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Ainda falta respeito aos direitos dos idosos


Problemas são mais comuns em filas de banco e no transporte


12/02/2012 - 16h52 . Atualizada em 12/02/2012 - 16h56
Felipe Tonon   DA AGÊNCIA ANHANGUERA  
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A falta de respeito a direitos simples dos idosos, como fila preferencial em bancos e supermercados e assentos especiais no transporte coletivo, é uma prática comum em Campinas. 

Acompanhada do presidente da Associação dos Idosos de Campinas, José Alves dos Santos, de 75 anos, a reportagem do Correio percorreu as principais agências bancárias da região central da cidade para saber se a fila preferencial funciona na prática e fez algumas viagens em ônibus coletivos. A reportagem flagrou jovens e adultos ignorando os mais velhos na hora de ceder um lugar ou simplesmente respeitar a maior idade. 

O Estatuto do Idoso, de 2003, garante os direitos dos cidadãos da terceira idade, além de benefícios. Mas apesar de serem colocados em prática, muitos ainda não funcionam como deveriam. As filas preferenciais e os assentos no transporte público, que também valem para gestantes, mães com crianças de colo e deficientes físicos — que são igualmente desrespeitadas. 

Para tentar amenizar os prejuízos, a Empresa Municipal de Desenvolvimento de Campinas (Emdec) tem feito campanhas para alertar usuários do transporte público e trabalhos de educação nas escolas. Para Santos, o respeito aos idosos será conquistado de duas formas: através da consciência e educação das pessoas, e da consciência e educação dos próprios idosos, que devem cobrar seus direitos.

Bancos

Na maioria dos bancos de Campinas a cena é de desrespeito às leis. Em apenas uma das agências visitadas o número de cadeiras preferenciais era maior que o de cadeiras destinadas a outros públicos. 

Em um outro banco, na esquina das ruas Conceição e Barão de Jaguara, uma cena de desrespeito. Apenas quatro poltronas são preferenciais. Com a agência lotada, eram muitos os idosos e mães com crianças de colo em pé. “Isso não pode acontecer. O número de cadeiras tem que ser proporcional à demanda”, alertou Santos, que também criticou a política de uma outra agência próxima à Avenida Francisco Glicério, que possuía apenas três cadeiras preferenciais. 

Em um dos bancos visitados, a situação era ainda mais complicada: uma única poltrona reservada para idosos, gestantes e deficientes físicos. 

O presidente da Associação dos Idosos de Campinas alerta para um outro ponto importante: o atendimento aos os idosos. “Muitos têm limitações, não entendem alguns processos, e ele precisa ser auxiliados com um bom atendimento, diferenciado”, diz. Ao entrar em uma outra agência, Santos notou um problema. “Não existem caixas eletrônicos específicos para os idosos”, disse. Havia uma filaúnica na frente das máquinas.

Ônibus 

“Há muitos obstáculos, mas reconhecemos que o idoso precisa conhecer seus direitos para poder cobrar”, defendeu. Uma das situações em que o direito pode ser facilmente lembrado é no ônibus. “Para entrar em um ônibus alguns clamam por misericórdia ao levantar a carteirinha”, criticou. “As empresas não irão colocar fiscais para que as leis em favor dos idosos e dos com outras necessidades sejam cumpridas. Nós somos os responsáveis por isso”. Ele revelou que já recebeu inúmeras reclamações de idosos que sofreram até agressões verbais ao pedir um lugar para se sentar. 

Campanha 

Para alertar as pessoas ao uso consciente das vagas preferenciais em ônibus e de estacionamentos, a Empresa Municipal de Desenvolvimento de Campinas (Emdec) realiza campanhas permanentes. A gerente de educação e cidadania da Emdec, Roberta Mantovani, acredita que as campanhas cumprem duas funções fundamentais, que é fazer com que as pessoas se coloquem no lugar do próximo e tenham respeito. As campanhas acontecem com cartazes e orientações nos ônibus e com atividades em escolas e com o público em geral.

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