua charge.

Dalcio, inúmeras foram às homenagens, mas a sua...Foi sensacional!

Peço permissão para publicá-la novamente.

 

Mestranda da FE da Unicamp, Coordenadora Pedagógica do Colégio Múltiplo e integrante da equipe pedagógica do Correio Escola Multimídia.
enviada por Elizena Cortez
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28/04/2014 16:49:04.000
7º Seminário “O professor e a leitura do jornal”
foto: google image

    Na conferência de encerramento do 7º Seminário “O professor e a leitura do jornal” ocorrido na última 6ª feira(25/4) na Faculdade de Educação da Unicamp( matéria relacionada publicada pelo jornal Correio Popular do dia 26/4 “Seminário estimula a leitura crítica e contextual da mídia”), venho destacar a palestra da jornalista e pesquisadora do Labjor (Laboratório de jornalismo da Unicamp)- Prof.ª Graças Caldas.


Em sua fala, a professora nos questiona sobre os saberes: O saber, por quê? Afirma que os nossos saberes são fundamentais, precisam ser articulados e nos propiciar uma autonomia. Para trabalhar com o currículo na escola, diante das diferenças individuais dos alunos, é necessário proporcionar um conhecimento significativo, que dê sentido à linguagem, contextualizando dessa forma o conhecimento reconstruído com o cotidiano.


   Segundo ela, o jornal e a TV são apenas recortes, fragmentos da realidade, pois o papel da mídia é fornecer um conhecimento de mundo, da atualidade. Para a construção de um conhecimento significativo é necessário uma aprendizagem significativa, não esquecendo que o afeto faz parte da construção e reconstrução desse conhecimento, valor esse um pouco esquecido nas relações socioeducativas de hoje.


Graças Caldas nos diz também que não podemos apagar as diferenças na sociedade, essas diferenças são fundamentais na construção do sujeito coletivo. Experiências afetivas e reflexivas são capazes de produzir significados singulares e coletivos, pois só significando é que vamos produzir novos conhecimentos.


O tema do Seminário foi “Comunicação, Educação e Liberdade na Sociedade do Espetáculo “e proporcionou aos participantes uma profunda reflexão sobre a sociedade capitalista e de consumo. Atingiu seu objetivo ao promover o diálogo do jornal com outras mídias, resultado alcançado com as discussões, mesas redondas, comunicações e oficinas relacionadas à evolução da mídia, do jornalismo e da Educomunicação.

 

O Seminário nacional “O professor e a leitura do Jornal” é uma realização do Grupo RAC, por meio do projeto Correio Escola Multimídia, da ALB, da Faculdade de Educação da Unicamp e da ANJ realizado desde 2002 bienalmente e este ano com a parceria da Unisal.

 

 

Professora de Língua Portuguesa e integrante da equipe pedagógica do Correio Escola Multimídia.
enviada por Ângela Junquer
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07/04/2014 14:23:35.000
Dia do Jornalista: uma reflexão sobre o porquê da profissão

Certa vez, ainda quando estava terminando a faculdade, perguntaram-me por que eu escolhera o jornalismo no lugar de uma profissão como a engenharia, a medicina ou o direito. Quem me interpelava ainda dizia, querendo me convencer, que, como engenheiro, por exemplo, eu construiria prédios e pontes. Além de funcionais e de facilitarem a vida de muita gente, eles ainda seriam provas da imponência para quem passasse por perto. Como médico, eu salvaria vidas, dizia-me. Como advogado, o interpelador argumentava, eu poderia defender muita gente das injustiças. Na época, confesso, menos experiente e ainda adentrando no campo que escolhera para seguir, tive um pouco de dificuldade para responder. Mas, hoje, não restam dúvidas de que a escolha foi correta. Não construo pontes ou prédios, não salvo vidas por meio de uma cirurgia ou de seu diagnóstico, tampouco estou num tribunal para argumentar pela inocência de alguém. Mas, seja como jornalista ou como professor da área, contribuo para que um grande bem público esteja garantido: a informação.

Por meio de uma informação bem apurada, confiável, ética e correta, o jornalista também pode salvar vidas. Quem disse que, por exemplo, uma denúncia sobre desvio de dinheiro num hospital público também não pode salvá-las? E por que a tal ponte ou o tal prédio que queriam que eu construísse devem mesmo ser erguidos? Que benefícios trarão? Que destruições ambientais serão provocadas? Quantas pessoas precisarão ser desapropriadas e que destino será dado a elas? Essas também são questões que nós, jornalistas, até o momento em que não perdermos nossa indignação diante das mazelas do mundo, também poderemos responder.

Se não estamos num tribunal, estamos numa grande arena em que nosso papel é também defender a sociedade. É nosso dever defender que o direito à informação nunca seja negado sob qualquer pretexto. Isso faz ainda mais sentido quando estamos lembrando os 50 anos do episódio mais vergonhoso de nossa história contemporânea: a instauração de um regime ditatorial, por meio de um golpe, que nos fora vendido como revolução.

Num país que passou 20 anos sob o jugo de uma ditadura, ser jornalista reveste-se ainda mais das funções nobres da profissão. Ser jornalista é assumir, assim, o compromisso com a liberdade e com o desejo de querer que ela seja uma prerrogativa inalienável para todos. Nos 20 anos de ditadura, muitos jornalistas, mesmo sob toda a ameaça do sistema, lutaram para que a informação fosse garantida. Muitos, por causa disso, foram convidados a dar algumas explicações. Alguns não voltaram para casa nunca mais.

Poder dizer isso com toda a naturalidade, sem que eu também seja convidado a prestar um depoimento, dá-me a dimensão perfeita do nosso papel. Estamos aqui para que esse direito seja sempre garantido. Que as vozes, as lágrimas e os sorrisos possam soar sem nenhuma sanção e, assim, possamos construir nossas pontes se necessárias forem, salvar as vidas que diante de nós estiverem e defender a sociedade das injustiças. Que cada um de vocês possa levar algo disso para a vida!

Jornalista, especialista em Jornalismo Literário, mestre em Divulgação Científica e Cultural pela Unicamp. Coordenador de Jornalismo do Correio Escola Multimídia.
enviada por Fabiano Ormaneze
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01/04/2014 17:47:47.000
A revitalização não chega à Campinas
foto: Camila Moreira

 Ao passar pelo centro de Campinas, o olhar volta-se para as pichações nos prédios antigos ou mesmo os construídos recentemente. As ruas sujas e sem muita conservação demonstram um cenário desolador... Calçadas esburacadas ou tortas pelo conserto mal feito, ou feito rapidamente.

 

Campinas não pode aceitar esta condição que lhe é apresentada.

 

Santos, outra cidade importante de nosso estado, parou para planejar a restauração de seu centro histórico ao longo da última década.

O Correio Popular publicou matéria, no sábado, dia 29/03 contando sobre a revitalização do centro histórico de Santos e a restauração de um imóvel próximo ao porto de Valongo, remanescente do milionário ciclo do café. A partir do inicio de junho o prédio será a sede do Museu Pelé, idealizado para preservar a memória do maior jogador de futebol de todos os tempos.

 

Mas essa revitalização não se concentra em um único imóvel e sim em todo o espaço do centro histórico de Santos, que está sendo preservado para contar a sua história. Mas aqui também, cabe questionamento. Por que pensar em restaurar para eventos como Copa do Mundo e não somente para os cidadãos santistas, campineiros ou mesmo de qualquer canto do Brasil?

Na semana passada, representantes de várias secretarias municipais de Campinas encontraram-se para debater as possibilidades de restauração do centro histórico de Campinas. Esse tema, como a própria matéria citou “integra a pauta da Administração há décadas, mas nunca saiu do papel”.

 

Segundo as informações passadas aos leitores, o grupo irá se reunir novamente para traçar metas a longo prazo, para a revitalização do centro de Campinas  e ao mesmo tempo indicar as intervenções mais urgentes para esse espaço.

 

Anos atrás li o texto da Carta de Veneza, Carta Internacional sobre a conservação e o restauro de monumentos e sítios, publicada em 1964. Nela encontra-se a seguinte citação:

Portadores de mensagem espiritual do passado, as obras monumentais de cada

povo perduram no presente como testemunho vivo de suas tradições seculares. A humanidade (...) se reconhece solidariamente responsável por preservá-las,

impondo a si mesma o dever de transmiti-las na plenitude de sua autenticidade.

(Carta de Veneza, 1964)

 

 

Fica aqui a expectativa de voltar a olhar para as ruas, avenidas e praças de Campinas e sentir prazer em apreciar cada canto da história da cidade. E como diz a Carta, o “reconhecimento solidário e responsável” por preservar “deve perdurar no presente como testemunho vivo das tradições seculares”. Esta afirmação deve ser seguida por todos!

 

 

 

Mestranda da FE da Unicamp, Coordenadora Pedagógica do Colégio Múltiplo e integrante da equipe pedagógica do Correio Escola Multimídia.
enviada por Elizena Cortez
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24/03/2014 16:16:46.000
ARIDEZ

  

Estamos em pleno Outono, mas as temperaturas baixaram e o vento retornou, mas a seca continua. Muitos debates e encenações políticas em volta do assunto e soluções, longe de se chegar.

 

O fato é que a palavra “seca” esteve sempre presente só em áreas nordestinas, enquanto no Sudeste se usava alagamentos, cheias dos rios. Nunca estivemos em vias de ficar nesta situação e talvez também por isso, nunca conjugamos o verbo racionar, economizar.

 

Racionar água, consumir menos será difícil, eu creio, para quem sempre teve água e a utilizou em abundância. É um problema de consciência, de disciplina, que deveria constar na Matemática, no Português, na Economia, na saúde nossa de cada dia, no consumo social e contínuo para que não faltasse.

 

Em ano de eleição, a água, antes pauta para votos no Nordeste, agora, com certeza, será também motivo para votos no Sudeste. A água é um bem comum e vital para nós e também uma causa política, pois ela exige ações que demandam orçamento e compromisso a fim de não se ter desperdícios.

 

Temos a força do voto, mas falta conscientização para se eleger políticos com propostas de acordo com nossas necessidades, e mais do que nunca, cientes deste e outros problemas e inteligentes e preocupados o suficiente para gerenciá-los.

 

Soluções a curto prazo talvez ajudassem, como rodízio de água por setores, mas ainda assim, teríamos desperdícios. O melhor seria multas pelo excesso estabelecido com valores mais altos; assim, com certeza teremos o povo economizando mais por “sentir” no bolso. Certamente outros problemas também estão envolvidos, como o tratamento do esgoto, reutilização da água tratada, os danos ambientais os rios poluídos etc.

 

É preciso cuidar dos mananciais que alimentam as bacias com o cuidado para a recuperação do verde, das florestas para evitar erosões e assoreamentos, fatores fundamentais para segurança hídrica.

 

Água, temos, contaminada, mas acredito que temos tecnologia e gestões adequadas, para chegar a soluções inteligentes e satisfatórias.

 

É ano de eleição: pense, pesquise e vote com consciência. A água é de todos, mas se não for bem gerida, será para poucos.

 

FOTO : DIVULGAÇÃO: Correio Popular, 11/03/2014 - CIDADES - Sistema Cantareira
Na imagem : Represa Jaguari/Jacarei, em Piracaia

Coordenadora geral do Projeto Correio Escola Multimídia, mestre em Psicologia Escola pela PUC-Campinas.
enviada por Cecília Pavani
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17/03/2014 12:50:02.000
Campanha da fraternidade e a escravidão humana
foto: cinepop.virgula.uol.br

 A Campanha da fraternidade deste ano evoca o tema “Fraternidade e tráfico humano” ao mesmo tempo em que o Oscar premia o filme “12 anos de escravidão”. Há uma clara correlação entre esses eventos na medida em que abordam o tema escravidão.

 

Identificar as práticas de tráfico humano em suas várias formas e denunciá-las como violação da dignidade e da liberdade humana, mobilizando cristãos e pessoas de boa vontade para erradicar este mal com vista ao resgate da vida dos filhos e filhas de Deus. Com esse objetivo a Campanha da fraternidade busca nos  conscientizar para que estejamos atentos a todas as situações de exploração humana hoje: ver a realidade e ser solidário com nosso irmão pedindo ajuda.

 

Ao mesmo tempo em que o tema é apresentado pela Igreja Católica chega aos cinemas, aproximadamente 126 após a abolição da escravatura no Brasil, o filme “12 anos de escravidão”, que nos faz refletir sobre o racismo,  um problema ainda tão presente em nossa sociedade. Uma  situação que possui contrapontos, como por exemplo, a eleição de um afrodescendente para o posto de presidente dos EUA. Porém, existem outras inúmeras situações,  como a do jogador de futebol Tinga, ofendido pela torcida peruana durante um jogo pela Libertadores 2014. Essas situações demonstram que o filme em questão tem muito de atual e que merece ser assistido.

 

 O enredo é sobre um negro liberto que vive com a família no norte dos EUA. Ele é um músico respeitado e vive normalmente, até ser trapaceado por parceiros de trabalho e levado ao sul, onde é vendido como escravo. Dá-nos uma amostra dos terríveis atos de maldades que milhões de seres humanos estão sujeitos, quando subjugados por outros seres humanos, durante séculos nos Estados Unidos e em outras partes do mundo, numa das práticas mais infames da história.

 

O filme nos propõe  a refletir sobre “a escravidão moderna”que nos cerca. Infelizmente, a escravidão não pertence ao passado e muitos a relacionam como algo restrito ao tráfico de pessoas. Esta é apenas uma das suas facetas. Há muitas outras que escolhemos não ver, algumas velhas e tradicionais. Hoje a escravidão se dá não só por coerção física, mas também psicológica, levando as pessoas serem tratadas como descartáveis. A ambição desmedida, relacionamentos mal iniciados que se transformam em  casamentos obrigados ou de menores, trabalho infantil, abusos sexuais, roubo de órgãos, tráfico de drogas, trabalho escravo, sequestros etc.

 

 A escravidão se perpetua na medida em que não a denunciamos e em que os nossos representantes no governo ignoram investimentos em Educação, Saúde  e Segurança.

 

Diante dessa situação é importante ter sempre em mente as palavras do Papa Francisco: “E quando o homem falha nesta responsabilidade, quando não cuidamos da criação e dos irmãos, então encontra lugar a destruição e o coração fica ressequido.”                                                                       

Professora de Língua Portuguesa integrante da equipe pedagógica do Correio Escola Multimídia.
enviada por Ângela Junquer
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06/03/2014 13:12:32.000
O quintal do vizinho
foto: Ângela Rodrigues

Já faz algumas semanas que a novela "Amor à Vida", da Rede Globo, terminou, mas ainda se fala do personagem Félix (Matheus Solano), que ficou conhecido por suas tiradas e, claro, ao final, pela torcida que gerou por um famigerado beijo gay. Muita gente que, na vida real, tem dificuldades para lidar com situações polêmicas, na tela da TV, aceitava e até apoiava o relacionamento do ex-vilão com o sushiman Niko (Thiago Fragoso) Por que será que isso acontece?

  
A verdade é que, no quintal do vizinho, tudo pode. Aquele filho que não tem lá todas as características que o pai desejaria deve ser aceito. Por que não? Ele pode ser o que for: o importante não é que ele seja feliz? Se existem problemas é porque eles, os vizinhos, são imperfeitos e ainda têm muito a aprender.
 

Todo mundo, em alguma medida, gosta de saber o que se passa no quintal ao lado e dar seus palpites de aceitação e receitas de felicidade. Do lado de lá, pode ser gordinho que você será amado. Do lado de cá, hummm... É melhor ser magro. É tudo tão mais fácil, você não concorda? Tudo bem (e que bonito) que, do lado de lá, a empregada almoce na mesma mesa que os patrões. Aqui, no entanto, isso ainda não é possível, por sei lá quais e quais motivos. Qual o problema que a moça do lado de lá viva na piscina em posições quase pornográficas? Aqui, no entanto, o melhor é apenas esbanjar sensualidade

- Viu que a vizinha rica, com uma BMW novinha, vai se casar com o moço pobre, que vinha visitá-la de ônibus até outro dia? Ah, não é uma linda história de amor?
Mas pensando bem, do lado de cá do muro – essa invenção tão útil que delimita nossas hipocrisias e falsas aceitações – seria melhor manter o mesmo nível, afinal, o contrário pode ser um pouco constrangedor, não é mesmo?


Também não há problema algum em dar uma olhada e rir dos problemas do outro. Afinal, olhar pelo muro também tem um lado catártico: antes lá do que aqui. No quintal do vizinho, na verdade, tudo pode, porque assim, nós, do lado de cá, não ficamos com famas de preconceituosos, insensíveis. Daqui, desse lado perfeito, a gente diz “isso é natural”, mas quando a coisa pega pra valer, vai logo deixando bem claro que é natural só para aqueles que se esqueceram dos valores que nós, do lado de cá, continuamos a valorizar.
 

Olhar por cima do muro nos dá uma incrível sensação de superioridade. Afinal, olhando daqui, não é preciso olhar para cá, para as nossas imperfeições e mazelas. Olhando de cima do muro também fica bem claro que se está numa posição superior, de quem já subiu alguns degraus só para dizer que, desse lado, é tudo diferente. Na verdade, fácil mesmo é olhar pelo muro. Difícil é olhar as redomas em que nos encalacramos do lado de cá, mesmo sem querer.

Jornalista, especialista em Jornalismo Literário, mestre em Divulgação Científica e Cultural pela Unicamp. Coordenador de Jornalismo do Correio Escola Multimídia.
enviada por Fabiano Ormaneze
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24/02/2014 12:20:47.000
O QUE É DOM CASMURRO?
foto: conversasaopedomundo.wordpress.com

 Recentemente lemos nos jornais a respeito do BBB14. No grupo, homens e mulheres “sarados”, como se diz popularmente, prontos para desafios corporais e comportamentais, pouco preparados para os conhecimentos gerais.

Pedro Bial, conhecido jornalista da Globo e comentarista de tal programa, resolveu inovar procurando incentivar a leitura entre os concorrentes, desafiando-os com a pergunta “Quem escreveu Dom Casmurro?” e uma jovem rebateu com “O que é Dom Casmurro?”

Tal cena veio comprovar a pobreza de formação de nossos jovens e a quantas anda nossa cultura.

Com certeza todos eles têm celular, acessam com facilidade computadores ou Ipads, mas o que fazem com tais recursos digitais é comprovado neste horrível desconhecimento em relação à leitura de nossos escritores clássicos, no caso, Machado de Assis. Outra comprovação veio corroborar com tal ideia: Como se não bastasse, outro eliminado do programa errou a simples pergunta feita sobre qual estação do ano vem após o Verão respondendo “Primavera”!

 

Infelizmente seus olhos hoje estão mais voltados à pobreza de informação presente na programação brasileira (TV aberta) ou em jogos nos suportes digitais, a corpos torneados e bronzeados em roupas justas do que ao vocabulário fraco, fruto de um conhecimento superficial e passageiro.

Sua conversa se atém a poucas palavras, curtas, sem conteúdo, pois seu cérebro se contenta com pouco.

Não demonstram curiosidade por nada cultural, se atendo apenas a bailes funk e mais recentemente aos rolezinhos com a “galera”, “brothers”! Não se justificam ou se responsabilizam por nada, sem limites para com a liberdade do outro.

“Oi nóis aqui”, chamada de capa recente da revista Veja é uma clara alusão a esta juventude desconexa, desajustada, sem ideais, deixando-nos a dúvida sobre que país querem “construir” no futuro.

Coordenadora geral do Projeto Correio Escola Multimídia, mestre em Psicologia Escola pela PUC-Campinas.
enviada por Cecília Pavani
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17/02/2014 12:25:13.000
Paulo Freire, a simplicidade que ainda inova...

Leio sempre os textos publicados e os livros escritos pelo prof. José Manuel Moran, doutor em Ciências da Computação da USP e acompanho  também suas publicações no blog “Educação humanista inovadorahttp://moran10.blogspot.com. Já tive a oportunidade de assistir a uma de suas palestras no Curso Correio Escola Multimídia sobre as novas tecnologias e escrevi também aqui nesse espaço sobre outro texto de sua autoria: “Aprender a ler e compreender no ritmo alucinante das informações on line”.

Recentemente li um texto no seu blog, com algumas citações suas e de outros professores  sobre o eterno educador Paulo Freire, pensador que valorizou a cultura e o conhecimento prévios dos estudantes: http://porvir.org/porpensar/paulo-freire-simplicidade-ainda-inova/20140102dia 3/01/2014.

Os métodos e conceitos pedagógicos de Paulo Freire continuam mais do que nunca atuais e inovadores mesmo após 50 anos de sua primeira experiência com adultos e numa época que a internet não fazia parte da realidade educacional.

“Nunca tivemos tanta chance de aprender juntos como agora”, avalia José Manuel Moran, que enxerga na colaboração, na troca, na convivência virtual e no compartilhamento de saberes um dos princípios mais  importantes de Paulo Freire, o de aprender junto.

Noêmia de Carvalho Garrido, uma das organizadoras do livro Memorial Paulo Freire: Diálogo com a Educação (Expressão e Arte)  diz que “O homem, em sua formação, não é dividido, ele é integral, o conhecimento que vem de fora da escola é integral. Só se fragmenta na sala de aula”.

Trabalhar  o método de Paulo Freire na escola hoje, segundo a professora doutora da Unicamp Debora Cristina Jeffrey é trabalhar um projeto gerador e interdisciplinar, centro de interesse para toda comunidade escolar. Como exemplo ela sugere  temas como as Manifestações dos jovens em 2013, que inicialmente surgiram para contestar os aumentos nas tarifas de transporte público, e ganharam grande apoio popular após a forte repressão policial contra as passeatas.

Copa do Mundo, Eleições e Alterações climáticas no Planeta também são temas que irão  ocupar bastante espaço nas mídias em 2014 e que poderão ser trabalhados em todas as disciplinas curriculares. Temas como esses ajudam a romper a rotina, que às vezes  se instala na sala de aula e passam a dar sentido a cada momento da vida,  a cada ato cotidiano, a cada instante  vivido pelos alunos, reafirmando dessa maneira os conceitos pedagógicos sempre atuais do eterno educador...

Professora de Língua Portuguesa e integrante da equipe pedagógica do Correio Escola Multimídia.
enviada por Ângela Junquer
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10/02/2014 12:49:34.000
Água, falta e garantia

 Não cabe neste momento pensar somente na falta de água.

            O caos pela falta e abastecimento, nesta época de estiagem, nos preocupa muito. Esta seca, em pleno período chuvoso pode acarretar sérios danos para a região, nesses próximos 30 anos.

            Mas, a grande questão que se coloca, não é a dificuldade em abastecer somente os lares ou demais atividades que tem relação direta ou indiretamente com este recurso mineral. Segundo Antônio Carlos Soufflé, do Departamento de Recursos Hídricos da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), o fenômeno cíclico da escassez de chuvas, conhecido como efeito “José”, não está provocando mudanças na renovação da outorga do Sistema Cantareira deste ano.

Tem-se discutido incessantemente a necessidade da construção de barragens no rio Pirai, localizado em Salto, rio Camanducaia, em Amparo e rio Jaguari em Pedreira.  Francisco Lahoz, diretor do consórcio Cantareira cita que o “caos hídrico pelo que passa a região  deixa bem claro que não há mais condições de depender do Cantareira. A cada renovação da outorga continuaremos brigando por mais água”.

Se a situação se apresenta crítica, pior ainda com o represamento dos rios para aumentar a oferta de água, segundo o representante do Sindicato Rural de Campinas, engenheiro agrônomo Nelson Barbosa. As razões para o desacordo em relação ao represamento baseiam-se no alto custo, nos impactos ambientais, na perda social com a remoção da população das áreas envolvidas e a perda das áreas férteis.

Diante de tantos fatos e argumentos envolvendo a importância da água para todos os setores, deixa-nos estarrecidos o fato de ainda observarmos a incapacidade de nossos gestores em lidar com as ocorrências cotidianas. Em meio a tantos pedidos de limitações do uso e desperdício de água, constatam-se falhas em lidar com vazamentos e rompimentos de canos em bairros de nossa cidade, como o ocorrido no bairro Taquaral, nessa última sexta-feira, 07/02.

Na verdade, se o efeito “José”, referência ao personagem bíblico que ao interpretar o sonho do faraó previu sete anos de fartura e sete anos de fome fosse levado mais a sério pelos nossos dirigentes, estaríamos preparados para enfrentar as intempéries climáticas. Diante de tantas incertezas e num cenário que nos leva a temer o futuro, resta à esperança de pensar na “brasilidade” de Deus. 

Mestranda da FE da Unicamp, Coordenadora Pedagógica do Colégio Múltiplo e integrante da equipe pedagógica do Correio Escola Multimídia.
enviada por Elizena Cortez
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27/01/2014 12:32:00.000
Os jovens e o “Rolezinho”

                               

Retorno às aulas antecipado tanto na rede pública quanto privada de ensino, expectativa de feriados programados para os jogos da Copa, manifestações sociais de jovens na mídia, ano de eleições. Esse é o cenário de 2014 que  se inicia!

 

Os jovens  vêm se destacando nas manchetes jornalísticas e nas mídias sociais em geral com o novo fenômeno “rolezinho”, evento marcado  pela internet para reunião de grande número de pessoas nos shoppings. Combinados pelas redes sociais, os “rolezinhos” atraem centenas de moças e rapazes aos grandes centros comerciais. Eles entram pacificamente nos espaços, depois costumam promover correria.

 

A questão é saber o que eles querem com essas ações? Algumas hipóteses seriam: mais possibilidade de ocupar espaços privados para consumo? reivindicar uma maior inclusão dos jovens da classe C?mais participação política juvenil?

 

Essa nova modalidade de relacionamento social vem trazer à tona também a questão do racismo e da discriminação. Enquanto as pessoas sabem o seu lugar na sociedade não há conflito, mas a partir do momento que isso é colocado em xeque ser ou não ser um jovem da periferia, as coisas se complicam.

 

No meio disto, um comércio ameaçado e obrigado a contextualizar hipóteses que vão desde o incremento de áreas de lazer em espaços com elevado  valor do metro quadrado, a não interferirem no acesso de suspeitos através de sua segurança privada e nem sempre bem treinada.

 

Qual deveria ser o critério usado pelos shoppings para dizer quem pode ou não pode entrar uma vez que eles também são consumidores em potencial? Há também as questões da cidadania, do direito à propriedade, questão de segurança, liberdade de manifestação...

Esse novo fenômeno social vem tomando conta das grandes metrópoles. Os jovens promovendo ações e querendo maior participação na sociedade. A característica de transgressão juvenil é histórica, a questão é saber como lidar com esse novo comportamento?

 

No ano que passou, eles também utilizaram a rede social para convocar todos  a se manifestarem publicamente nas ruas. Este ano terão a possibilidade de se manifestar também nas urnas, exercendo seus direitos democráticos  para mudar o cenário político-social que tanto o desagradam. As eleições de outubro serão um  momento importante  de reflexão sobre os direitos e deveres que  lhes cabem e  a sua participação  democrática será fundamental para ajudar a  mudar o cenário tão degastado político-nacional.

 

Oportuno lembrar as palavras do Papa Francisco, em sua recente visita ao  Brasil, ao exortar aos jovens que promovam a paz em suas comunidades de base. Proposta esta sábia, madura e inteligente.

 

Que venham as aulas, que venha a Copa, que venha um Brasil mais inteligente e quem sabe uma Campinas com mais paz e sem outras chacinas...

Professora de Língua Portuguesa e integrante da equipe pedagógica do Correio Escola Multimídia.
enviada por Angela Junquer
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20/01/2014 15:26:46.000
Você sabe o que é transmídia?
foto: saladomarketing.com.br

Quem trabalha com mídia ou com educomunicação, em algum momento, já deve ter ouvido, ainda que rapidamente, o termo "transmídia". Ainda são poucos, no entanto, os trabalhos acadêmicos e estudos, em português, que se debruçam a explicar esse termo e as alterações provocadas numa narrativa midiática.

 

Um dos poucos trabalhos que abordam a questão de forma detalhada e conceitual é o livro "Cultura da Convergência", de Henry Jenkins, lançado nos Estados Unidos em 2006 e traduzido para o português em 2008, pela editora Aleph. Jenkins é considerado um dos grandes teóricos e pensadores da mídia na contemporaneidade. Ele define uma história transmidiática da seguinte forma: "desdobra-se por meio de múltiplas plataformas midiáticas. Cada novo texto faz uma contribuição diferente, que valoriza o todo - de modo que uma história pode ser traduzida em filme, expandida na televisão, nos livros ou nas histórias em quadrinhos (...). Cada parte dessa franquia deve ser reservada a ela mesma" (Jenkins, H. Cultura da Convergência. São Paulo: Aleph, 2008, p. 95).

 

Essa definição traz uma importante diferenciação. Não se pode confundir "multimídia" com "transmídia". Quando uma história (que pode ser uma reportagem, por exemplo, ou um conto, uma história qualquer) é contada de forma multimídia, as partes estão todas conectadas. Usa-se diversos recursos midiáticos (áudio, texto, fotos, vídeos etc.) para que a história seja completada. O leitor vai ganhando novas informações quanto mais mídias acessar. Numa narrativa transmídia, as partes não necessariamente estão ligadas e, obviamente, cada parte dessa narrativa a que se tem acesso poderá completar uma a outra, mas elas existirão de modo autônomo também. É o que ocorre, por exemplo, quando um livro é transformado em filme, depois vira uma história em quadrinhos e, se faz sucesso, transforma-se também em um game. Naturalmente, o leitor pode entrar em contato com apenas um desses suportes sem que necessariamente saia prejudicado em termos de informação.

 

Multimídia e transmídia são formas importantes de se pensar a comunicação e as narrativas do mundo atual. Tudo isso deve ser objeto de quem também quer acompanhar a evolução da comunicação e levá-las para as salas de aula.

 

Jornalista, especialista em Jornalismo Literário, mestre em Divulgação Científica e Cultural pela Unicamp. Coordenador de Jornalismo do Correio Escola Multimídia.
enviada por Fabiano Ormaneze
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13/01/2014 16:42:06.000
Nossa sorte, nosso norte: para onde vamos?
foto: submarino.com.br

 2014 iniciado. Novas propostas, novas releituras da realidade virtual e presencial.

Um psiquiatra e um filósofo, Flávio Gikovate e Renato Janine Ribeiro. Dois autores preocupados com os rumos da sociedade atual.

Um livro que, apresentado em oito tópicos num bate-papo com o leitor, reflete de forma agradável questões presentes do nosso cotidiano.

Sucesso, qualidade de vida, voracidade e vazio, certo ou errado entre outros temas, alfinetam o leitor sobre o aumento da liberdade e do individualismo e suas consequências em tempos atuais.

O relacionamento entre as pessoas e a influência da tecnologia na nossa maneira de pensar e agir, o consumismo desenfreado, a busca de visibilidade e sucesso em contraponto com a comunicação instantânea e seus bens e serviços mais acessíveis, também são vistos e refletidos pelos autores ao longo de 137 páginas.

Pais de filhos adolescentes, professores e profissionais da Educação e Psicologia têm neste “livro-bússola”, um indicador preciso para o norte a seguir em meio a um presente contraditório e do futuro que se pretende construir.

 

Nossa sorte, nosso norte: para onde vamos?

Autores: Flávio Gikovate e Renato Janine Ribeiro

Editora Papirus e 7 Mares, 2013

 

Coordenadora geral do Projeto Correio Escola Multimídia, mestre em Psicologia Escola pela PUC-Campinas.
enviada por Cecília Pavani
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11/12/2013 15:35:04.000
Do Quintal

  É depois de dar cabo da correria em que se transformou a minha vida que finalmente consigo parar, acalmar a respiração e me preparar para dar voz à minha alma, aos meus devaneios, às profundezas do meu ser. As horas voam por nossos poros e com elas tudo aquilo que pretendíamos fazer, os planos que não cabem no tempo. Os sonhos são sempre inversamente proporcionais  a ele, e por essa razão estamos a todo instante desistindo daquilo que não se faz urgente para os mecanismos do cotidiano, mas que são de extrema necessidade como alimento dos desejos, das pequenas alegrias, aquelas que constroem nossa felicidade mais pura.

 

É nessa hora que costumo me recolher ao pedaço preferido de nossa casa: meu quintal. Não se trata de nada imenso, repleto de decorações de último tipo, arquiteturas sofisticadas, e é justamente isso que o torna tão belo aos meus olhos. Não é nem muito grande, nem muito pequeno, tem o tamanho ideal para me fazer voar para outros quintais e então me lembrar da minha infância em um quintal, esse sim, bem grande, cheio de árvores, frutas, aves, onde me era permitido ficar de pé no chão e sentir o mundo, pendurar-me nas goiabeiras, sentir cheiro de terra, de liberdade e de lá achar que eu poderia tudo nessa vida. Também é sentada nesse meu canto querido que volto à minha terra e penso em nossa vila,  que naquela época me parecia ser  enorme.Lá cresci, brinquei, corri, estudei, cantei, sorri, mas também foi ali que aprendi a chorar e a perder. 


Sentada no meu quintal, ouvindo as músicas que me acrescentam e que me transportam para os lugares de minhas lembranças eu posso ver o céu e de noite, as estrelas, e assim consigo me iluminar com o brilho delas. Viajo pelas nuvens alcançando a lua, aquela que é sempre motivo de inspiração aos grandes poetas e, não querendo ser pretensiosa, acredito que também eu posso me servir dela para criar minhas ilusões.

Daqui do meu quintal posso escutar as vozes dos que já estão longe, penso neles e nesse mundo mágico criado por mim parece que eles renascem e me acalentam quando estou triste, ou riem comigo quando me alegro. Fazem parte de mim, como se nunca tivessem partido e assim consigo juntar, de alguma forma, o passado e o presente, em uma reunião muito particular, na qual só cabe o amor, o carinho, o sorriso farto, as memórias. O que fomos e o que somos hoje, num só espaço e, finalmente, torna-se verdade o sonho de renascer e de viver para sempre.
 

Trata-se apenas de um quintal, o que me faz lembrar de certo poeta ao falar de sua aldeia e do Tejo. É assim que me sinto, porque “somos do tamanho que queremos ser” e eu vejo aqui nesse meu mundo, o paraíso que quero ver, sonho os sonhos que desejo sonhar, dessa forma, segue seguindo a vida, até o fim, até o céu, até então...

Professora de Português e Inglês para Ensino Médio e Curso Pré-Vestibular, formada pela Universidade Católica de Campinas , com formação também em Tradutor e Intérprete da Língua Inglesa. Aluna do curso de extensão "Mídia, Leitura e Comunicação", oferecido pelo Correio Escola Multimídia em parceria com a Faculdade de Educação da Unicamp.
enviada por Maria Celeste Valente Ribeiro
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03/12/2013 16:34:12.000
Inscrições - Não perca o prazo promocional

Termina no próximo dia 10 de dezembro o prazo para inscrições com preços promocionais no 7° Seminário Nacional "O Professor e a Leitura de Jornal", que ocorre na Unicamp, em 24 e 25 de abril de 2014. O tema é "Comunicação, Educação e Sociedade do Espetáculo". As inscrições podem ser feitas pelo site: www.correioescola.com.br.

 

Jornalista, especialista em Jornalismo Literário, mestre em Divulgação Científica e Cultural pela Unicamp. Coordenador de Jornalismo do Correio Escola Multimídia.
enviada por Fabiano Ormaneze
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25/11/2013 14:13:09.000
“O AMOR NA ERA DOS APPS”
foto: Dominique Torquato / AAN

 Barzinhos, baladas e festas, antigamente locais de encontros, do olho no olho, da paquera pessoal até chegar na conversa, hoje estão fora de uso porque convertidos em mensagens à distância seja pelo email ou “Whats App”, conforme reportagem publicada no Correio Popular neste domingo (24/11/13, páginas A14 e A15, Cidades) de Patrícia Azevedo.

Não se discute a importância das redes sociais e da tecnologia hoje em dia, mas sim o fato de se avaliar o outro, apenas por estes meios midiáticos, submetendo-o a um olhar mecânico que ultrapassa a conversa e o relacionamento pessoais, bases de uma convivência mais segura e real.

Sabemos que os tímidos se valem de tais recursos bem como os que têm medo de enfrentar rejeições, mas pergunto:

- Até que ponto os aplicativos utilizados valem a pena para se manter um bom relacionamento no mundo real?

- Ou se vai ficando apenas no trocar informações pelo Facebook, Twitter ou Whats App com medo de se mostrar como realmente é?

Não concordo com opiniões reveladas na matéria em que o Facebook “...não tem como enganar muito” e que “ninguém tem tempo para perder”... Concordo que no Facebook você pode se mostrar fisicamente como é, mas também sabemos o quanto se pode enganar bem em relação a sua personalidade real colocando um perfil de acordo com o que gostaria que o outro soubesse e que nem sempre corresponde ao que você realmente é ou poderá ser para este outro.

São raras as pessoas que tem a coragem de se mostrar como o são realmente hoje em dia; são as bem resolvidas consigo mesmas e que pessoalmente assumem suas falhas e vícios sem medo de se relacionar.

Para se dizer que se conhece bem alguém necessita-se de tempo, de convivência, de diálogo e ainda assim, correr o risco de descobrir o outro muito diferente do que se imaginava.

A convivência atual está perigosamente se restringindo a troca de fotos (o famoso “selfie”) e a poucos momentos de contato pessoal onde o “descarte”, a falta de responsabilidade imperam deixando a emoção, a descoberta do outro e relacionamento verdadeiros em segundo plano quando, não,  no irrisório deixa prá lá, “eu não to a fim de compromisso e esses sites ajudam muito porque você já define o tipo de pessoa que busca”.

Relacionamentos e conversas se reduzem ao curtir, compartilhar e ao olhar constantemente a tela como se o celular, tablet ou computador, objetos que são pudessem conter toda a perfeição da descoberta do outro, por si mesmo, no contato emocional revelado pelos olhares, pelo jogo corporal e verbal, táticas imprescindíveis de uma conquista que valha a pena.

O jovem atual está se distanciando pela tecnologia de conhecimento real do outro e avaliando parceiros(as) não pelo que realmente são e agem, mas pela máquina onde todas as situações são construídas de acordo com o “cliente” e seu gosto frente a um imenso “cardápio” de homens e mulheres a ser analisado e consumido a curto prazo e trocado quando lhe convier.

Coordenadora geral do Projeto Correio Escola Multimídia, mestre em Psicologia Escola pela PUC-Campinas.
enviada por Cecília Pavani
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