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Resgate de animais silvestres aumenta 85% no ano


Os animais mais comuns encontrados são onças, cobras, macacos, gambás, cachorros do mato, corujas, falcões e aves em geral


16/07/2012 - 16h23 .
Raquel Valli   DO PORTAL RAC  
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Coruja orelhuda sendo solta pelo Planet Vet
(Foto: Divulgação)

O número de animais silvestres desalojados de seu habitat natural e que consequentemente tem invadido casas, aparecendo nas cidades e rodovias próximas às cidades tem crescido constantemente, e Campinas vem engrossando as estatísticas. O problema, segundo os especialistas, é devido ao crescimento desordenado das cidades, às áreas de preservação ambiental insuficientes e à falta de corredores ecológicos, por onde os bichos possam se locomover.  

Comparando-se o primeiro semestre de 2011 com o mesmo período de 2012, a ONG Mata Ciliar, que atua recolhendo animais de Campinas e região, observou um aumento de 85% no resgate de tais animais. Em 2011, a ONG recebeu 1.793 animais silvestres, dos quais 763 puderam ser soltos após reabilitação. A porcentagem de soltura foi de 42%. Já nos sete meses de 2012, foram 772 animais recebidos e 288 soltos - uma porcentagem de soltura de 38%. 

'Infelizmente, tem sido sempre uma crescente', diz o médico veterinário Diogo Ribeiro Siqueira, diretor do Planet Vet, entidade que recolhe cerca de 270 animais por mês na região. 'Como as cidades têm crescido de forma desordenada, incluindo-se aí a construção de condomínios e de chácaras em áreas inapropriadas, cada vez mais os animais vêm perdendo seu espaço e, por isso, são obrigados a migrar para tentar sobreviver', explica Siqueira. 



Segundo a Polícia Militar Ambiental de Campinas, em 2011, 141 animais foram entregues à polícia, 23 foram apreendidos e 128 soltos; em 2012, 89 foram entregues, 8 foram apreendidos e 82 foram soltos. 

'Como não há áreas de preservação suficientes, apenas fragmentos isolados de Mata Atlântica, eles acabam tendo que passar pelas cidades, pelas rodovias, para ir de um fragmento a outro e, com isso, colocam em risco suas próprias vidas e a dos humanos também - já que podem ferí-los ou transmitir doenças', explica Siqueira. 

Perigo

Os animais mais comuns encontrados são onças, cobras, macacos, gambás, cachorros do mato, corujas, falcões e aves em geral. 'É um risco para a saúde pública', explica o veterinário.  De mesma opinião é a ONG Mata Ciliar, que orienta: 'nunca se deve tentar pegar ou manejar um animal silvestre. É um risco para a pessoa e para o animal'.

Segundo a organização, no segundo semestre a incidência de bichos perdidos ainda é maior porque é época de nascimento das espécies e pico de queimadas. Entretanto 'o aumento se deve, principalmente, ao desmatamento que está acontecendo frente aos remanescentes naturais na região. Com a derrubada das matas, os animais perdem seus habitats onde vivem e conseguem alimento, forçando-os a buscar novas áreas. Nessa situação, eles ficam mais expostos a atropelamentos em estradas, choques elétricos em postes e encontros com cães domésticos'.

O resgate inadequado coloca em risco os humanos e os próprios bichos. Em um dos casos, populares tentaram capturar um gambá com um anzol, ferindo o animal, que precisou ser resgatado corretamente, cuidado, para só depois retornar à natureza.

Educação Ambiental

Os animais 'chegam aqui em estado crítico, horroroso. Nós os tratamos e quando é possível os devolvemos à natureza. No caso dos impossibilitados, nós os deixamos aqui na reserva da Planet Vet, onde permanecem sendo cuidados e servem como exemplo para educação ambiental', diz Siqueira. Cerca de 300 crianças visitam a reserva por semana. 

'O nosso intuito é conscientizar as pessoas sobre o problema e mostrar que elas também podem agir: que podem deixar de comprar uma casa em um condomínio que desrespeite a natureza, por exemplo. Quando alguém compra um imóvel assim está financiando o desequilíbrio ambiental. Além disso, ensinamos também que o tráfico de animais, que é financiado por quem os compra, é o terceiro tráfico mais lucrativo do mundo, ficando atrás apenas do de drogas e de armas', informa o veterinário.   

Em 2011, por exemplo, a Polícia Militar Ambiental apreendeu 983 aves silvestres e recebeu 71. Dessas, apenas 285 tiveram condições de serem devolvidas à natureza.  Em 2012, 538 foram apreendidas, 82 entregues e 168 soltas.  

É crime vender, expor à venda, exportar, comprar, guardar e ter em cativeiro espécimes da fauna silvestre e produtos dela oriundos sem a devida licança do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). As penas previstas em lei são multa de R$ 500 por animal e R$ 5.000 por animal ameaçado de extinção, e a inclusão do nome na Justiça como sendo réu primário. 

'Uma vez, uma senhora me ligou pedindo que eu exterminasse os gambás que estavam invadindo a casa dela em um condomínio fechado. E, então, eu tive que explicar que não foram os bichos que invadiram a casa dela, mas ela que havia invadido o habitat deles e, que, obviamente, estava equivocada em desejar exterminá-los', conta Siqueira.  

O que fazer?

Ao se deparar com um animal silvestre perdido, seja dentro de uma casa ou no meio da estrada, por exemplo, o correto é chamar a polícia ambiental (3273-1056) para que ela possa providenciar o resgate adequado, assegurando, assim, a vida do humano que o encontrou e do animal vitimado.

No caso de se deparar com tráfico de animais silvestres, o correto também é chamar a polícia ambiental e fazer a denúncia, para que ela possa tomar as medidas cabíveis e coibir o crime em questão.  

O que ainda há em Campinas  

Por meio de sua assessoria de imprensa, a Prefeitura informou que da cobertura campineira original, composta pela Mata Atlântica e também por Cerrado, Vegetação Rupestre dos Lajedos Rochosos e Campina, esta última está totalmente extinta. E que de toda a cobertura original existem atualmente 92,89 milhões de metros quadrados, que correspondem a 86m² por habitante da cidade.

A fim de conservar o que ainda existe, a Prefeitura identificou essas áreas e estabeleceu que 20% de cada macrozona seja composta por Áreas Verdes de Conservação. Macrozona é cada uma das nove regiões que Campinas foi dividida pelo novo plano diretor do município, a fim de urbanizá-la. 

Em relação às Unidades de Conservação, há três anos (em julho de 2009) foi criado o Grupo de Acompanhamento para criação de novas unidades.  

De lá para cá, foram criadas três unidades na Macrozona 05 (Parques Naturais Municipais dos Jatobás e do Campo Grande e a Área de Proteção Ambiental do Campo Grande), que se somam às quatro já existentes (Áreas de Proteção Ambiental de Campinas e Piracicaba/Juqueri-Mirim, Área de Relevante Interesse Ecológico Mata de Santa Genebra, e Floresta Estadual Serra D’ água). 

Atualmente, a criação de mais nove unidades está em estudo.