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Há 22 anos, Hubble capta imagens do espaço


Telescópio Hubble completa 22 anos no espaço explorando lugares remotos a serviço da ciência


27/04/2012 - 09h32 .
Patrícia Azevedo   DA AGÊNCIA ANHANGUERA  
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Em órbita, o Hubble viaja há 22 anos sem tripulantes
(Foto: ESA/Nasa/Divulgação )

Há 22 anos em órbita, o telescópio Hubble vem fornecendo imagens que ajudam cientistas do mundo inteiro a tentar desvendar os mistérios do Universo. Sem a interferência da atmosfera, ele pode enxergar o Universo de uma maneira que um telescópio terrestre não conseguiria. 

O Hubble orbita a 570 km do solo terrestre e a uma velocidade de 27,2 mil km por hora. São dele algumas das mais importantes imagens já registradas do espaço. 

O físico da Unicamp Jun Takahashi diz que, em órbita, o telescópio permite enxergar cores que o olho humano não vê. “É como se você enxergasse as outras cores dos planetas e das estrelas. Além das fotos lindas e maravilhosas, o conhecimento científico gerado pelo Hubble é muito grande”, afirma. 

Muitas das fotografias feitas pelo instrumento serviram de base para grandes descobertas, como a energia escura, a idade aproximada do Universo e a descoberta de novos sistemas solares. Pesquisadores usaram as imagens para medir a distância da Terra a outras galáxias. Com isso, determinaram a velocidade da expansão e, consequentemente, da idade do Universo. “Foi possível definir melhor a idade do Universo. Sabíamos que ele tinha entre 10 e 20 milhões de anos e, com os cálculos feitos a partir de informações do Hubble, descobrimos que ele tem por volta 13,6 milhões de anos”, afirma o físico da Unicamp. 

Na década de 90 as imagens coletadas pelo equipamento mostraram que, ao contrário do que imaginavam os pesquisadores, a expansão do Universo ocorria de forma acelerada. Isso significa que existe uma força atuando de maneira oposta à gravidade. Essa força, de origem desconhecida, é chamada pelos cientistas de energia escura. “Um grande paradigma da ciência é a questão da expansão do Universo. Ele foi importantíssimo para convencer a comunidade científica sobre a existência da energia escura, e isso mudou a forma como a gente enxerga o Universo”, diz Takahashi. 

O astrônomo Júlio Lobo, do Observatório Municipal Jean Nicolini, diz que Hubble “aguçou” pesquisadores. “Ele fez o homem tentar sair do berço, enxergar mais longe”. Ele conta que as imagens do telescópio, somadas a observações feitas em terra e por meio de satélites, abriu novas janelas. 

Imagens captadas pelo telescópio revelaram discos achatados de poeira ao redor de estrelas jovens, indicando que existem sistemas planetários em formação. E em 2001 foi possível obter pela primeira vez a composição química da atmosfera de um planeta fora do nosso sistema. 

O centro das galáxias é uma região de atividade intensa, que era creditada à grande concentração de estrelas, gás e poeira. O Hubble descobriu que essa movimentação na verdade é causada pelos buracos negros supermassivos. Esse corpos são gigantescos, com massa bilhões de vezes superior à do nosso Sol e capturam qualquer coisa que passa perto deles, inclusive a luz. 

Por causa disso, esses objetos não podem ser observados diretamente. Resultados obtidos em 1994 através de imagens de outros corpos celestes detectaram a existência dos buracos negros supermassivos e, desde então, os astrônomos começaram a fazer um censo deles. “Com isso, descobriu-se que a nossa galáxia também tem um buraco negro em seu núcleo”, afirma o professor. 

Uma das imagens mais importantes foi feita durante um tempo de exposição de cerca de dez dias. O telescópio fez imagens consecutivas da mesma região e os cientistas conseguiram produzir a imagem mais profunda do espaço já obtida. Ela recebeu o nome de Hubble Deep Field. 

É possível visualizar nessa imagem objetos de luz situados a uma distância de dezena de bilhões de anos-luz e que surgiram pouco tempo depois da formação do Universo. Lobo diz que uma das imagens mais marcantes registradas pelo Hubble foi a primeira da colisão do cometa Shoemaker Levy 9, em 1994. Ele se partiu em pedaços e atingiu Júpiter. “A imagem pegou os fragmentos do cometa em direção ao planeta. Outra imagem de que me marcou foi a das auroras nos polos de Saturno”, explica Lobo.

Sedução
As fotos do Hubble seduziram muitos leigos que, maravilhados com a beleza do Universo, passaram a se interessar por astronomia. “Ele popularizou essas imagens para o grande público, é muito comum ver gente com protetor de tela com uma imagem do Hubble”, diz o astrônomo Júlio Lobo. 

Para uma grande maioria das pessoas são imagens bonitas, mas para muitos jovens, as imagens do Hubble motivaram escolhas. “Esse tipo de divulgação cientifica é muito importante para fazer com que os jovens queiram fazer Física ou Astronomia”, diz o físico nuclear Jun Takahashi. 

Fotos de constelações, galáxias e planetas são replicadas à exaustão nas redes sociais. E isso acabou trazendo um certo problema para os astrônomos. “O cidadão vê as imagens coloridas do Hubble e espera que as observações no observatório sejam assim”, diz Lobo. Os astrônomos têm que explicar que as imagens feitas pelo telescópio no espaço são muitas vezes por meio de exposição prolongada com filtros coloridos.







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