Publicado 11/02/2019 - 09h12

O caso dos canudos plásticos

A Câmara Municipal de São Paulo aprovou em primeira votação no dia 27/02/2019 um projeto de lei para proibir o fornecimento de canudos na capital paulista. O projeto ainda precisa passar por segunda votação antes de seguir para sanção do Executivo. A proposta restringe a utilização de canudos em hotéis, restaurantes, bares, padarias, estabelecimentos comerciais como um todo, clubes noturnos, salões de dança e em eventos musicais. No lugar dos canudos de plástico, poderão ser fornecidos "canudos em papel reciclável, material comestível, ou biodegradável, embalados individualmente em envelopes hermeticamente fechados feitos do mesmo material", diz o texto. Em caso de descumprimento, as penalidades vão da advertência e intimação até multa no valor de R$ 8 mil, com possibilidade de fechamento administrativo.
Na realidade, o Rio de Janeiro foi a primeira capital a aprovar uma lei do tipo, em junho de 2018. O projeto prevê multa R$ 3 mil aos estabelecimentos que desrespeitarem a lei, o valor é dobrado em caso de reincidência.
Diversas cidades já seguiram o mesmo caminho da proibição dos canudos plásticos. Todas seguem uma tendência mundial que foi iniciada em 2015, após a divulgação de um vídeo, que se tornou viral, de uma tartaruga marinha que sofria ao ter um canudinho plástico retirado da narina. Diversas entidades iniciaram campanhas para a abolição dos canudos plásticos, e desde então, diversos locais já proibiram a sua utilização.
A verdade, porém, é que toda essa campanha é desprovida de dados científicos. Ninguém sabe ao certo quanto os canudos, vilões da vez, representam em termos do lixo marítimo. Algumas estimativas indicam que é uma fração minúscula, se comparada com outros fatores. Por exemplo, a partir de amostras de lixo recolhido do mar foram feitas estimativas de que quase 50% do lixo plástico provém de redes de pesca jogadas. Para ter um impacto verdadeiramente positivo na questão ambiental, deveríamos focar os esforços para mudar a legislação de pesca, e concentrar os gastos com vigilância nessa área. Há milhares de outros produtos que não são biodegradáveis, e que poluem muito mais do que canudos (só para citar alguns exemplos: fraldas descartáveis, garrafas plásticas, embalagens diversas, etc).
Além disso, ao não ter mercado, provavelmente os canudos plásticos deixarão de ser produzidos. E o que farão as pessoas que realmente precisam deles, como pessoas com deficiência ou dificuldade de alimentação? Como os hospitais que dependem desse produto ficarão?
Evidentemente, não sou a favor de nenhum produto plástico, que polui o nosso meio ambiente e deve ser substituído com o passar dos anos por produtos biodegradáveis. Entretanto, assim como já ocorreu com o caso das sacolas plásticas, os legisladores devem procurar enxergar que os canudos são apenas uma minúscula fração de uma indústria muito mais complexa, e que devem pensar nas consequências de seus atos de maneira mais geral, e sempre baseados em ciência.
Histórico
O caso dos canudos plásticos
Museus de Ciência nos EUA
Em defesa da Liberdade Acadêmica e da Autonomia
Como uma onda no mar...
O poder da audição
Alguns Desafios do Ensino Superior
Por dentro do Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM)
Códigos de Conduta em Física
Ciência Culinária
Falta de recursos ameaça a pós-graduação brasileira
Lançamento do Vestibular Unicamp 2019
O Futuro da Educação Superior na América Latina e no Caribe
Sopa Fria, Café Quente
A Educação Superior na era da Globalização
Vitória apertada da Ciência
Cem anos da Reforma Universitária de Córdoba
Inveja Saudável
Os desafios das Universidades no Século XXI
Abrindo as Portas das Universidade Pública
Conversando sobre ciência no bar
A Física sob um cobertor de lã
Gravação magnética e spintrônica - Parte II
Gravação magnética e spintrônica - Parte I
A Ciência do Jornalismo Científico
O Mistério Oculto do Magnetismo
Ciência e Pseudociência
Por que gostamos do canto do canário?
Início das aulas
Revoada auto-organizada - Parte II
Revoada auto-organizada - Parte I
A ciência de uma boa xícara de café
A Ilusão da Lua
Limbo de Fronteira
Ciência e Comida
Magna Charta Universitatum
O Natal e os refugiados
A Cátedra de Refugiados da Unicamp
Cozinhando um peru com ciência
O Programa de Formação Interdisciplinar Superior (ProFIS) da Unicamp
A questão da Percepção da Altura de Sons Complexos: Um problema ainda aberto
O que significam 20 anos em Ciência e Tecnologia
Nanomagnetismo e Gravação Magnética
Considerações sobre o Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência (PIBID)
A escassez de professores universitários no Brasil
Pacto Nacional Universitário
O ENEM: Um Funil Gigante
Comunicação
Reflexões a respeito das colaborações internacionais em pesquisa
Será que os professores ensinarão de forma diferente daqui a dez anos?
Vitória Apertada da Evidência
Raio-X da Educação Superior Brasileira
Publicidade