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25/11/2013 09:23:29.000
Ação social fundada por espíritas nasceu há quatro décadas
foto: Acerv/Casa de Jesus

Sylvia Paschoal (foto)  fazia parte de um pequeno grupo de amigos espíritas, que se encontravam para estudar e orar. Em uma daquelas reuniões, lá em 1975, eles tiveram a ideia de fundar um centro assistencial para pessoas carentes. E a Casa de Jesus nasceu em uma casa alugada, na Rua Barão de Jaguara. Por lá havia distribuição de remédios, mantimentos, roupas. Mas o engajamento da comunidade foi tão grande que o espaço ficou pequeno. E o grupo, cheio de prestígio, ganhou da Prefeitura uma gleba para erguer a própria sede. O matagal ficava no coração de um novo loteamento, que anos mais tarde se tornaria o elegante Jardim das Paineiras. Depois que o prédio estava pronto, o salão principal passou a ser alugado para eventos e festas. E, com o dinheiro arrecadado, os espíritas ampliaram as dependências, e inauguraram outros núcleos assistenciais pela cidade toda.

A mulher foi, assim, pioneira de um projeto social belíssimo, que hoje envolve quase mil cidadãos, das mais diferentes profissões, que se oferecem para trabalhar de graça pelos mais necessitados. São professores, médicos, dentistas, enfermeiros, economistas, engenheiros. Hoje, nada menos que 250 famílias se alimentam com as cestas básicas distribuídas pela entidade. Mais de 7 mil pacientes são cadastrados e passam por consultas médicas gratuitas. Moradores de rua são acolhidos, se alimentam, recebem assistência. Bazares vendem móveis arrecadados em doações por preços módicos, que podem ser pagos por famílias bem humildes. Enfim, a ação solidária começou há quase quatro décadas, e nunca mais parou.

A cidadã partiu deste mundo há quase cinco anos. Certo, Campinas sempre reconheceu seu trabalho. Mas as homenagens nunca são demais. E a senhora inspirou o escritor Régis de Moraes a publicar o livro Caminhos da Eternidade, que acaba de ser lançado. Não é uma biografia. É, sim, um romance escrito com base em anotações e desenhos feitos pela própria Sylvia Paschoal. Mostra o progresso pessoal a partir do trabalho prestado aos semelhantes. A obra, de texto leve, envolvente, remete à obra da própria médium na Terra.

O autor, de 73 anos, mineiro de Passa Quatro, filósofo e cientista social, doutorado em Educação, fez carreira como professor universitário na Unicamp. Na carreira, lecionou no Chile e em Portugal. Recentemente morando em Campinas, ele se tornou professor titular do mestrado no Centro Universitário Salesiano do Estado de São Paulo (Unisal). São 47 livros publicados, nas áreas de filosofia, sociologia e literatura. E a literatura religiosa é uma das suas vertentes de criação. Pela campineira Editora Allan Kardec, ele já publicou nada menos que nove livros. E se rende à paixão pelo kardecismo. “Os milênios mudam a face do mundo.Mas a esperança da reencarnação estabelece uma nítida relação, não entre culpas e punições, mas entre pretéritos e novas oportunidades”, afirma.

Morais se lembra emocionado, do contato com Sylvia. Fala de quando a médium lhe entregou as singelas anotações e lhe sugeriu a publicação de uma novela ou um romance espírita, edificante. “Aquela senhora era especial. Combinava doçura e firmeza., elegância e espírito de doação”, fala. A história de cada espírito nas anotações da médium inspirou a criação de personagens fictícios, mas a narrativa nunca se distancia dos fundamentos reais. Morais diz que se sentiu estimulado a escrever, soltar a literatura, a “ajudar os irmãos a crescerem, no coração e na mente”.

 

SAIBA MAIS

Informações sobre a obra podem ser conseguidas pelo telefone (19) 3242-5990. O endereço eletrônico é o editora@allnakardec.org.br
Pessoas interessadas em obter informações sobre as ações sociais do grupo espírita fundado pelo grupo de Sylvia Paschoal podem acessar o endereço eletrônico www.seareiros.org.br

 

 

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25/11/2013 09:19:53.000
A ação benemerente espírita, que atravessa décadas e crescese[´c conta a
foto: Acerv/Casa de Jesus

Sylvia Paschoal fazia parte de um pequeno grupo de amigos espíritas, que se encontravam para estudar e orar. Em uma daquelas reuniões, lá em 1975, eles tiveram a ideia de fundar um centro assistencial para pessoas carentes. E a Casa de Jesus nasceu em uma casa alugada, na Rua Barão de Jaguara. Por lá havia distribuição de remédios, mantimentos, roupas. Mas o engajamento da comunidade foi tão grande que o espaço ficou pequeno. E o grupo, cheio de prestígio, ganhou da Prefeitura uma gleba para erguer a própria sede. O matagal ficava no coração de um novo loteamento, que anos mais tarde se tornaria o elegante Jardim das Paineiras. Depois que o prédio estava pronto, o salão principal passou a ser alugado para eventos e festas. E, com o dinheiro arrecadado, os espíritas ampliaram as dependências, e inauguraram outros núcleos assistenciais pela cidade toda.

A mulher foi, assim, pioneira de um projeto social belíssimo, que hoje envolve quase mil cidadãos, das mais diferentes profissões, que se oferecem para trabalhar de graça pelos mais necessitados. São professores, médicos, dentistas, enfermeiros, economistas, engenheiros. Hoje, nada menos que 250 famílias se alimentam com as cestas básicas distribuídas pela entidade. Mais de 7 mil pacientes são cadastrados e passam por consultas médicas gratuitas. Moradores de rua são acolhidos, se alimentam, recebem assistência. Bazares vendem móveis arrecadados em doações por preços módicos, que podem ser pagos por famílias bem humildes. Enfim, a ação solidária começou há quase quatro décadas, e nunca mais parou.

A cidadã partiu deste mundo há quase cinco anos. Certo, Campinas sempre reconheceu seu trabalho. Mas as homenagens nunca são demais. E a senhora inspirou o escritor Régis de Moraes a publicar o livro Caminhos da Eternidade, que acaba de ser lançado. Não é uma biografia. É, sim, um romance escrito com base em anotações e desenhos feitos pela própria Sylvia Paschoal. Mostra o progresso pessoal a partir do trabalho prestado aos semelhantes. A obra, de texto leve, envolvente, remete à obra da própria médium na Terra.

O autor, de 73 anos, mineiro de Passa Quatro, filósofo e cientista social, doutorado em Educação, fez carreira como professor universitário na Unicamp. Na carreira, lecionou no Chile e em Portugal. Recentemente morando em Campinas, ele se tornou professor titular do mestrado no Centro Universitário Salesiano do Estado de São Paulo (Unisal). São 47 livros publicados, nas áreas de filosofia, sociologia e literatura. E a literatura religiosa é uma das suas vertentes de criação. Pela campineira Editora Allan Kardec, ele já publicou nada menos que nove livros. E se rende à paixão pelo kardecismo. “Os milênios mudam a face do mundo.Mas a esperança da reencarnação estabelece uma nítida relação, não entre culpas e punições, mas entre pretéritos e novas oportunidades”, afirma.

Morais se lembra emocionado, do contato com Sylvia. Fala de quando a médium lhe entregou as singelas anotações e lhe sugeriu a publicação de uma novela ou um romance espírita, edificante. “Aquela senhora era especial. Combinava doçura e firmeza., elegância e espírito de doação”, fala. A história de cada espírito nas anotações da médium inspirou a criação de personagens fictícios, mas a narrativa nunca se distancia dos fundamentos reais. Morais diz que se sentiu estimulado a escrever, soltar a literatura, a “ajudar os irmãos a crescerem, no coração e na mente”.

 

SAIBA MAIS

Informações sobre a obra podem ser conseguidas pelo telefone (19) 3242-5990. O endereço eletrônico é o editora@allnakardec.org.br
Pessoas interessadas em obter informações sobre as ações sociais do grupo espírita fundado pelo grupo de Sylvia Paschoal podem acessar o endereço eletrônico www.seareiros.org.br

 

 

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18/11/2013 12:51:38.000
Acidente durante instrução encerrou a carreira militar do soldado Passarinho
foto: Dominique Torquato

Naquela tarde, os soldados do batalhão participaram de uma marcha motorizada pela gleba do Exército, e voltavam para o quartel a bordo dos inesquecíveis carros de combate Stewart. Cada um dos veículos, modernos para a época, pesava mais de dez toneladas e atingia a velocidade de 60 km/h. Aquele dia 17 de agosto de 1967, no entanto, ficaria para sempre na memória da tropa. A lagarta se rompeu e um imponente Stewart, desgovernado, tombou a provocou a morte do soldado Paulo Afonso Proença Passarinho, alagoano de Maceió, que morava em Campinas e sonhava com a carreira militar.

 

Uma história, por sinal, que era ignorada pelas novas gerações. A memória do soldado já era, sim, cultuada pela denominação de uma rua com uma única quadra, no Jardim Chapadão. Mas a maior homenagem foi prestada pelo próprio comando do batalhão. Soldado Passarinho foi o nome escolhido para a avenida que começa mas imediações do Círculo Militar (no final da Avenida papa Pio XII). atravessa toda a gleba do Exército (terras da antiga Fazenda Chapadão), e termina na Via Anhanguera.

 

Quem tem o prazer de dirigir por aqueles quatro quilômetros de asfalto fica impressionado com paisagens que resistem ao tempo. A via atravessa a vila militar erguida em meados do século passado para abrigar famílias de sargentos em serviço por aqui. Quem para no acostamento também curte um verdadeiro museu a céus aberto, com tanques, canhões antiaéreos, jipes e caçambas que estiveram à disposição da Artilharia e da Infantaria. A via é acesso obrigatório para todas as companhias, pelotões e batalhões sobordinados à 11ª Brigada de Infantaria Leve. Nas margens da venida também fica a sede da Embrapa Monitoramento por Satélite.

 

E um busto do soldado, decorado com flores, foi instalado no começo da avenida, nas imediações do posto de atendimento médico a serviço de todo o efetivo campineiro do Exército.

 

Quem teve o capricho de pesquisar a trajetória de vida do soldado foi o subtenente Rialdo Capelini Júnior, cidadão que (com 25 anos de carreira militar) responde pelo setor de relações públicas do 28º Batalhão de Infantaria Leve (BIL), e foi uim dos organizadores do memorial instalado no segundo piso do quartel. Apaixonado por história, ele buscou na internet informações sobre Passarinho, e notou que todas as postagem faziam referência a entidades lcoalizadas na avenida. Sobre o soldado, ninguém sabia nada. Diante da situação, ele passou três meses mergulhado no arquivo morto do 28 º BIL, que guardam documentos do antigo 1º Batalhão de Carros de Combate Leves (nome original da unidade, que foi fundada no Recife e se transferiu para Campinas em 1947).

 

Lá dentro, entre papeis amarelados e alfarrábios, Capelini encontrou até a cópia da nota oficial à imprensa, assinada pelo coronel Sidney Teixeira Alvares, comandante da Guarnição Militar de Campinas. Além de informar a morte de Paulo Agonso Proença Passarinho, a nota relaciona nomes dos outros militares que ocupavam o carro de combate, e que sofreram ferimentos leves no acidente: o soldados Dirceu Crespo, Adilson Fontoura e Gerson José Grabl, e o estudante Paulo Roberto Monteiro, aluno do antigo Núcleos de Preparação de Oficiais da Reserva (NPOR).

 

Mas Capelini se aprofundou na papelada e descobriu muio mais sobre o soldado. Ele era sobrinho, por sinal, de Jarbas Passarinho, militar de carreira, que no regime militar foi senador, governador do Pará e ministro de pastas estratégicas como o de Trabalho e Previdência Social e Educação. A memória registrada em atas e cartas também fala do caráter do rapaz que, embora nascido em família tradicional e abastada, se oferecia para alfabetizar jovens humildes que vinham de todo canto do País para integrar a tropa. “Ele nunca pleiteou sequer uma troca de serviço. Apesar da importância do parente famoso, o soldado Passarinho sempre foi extremamente humilde, solidário, querido pelos velhos amigos da caserna. Quem serviu em 67 o conheceu bem, e nos deu testemunhos cheios de admiração e respeito”, fala.


O comandante atual do 28º bil, tenente coronel Iuri Roberto Melo, chegou há pouco mais de um ano em Campinas, e deu todo apoio à pesquisa histórica. Ele próprio fez questão de mostrar, à reportagem, um exemplar do velho carro de combate Stewart, que servia ao batalhão no passado, e que hoje decora a entrada do batalhão. O carro serve para despertar, entre os soldados de hoje, a história do soldado morto durante a instrução.

 

enviada por: Rogério Verzignasse
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29/10/2013 09:59:38.000
O 'primeiro' bicentenário foi factoide explorado por adversários políticos
foto: Coleção pessoal

No ano de 1939, a festa tomou conta da cidade. Peças teatrais, apresentações artísticas, desfiles cívicos, cerimoniais. Políticos renomados e empresários importantes desembarcavam o tempo todo na estação. Lá no terreno do Hipódromo (esquina das ruas Governador Pedro de Toledo e Pereira Lima), a Prefeitura montou um moderno espaço de exposições, com direito a stands, bares, cassino. Naquele ano, Campinas comemorou o bicentenário de sua fundação. Festa muito digna, claro. Se não representasse um equívoco tremendo. O vilarejo comprovadamente foi fundado em 1774. Mas a comunidade “antecipou” os festejos em nada menos que 35 anos.O ano correto do bicentenário seria 1974.

Desatenção? Erro inocente? Antes fosse. Um livro eletrizante de 160 páginas, com lançamento previsto para o dia 21 de novembro, revela bastidores de uma festa explorada com nítidos objetivos políticos. Os eventos espetaculares serviram à implacável máquina de propagada do Estado Novo. O evento foi usado para angariar a simpatia do público a Getúlio Vargas, ao mesmo tempo que ofuscava o discurso dos opositores do regime.

Bicenternário de Campinas _ A saga que a cidade amou foi escrito por Rubem Costa, cidadão que integra a Academia Campinense de Letras (ACL), e que testemunhou, pessoalmente, a catarse coletiva pelos festejos. Ele, que tinha 19 anos na época, fez a cobertura jornalística de todas as atrações, trabalhando no Diário do Povo. E ele confessa hoje, na sabedoria dos 94 anos de idade, que a própria reportagem se deixava levar pelo ufanismo, e nem percebia que a massa era manobrada.

O autor faz uma observação muito importante. A comemoração do bicentenário foi idealizada por Ernesto Kuhlman, advogado e professor de alemão no Culto À Ciência, que também tinha sido vereador pelo antigo Partido Republicano Paulista (PRP). O líder queria se Campinas se afirmasse na festa, como berço das primeiras lideranças republicanas, em uma clara proclamação de amor à democracia. Kulhman (com a ajuda estratégica do jornalista Joluma Brito) sugeria até que, naquele ano, a sociedade se engajasse na instalação de monumentos em homenagem a conterrâneos que tinham sido os pioneiros do idealismo republicano. Seria uma fota de alfinetar o ditador Vargas e resgatar os genuínos propósitos republicanos.

Diante do quadro, Vargas podia simplesmente ter usado seus equipamentos repressores para impedir eventos que interessava, aos seus adversários. Mas, dono de uma habilidade política inigualável, o ditador não só apoiou os festejos, como tomou carona nas atrações para difundir o próprio governo. E a estratégia política não era nova. Vargas já tinha nomeado como interventor no governo paulista ninguém menos que Adhemar de Barros, antiga liderança republicana. O ditador seduzia políticos que abandonaram os próprios conceitos ideológios, enebriados pelo poder.

Naquele ano, os desfiles de estudantes do Culto, Ateneu Paulista , Liceu, Carlos Gomes e Santa Maria eram espetáculos monumentais, que tinham como moldura recintos que vendiam a imagem da cidade perfeita, do governo impecável. A criançada dos grupos desfilavam com bandeirinhas verde e amarelas, a par com estandartes que tinham a imagem de Getúlio. “Os festejos acabaram sendo representando o poder ditatorial que se se impunha e expandia”, fala o autor. As propostas de Kuhkman e Jolumá para a festa simplesmente desapareceram.

O livro também reproduz imagens raras, comio a do quadro pintrado por Salvador Caruso, e que retratava a primeira missa em Campinas, celebrada pelo Frei Antônio de Pádua diante da capela onde mais tarde seria erguida a primeira igreja da cidade. Não se sabe por onde anda o quadro original. A foto era guardada em caixas onde o ex-repórter juntou as recordações da própria carreira no Diário do Povo.

Rubem Costa deixou a carreira jornalista em 43,quando entrou no Magistério. Depois se tornou inspetor do ensino secundário e o primeiro diretor da Divisão Regional de Ensino em Campinas. O cidadão, autor de mais de mil crônicas é colunista do Correio Popular.


SAIBA MAIS

O livro Bicentenário de Campinas _ A saga que a cidade amou, editado pela Komedi, erá lançado dia 21 de novembro, em evento especial na Academia Campinense de Letras(ACL). Os 500 exemplares da primeira edição serão vendidos pela própria academia, que vai usar toda a arredação em seus programas de difusão cultural. Cada exemplar vai custar R$ 35,00. Contatos com o autor podem ser feitos pelo telefone (19) 3254-2973

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21/10/2013 10:15:10.000
Academia de boxe mantém contas de clube que atravessou o século
foto: Dominique Torquato


As novas gerações nem se dão conta. Mas ali na Rua Dr. Ricardo, a uma quadra da antiga estação rodoviária de Campinas, existe um clube que atravessou um século, e que ainda hoje representa importante opção de lazer para os trabalhadores. Há bailes a preços populares, que lotam o arrasta-pé nos finais de semana. E a entidade cobre parte das despesas com o dinheiro de anuidades simbólicas, pagas por alunos de sua academia de boxe. Aquele ringue, montado há 23 anos, revelou e continua revelando os principais atletas campineiros da modalidade.

O Clube Atlético Campinas (CAC) nasceu em 1896, há quase 118 anos. Na primeira metade do século passado, quando a cidade se industrializava rapidamente, a associação tinha piscinas, salão social, quadras. .Mas o tempo passou. Trechos do tradicional bairro do Botafogo mergulharam na decadência. As quadras do entorno do clube se transformaram em reduto de hotéis baratos e prostituição. Antigas casas de família, com fachadinhas centenárias, hoje são cercadas de grades. Pelas calçadas, perambulam jovens entorpecidos.

O CAC, no entanto, sobrevive às transformações do entorno. Nas noitadas do forró, falta espaço para estacionar o carro. E a galera do boxe _ adolescentes e adultos, homens e mulheres _ entra e sai na academia o tempo todo. Em todos os períodos há gente treinando. E a turma se reveza para usar os colchonetes espalhados pelo chão e os sacos de pancada pendurados nas vigotas. O clube preserva a velha magia: é repeitado e amado pelos vizinhos.

Ah, sim. Ao longo do século, as intervenções urbanas obrigaram o CAC a se desfazer de antigas dependências. A configuração viária planejada por conta da antiga rodoviária, por exemplo, dividiu a Dr. Ricardo. O clube acabou confinado a um beco. Desapareceu a figura do sócio. E o grupo de frequentadores do salão se limita agora ao público dos bailes. Há três anos, a presidência é ocupada pelo publicitário aposentado Wilson de Freitas, de 63 anos. Mineiro de Ouro Fino, ele se mudou para Campinas nos anos 60. Conheceu o clube, se apaixonou, e nunca mais saiu dali.

Orgulhoso, o presidente fala os músicos da banda são funcionários contratos do clube, assim como o pessoal da portaria, da segurança, da manutenção. A única fonte fixa de renda é a contribuição simbólica, paga pelos cem alunos que treinam boxe. Mas a arredação total _ algo em torno de R$ 3 mil por semestre _ não é suficiente para pagar todas as contas. O caixa é fortalecido com o dinheiro dos ingressos do forró. Cada um custa R$ 10,00. E o salão tem capacidade para receber mil frequentadores a cada noitada.

O público mais fiel é o da terceira idade. Mas as portas estão abetas para gente de qualquer idade. “O clube é um ponto de encontro de amigos. A gente oferece diversão saudável. É lazer a preço baratinho, que o povo pode pagar.”, fala o presidente.

O campeão

Na academia, um funcionário virou símbolo do CAC. Luiz Fernando Caetano da Silva (foto), cidadão de 47 anos, hoje treina os atletas amadores. Para sobreviver, também trabalha no Tênis, na Ponte Preta e em outras academias. O rapaz descobriu o esporte ali mesmo, na Dr. Ricardo. E, como atleta amador, foi simplesmente tricampeão paulista e tricampeão brasileiro dos meio-médio ligeiros, entre os anos de 1989 e 1991. Também disputou a medalha de bronze nos Jogos Panamericanos de 91, disputados em Havana.

Na época em que colecionava cinturões, Caetano se tornou profissional e chegou a treinar nos Estados Unidos. Passou por ringues na Rússia, França, Alemanha, Inglaterra, Itália, Dinamarca. E, quando a idade foi chegando, ele decidiu ser treinador. De volta ao CAC, se tornou diretor esportivo. Nas paredes, além das fotos de eternos ídolos (como Cassius Clay), Caetano preserva a foto do seu primeiro técnico, José Roberto Oliveira, que hoje curte a aposentadoria lá em Dois Córregos. “A minha história de vida está dentro desse clube”, fala.

E, na empreitada de técnico, o entusiasmo é o mesmo. Ele revelou, por exemplo, Flávia Figueiredo, peso-pesado, uma das principais boxeadoras brasileiras da atualidade. E treina os cinco rapazes que, ainda neste mês, vão representar Campinas nos Jogos Abertos do Interior, em Mogi das Cruzes.

Caetano fala que a academia, antes de mais nada, é socialmente muito importante. Lembra de ex-alunos, por exemplo, que abandonaram as drogas depois de conhecer o ringue. E, por conta deste serviço prestado, a Prefeitura e diversos patrocinadores investem na formação de atletas. Fornecem desde passes de ônibus a suplementos alimentares, ajudam na compra de luvas, subsidiam tratamentos com fisioterapeutas. “Mostrando serviço, a gente ganha apoio”, diz.


BOX


No próximo dia 19, Jeferson Merin Meida, de 33 anos, embarca para Mogi das Cruzes, confiante que vai trazer medalha dos Jogos Abertos. O rapaz, que ganha a vida como professor em uma academia de ginástica, também descobriu o boxe no Clube Atlético Campinas (CAC). E ele se tornou um exemplo do trabalho social promovido historicamente pela entidade. Morador da região do Jardim Yeda, ele teve origem bem humilde e ia abandonar a escola no final do Ensino Médio. Mas foi ali, treinando no Botafogo e representando Campinas nas competições, que ele ganhou bolsa de estudos para a sonhada Educação Física. Ele está no 2º ano, na Faculdades Anhanguera. “O esporte é assim. Ajuda a ter uma vida melhor”, comemora.


SAIBA MAIS

O Clube Atlético Campinas (CAC) fica na Rua Dr. Ricardo, 621, Botafogo. Os telefones de contato são (19) 3231-6946 (academia) e 3233-4446 (social). Os bailes acontecem nas noites de quinta-feira, sábado e domingo. A academia fica aberta nos dias úteis das 9h às 20h30

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14/10/2013 10:21:11.000
A mesma dignidade, nas mansões e na casinha humilde
foto: Gustavo Tílio

Quando Marilu veio ao mundo, o Cambuí era bem diferente. As casinhas eram reduto de gente bem humilde. Nada de prédios elegantes, carros importados, lojas refinadas. Ela nasceu em uma família enorme, de doze irmãos. E a garotada cresceu por ali mesmo. Só que, naquele tempo, se começava a trabalhar muito cedo. Dos 10 aos 22 anos de idade, por exemplo, ela foi babá, faxineira, cozinheira, acompanhante. Trabalhou na casa de campineiros importantes: políticos, empresários, professores, médicos.

Marilu Augusta da Silva faz 76 anos dia 26 de outubro. Ela conta que era apresentada às famílias tradicionais pela sua própria irmã, Ciça Manuela, que era quituteira de mão cheia, e cuidava dos cardápios nas festas mais elegantes.

Bom, a família tinha outras figurinhas carimbadas, conhecidas do bairro todo. O pai, o “Benedito velho” trabalhou na PM a vida toda. Mas, sem a farda, trabalhava como vigia particular nas mansões que brotavam por aquelas bandas. O irmão, o “Benedito novo” (conhecido como Bitoca, foi açougueiro). A mãe Francisca “dava pensão”, ou seja, fornecia almoço e janta. Os clientes passavam na casa dela, ali pela Rua Santa Cruz, e levavam a comida prontinha, embrulhadinha, qualquer dia da semana.

“Ah, era um tempo que, no Cambuí, a gente sabia quem era filho de quem, quem fazia o quê. Os vizinhos se conheciam, faziam festa, convidavam”, fala.

Bom, Marilu esteve na casa de campineiros célebres: Miguel Vicente Cury, Ruy Novaes, Armindo Dias, Ruy Rodriguez. Também fazia “extras” e, com a irmã, encarava até finais de semana, trabalhando para os Picolotto, Santoro, Godoy, Duarte ... Enfim, a dona vai desfilando um rosário de sobrenomes muito conhecidos.

Ela deixou de servir às altas rodas da sociedade depois se se casar . O marido Rubens (antigo telegrafista da Companhia Mogiana e depois servidor público municipal) era evangélico e muito conservador. Nos tempos de machismo radical, mulher não trabalhava fora. Ainda mais como no caso de Marilu. A moça passava até 20 dias longe de Campinas, como empregada de famílias que curtiam as férias na praia. Mas ela aceitou. “A esposa obedece o marido”, resume.

O casal teve de se mudar para a casa dos sogros, na Vila Boa Vista. E viveram juntos por mais de cinco décadas. O maridão se foi há três anos, mas ela continua por ali. Hoje, ela divide o teto com dois filhos, um genro, netinhos e o impagável vira-latas Vitório.

Saudade do Cambuí? Tem sim, mas daquele bairro que não existe mais. A memória é cultuada com os pratos e os vasos que ela ganhou de presente dos vizinhos quando casou, e continua enfeitando os armários. Também há as fotos muito antigas, em preto e branco, das pessoas naquela ruazinha sossegada. Só isso. Sua vida, agora, é em outro lugar. E continua boa.

No Boa Vista, fala, ainda se vê o céu, se conversa na sombra da árvore da calçada. Falam mal do bairro, ela sabe: tráfico, violência... Mas, para Marilu, no jornal e na TV não aparece a história da grande maioria: gente que trabalha duro, paga as contas, cumpre a lei, educa os filhos. “Minto se disser que, um dia, faltaram com o respeito comigo e com minha famílias”, fala. E ela sai de casa numa boa, e até canta no coral das senhoras da Assembleia de Deus, três noites por semana.


Mas a dona sabe, sim, que o convívio fácil é herança do tempo em que ela trabalhava nas mansões. “Guardo comigo um grande ensinamento do meu pai. Neste mundo, a gente precisa saber entrar e saber sair. Não me meto na vida dos outros, e ninguém se mete na minha”, fala. Marilu se recusa, terminantemente, a criticar qualquer patrão, ou contar causos sobre o que viu e o que ouviu. “Eu ganhava meu salário para fazer faxina, para cozinhar, para cuidar de bebês. Nunca tive e nunca esperei presentes”, atesta. “Sou feliz. Não podia pedir mais nada.”

SAIBA MAIS
As pessoas interessadas em bater um papo divertido com a Marilu podem marcar uma visita pelo telefone (19) 3245-2057). Ela mora em uma casa popular erguida no começo dos anos 70, na Rua dos Angicos, Vila Boa Vista, em Campinas.

 

enviada por Rogério Verzignasse
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07/10/2013 10:19:22.000
O portal centenário de um verdadeiro museu a céu aberto
foto: Leandro Ferreira

Quem passeia pelo Cemitério da Saudade, em Campinas, se depara com um acervo artístico belíssimo. Há jazigos, capelas e estátuas forjados com material nobre. Peças concebidas dentro de um academicismo refinado e reconhecido.

O antigo Cemitério do Fundão (encravado entre o núcleo urbano campineiro e o antigo distrito de Valinhos) incorporou, em 1881, necrópoles privadas do Centro, administrados por ordens religiosas.

O cemitério público nasceu em uma gleba doada de 181,5 mil metros quadrados. Mas continuou separando os mortos em alamedas específicas, de acordo com os grupos a que eles pertenciam. Continuava, depois da morte, a segmentação social existente em vida.

 

O imenso acervo artístico foi montado com obras de artistas consagrados como Tomagnini, J. Rosadas, Velez, Albertini, Colluccini. E o espaço ganhou um portal imponente, inaugurado há exatamente cem anos, para se tornar um cartão-postal da cidade.

 

O Cemitério da Saudade acabou tombado em 2003 como patrimônio de Campinas. Segundo Daisy Ribeiro, da Coordenadoria Setorial do Patrimônio Cultural de Campinas (CSPC), o portal não foi tombado propriamente por suas qualificações artísticas, mas por representar a cultura campineira da época. “O portal acabou integrando o conjunto histórico”, afirmou.

 

O arquiteto João Verde, professor da Pontifícia Universidade Católica de Campinas (PUC-Campinas), explica que o portal trazia elementos da arquitetura clássica europeia, que representava a cultura oligárquica da época (expressa nos palacetes, sobrados e prédios públicos). O projeto saiu das pranchetas de Ramos de Azevedo, que entrou para a história como arquiteto da elite paulista.
A carreira


 

 

Filho de tradicional família da campineira, Francisco de Paula Ramos de Azevedo nasceu em 1851. Depois se formar na Bélgica, inaugurou por aqui seu escritório de arquitetura e começou, por volta de 1880, a carreira profissional brilhante.


 

 

Na sua pena, a escola clássica ganhou elementos ecléticos, e seus projetos se tornaram uma grife. As fachadas ganharam colunas sulcadas, ornamentos entalhados, balaústres delicados, gradis torneados.


 

 

E os donos do poder econômico — que controlavam a produção agrícola do Estado — o levaram a São Paulo.


 

 

Em 1886, ele passou a comandar um escritório onde, além das residências finas, foram elaborados projetos de edifícios que passaram a fazer parte da “imagem institucional” da Capital: o Teatro Municipal, a agência central dos Correios e Telégrafos, o Liceu de Artes e Ofício (atual Pinacoteca), o Palácio das Indústrias (sede da Prefeitura do município), o Estádio do Pacaembu e o Mercado Municipal.

 

 

 

Nova ordem política 

A obra de Ramos de Azevedo se confunde com a própria história da educação. O arquiteto genial fez adaptações em um casarão do poderoso Marques de Três Rios (Joaquim Egídio de Souza Aranha) para fundar, na Capital, a Escola Politécnica, escola superior pioneira do período republicano, onde se formaram nossos primeiros engenheiros. A faculdade, onde Ramos lecionou, era símbolo da ordem político-social que se instalava, sob influência do setor produtivo.

 

Mas, respeitadíssimo em São Paulo, o arquiteto jamais perdeu os vínculos com sua cidade natal. Aqui ele foi o responsável por projetos de prédios que se tornaram sagrados na paisagem: a sede da Delegacia Seccional, o Grupo Escolar Francisco Glicério, a Casa de Saúde, o Colégio Técnico da Unicamp...

Ramos de Azevedo morreu em 1928, 15 anos depois da inauguração do portal, e três anos depois do velho Cemitério do Fundão ser rebatizado com o nome atual, Cemitério da Saudade.

 


 

enviada por Rogerio Verzignasse
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16/09/2013 10:59:06.000
A dívida secular de Campinas com o maestro genial
foto: Cedoc/RAC

Campinas promove uma série de atividades culturais do Mês Carlos Gomes. Há apresentações de música instrumental, números de canto e dança; exposições e palestras. A comunidade celebra a memória do filho ilustre da terra, que se foi deste mundo no dia 16 de setembro de 1896. Mas nem sempre foi assim. No final do século 19, a cidade ignorava a importância de um gênio que, muito doente, só encontrou acolhimento no Pará, onde morreu. E, para acirrar os debates sobre o tema, uma pesquisa aprofundada (que será publicada em livro) comprova que o maestro tinha, no país todo, o reconhecimento que a própria terra natal não lhe conferia.

Depoimentos raros, publicados em jornais de época, revelam para as novas gerações que a morte de Carlos Gomes conseguiu pacificar uma nação nervosa. Naquele tempo, explodiam movimentos revoltosos em todo o território nacional, comandados por fanáticos religiosos ou opositores do jovem governo republicano. Os textos foram localizados, ao longo de visitas pacientes a aquivos públicos e privados, por Jorge Alves de Lima, presidente do Instituto Histórico, Geográfico e Genealógico de Campinas (IHGGC).

O cidadão, de 76 anos, foi durante 35 anos procurador jurídico da Prefeitura. Depois da aposentadoria, ele começou a se dedicar a uma antiga paixão pessoal _ escrever sobre história _ e se tornou membro do Centro de Ciências, Letras e Artes (CCLA) e da Academia Campinense de Letras (ACL). Ele é autor de O Ovo da Serpente, obra que passa a ser publicada em série a partir de novembro, pela Editora Arte Escrita, sobre a epidemia de febre amarela que quase apagou a cidade do mapa no final do século 19.

Foi, durante pesquisas para a obra, que Lima de deparou com relatos impressionantes. Como o do jornalista Álvaro Muller, que em reportagem do Diário de Campinas afirmava que a cidade devia prestar uma homenagem ao maestro que, naquele dia, agonizava no leito de morte. Para o redator, a iniciativa, “ainda que tardia”, seria uma forma de compensar o que parecia ser um “silêncio criminoso” dos conterrâneos. Para o redator, só os desdobramentos da epidemia terrível podiam justificar, naquele momento; “a ingratidão revoltante” da cidade.

E a pesquisa de Lima foi além. Documento encontrado no Arquivo Edgard Leuenroth, da Unicamp, reproduz o discurso de Júlio de Mesquita, fundador do jornal O Estado de São Paulo, que foi orador da solenidade póstuma em homenagem ao maestro, organizada no Teatro São Carlos no dia 26 de outubro de 1896 (um mês depois da morte). Mesquita afirmou, na ocasião, que o país estava diante do sério risco de se dividir em diversas republiquetas, por conta de movimentos separatistas. Mas que o falecimento do maestro promoveu uma verdadeira “explosão de sentimento patriótico”, que fez povo ignorar diferenças políticas e crises pontuais que alimentavam revoltas. “A arte é a afirmação de união de um grande povo”, disse o jornalista, no encerramento do discurso.

As revoltas, no caso, se referem às articulações patrocinadas por lideranças que sonhavam com o reestabelecimento do regime monárquico. Os atentados contra políticos republicanos, por exemplo, aconteciam ao mesmo tempo em que explodiam focos de insatisfação. “Aquela era uma época instável. Grupos fanáticos apareciam no sertão, militares articulavam revoluções dentro dos quarteis”, afirma o estudioso. “O doloroso martírio do maestro, diagnosticado com câncer na língua por médicos europeus, conseguiu unificar, pela primeira vez, os sentimentos do povo brasileiro”.

O teor detalhado dos textos encontrados será exposto na próxima sexta-feira, dia 20, durante encontro periódico dos membros do IHGGC, na sede do Rotary Club. “Acho que precisamos reparar um erro do passado. As novas gerações precisam saber que Campinas tem uma dívida moral, secular, com o maestro.”, diz

SAIBA MAIS

As pessoas interessadas em conhecer detalhadamente os relatos históricos sobre o maestro Carlos Gomes podem entrar em contato com o presidente do IHGGC pelo endereço eletrônico
jorge.alvesdelima2.gmail.com ou pelo celular (19) 99602-6574

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10/09/2013 09:07:28.000
Nas paredes de casas, histórias do jornalismo campineiro
foto: Dominique Torquato

O casal mora desde 1980 na mesma casinha, ali na Vila Padre Anchieta. O piso da sala tem tacos. A mobília é bem modesta. E as principais peças decorativas são imagens que o maridão clicou, ao longo da vida. José de Oliveira, de 80 anos, foi repórter fotográfico de primeira linha. A carreira, em jornais importantes da cidade, durou nada menos que 37 anos. A aposentadoria veio em 1991. E ele nunca mais pisou em uma redação. Como a esposa Mercedes, com 72 anos, trabalha como costureira, o Zé (com seu tremendo bom humor) lava as panelas, arruma os móveis, limpa o chão. Só sai de casa quando a “patroa” pede para comprar um zíper ou um retrós na lojinha do bairro. Pouco saem de casa, e quase nunca vão á cidade. Vão levando a vida, namoradinhos, como há 33 anos.

 

 

Mas quem entra pelo portão e se ajeita no sofá descobre que, aqueles dois, são a memória viva de anos românticos do jornalismo campineiro. “Zé Oliveira”, como é conhecido de veteranos do setor, nasceu em Campinas e começou a trabalhar menino, lá nos anos 40, vestindo a farda da guardinha e cuidando de carros estacionados no Centro. Quando trabalhava em um café, foi apresentado ao João Balan, fotógrafo profissional, que começou a lhe ensinar os segredos da moderna Speed Graph. Pronto, o garoto aprendeu um ofício. E no mesmo ano, foi contratado pelo jornal A Defesa, que funcionava em um sobrado antigo da Rua Sacramento, ali pelas bandas da Matriz do Carmo.

 

 

Talentoso demais, Oliveira foi convidado pata trabalhar no Jornal Campinas, na sucursal campineira de A Última Hora, até ser contratado pelo Correio Popular, em 1962. E, dos empregos anteriores, o Zé herdou uma velha paixão: fazer reportagens policiais. Ao lado da fera Danton Gomes, ele vasculhou histórias assustadoras. Como a do bandido mascarado que apavorava casais na periferia, ou sobre o psicopata que assassinou e queimou o cadáver da própria namorada. “Há 50 anos atrás, Campinas era pacata, com poucos prédios e ruas tranquilas. Mas gente doida sempre teve. Volta e meia, um sujeito saía matando, aterrorizando”, fala.

 

 

E Oliveira conta que, na época, se praticava um jornalismo apaixonado, idealista. “Como as matérias policiais ficavam só comigo, o jornal mandava me buscar em casa, de madrugada, para que a gente pudesse acompanhar os flagrantes. Não tinha dia, nem noite. Não tinha dia útil ou feriado. Quando a matéria pintava, a gente saía correndo”, lembra. Ah, claro, a “exclusividade” policial durava até pintar matéria em outro setor. “Já fotografei cadáver de dia e baile de gala à noite”, gargalha.

 

 

Zé Oliveira chegou a se casar, ter um filho, mas se separou da primeira esposa. Ele já trabalhava no Correio quando conheceu Mercedes Tessari, contratada para servir cafezinho. A moça foi ajudante geral na diretoria, e tinha entre as atribuições acionar a sirene tradicional do prédio do jornal (que funciona até hoje na sede administrativa da Rua Conceição). E Mercedes acabou organizando o arquivo do jornal, embrião do atual Centro de Documentação do Correio (Cedoc). Os dois deixaram o jornal juntos, em 91

 

 

Ah, sim, a vida trem dessas coisas. A troca de olhares e a paquera nasceu na redação do jornal, lá nos anos 70. Zé já estava separado e se engraçou com a gatinha do café. Mas, papo vai e papo vem, os dois descobriram que se conheciam há um tempão. Quando Mercedes completou 18 anos, em 1959, foi levada pelos pais para um ensaio no estúdio fotográfico onde o Zé fazia bico, nos finais de semana. E o quadro belíssimo, clicado pelo Zé há mais de meio século, continua lá, exposto na cômoda do quarto. “Ah, foi muito bonito. O reencontro no jornal despertou uma velha paixão”, fala Mercedes.

 

 

Saudades do jornal? Ah, sim, eles têm. Zé fala em ir ao Centro, passar pelo café e procurar notícias sobre gente “da velha guarda”. Mas também promete, dia desses, visitar a redação e conferir de perto como é o cotidiano de repórteres e fotógrafos. “Ah, eu tenho comigo que os jovens ainda se movem pelo entusiasmo. Acho que é coisa de hormônio. É difícil a vida do repórter. Desde o meu tempo era um duro danado pra ganhar a vida. Mas era, e sempre vai ser um prazer enorme, sair na rua com o repórter, clicar imagens e contar histórias”, fala.

 

 

Nas imagens da página, o casal mostra o retrato feito por Oliveira no ano em que Mercedes tinha 18 anos, e eles ainda nem se conheciam. Nos destaques, fotos de Oliveira trabalhando no trabalho de campo, pelo jornal; e foto que ele fez de Mercedes segurando um leãozinho (levado à redação pelos dirigentes de um circo que se apresentava na cidade) 

 

 

SAIBA MAIS

As pessoas interessadas em reencontrar o Zé de Oliveira e a esposa Mercedes podem marcar uma visitinha ao lar do casal. O contatos podem ser feitos por meio no telefone 3772-8158, na seção Baú de Histórias do Correio.


 

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02/09/2013 12:52:27.000
Campeão na piscina, no trampolim e no quimono
foto: Coleção Particular

O homem aparece de quimono. É um senhor maduro, com a faixa preta na cintura. Há 23 anos, o cidadão administra uma academia na Chácara da Barra. Pessoas de todas as idades frequentam o tatame, a piscina, a sala de musculação. Mas, na certa, os alunos mais jovens desconhecem a história de vida daquele senhor. Raul Hein, de respeitáveis 70 anos de idade, que chegou ao exame de quinto dan (uma das maiores graduações do karatê), na verdade era famoso praticando saltos ornamentais. No final da década de 60, ele foi o principal atleta campineiro da modalidade. Faturou medalhas e medalhas em jogos regionais e abertos, se destacou em campeonatos nacionais. Fez uma carreira reconhecida, e chegou a treinar selecionados que representaram o Brasil lá fora.

 

É, o destino prega peças. Uma tragédia familiar o levou para os esportes aquáticos. Hein era um menino de 7 anos de idade em 1950, quando perdeu o pai, Paulo, que trabalhava com uma máquina se solda. Pois a morte inesperada obrigou a mãe dele, Maria, a procurar emprego. A viúva, que precisava de dinheiro para pagar as contas, simplesmente não tinha com quem deixar o filho. Foi aí que apareceu a mão amiga do “seo” Reolon, zelador do Regatas, que deixava o garotinho passar o dia no clube até o fim do expediente, quando Maria voltava para casa.

 

O detalhe é que a família Hein era muito pobrezinha, e o garoto nem sonhava pular na piscina. Ficava lá pelos cantos, sozinho, olhando de longe o movimento. “Eu lembro que ficava mexendo os braços, imitando o povo que nadava. Até que, um dia, um diretor me convidou para treinar com a garotada da minha idade. Era o Roberto Jacob Chaib, conhecido advogado da cidade. Eu, que nem era sócio, virei atleta mirim do clube, e passei a competir pelo Regatas”, fala.

 

Em 1965, a carreira deu uma guinada. O major Sérgio Lobo, da Aeronáutica, montou no Regatas uma equipe de saltos ornamentais. Hein teve aula com o mestre só por uma semana. E depois daquilo nunca mais teve técnico. Ele mesmo desenvolveu seu estilo e virou fera no trampolim. Era uma prancha de madeira, fornecida por uma marcenaria de Corumbataí, afixada a cinco metros de altura (bem diferente da moderna prancha de alumínio de hoje em dia). E o rapaz começou a brilhar nos melhores complexos aquáticos do Brasil. Ele saltou da prancha do Palmeiras, a dez metros de altura, para faturar um título nacional.

 

Mas a trajetória brilhante sofreu um golpe. Um dia, quando Hein instruía saltadores no Regatas, aconteceu um acidente sério. No treino, ele saltou, deu uma pirueta no alto, mas na decida bateu a cabeça na prancha. Sofreu um corte imenso no rosto, precisou fazer diversas cirurgias reparadoras. Ele, que tinha apenas 30 anos em 1974, deixou de as competições e passou a trabalhar apenas como treinador. Dali, foi contratado como técnico do Cultura, e colaborou para revelar diversos atletas que passaram a representar Campinas nos jogos.

 

Durante toda a trajetória, Hein conseguiu apoio importante da Ibras CBO, fabricante de equipamentos hospitalares, que o contratou como funcionário. Ao mesmo tempo em que elaborava as guias de exportação e viajava como representante, o atleta (e treinador) tinha liberdade para participar de intercâmbios e eventos esportivos. A empregadora era, efetivamente, sua patrocinadora.

 

Em 1990, aos 47 anos, Raul inaugurou sua própria academia, na Rua Mogi Guaçu. E dali tirou o sustento para criar os quatro filhos. Ah, sim. Nenhum deles se tornou atleta. Um promove eventos, um é fisioterapeuta, a única mulher é instrumentadora cirúrgica. O mais novo (Peterson, de 22 anos), do segundo casamento, professor de educação física, é quem vai herdar a academia. E vai ter muito trabalho para arrumar as estantes e prateleiras, onde estão troféus, medalhas e uma coleção imensa de artigos de jornal sobre a trajetória do papai supercampeão. “Ah, eu guardei todas as matérias. A gente precisa contar a história pra quem é mais jovem”, ri.

 

* Imagem da época em que Raul Hein treinava no Regatas; no destaque, foto dele hoje, de quimono, na academia 

 

 

SAIBA MAIS

As pessoas interessadas em conhecer o campeão Raul Hein, ou quiserem ouvir histórias deliciosas do esporte amador campineiro nas décadas de 50, 60 e 70 podem marcar uma visitinha à academia, por meio do e-mail raul.hein@hotmail.com ou do telefone (19) 3251-4610.

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27/08/2013 08:19:28.000
Afeto e caridade; bordado e culinária: os cem anos da madre Antonieta
foto: César Rodrigues

Maria Giuliani nasceu há exatos cem anos em Piracicaba, no sítio onde os pais colhiam café. O bairro rural do Pau Queimado era longe, no caminho para Botucatu. Mas a menina, caçula de dez irmãos, nunca pegou nas enxada. Cresceu dentro de casa, cozinhando e costurando para a família enorme. Mas, aos 21 anos de idade, ela foi apresentada ao convento. A moça (que já namorava, falava em casamento e tinha o enxoval prontinho) ficou tocada de conhecer mulheres que abriam mão de tudo e se dedicavam a cuidar de doentes, acolher órfãos, educar criancinhas. Aquilo era um chamado de Deus. E Maria não pensou duas vezes: mudou de vida.

Vestindo o hábito simples da Congregação das Irmãs Franciscanas, Maria trocou até de nome. Passou a se chamar Antonieta Maria do Coração de Jesus. Era costume, na época, que a religiosa escolhesse um nome e cortasse todos os vínculos com o mundo lá fora. Em 1935, ela se mudou para Campinas e nunca mais deixou a vocação religiosa. No começo, morou na Casa Geral da congregação, bem de frentre ao Colégio Ave Maria, e chegou a trabalhar por três anos no interior dos estados do Paraná e Santa Catarina. Mas ela voltou.

A irmã Antonieta se dedicou a uma causa que a tornou conhecida da cidade inteira. Ao longo de toda a década de 40, deu aulas de bordado, corte e costura e culinária no Patronato São Francisco, ali mesmo pela Rua Barão de Jaguara. E tinha entre as alunas centenas e centenas de meninas que, naquele tempo, precisavam aprender todas as tarefas domésticas. Na década seguiinte, ela foi a madre superiora na Creche Bento Quirino, e cuidou de outra legião de criancinhas.

A irmã deixou as funções há pouco mais de 30 anos, quando se recolheu na Betânia Franciscana, uma belíssima casa de repouso das religiosas. O prédio imponete fica no meio de uma quadra ajardinada, em um canto sossegado do Jardim Amazonas. Árvores imensas, bromélias, canteiros floridos, um gramado a perder de vista. Por ali, Antonieta vive com outras 34 idosas. E, apesar da idade, a senhorinha esbanja sáude. Arruma o prórprio quarto, passeia pelos corredores, adora conversar. E recebe visitas o tempo todo. Volta e meia, algumas senhoras que já passaram dos 70 aparecerem e fazem questão de rever a professora. Muitas a escrevem. A gratidão está lá, nas cartinhas que chegam sem parar.

Visita ilustre a irmã Antonieta teve no último final de semana, quando uma comitiva de vereadores passou pelo convento e a homenageou com uma plaquinha de bronze. O centenário também foi lembrado em uma missa especial, na própria capela do convento. Os bancos estavam tomados por seus sobrinhos, que chegaram da região de Piracicaba lotando duas vans.

O mais supreendente é que a irmã Antonieta nunca voltou ao bairro rural do Pau Queimado. Nem vai passear no Centro de Campinas, para rever lugares e amigos. Por opção própria, quer permanecer no convento até morrer. Mas a senhorinha tem uma boa explicação para isso. "Neste mundo de Deus, as coisas nascem, crescem e acabam. Tudo tem seu tempo. Eu procurei cumprir a missão que recebi na época em que trabalhava na creche, na escolinha de bordado e culinária. Hoje, eu me contento em viver aqui na casa de repouso, ajudando como posso as irmãs que, velhinhas, precisam de mim" , fala.

Por ali, cada irmã acolhida tem seu quarto. Enfermeiras e cuidadoras circulam pelos corredores o tempo todo. Mas Antonieta, sorridente e forte, não dá o menor trabalho. A ajuda do andador, pelos corredores, é só uma precaução. Ela se cuida mesmo é na hora refeição. "Como o suficente para me manter e não precisar de fortificante" , ri. Mas ela come de tudo. Carne, massa, o que tiver no prato. Não bebe nem refrigerante, simplesmente porque não gosta. Bebida, pra ela, é água da talha. "Tenho cem anos, tenho saúde. Eu não pdia esperar graça maior" , fala.


SAIBA MAIS

As pessoas interessadas em conhecer ou matar saudades da irmã Antonieta Maria do Coração reoação de Jesus podem marcar uma visitinha pelo telefone (19) 3276-2362, na Betânia Franciscana. A casa de repouso fica na Rua Praxiteles Ferreira Neves, 101, no Jardim Amazonas, pertinho do 5º Distrito Policial de Campinas.

 

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19/08/2013 11:49:51.000
A despedida de uma matriarca do nosso jornalismo
foto: Álbum de família

Por Fabiana Marchezi
fabiana.marchezi@rac.com.br

 

Lá em 1914, na ainda bucólica e pacata Campinas, nascia Iracema Ribeiro Pompeu, que seria referência de quatro gerações de jornalistas e escritores. O pai de Iracema, José Ribeiro, além de professor, já fazia parte da imprensa, no início do século 20. O marido de Iracema também seria jornalista. Assim como os três filhos e o único neto. Sempre cercada por jornalistas, apesar de não seguir a profissão da família, desde pequena, comentava e palpitava sobre todos os temas e pautas debatidos nas rodas da chamada grande imprensa.


Apesar de ter nascido em Campinas, Dona Iracema cresceu num sítio em Pouso Frio, perto do Vale do Paraíba, onde o pai mantinha uma escola rural. Antes de voltar para sua cidade natal, foi interna de um colégio católico no Rio de Janeiro. Ingressou cedo na extinta profissão de sericulturista, depois prestou concurso e se tornou telefonista. Pouco tempo depois, conseguiu ser a chefe das telefonistas no período noturno, o que a levou a conhecer seu futuro esposo, Paulo do Amaral Pompeu, que era correspondente de um jornal da Capital em Campinas e frequentava sua agência de telefonia à noite para transmitir as notícias.
 

Assim que o namoro se firmou, Paulo dedicou uma crônica à amada, no Correio Popular, jornal do qual, posteriormente, ele seria redator-chefe. O casamento aconteceu 1938 e os três filhos do casal — Sérgio, Renato e Paulo de Tarso — ainda nasceram em Campinas. Em meados dos anos 40, a família mudou-se para São Paulo, onde Paulo fez parte da redação do jornal 'Folha de S.Paulo', cujo irmão Hélio do Amaral Pompeu foi secretário de Redação.


Sérgio, Renato e Paulo de Tarso também trabalharam na 'Folha'. Os dois primeiros, inclusive, participaram das equipes que fundaram a revista 'Veja'  e o 'Jornal da Tarde'.


Aos 71 anos, o filho Renato, único dos irmãos que ainda está vivo, diz que Iracema tinha muito orgulho de ter sido referência para quatro gerações de jornalistas. “Tudo começou com o pai dela, depois veio o marido, os filhos e o neto. Ela nos apoiava muito, era nossa incentivadora. Inclusive, durante a ditadura militar fui preso várias vezes e, em 1970, quando fui pego em casa, com medo de que os militares voltassem, mamãe enterrou meus livros e escritos em um terreno baldio, longe de casa, para não me comprometer ainda mais. Dois anos depois fui absolvido.”
 

Dona Iracema acompanhou o surgimento e a evolução da tecnologia. “Ela sempre dizia que o progresso trouxe conforto, mas piorou a convivência”, disse Renato. Mesmo sem querer, desde pequena cercada por quatro gerações de jornalistas, também acompanhou a evolução e as mudanças da profissão no Brasil, tanto tecnológicas quanto editoriais.
 

“A casa dela estava sempre cheia de jornalistas. Além da família, os amigos — jornalistas e intelectuais —, também estavam sempre por lá, motivo pelo qual ela acabou acompanhando praticamente todas as fases do jornalismo no Brasil. A relação dela com o jornalismo começou na infância, com o pai dela, depois o marido, os filhos, o neto, isso a deixou sempre envolvida, de uma forma ou de outra”, lembrou o neto Sérgio Henrique Pompeu.

Amigos famosos
 

Coincidência ou não, escritores famosos também sempre fizeram parte da vida de Dona Iracema. Ainda na juventude acompanhou a prisão do pai junto com o amigo Monteiro Lobato. “No início dos anos 1940, Monteiro Lobato escreveu uma carta ao presidente Getúlio Vargas, seguida de outra ao general Góes Monteiro, chefe do Estado-Maior do Exército, reprovando Vargas, que para ele, dificultava a criação da grande indústria petroleira em nosso País, para servir, única e exclusivamente, aos interesses de uma empresa internacional. Meu avô, como era jornalista, envolvido com a política e amigo de Lobato, acabou detido junto”, contou Renato. Já adulta, Dona Iracema ainda adorava ler Machado de Assis, um dos maiores nomes da literatura nacional.

 Dona Iracema ficou viúva em 1989 e perdeu os filhos Sérgio e Paulo em 2000. Morreu há duas semanas, dia 29 de setembro, aos 99 anos, de parada cardíaca por complicações de um pneumonia e problemas renais. Deixou, além do neto jornalista Sérgio Henrique Pompeu, as netas Maria Daniella, Maria Priscila, Maria Luiza e Isabel Cristina.

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24/06/2013 08:02:23.000
Retirante, pedreiro, pugilista, zelador: a saga de um campeão
foto: Carlos Sousa Ramos

Lá em agosto de 1982, os campineiros tomaram as arquibancadas do Ginásio do Taquaral e torceram por Roberto Silva, que subia ao ringue para desafiar o campeão brasileiro dos meio-médio-ligeiros, José Rodrigues (conhecido como Feijão). A luta teve 12 rounds “apoteóticos”, como registrou na época a reportagem do Correio Popular. A cada jab, upper ou cruzado, o público levantava da cadeira e vibrava. Mas, quando todo mundo achava que a luta ia ser mesmo decidida nos pontos, o Feijão acertou um golpe de esquerda e atordoou o adversário, que não chegou a cair. Mesmo assim, o árbitro Antônio Bernardo abriu a contagem e apontou a vitória de Feijão, por nocaute. Se encerrava, naquele instante, a carreira de um dos mais importantes boxeadores da cidade. Hoje, passados mais de 30 anos, Silva trabalha como zelador de uma praça de esportes do São Bernardo.

Silva, que já tinha 32 anos na época do desafio, chegou a abrir sua própria academia. Mas ele admite que o negócio nunca foi muito bem das pernas. Em um país que só falava de futebol, lembra, a garotada não estava muito interessada em vestir luvas. Ainda no final daquela década, foi convidado para assumir um cargo no departamento de esportes da Prefeitura e nunca mais saiu da Praça de Esportes Argemiro Roque. Claro, claro, ele sempre sonhou ver investimentos do poder público na infraestrutura esportiva, na revelão de novos atletas. Mas os prefeitos foram passando, as velhas dependências ruindo, e o público cada vez mais desinteressado. “Eu lembro que eu comia pão de banana, mas ia para o ringue treinar, depois de trabalhar o dia todo como pedreiro. Não sei o motivo. Parece que a garotada de hoje não tem entusiasmo”, diz.

Bom, as novas gerações preferem se divertir no computador, mas o Silva treina firme. Hoje ele tem 67 anos de idade. E treina golpes na própria parede do ginásio, revestida com espuma. Volta e meia, o homem treina ali mesmo no bairro, na Associação dos Servidores Públicos Municipais. E, para manter a forma, tem o exercício aeróbico. Ele vai e volta, empurrando dois rodinhos enormes, passa limpar o piso da quadra. Três vezes por semana, vem para o trabalho a pé, e encara uns sete quilômetros de pernada. “Ah, quem foi atleta se cuida”, brinca. De fato, o cidadão esbanja saúde:
“Talvez eu me aposente daqui a uns três anos. Mas nem tô pensando nisso.”

A história
Roberto de Souza da Silva, paraibano de João Pessoa, nasceu em um lar de lavradores. Os pais João e Regina trabalhavam duro nas rolas de feijão e arroz, e morreram muito cedo. O filho tinha só 8 anos quando embarcou no pau-de-arara com a avó e dois tios, atrás de uma vida melhor em São Paulo. Em Campinas, os retirantes foram acolhidos na casa de uma senhora chamada Nidorma, conhecida como Índia pelos moradores do Jardim Santa Odila.

Pois o menino aprendeu a ler aqui em Campinas. Chegou ao segundo ano do ginásio. Mas aos 14 anos ele deixou os cadernos de lado para trabalhar como ajudante de pedreiro. Na mesma época, briguento que só vendo, e famoso por se me meter em pancadarias, o rapaz foi descoberto para o esporte. O advogado José Nolasco Lopes (que mais tarde seria delegado) o levou para treinar no Guarani, lá por 1960. E deu certo. O atleta, representando o Bugre, se cansou de atropelar adversários na Forja dos Campeões, lá pela Ponte Pequena, na Capital, e chegou a ser tricampeão paulista dos meio-médios ligeiros nos anos de 67, 68 e 69. Ele já tinha se tornado amigo até de ícones como o campeão mundial Eder Jofre, e começou a sonhar alto.

No começo dos anos 70, por exemplo, Roberto Silva treinava pensando nas Olimpíadas de Montreal, mas ficou pelo caminho. Mas, apesar da carreira respeitada por aqui, ele não conseguia patrocínio para se dedicar só ao esporte. E seguia dividindo o tempo entre o ringue e as fábricas. A derrota no desafio nacional o desapontou. Já era tarde (32 anos de idade), não dava para continuar sonhando com títulos. Mas ele tem, sim, esperança que a Prefeitura e os empresários da cidade invistam para formar novos campeões.

SAIBA MAIS

Apesar de começar a carreira no Guarani, Roberto Silva defendeu outros clubes na carreira, como a Ponte Preta e o Bragantino. Hoje, ele mora no Jardim Santa Odila e adora uma prosa. Quem tem interesse em marcar uma visitinha pode ligar para o telefone (19) 3276-6506. Quem preferir, pode falar com o ex-boxeador na Praça de Esportes Argemiro Roque, localizada no São Bernardo.
 

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17/06/2013 08:35:14.000
Navalha, tesoura e clientela de todas as raças
foto: Gustavo Tílio

Quem chega à clínica de repouso encontra com o seo Geraldo sentadinho, com gorro de lã e cachecol no pescoço. Mas é só precaução. O senhorzinho, que acaba de fazer 100 anos, até consegue se levantar e caminhar devagarinho, se apoiando nos móveis. É que o tempo passou, a coluna curvou, a musculatura atrofiou. E as enfermeiras preferem que ele permaneça acomodado na cadeira de rodas: a locomoção é mais rápida, sem risco de tombos. Mas o homem não teve doença alguma. Enxerga bem, come de tudo, dorme umas dez horas por noite. Adora visitas e conversa. Só o ouvido não está lá essas coisas, e ele pede que falem mais alto.

 

Certo, certo, hoje em dia, com a medicina avançada e qualidade de vida maior, muita gente chega aos cem anos. Mas o caso de Geraldo dos Santos é especial. O cidadão foi barbeiro dos bons. E, na mesma época que manobrava navalhas e tesouras, trabalhava como carteiro. Era época em que o serviço postal brasileiro começava a se expandir. Cidadãos se ofereciam para buscar malotes no Centro e distribuir as cartas nos bairros. Ganhavam uns trocos com isso. E Geraldo era um deles. Pegava as correspondências no Centro, as levava de bonde para a Vila Industrial, as distribuía de porta em porta. Trabalhava até de sábado e domingo.

 

Era um tempo em que o cidadão pegava no pesado, sem descanso, para colocar comida na mesa. E a vida do Geraldo dá livro. Ele tinha 14 anos quando se mudou para Campinas. Pobrezinho de tudo e analfabeto, o garoto precisava aprender um ofício, trabalhar, ajudar em casa. Pois o rapaz aprendeu a cortar cabelo e, aos 20 e poucos anos, já tinha seu salão, ali por perto do Largo Santa Cruz. E não era uma barbearia qualquer. Pelas duas cadeiras de aço, se ajeitavam brancos e negros. E a convivência pacífica entre as raças era rara na década de 30.

 

Geraldo, habilidoso, cortava qualquer tipo de cabelo. E os negros, além de clientes, eram velhos conhecidos. Todos vizinhos do próprio barbeiro, ali nos cortiços que existiam no Cambuí. Pois o salãozinho, de 12 metros quadrados, era um lugar pacífico, no meio de uma cidade que, na época, era preconceituosa demais. Quem conta é o filho Newton, de 75 anos (na foto, ao lado do pai). “Na cidade, tinha barbearia que não aceitava cliente negro. E também havia preconceito do outro lado: negros que não queriam branco por perto. Era um tempo de ignorância, que felizmente passou”, fala.

 

Na década de 40, quando começaram a brotar pelo País as casas populares, Geraldo se mudou com a mulher Maria e os filhos para o embrionário São Bernardo. E os negros, lá do Cambuí, encaravam a pernada e continuavam clientes. A fama correu, e senhores da cidade inteira frequentavam a barbearia, montada em cômodo do imóvel.

 

Naquele tempo, preocupado em se livrar das dívidas, Geraldo se inscreveu para entregar correspondências na agência campineira do antigo Departamento de Correios e Telégrafos (DCT). Ia buscar os pacotes e caminhava pelas ruas. Trabalhava nos finais de semana para juntar dinheiro e quitar a casa própria. E assim foi. Mas a identificação com o trabalho foi tão grande que o cidadão passou a se dedicar à nova carreira, e acabou trabalhando nos Correios por 30 anos. Assumiu cargos importantes, chegou a chefiar todos os carteiros, até foi condecorado.

 

O filho Newton e seus quatro irmãos testemunharam a trajetória de Geraldo. Se orgulham disso. Tanto é que os causos são contados, e continuam cultuados, por oito netos e dez bisnetos. Muitos parentes estavam na clínica, dia 4, para comer bolo e comemorar os 100 anos do cidadão. E, neste semana, falando com a reportagem, o senhorzinho falou do footing no Largo do Rosário (onde se conheceu a mulher Maria), e da Campinas onde ele chegou e nunca mais saiu. “Cidade linda demais”, disse, todo emocionado.

 

SAIBA MAIS
As pessoas interessadas em conhecer ou matar saudades do seo Geraldo marcar uma visitinha no Cantinho Feliz do Vovô, que fica na Rua Barbosa de Lima, 231, o Guanabara. O telefone da clínica de repouso é 3327-2225. Contatos com o filho Newton podem ser feitos pelo (19) 3272-2686

 

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17/06/2013 08:30:52.000
Livro conta a história da epidemia que arrasou Campinas
foto: Centro de Memória da Unicamp

A Campinas da segunda metade do século 19 era uma cidade poderosa, com agricultura forte e fábricas brotando por todo canto. A chegada do ferrovia, o impulso do milionário ciclo cafeeiro e a emigração intensa já faziam dela a cidade mais importante do Interior. Mas seguidas epidemias de febre amarela, ao longo de uma década inteira, quase varreram a cidade do mapa. E a urbe precisou, literalmente, ser reconstruída para retomar o próprio desenvolvimento. As bibliotecas públicas e os centros de memória possuem vasto material sobre a doença que ceifou a vida de pelo menos dois mil cidadãos. As novas gerações, no entanto, ignoram capítulos obscuros, e um pesquisador campineiros se propôs a passar a história a limpo.

 

Além de enaltecer o trabalho de cidadãos altruístas _ muito dos quais perderam a própria vida em benefício de semelhantes _ o autor detalha acontecimentos que a memória oficial preferiu ocultar, ou simplesmente não destacar. Brigas políticas, manobras interesseiras e atitudes covardes marcaram o comportamento de cidadãos ilustres. A epidemia revelou a hipocrisia de uma classe dominante que, de repente, se viu impotente, ameaçada, desmoralizada.

 

A pesquisa detalhada foi elaborada ao longo de dois anos e meio por Jorge Alves de Lima, de 75 anos, advogado e ex-procurador da Prefeitura, que hoje ocupa a presidência do Instituto Histórico Geográfico e Genealógico de Campinas. No período, ele pacientemente anotou a mão, em cadernos, episódios curiosos que encontrava em livros, artigos, carta, atas e reportagens. E ele acaba de terminar o boneco do primeiro volume da obra O Ovo da Serpente, que promete presentear as novas gerações com informações inéditas sobre a peste e suas consequências. Neste volume, o autor detalha o primeiro (e mais grave) surto da doença. “Eu procurei contar a história da cidade em 1889, e fui relacionando episódios que precederam ou se sucederam à epidemia”, diz.

 

E as revelações são surpreendentes. Já se sabia, por exemplo, que Campinas tinha 12 mil moradores naquele ano. E que metade deles debandaram daqui quando a epidemia começou a matar em série. A pesquisa revela, no entanto, que cada cidadão cuidou da própria vida. Quem tinha para onde fugir, não pensava em quem ficava para trás. Mas imigrantes, ex-escravos e lavradores paupérrimos, por exemplo, foram largados à míngua. Quem não tinha a febre, passava fome. E quase metade dos que ficaram morreram. Depoimentos de época, extraídos de livros históricos, contam quem as famílias rodeavam as vítimas em seus leitos de morte, em cenários sepulcrais.

 

No momento mais crítico, apenas três dos 23 médicos atuantes na cidade de dispuseram a permanecer por aqui e cuidar dos doentes. Campinas ficou sem governo. A Câmara teve as sessões suspensas entre 11 de março e 30 de abril da quele ano, porque só quatro vereadores continuavam na cidade. Todos os outro fugiram. Lima conseguiu, analisando atas do poder público na época, que o principal hospital campineiro de então, a Santa Casa, se negou a receber mendigos doentes, por conta da falta de leitos.


 
 

Lima resgatou um editorial de fevereiro de1889, logo depois dos primeiros óbitos, em que o Diário de Campinas denunciou a precariedade completa da infraestrutura urbana. Terrenos baixos da cidade (como a gleba da atual Praça Carlos Gomes) eram imensos brejos com água acumulada e esgoto despejado. Diante do quadro, apurou o pesquisador, o governo paulista se encarregou de nomear uma comissão especial para executar obras estruturais na cidade. A inauguração do Desinfectório Central (foto), a instalação de canais para córregos e as obras de saneamento fizeram a cidade renascer.

 

O que pouca gente sabe, no entanto, é que o governo municipal da época relutava em atender exigências feitas pelos técnicos indicados pelo Estado. “Políticos campineiros simplesmente não aceitavam o que diziam ser uma intromissão externa”, diz o pesquisador.

 

Para a historiadora Ana Maria Negrão, que prefaciou o primeiro volume da obra, o autor foi muito feliz em dar nomes a cidadãos que desconheceram a fadiga e o medo de contágio, e se dedicaram a minimizar o sofrimento dos infectados. “O leitor visualiza, a cada parágrafo, o êxodo de uma cidade elitista, que se tornava cada dia mais deserta, pois as pessoas abastadas fechavam suas casas e se refugiavam em fazendas”, considerou. O primeiro volume, de 210 páginas, já tem editora definida, mas não existe previsão de quando estará no mercado.


 

História trágica de amor

 

A primeira vítima da febre amarela em Campinas foi uma jovem chamada Rosa Beck, nascida na Suíça. Ela vinha ao Brasil para se casar com Luiz Roberto Camargo de Souza Penteado, filho de uma abastada família da cidade. O casal tinha se conhecido em Paris, onde o rapaz estudou medicina. Mas ela contraiu a doença no próprio navio onde viajou. Ao chegar em Campinas, ela se hospedou na casa de um conterrâneo seu, Ulrich Banninger, que possuía uma padaria por aqui. Acontece que a moça caiu em febre e não resistiu. Rosa morreu na madrugada do dia 10 de fevereiro de 1889, dois dias depois de chegar, e antes mesmo de rever o noivo. Quando o rapaz ficou sabendo que a moça estava em Campinas e morreu, ele mergulhou na depressão e, algum tempo depois, cometeu suicídio.


 

 

Os médicos idealistas

 

Dos 23 médicos que residiam em Campinas em 1889, apenas três rejeitaram a ideia de abandonar a cidade. Ângelo Simões, Germano Melchert e João Guilherme Costa continuaram prestando assistência às vítimas. Mas o idealismo custou caro. Quatro dos cinco filhos de Simões adoeceram e morreram. Em 1907, anos depois de controlada a epidemia, Simões se matou. O jovem médico Costa Aguiar teve o cuidado de mandar a esposa e o filho pequeno para a fazenda do sogro em Itu, quando a doença crescia de maneira descontrola. Ele permaneceu sozinho em Campinas, mas também acabou contraindo febre amarela. Quando o estado de saúde se agravou, ele foi levado para a mesma fazenda, onde seria tratado, mas morreu. Ele tinha 33 anos.

 

Um hospital improvisado

 

José Paulino Nogueira, que presidia a Câmara Municipal em 1889, alugou dois imóveis do Guanabara, onde podiam ser recolhidos e devidamente tratados indigentes contaminados com a febre amarela. O vereador afirmou em plenário (e isso está registrado na ata da sessão) que a Santa Casa, superlotada, recusava novas internações porque faltavam leitos. Diante do quadro, freiras que trabalhavam como enfermeiras na Santa Casa se ofereceram para trabalhar no “Hospital de Isolamento”. E uma delas, a irmã Maria dos Serafins Favre, acabou infectada pela doença e também veio a falecer.


 

 

O dia mais cruel

 

Quinta-feira, 18 de abril de 1889. Aquele dia foi tenebroso. Data em que a epidemia de febre amarela provocou 58 mortes em Campinas. Os coveiros não davam conta de enterrar os corpos, e muitos deles permaneciam estendidos no chão, em frente do cemitério. Também havia cadáveres nas soleiras de casas abandonas, pois falavam carroças fúnebres para o transporte. A situação trágica fez com que o governo paulista apressasse a formação de equipes formada por médicos para o atendimento domiciliar, delegados de higiene, desinfectadores. O grande nome daquela equipe era o sanitarista Emílio Ribas, que assumiu os serviços emergenciais de reestruturação da urbe.

 

Socorro aos pobres

 

Com a epidemia de febre amarela, as vendas estavam fechadas, não havia feira, ninguém traz alimentos da roça. Os gêneros de primeira necessidade escasseavam e a fome se espalhava. Foi aí que os padres João Nery e Cipião Junqueira de Castro tomaram a frente de um serviço caridoso exemplar. Eles criaram a Sociedade Protetora dos Pobres, que reunia homens e mulheres que se ofereciam para alimentar os famintos. O próprio João Nery acolhia em casa os órfãos da epidemia. O empenho do religioso comoveu cidadãos como a dona Maria Umbelina Alves do Couto, que lhe ofereceu um terreno para a construção de um orfanato.


 

 

A FRASE

 

“O movimento da partida _ troles que passam, carroças que conduzem trens da família _ determina o contágio do medo. Afinal, ficam os que não pode sair, os pobres”.


 

 

ANTÔNIO ÁLVARES LOBO
Advogado e político republicano, relatando aos vereadores campineiros que, na primeira grande epidemia, só permaneciam na cidade moradores que não tinham dinheiro para fugir.
 

 

 

ENTENDA

 

A febre amarela é uma doença infecciosa transmitida por mosquitos contaminados e historicamente ocorre na América Central, na América do Sul e na África. A doença infectou e matou milhares de colonos que, vindos da Europa, se radicavam por aqui. Os primeiros registros da doença no Brasil datam de e 1685, com a ocorrência de um surto no Pernambuco. Um ano depois, a doença fez vítimas na Bahia. A febre amarela foi reintroduzida no Brasil em 1849 (primeira grande epidemia ocorrida na capital do Império, o Rio de Janeiro), quando um navio americano chegou a Salvador, procedente de New Orleans e Havana, infectando os portos e se espalhando por todo o litoral brasileiro. Depois que a doença arrasou a cidade de Campinas, novos casos voltaram a ser registrados no Rio,onde a infra-estrutura sanitária era extremamente precária, e muita gente vivia em cortiços. Época em que o Brasil amargou prejuízos enormes, porque os portos brasileiros eram evitados. As transações comerciais internacionais foram suspensas, o turismo acabou.
 

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11/06/2013 07:42:21.000
Página virtual resta imagens raríssimas da Campinas do passado
foto: Campinas de Antigamente

No começo, a cidadã resolveu compartilhar, nas redes sociais, fotos antigas que ela tinha encontrado em um livro de história. Queria só despertar a curiosidade dos amigos virtuais para as imagens românticas da cidade em outros tempos. O que a campineira Renata Bianca não podia imaginar é que a página virtual _ simples e objetiva _ ia se transformar em uma febre. Em pouco mais de quatro meses de existência, Campinas de Antigamente arrebanhou nada menos que 12 mil seguidores. Eles sugerem edições e fornecem informações complementares ao que já foi postado.

 

Quem navega pela fanpage fica encantado com a qualidade do material disponibilizado. Há, naturalmente, as imagens de estações, praças, bondes, mercados e igrejas. Aqueles cenários clássicos, cultuados por todo mundo. Mas algumas fotos são raríssimas, conseguidas em coleções particulares. O que mais chama a atenção não é acervo antigo preservado, mas o que não existe mais.

 

Há foto da embrionária Rua Francisco Teodoro, na época em que nem existia o muro imponente separando a Vila Industrial do complexo ferroviário. Em outra, d. João Nery ampara órfãos da febre amarela, diante do imponente prédio do Liceu. Dos anos 30, se resgatou a rica imagem do andor de Nossa Senhora da Conceição, rodeado de flores. O poeta Guilherme de Almeida aparece trajado para a batalha em 1932, durante a campanha paulista na Revolução Constitucionalista.

 

Sobram preciosidades. Como a imagem captada no pedestal do monumento a Carlos Gomes, onde se observa a belíssima estátua Cidade de Campinas, com coroa, cetro, louros, ramos de café e manto bordado. E (o que pouca gente conhece) a fachada da primeira Igreja Matriz de Campinas, que existia nas imediações da atual Basílica do Carmo, e feita de pau-a-pique (foto). 

 

A página virtual também virou um grupo de amigos fraternos, que compartilham imagens de casamentos, festas, passeios, jogos. É celebração de momentos inesquecíveis para cada família. O espírito do projeto está expresso na capa da fanpage: “Um povo só preserva aquilo que ama; Um povo só ama aquilo que conhece". Campinas de Antigamente é um convite para que as pessoas aprendam mais sobre a cidade, e se orgulhem dela.

 

A idealizadora

 

A autora Renata Bianca, de 39 anos, já foi atriz, cantora, produtora cultural. E, no segundo semestre, planeja colocar em prática em sonho de infância: começar a faculdade de história. Desde menina, Renata mergulhava em livros, fotos e discos antigos. Campinas virou tema central do hobby por causa de um trabalho de escola.

 

Antes da internet, lembra, era preciso passar o dia na biblioteca, folhear livro por livro para pesquisar, tirar cópias de páginas interessantes. E foi em uma daquelas ocasiões que, procurando informações históricas sobre a cidade, a jovem encontrou uma publicação antiga, escrita por Geraldo Sesso Júnior, chamada Retratos da Velha Campinas. “Eu me apaixonei imediatamente pelas imagens”, fala. Daí em diante, ela começou a colecionar e catalogar tudo o que encontrava.

 

Nas férias de janeiro, as redes sociais alavancaram o projeto. Renata montou o álbum no facebook, com fotografias encontradas em um sebo. O sucesso foi imediato. Seus amigos virtuais compartilharam o álbum inteiro. Em um mês, a página já tinha dois mil seguidores, e não parou mais de crescer. Passou a ser alimentada, diariamente, com as fotografias particulares e imagens coletadas de sites. A autora passou a navegar pelas páginas de arquivos públicos, museus, hemerotecas, prefeituras, centros culturais. E trabalha sem parar. Ela ordena as postagens, confere as informações de legendas e textos de apoio, se certifica da credibilidade das informações.

 


SAIBA MAIS

As pessoas interessadas em conferir as imagens ou entrar em contato com a autora podem acessar a página virtual https://www.facebook.com/campinasdeantigamente

 

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13/05/2013 13:27:49.000
O colégio da Vila Industrial cresceu ao redor do abacateiro
foto: Acervo familiar/Reprudução

Teresina e Juvenal Fúrio, filhos de imigrantes italianos, trabalhavam na roça em Monte Alto. Mas o sonho de ter uma vida melhor na cidade os trouxe para Campinas em meados dos anos 40. O marido arrumou emprego no Hotel Términus, gerenciando os serviços internos de limpeza. A esposa, costureira, trabalhava em casa mesmo. A família morava em uma edícula, na Vila Industrial. A filha pequena, Antônia, brincava no quintal imenso, sob a sombra de um abacateiro e de uma mangueira. O lar modesto ficava ao lado de uma casa bem antiga, construída em estilo colonial, em um terreno com caída para os fundos. Tinha aquela arquitetura que virou marca registrada do bairro: azulejos portugueses, porão, janela na calçada.

Naquele imóvel histórico da Rua 24 de Maio, por sinal, funcionou um grupo escolar, e lá mesmo a menina estudou até a 4ª série. Pois o tempo passou, as garotinha cresceu, se matriculou no magistério. Quando estudou no Carlos Gomes, Antonia tinha como mestre ninguém menos que Norberto Souza Pinto, famoso por criar na cidade, ainda na metade do século passado, um método de ensino para crianças com limitações mentais. Entusiasmada, e antes mesmo de fazer a faculdade de pedagogia, ela sabia que, um dia, teria sua própria escola.

E assim aconteceu Em 1964, há quase 49 anos, Antonia fundou, ao lado da irmã Neusa, uma escola de educação infantil. E usou o próprio terreno onde a família morava, e o prédio vizinho do velho grupo escolar, que se mudava para um novo imóvel (maior, moderno). O grupo, por sinal, é a atual Escola Estadual Professor Antônio Vilela Júnior, localizada ao lado do Teatro Castro Mendes.

Mas, se o prédio era acanhado demais para uma estabelecimento de ensino da rede pública, era mais que suficiente para começar o negócio. E nascia o Externato Branca de Neve. Em um período, Neusa comandava o pré-primário. No outro, Antônia ministrava aulas de um curso que preparava adolescentes para exames de admissão em colégios.

Neusa deixou a carreira para trabalhar em uma nova empresa. Antonia ficou sozinha, mas a escolinha não parou de crescer. Ela se casou em 1970, e o maridão José Celeste Cardelli tomou as rédeas do negócio. Aos pouquinhos, ele foi comprando outras casas antigas da quadra e ampliando o colégio. No começo dos anos 80, por exemplo, a pré-escola e o Primeiro Grau atraíam alunos da cidade inteira, que disputavam vagas. Inovador, o colégio tinha uma frota própria de peruas e vans para buscar a criançada pelos bairros. Em 91, quando foram formadas as classes do Segundo Grau (o atual Ensino Médio), a educadora Antonia viu que estava na hora de mudar o nome do estabelecimento. E o Branca de Neve virou o Renovatus.

Hoje, o colégio moderno, dotado de tecnologia de ponta, emprega 70 educadores e educa 680 alunos. A sede toma nada menos que 5 mil metros quadrados da quadra. E um dos prédio tem três pavimentos. Mas o passado é preservado. O velho prédio do grupo, por exemplo, serve como auditório. As novas dependências foram erguidas ao redor de um pátio que preserva a gigantesca mangueira e o abacateiro (do quintal onde ficava a edícula da família).E antigos imóveis vizinhos, anexados, servem como oficinas, cozinhas, laboratórios. Na foto, aparece o playground do Branca de Neve, na década de 60. 

Claro, o casal (ambos já passaram dos 70 anos), hoje passeia pelo colégio ocasionalmente para prosear e conhecer os filhos dos primeiros alunos. O comando do colégio está por conta da filha Alessandra. Ah, o marido José Celeste, a partir da experiência com o transporte dos alunos, fundou uma empresa de ônibus, a Branca de Neve, e trabalha com fretamentos. Antônia Fúrio Cardelli se emociona de mostrar cada corredor, cada escadaria, cada detalhe da decoração.

SAIBA MAIS

Contatos com Antonia Fúrio Cardelli podem ser feitos pelo telefone (19) 3737-8699. As pessoas interessadas em obter informações detalhadas sobre a estrutura do colégio podem acessar a página virutal www.renovatus.com.br

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06/05/2013 10:24:10.000
Grupo vai difundir entre os jovens trajetória de vida de campineiros ilustres
foto: Augusto de Paiva

Um almoço no Rotary Club marcou, no dia 5 de maio, a posse da nova diretoria do Instituto Histórico, Geográfico e Genealógico de Campinas (IHGGC), entidade fundada em 2006, com o objetivo de resgatar trajetórias de vida de cidadãos ilustres. O grupo jamais teve uma sede própria, e sobrevive do empenho pessoal dos membros, que bancam as próprias pesquisas e sonham com o dia em que todos os campineiros conheçam episódios e personalidades, e se orgulhem da cidade.

Na presidência da entidade, tomou posse Jorge Alves de Lima (foto), que fez carreira como servidor público municipal. Formado em Direito na PUC-Campinas, ele assumiu cargo de assessor no gabinete do então prefeito Ruy Novaes ainda em 1964. Em 68, se tornou advogado da Prefeitura e permaneceu na Secretaria de Negócios Jurídicos até 95, quando se aposentou.

Mas ele não quis saber de pijama e chinelos. Ao contrário, abraçou por conta um novo ofício: pesquisar a história da cidade. Começou a passar dias inteiros mergulhado em alfarrábios de bibliotecas, universidades, sebos. Dissecou os arquivos do poder público, colecionou causos. Chegou até a publicar livros de contos e crônicas, com a coletâneas de artigos que ele mesmo escreveu para os jornais. Nas andanças pela cidade, ele conheceu outros apaixonados pelo tema, e conseguiu, dentro de centros culturais e instituições de pesquisa, os parceiros que já integravam, ou passaram a integrar o instituto.

Gente como Agostinho Tavolaro, Duílio Battistoni Filho e Sérgio Galvão Caponi (das academias campineiras de letras); Olga Von Simson, Rosaelena Scaepelini e Fernando Antônio Abrahão (profissionais ligados aos arquivos e ao Centro de Memória da Universidade Estadual de Campinas, a Unicamp). “O nosso objetivo é envolver veteranos e novatos. Despertar o entusiasmo de jovens, revigorar as publicações”, fala. “Acho que todo cidadão tem a missão de deixar, para as próximas gerações, informações sobre como Campinas se formou, o que ela enfrentou, o que superou para se tornar uma cidade tão importante importante.”

E um recente trabalho de pesquisa do próprio Jorge serve de exemplo sobre como o instituto passa funcionar. Ele descobriu uma foto raríssima, e se empenhou para contar detalhadamente a vida do médico campioneiro João Guilherme da Costa Aguiar, que se entregou ao trabalho árduo de cuidar de doentes de febre amarela, no final do século 19, em ambulatórios improvisados. Salvou muita gente. Mas ele mesmo adoeceu, e se tornou vítima fatal da epidemia aos 33 anos. Deixou a viúva Hortência e um filhinho pequeno, Virgílio.

“Costa Aguiar foi um autêntico heroi. E, hoje em dia, as novas gerações relacionam o nome a uma rua do Centro decadadente”, fala Alves de Lima. “O instituto existe exatamente para isso. A gente quer mostrar quem foram as pessoas que entregaram a vida pela cidade. Precisamos cultuar essas personalidades, hoje e sempre.”

O fundador

O IHGGC foi fundado pelo escritor Expedido Ramalho de Alencar, filho de lavradores nordestinos que se tornou escritor. Ele a mulher Ivanilde se mudaram para Campinas em 1967 e trabalharam a vida toda como fiscais da Receita Federal. Mas o casal tinha outra grande paixão: a literatura. Expedito, eclético, escreveu ao longo da vida mais de 30 livros sobre história, poesia, filosofia, literatura, ensaios, contos e crônicas. Em 2006, ele sentiu motivado a fundar, em Campinas, um instituto similar ao que ele conheceu na Paraíba. Na época, ele já falava em reunir no mesmo sodalício gente preocupada em contar a história da cidade. A entidade nasceu no dia 14 de julho daquele mesmo ano. Alencar foi homenageado com a Medalha Carlos Gomes e o título de Cidadão Campineiro. Ele morreu no dia 9 de agosto de 2011, aos 90 anos de idade. A viúva Ivanilde continua firme como integrante do instituto.

SAIBA MAIS

As pessoas interessadas em obter informações sobre o Instituo Histórico, Geográfico e Genealógico de Campinas e sua história podem acessar o http://ihggc.blogspot.com.br ou falar com o presidente Jorge Alves de Lima pelo telefone (19) 3255-0661.

 

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22/04/2013 09:40:40.000
Regatas, 95 anos: o mesmo espírito, de roupa nova
foto: Divulgação

No final da década de 30, Henrique Righetto Júnior se encontrava com a namorada Célia na noite de sábado, mas estava sempre preocupado com o horário. Sim, era um tempo de modos respeitosos e prosas educadas. Mas o rapaz não se importava com as regras. Na verdade, queria voltar logo para casa porque não podia perder a primeira condução para Sousas, na manhã seguinte. Ele passava o domingo todo nadando e remando na sede do Regatas, pedacinho do paraíso, ali nas margens do Atibaia. E a paixão pelo esporte nunca morreu. Hoje, o cidadão tem 92 anos. Mora em uma ruazinha sossegada da Chácara da Barra, ao lado da mesma mulher. E decora a estante da sala com fotos, fotografias, troféus, medalhas, livros. O homem é, provavelmente, o mais antigo sócio vivo do clube. Ah, sim, pode haver outros sócios da mesma idade. Mas, com certeza, ninguém mantém o hábito de vestir a sunga e mergulhar na piscina. O Henrique está firme, e não pensa em parar.

A esposa Célia, divertida, sempre se conformou. “O Henrique sempre teve duas paixões. O Regatas em primeiro lugar, eu em segundo”, ri.

Righetto é sócio desde os 13 anos de idade. Para provar, mostra sua fotografia no time que disputou o primeiro campeonato interno de basquete juvenil, em 1935. Mas ele também fala emocionado da inocência de uma época onde o traje era de gala até na piscina. Os maiôs eram inteiriços. E até os marmanjos escondiam o peito e a barriga. “A gente ia ao clube de terno. Depois de remar, nadar ou jogar bola, a gente tomava banho e voltava a se vestir bem para voltar à cidade”, conta o senhor.

E Célia, que confirma tudo, fala que a maior virtude do clube era reunir gente honesta, amigos sinceros. Quatro filhos nasceram e todos, ainda pequeninos, já tinham a carteirinha do Regatas

Bom, o casal foi apresentado à reportagem na última semana por uma razão muito especial,. O Clube Campineiro de Regastas e Natação completa neste mês nada menos que 95 anos de história. A associação nasceu em 1918, ali por onde o Atibaia corria limpinho. A garotada nadava, os pescadores enchiam os balaios. A ideia, na época, era fundar um clube de remo. A canoagem era febre nacional no começo do século passado, e todos os rios se tornavam raias.

Com o tempo, o Regatas virou patrimônio cultural da cidade. A primeira sede continua lá. Hoje, o Pavilhão Beira-Rio abriga confraternizações e eventos. Há quadras, campos de futebol, sauna, sala de musculação, restaurante, piscinas. A outra sede, tradicionalíssima, funciona no Cambuí desde 1935: o salão principal tem capacidade para 900 pessoas. E o Red Hall, anexo, comporta outras 150. E o ginásio de esportes, de estrutura abobadada, se tornou uma paisagem típica do bairro.

Certo, os tempos mudaram. Hoje, os condomínios residenciais contam com toda infraestrutura de lazer. E quase não se ouve falar daqueles bailes elegantes de antes, frequentados por cavaleiros de terno e senhoras de vestido longo. Mas o incrível é que, apesar de tantas transformações, o Regatas conta com nada menos que 12 mil associados e dependentes. E ocasionalmente ainda sedia noitadas de gala, com direito às grandes bandas e aos trajes sociais.

O presidente atual, Wagner Sotello Armani, o conhecido Sarambé, de 62 anos, ocupa o cargo há dez. Ele sabe que o clube não perde o charme por se manter como um espaço de lazer sadio e respeitoso, para pessoas de todas as idades. “Se o jovem não veste terno, frequenta a academia ampliada e equipada. A banda toca para casais românticos e veteranos, mas a garotada participa de dezenas de modalidades esportivas, orientadas por monitores especializados. O esporte, como sempre, se mantém como alicerce do clube”, festeja o presidente.

E Sarambé sabe o que fala. Os esportes individuais ou coletivos do Regatas, em todos os tempos, revelaram atletas que passaram a defender Campinas nos jogos regionais e abertos do Interior. E isso não vai mutar tão cedo. O distintivo do “Vermelhinho” é uma marca campineira sagrada.
SAIBA MAIS

Quem pretende bater uma prosa divertida com Henrique Righetto Jr. e sua esposa Célia podem marcar uma visita pelo (19) 3252-3660. As pessoas interessadas em obter informações detalhadas sobre a estrutura atual do clube podem acessar o endereço eletrônico www.cluberegatas.com.br
 

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17/03/2013 14:09:01.000
Centro Médico de Campinas: os 40 anos de um hospital de referência
foto: Gustavo Tílio

O Centro Médico de Campinas (CMC), inaugurado em março de 1973, é o exemplo de como a sociedade civil engajada colabora decisivamente com o desenvolvimento da cidade. O hospital, erguido em um terreno doado, com recursos fornecidos por uma fundação privada, se transformou ao longo de quatro décadas em referência no setor. Mensalmente, são 14 mil consultas e 1.100 internações. Os números impressionam: 450 médicos, 1.183 colaboradores, onze salas superequipadas de cirurgia, 256 leitos de internação. O complexo custa R$ 70 milhões anuais, e não consome um centavo de dinheiro público.

Hoje, o CMC prioriza a humanização do atendimento. Em 2008, por exemplo, foi inaugurado o Prédio-Inteligente, com boxes independentes, janelas automatizadas e sistema digitalizado de serviços de diagnóstico, que possibilitam acesso em tempo real dos resultados a todos os departamentos. Os laboratórios são superequipados, e o processo de modernização é ininterrupto. Os próprios médicos trazem os procedimentos modernos e os equipamentos de última geração usados no tratamento de pacientes particulares ou conveniados.

De acordo com o advogado Roberto de Carvalho Bandiera , presidente do Conselho Curador do CMC, trata-se, praticamente, da terceirização do atendimento médico. Na parceria, o hospital disponibiliza prédio e mão de obra, e os médicos garantem a assistência de ponta. E a mão de obra, no caso, é composta por uma equipe de enfermagem formada por ali mesmo. Tradicionalíssimo, o curso ainda capacita auxiliares e enfermeiros que atuam em outros estabelecimentos da cidade.

Em maio, deve chegar aos conselheiros a primeira etapa de um projeto pormenorizado, já contratado, de adequação das dependências à demanda por atendimento. Hoje, o complexo toma quase 45 mil metros quadrados de terreno, e não estão descartadas obras das ampliação. Mas as intervenções irão muito além dos consultórios e laboratórios. “Para aprimorar o cuidado a pacientes e acompanhantes, precisamos garantir mais vagas no estacionamento, um restaurante mais funcional, um atendimento mais rápido”, diz.

A história

Pouca gente das novas gerações sabe, mas a construção daquele complexo hospitalar foi resultado de puro idealismo. O cirurgião vascular John Cook Lane tinha desde 1965 sua clínica particular, na região central. Mas ele sonhava erguer na cidade um hospital moderno, equipado para o atendimento de casos complexos. Pediu ajuda em bancos, gabinetes políticos, igrejas. A recepção era sempre muito boa, mas o dinheiro nunca aparecia. Mas, um dia, o médico atendeu um novo paciente, executivo de uma multinacional. Era Wolfgang Sauer, diretor-geral da Bosch no Brasil.

O cidadão passou por uma bateria de exames com especialistas indicados por John Lane. E, no final do tratamento, se ofereceu para negociar, na matriz alemã, investimentos na construção de um hospital. Na época, a Fundação Robert Bosch já financiava, mundo afora, ações sociais com recursos da própria multinacional. Mas para que viessem verbas para o Brasil, o cirurgião tinha de conseguir a doação de um terreno. E ele conseguiu.

Foram encontrados 70 mil metros quadrados de uma gleba baixa, pantanosa, desvalorizada, encravada entre o campus da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e a embrionária Cidade Universitária. O próprio John Lane convenceu o loteador (João de Almeida Prado) a fazer a doação. Afinal de contas, a existência de um hospital moderno valorizaria os lotes. E não deu outra. Inaugurado, o CMC colaborou para tornar o bairro um dos mais valorizados da cidade.

Ao longo de dez anos, a própria fundação alemã manteve o custeio do CMC, adquirindo equipamentos e contratando profissionais. A partir de 1983, o complexo começou a andar com as próprias pernas, mantido por consultas particulares, convênios e cooperativas médicas. Desde 2004, o hospital de tornou uma fundação, e passou a ser administrado por um conselho curador, que tem entre seus membros integrantes do próprio corpo clínico. O hospital foi fundado, equipado e modernizado por médicos. E continua mantido pela categoria.

 

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11/03/2013 07:45:23.000
Festa celebra campanha vitoriosa do Proença, nos anos dourados do futebol amador
foto: Érica Dezzone

Lá pelo finalzinho da década de 50, o povo disputava lugar na beira do campo para acompanhar o campeonato varzeano. Todo bairro tinha seu time, a rivalidade era imensa. Algumas equipes marcaram época: Vila Almeida, Vila Estanislau, Portuguesa, Praiano. Uma melhor que a outra. Ninguém arriscava dizer quem ia levantar o caneco. Pois, lá em dezembro de 1959, os boleiros da cidade ficaram de queixo caído, surpresos, com a campanha da Sociedade Esportiva Proença. A equipe deixou de ser coadjuvante e se tornou campeão campeã campineira. A decisão foi no Majestoso. E o tricolor sobrou em campo: meteu 3 a 1 no favoritíssimo IAPI. E revelou um grande treinador: Zé Duarte, que mais tarde faria campanhas vitoriosas como técnico da Ponte Preta e do Guarani.

Hoje, passados 54 anos do evento memorável, os remanescentes daquele timaço vão se encontrar para um churrasco especial, na sede do Concórdia. Vão passar por lá gente como os pontas Má e Esquerdinha e o quarto-zagueiro Didi. Pelo que se sabe, estes são os três titulares do tricolor campeão que ainda estão vivos. Mas vai sobrar gente no evento. Pelo menos 50 pessoas foram convidadas, para representar ex-jogadores que já se foram deste mundo.

E o domingo promete ser emocionante. Os velhos amigos vão celebrar a memória de um time marcante, de uma época romântica. O Proença nasceu em 1952, há pouco mais de 60 anos. A sede da equipe era o porão da casa do próprio Zé Duarte, que trabalhava como encanador e eletricista. Quando o time ficou famoso, atropelando os adversários em 59, os torcedores apaixonados se encontravam no Bar do Durlin, na esquina das ruas Luiz Dallincourt e Uruguaiana, ali pertinho do Bosque. De lá, a galera saía para acompanhar partidas em campos da cidade toda. Os atletas viajavam na carroceria de um velho caminhão Ford, dirigido pelo Laurindo.

“Ih, era um tempo diferente. A cidade se identificava com os times amadores. Tinha até sócio- voluntário, que doava trocos todo mês para comprar jogos de camisa, bolas, chuteiras. O Proença representava o bairro. E um time bom era orgulho para a comunidade”, fala Alceu Pires de Moraes, um senhor de 85 anos, que presidiu a equipe na temporada vencedora.

A ideia de organizar o encontro partiu de Roberto Diogo, cronista esportivo que trabalhou na Rádio Educadora nos anos 70 e 80. Ele, moço também chegou a bater uma bolinha no time do Proença. Mas o cidadão tem 58 anos. Não fez parte da geração campeã. Mas, apaixonado por futebol e pelo bairro, guarda fotos, posteres e objetos sobre o tricolor. Como, por exemplo, o gigantesco distintivo do Proença, feito em metal, encontrado no baú da casa do amigo Alberto (um dos filhos de Zé Duarte). E entre as raridades também existe uma foto de jornal, onde o treinador Zé Duarte (já famoso) recebia uma placa de prata o homenageando como um dos idealizadores do Proença.

De fato, o homem foi muito importante. Além de fundar e oferecer a casa como sede do time, Zé foi técnico vitalício. Na prática, ele mandava e ponto final, apesar de existir uma diretoria instituída. Pois o homem fez tanto sucesso em 59 que acabou convidado para treinar as equipes de base do Guarani. Zé Duarte se foi, e o Proença minguou. O time disputou o amador por mais dois anos. “Com a saída do Zé, o time foi se desmanchando. Depois, virou um time de amigos, que fez amistosos pela cidade até o comecinho dos anos 80”, diz Roberto Diogo, que naqueles últimos anos envergou a camisa vermelha, verde e branca.

Didi e Esquerdinha (apelidos dos campeões Antônio Joaldy Criscione e Wilson Di Salvio), contam os minutos para a festa do dia 17. Os dois têm esperança de, quem sabe, rever outros ex-atletas vivos do time sensacional de 59. Vão lembrar um tempo que não volta mais, quando os times profissionais da cidade iam buscar na própria várzea os jogadores para seus elencos profissionais. Eles sabem: hoje tudo é diferente. Dá para contar nos dedos de uma mão o número de jogadores do Guarani e da Ponte que nasceram ou cresceram em Campinas. O jogador profissional chega de fora, joga uma temporada, vai embora. “Ninguém mais se identifica com a camisa que veste”, afirma Didi.

SAIBA MAIS
Quem tiver informações sobre ex-jogadores do Proença, ou que pretende saber mais sobre o evento marcado para domingo no Concórdia podem entrar em contato com o organizador Roberto Diogo, pelo endereço eletrônico rponzo2002@yahoo.com.br

 

enviada por Rogério Verzignasse
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