Publicado 14/03/2019 - 11h11

O começo sem rumo do novo governo

Não completados cem dias de governo e vivemos uma situação inusitada. Ministros são colocados em suspeição e ameaçados de degola, como Marcelo Álvaro Antônio, Ministro do Turismo envolvido com candidatas laranjas; ou demonstram incapacidade no exercício do cargo como Ricardo Vélez Rodríguez, Ministro da Educação que até agora não apresentou propostas que mostrem como vai gerenciar sua pasta. Por outro lado, há ministros que apresentaram propostas concretas desenvolvidas por equipes de trabalho sob sua coordenação e que são solapados por grupos dentro do próprio governo ou às vezes até pelo próprio Presidente da República Jair Bolsonaro, com acontece com os Ministros da Justiça, Sérgio Moro e da Economia, Paulo Guedes.
O governo está à deriva e sujeito a disputas entre grupos. Há claramente uma ala mais reacionária, ostensivamente de extrema direita, muito conservadora que tem no escritor Olavo de Carvalho seu guru. Este grupo tem os Ministros da Relações Exteriores e da Educação como referência no governo e fora dele os filhos de Bolsonaro que exercem grande influência na estrutura governamental. O outro grupo, mais moderado engloba os militares e técnicos do governo e, de modo geral, não tem compactuado com as posições extremadas dos seguidores de Carvalho.
O que acontece no Ministério da Educação ilustra bem a situação no governo e beira ao ridículo. Olavo de Carvalho, manifesta ostensivamente desde os primeiros dias sua intenção de influenciar as decisões do Ministério combatendo seus desafetos – técnicos e militares – conseguindo afastá-los. É bom lembrar que tudo isso é feito à distância, a partir de sua confortável residência em Richmond, estado da Virginia, nos Estados Unidos. Parece filme, mas infelizmente é realidade.
Para amenizar o impacto das demissões, o Ministro Vélez contrabalança com a demissão de aliados de Olavo de Carvalho, que se irrita com o seu afilhado e sinaliza para o governo seu desconforto indicando que poderá não o sustentar mais.
Tudo isso acontecendo num ministério estratégico para o país, onde a educação ostenta os piores índices internacionais, necessitando de um salto de qualidade que a torne uma ferramenta importante para o desenvolvimento.
O presidente Bolsonaro deveria se impor diante desses grupos, ou seja, exercer de fato o governo, mas mantém-se atrelado a questiúnculas que expõe nas redes sociais correndo o risco de cair no ridículo, como ocorreu ao compartilhar a publicação, mais tarde desmentida, segundo a qual jornalista teria admitido intenção de arruinar o governo e a família do presidente.
Jair Bolsonaro continua manifestando-se sem consultar sua equipe de governo e recuando de posições decorrente da pressão exercida pelas manifestações de seus seguidores na internet. Deste modo se enfraquece perante a opinião pública e desgasta-se no campo político institucional onde mais necessita de apoio para aprovação das reformas.
Se não bastasse tudo isso, agora com a prisão dos responsáveis diretos pelo assassinato da vereadora Mariele Franco vem à luz uma série de coincidências revelando alguma proximidade entre os autores e o clã Bolsonaro.
Já era de conhecimento geral a relação dos filhos de Bolsonaro com reconhecidos milicianos, havendo até homenagem prestada na Assembleia do Rio de Janeiro. Mas agora essa proximidade se revela mais preocupante. Pode não ser nada, apenas coincidências, mas dá margem a especulações de todo tipo. Temos que esperar os próximos lances, mas as suspeitas só emergem no noticiário nacional e internacional devido ao comportamento dos meninos de Bolsonaro que ainda não entenderam que a eleição acabou e suas ações estão sob a ótica da opinião pública.
E agora, surge mais um problema nacional que afeta a ideologia de culto às armas do Bolsonarismo. O massacre de Suzano, perpetrado por jovens numa escola deixando 10 mortos e inúmeros feridos escancaram o problema da posse de armamento como solução para questões ligadas à segurança. Deve crescer o repúdio a essa bandeira dos detentores do poder.
São alguns elementos que apontam para um governo que a cada dia cria mais problemas para si mesmo do que o faz uma oposição completamente desarticulada.
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